quinta-feira, 16 de julho de 2009

Como dizer a Deus que você o ama / How do you say to God that loves him? / ¿Cómo se dice a Dios que lo ama?

A essência da vida cristã consiste, na verdade, em um caso de amor. A Bíblia diz que fomos criados para sermos amados por Deus. Somos, de fato, objetos do amor de Deus. Por isso que ele deseja se relacionar conosco.
Sendo assim, a coisa mais importante que temos a fazer é retribuir o amor que ele tem por nós. Foi isso que Jesus propôs: “Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu entendimento’ Este é o primeiro e maior mandamento.” Mateus 22:37-38.
Como em toda a relação amorosa, expressamos nosso amor a Deus através de expressões bem simples, como o simples gesto de dizer “eu te amo”, até mesmo à atitude de dedicar a vida inteira para ele. O problema é que tem se tornado cada vez mais difícil aferir o quanto amamos alguém ou o quanto somos amados. Até mesmo tem sido cada vez mais difícil expressar isso através de palavras. Algumas vezes sentimos que amamos, mas não sabemos como expressar, como dizer.
Quero sugerir algumas maneiras para você expressar seu amor a Deus. A primeira delas tem a ver com comunicação. Foi preciso que eu passasse por uma séria ruptura em minha vida conjugal para entender que casamento é comunicação. Quanto mais profunda e consistente for a comunicação, mais o relacionamento cresce. Quando a comunicação falha, o relacionamento enfraquece. É assim porque a vida é dinâmica demais. Quanto mais significativo for o seu diálogo, seu processo de comunicação – seja com Deus, cônjuge, amigos, grupo – mais o seu relacionamento cresce. E o inverso também é verdadeiro. Quanto mais você se descuida, mais enfraquece.
Quando você ama alguém, não basta passar um tempo ao seu lado. Quando comecei a namorar a minha esposa, gastávamos horas ao telefone. Hoje, precisamos muito conversar. Isso nutre a nossa relação. Você acha que com Deus deveria ser diferente? Se ele é alguém que você ama, você precisa conversar sobre tudo com ele, seus problemas, suas expectativas, seus medos, suas ansiedades, as coisas das quais você tem orgulho, as coisas das quais você tem vergonha... Veja o que o salmista disse sobre sua conversa com Deus: "Eu amo o Senhor, porque ele me ouviu quando lhe fiz a minha súplica. Ele inclinou os seus ouvidos para mim; eu o invocarei toda a minha vida.” Salmo 116.1-2.
Isso é o que poderíamos chamar de oração. Mas oração não é apenas um dever religioso. É uma conversa com alguém que nos ama profundamente, que nos entende e nos aceita como somos. Alguém que está muito interessado em nos ouvir e que nos convida a conversar com ele.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Transformado pela glória divina / transformed by divine glory / transformado por la gloria divina

Uma das características da ação de Deus que a Bíblia apresenta é que ele se manifesta em glória. Ter contato com a glória divina traz consequências inesquecíveis. Paulo teve o seu primeiro contato com o esplendor da presença de Deus no caminho de Damasco. A Bíblia registra esse fato assim: “Seguindo ele estrada fora, ao aproximar-se de Damasco, subitamente uma luz do céu brilhou ao seu redor” (Atos 9.3)
Até então, Paulo tinha sido um religioso sincero, crente que estava agradando a Deus ao perseguir cristãos por causa de seu zelo. Em sua formação, ouviu falar muitas vezes do Deus que se manifesta em glória. A história de seu povo foi marcada por inúmeras manifestações da glória divina. Homens foram transformados pela manifestação majestosa de um Deus presente e se tornaram grandes instrumentos de mudanças na vida nacional. Ele ouviu falar muitas vezes da promessa de que um dia essa glória tão falada seria vista de forma real, encarnada.
Mas ele ainda não tinha experimentado o que João também já havia testificado: “e vimos a sua glória como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” (João 1.14). Paulo, naquela ocasião conhecido como Saulo, precisava ter um encontro real com o Senhor da glória, o que acabou por acontecer no caminho de Damasco. O homem que era chamado “grande” – esse era o sentido hebraico do seu nome – foi surpreendido pela glória divina. O tamanho do tombo foi proporcionalmente inverso ao tamanho de sua arrogância. Prostrado ao chão, ouve o chamado divino que o intimava a servir e a testemunhar de Jesus Cristo.
Veja o que Paulo disse sobre aquela experiência com Deus: “[...] não fui desobediente à visão celestial” (Atos 26.19). Assumiu o custo de uma vida transformada por Cristo, rendida totalmente ao Senhor. Vida que não tem nada de preciosa a não ser quando a serviço de Jesus. Vida que só tem sentido quando é vivida na fé do Filho de Deus. Vida que se completa em Cristo. Vida que se gasta no bom combate, no cumprimento da carreira e no guardar a fé.
Você pode se lembrar quando foi que teve o contato com o primeiro vislumbre da glória divina? Para Paulo, foi o dia da sua conversão, que foi também o mesmo dia de sua chamada para servir. Para você, pode ser ainda hoje, a partir do momento que você se der conta que a sua vida só terá algum significado quando estiver totalmente transformada por ter um primeiro contato com a glória de Deus.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Como ter relacionamentos saudáveis / How to have healthy relationships / ¿Cómo tener relaciones sanas?

Quero sugerir três ingredientes para que possamos avaliar o quanto estamos envolvidos na tarefa de estabelecer relacionamentos saudáveis. O primeiro diz respeito à restauração de nossa dignidade como seres humanos. Temos muito valor para Deus e o que impede que compreendamos isso de forma adequada tem a ver com o pecado. Podemos ter ideias equivocadas a respeito de nós mesmos por causa do pecado. Podemos ir de um extremo ao outro atribuindo a nós mesmos um valor mais elevado ou muito inferior ao que de fato representamos para Deus.
O nosso valor para Deus pode ser medido pelo amor que ele demonstrou ao enviar Jesus. O quanto Deus nos ama? O suficiente para aniquilar-se a si mesmo, tomar a forma de servo, ser obediente até a morte, suportar a cruz e romper os limites da vida para nos alcançar. Deus realizou essa obra para restaurar a dignidade de sermos humanos.
A maior expressão de nossa condição humana é a capacidade que temos de dar e receber relacionamentos. Isso está bem no âmago de nossa personalidade. O problema é que estamos perdidos, desorientados e cegos. José Saramago, em seu Ensaio sobre a cegueira fala da maneira como estamos enganados sobre a nossa condição. Ele chega a dizer que se pudéssemos realmente ver a perdição em que estamos envolvidos desejaríamos ser verdadeiramente cegos.
O segundo é descobrir que somos aceitos por alguém. Jesus descobriu coisas boas em meio às ruins. Apesar de estarmos perdidos, ele vem ao nosso encontro. Ele nos ama como nós somos, mas se recusa a nos deixar do mesmo jeito. Ele quer sejamos exatamente como ele é. O mais importante é que ele nos dá o curso de uma vida inteira para construir o seu caráter em nós. E mesmo que venhamos falhar nessa tentativa, ele não nos rejeita.
E o terceiro é celebrar a alegria de sermos alcançados pela graça. Existem duas razões para que haja uma grande festa quando somos alcançados pela graça. A primeira é a alegria da chegada. O retorno ao lar é um motivo de grande recompensa. Não há nada mais gratificante para um sequestrado do que a alegria de ser encontrado e restituído à convivência das pessoas mais queridas. A segunda é a alegria da entrega. Deus vê o quanto a gente sofre por viver um engano. Nossa atitude se assemelha muito mais a um menino teimoso que não quer aceitar o conselho de seus pais para que faça a escolha pelo que é melhor para a sua vida. A Bíblia diz que Deus observa a humanidade de forma muito atenta de tal forma que chega a gemer em Espírito por causa dessa atitude humana. Mas quando alguém se rende e se quebranta diante dele, há grande manifestação de alegria.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Dawkins na Flip / Dawkins on Flip / Dawkins en Flip

Li a reportagem sobre a visita de Richard Dawkins ao Brasil, na Feira Literária Internacional de Paraty. Senti-me identificado com uma das expressões de sua fala: “É um desperdício terrível viver a sua vida pensando no que vem depois (...) Não desperdice a única vida que você tem.” Esse é o ponto em que penso ser o centro da questão humana. Dawkins é um biólogo e o maior equívoco de toda a ciência natural é acreditar que uma ciência por si só pode dar conta de toda a condição humana.
É exatamente por isso que somos humanos. O que nos humaniza não é apenas uma vida transitória, ainda que parta de um processo vital, reprodutivo e evolutivo, mas que tem apenas começo, meio e fim. A grande luta de toda a humanidade é a superação de sua própria finitude. A religião é uma das muitas tentativas dessa superação. Procura-se fazer isso através da busca de sentido.
O problema não é esperar pelo que vem depois, mas é passar uma vida inteira sem a perspectiva de que sua vida vai além de um processo finalístico. Tenho para mim que a vida termina de fato quando ninguém mais se lembra de quem você foi, quais as marcas que você deixou durante sua existência, o quanto a sua personalidade contribuiu decisivamente para a melhoria da humanidade.
Imagino que uma vida que se limita pela finitude é centrada tão somente no eu, na expressão do indivíduo que precisa tirar o melhor proveito para si, uma vez que essa é a sua única chance. Ao contrário, de fato só temos essa vida, mas que não se limita a uma expressão biológica, terrena. Uma vida que não é só “bio” e que não é baseada numa lógica natural.
Preciso agradecer a Dawkins por ter lido isso. De fato, em termos biológicos, sua especialidade, a vida-bio não passa de um complexo processo químico-orgânico que tem começo, meio e fim. Isso é tão lógico que chega a ser terrível. O homem é mais do que isso, é um animal em busca de significados, que luta para não ser só “bio”. Verdadeiro desperdício é passar por essa experiência biológica inteira sem ter encontrado sentido e sem ter descoberto o valor de existir. Viver assim é viver perdido de si mesmo, do valor mais intrínseco que a vida humana tem. Valor esse que ficou perdido em algum lugar escondido de nossa alma.
Por isso que Jesus Cristo veio trazer um sentido para a vida, o sentido de vida eterna, uma vida que não se esgota em meio a esse caos de nossa perdição. Uma vida que salte para além da vida, que se constitui no agora e no ainda não, que é marcada por realização e esperança, de conquistas e expectativas.
Faz-me lembrar que a Bíblia diz que aqueles que têm uma expectativa somente para esta vida são os mais miseráveis de todos os homens. São aqueles que não levam em consideração que a vida também é delírio e devaneio. Em absoluto, não dá para olhar para a complexidade da vida humana e simplesmente acreditar que não faça parte de um processo muito mais amplo, que a nossa mera razão não consegue alcançar. Não dá pra deixar de acreditar que haja um projeto divino para resgatar o nosso valor como humanos e nos traga de volta para a nossa dignidade. Até porque penso que a descrença nada mais é do que a tentiva de ter o controle e buscar superar algo que está além de nós mesmos. E o mais legal é que, nesse campo, a vida e a mensagem de Cristo fazem todo sentido.
Você tem razão, Dawkins. E por favor, não desperdice a única e preciosa vida que você tem.

domingo, 28 de junho de 2009

O cuidado com o outro / The care with other / El cuidado con otros

O mesmo poder que Jesus operou ao cuidar de vidas e transformá-las está a nossa disposição para que possamos fazer o mesmo com outros. Jesus não só foi um mestre em fazer conexões, mas nos chamou para tomar parte dessa tarefa com ele. E a maior descoberta que podemos fazer é a de que pessoas comuns como nós somos têm um poder extraordinário para transformar a vida dos outros.
Esse poder está no encontro daquilo que a gente tem de melhor na nossa personalidade com aquilo que está nos recantos mais íntimos da vida do outro e ali faz diferença, influenciando vida.
A capacidade para mudar a vida de uma pessoa não está nos conselhos que damos nem nas nossas boas intenções em ajudar, mas está em algo que une duas pessoas na experiência de partilhar vida.
As causas de todas as nossas dificuldades emocionais e de relacionamento está na falta dessa ponte que nos une ao outro. Isso nos impede de receber vida e de transbordar para o outro a vida que há em nós.
Uma pessoa que sabe fazer conexões é alguém que assume para si esse movimento expressivo e significativo na direção do outro. Pessoas conectadas acreditam no que o outro pode vir a ser porque acreditam que há algo de bom e de divino nela que precisa ser restaurado. Pessoas conectadas aceitam o desafio de partilhar com o outro a vida que experimentam.
Normalmente, na relação com o outro, somos tentados a assumir uma atitude moralista que tenta estabelecer controles do que é certo e errado, do que pode e do que não pode. De um lado, assumimos o papel de exortar e cobrar atitudes; de outro, agimos na tentativa de adaptar a uma situação que seja confortável. A consequência disso é tremendamente desastrosa e nociva. Isso desperta sentimentos de culpa, de vergonha, de ameaça, de medo, de manipulação.
A minha preocupação é que possamos assumir um compromisso de nos constituirmos como uma comunidade terapêutica que sabe inovar no cuidado com o outro. Podemos encontrar sugestões para isso na parábola que Jesus contou sobre a ovelha perdida. Ela se encontra registrada em Lucas 15.1-7. O guardador de rebanhos tinha 100 ovelhas, mas uma se perdeu no meio do caminho.
Quando Jesus contou essa parábola, ele estava sendo acusado de se unir a pecadores. A história que ele contou apresenta o que pode acontecer quando estabelecemos conexões que sejam significativas e restauradoras de vida: aquilo que estava perdido – nosso valor mais intrínseco, nossa dignidade como pessoas – pode ser resgatado.
O sentido de estarmos perdidos para Deus é que estamos perdidos de nós mesmos. E o grande sentido do resgate de Deus é que ele vem ao nosso encontro para restaurar aquilo que há de melhor em nós e que ficou escondido em algum lugar secreto, para sermos exatamente aquilo para o qual ele mesmo nos criou. É esse gesto de Deus que está ao nosso alcance. Pessoas que agem assim não só são necessárias. São imprescindíveis

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