quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Inscrições para o Percurso de Formação em Psicanálise e Supervisão


Venha tomar parte do Percurso de Formação em Psicanálise e da Supervisão Solidária para psicólogos e psicanalistas.

O Percurso de Formação em Psicanálise é um projeto que envolve o trabalho como psicanalista clínico tendo em vista promover a terapia psicanalítica não só como cuidado com a saúde mental, mas também para a ampliação do conhecimento da teoria e da prática em Psicanálise.

A proposta do Percurso de Formação em Psicanálise visa à formação em Psicanálise para todas as pessoas interessadas em aprofundar seu conhecimento na teoria e prática psicanalítica. A base da atividade do Percurso segue o tripé psicanalítico – que consiste em teoria, supervisão e análise – tendo em vista a formação de uma consciência mais aprofundada a respeito da técnica freudiana, bem como a preparação de pessoas interessadas em fazer um percurso para a sua própria habilitação para o exercício como psicanalista.

Nosso Percurso de Formação inclui uma proposta de Supervisão Solidária, aberta a profissionais que estejam atuando ou que desejam começar a atuar. A ideia é de realização de supervisão em regime de solidariedade e parceria para psicoterapeutas e psicólogos que estejam atuando clinicamente.

Para saber mais sobre o Percurso de Formação em Psicanálise, clique em:

https://ireniochaves.blogspot.com/p/formacao-em-psicanalise.html

Para saber mais sobre a Supervisão Solidária, clique em:

https://ireniochaves.blogspot.com/p/supervisao-em-psicanalise.html

terça-feira, 16 de junho de 2026

Salvação, conversão e significado / Salvation, conversion and meaning / Salvación, conversión y sentido

 

“E todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo!” (Atos 2.21). 

Uma expressão comum entre os evangélicos brasileiros é “aceitar Jesus”. Ela tanto serve para descrever a experiência de conversão pessoal quanto para convidar pessoas a adotarem uma nova posição religiosa, acolhendo a fé evangélica. Ou seja, não só é uma expressão ligada à iniciação na fé, mas também um argumento proselitista.

Essa expressão se estabeleceu a partir da estratégia discursiva dos pregadores chamados evangelistas, desde os grandes oradores dos meios de comunicação, que enchiam auditórios, até mesmo os mais humildes nas comunidades periféricas e interioranas. Tornou-se um convite universal para que as pessoas experimentassem uma mudança de atitude em relação à fé.

As mensagens de arrependimento e de perdão divino, os chamados sermões evangelísticos, eram sempre encerradas com o apelo para aceitar Jesus. O gesto para isso era simples. Bastava manifestar com o levantar de uma das mãos durante o apelo, geralmente acompanhado de hinos e orações. Com isso, a pessoa demonstrava o seu desejo de experimentar uma nova forma de vida que a libertasse de tudo aquilo que tirava a sua dignidade.

O apelo para aceitar Jesus como Senhor e Salvador foi a forma mais emblemática usada pela igreja evangélica para restaurar a esperança pessoas que viviam de um modo degradante. Era direcionado a quem vivia oprimido pelas dívidas, pelas condições sociais, pelos vícios, pela violência, pelo medo e até pela falta de perspectiva para o futuro.

Quem aceitava Jesus passava a se sentir empoderado para experimentar uma vida mais autônoma, livre da opressão da vida cotidiana. Havia até canções que enalteciam esse gesto: “desde o dia em que aceitei Jesus, a minha vida se transformou; agora sou feliz, agora vivo bem; Jesus salvou a mim e salva a ti também”.

A partir dessa escolha, o novo convertido se tornava uma pessoa melhor, um melhor pai, uma melhor mãe, um melhor filho ou filha, um melhor trabalhador ou trabalhadora, um melhor patrão ou patroa e até mesmo um melhor cidadão ou cidadã. De fato, as pessoas melhoravam de vida até mesmo do ponto de vista socioeconômico, adotando novos hábitos de consumo e novas perspectivas de vida.

O apelo para aceitar Jesus em uma manifestação pública é resultado do movimento evangelicalista norte-americano sobre a igreja evangélica brasileira. A prática surgiu no século XIX através de lideranças avivalistas. Um deles foi Charles Finney, um dos pregadores do chamado “segundo grande avivamento” dos Estados Unidos. E foi trazido para o Brasil pelos missionários que trouxeram o protestantismo de missão a partir do século XIX.

Teologicamente, o apelo em si implica a ideia de uma conversão imediata, em que a pessoa reconhece a sua condição pecadora, arrepende-se e entrega-se à graça salvadora de Jesus Cristo. Pressupõe a ideia da justificação pela graça, que é gratuita e imediata. Aceitar Jesus implica também reconhecê-lo como Senhor e envolve submeter a vida de forma voluntária a seus ensinos e princípios.

O momento de aceitação ao apelo tem o sentido do acolhimento ao convite amoroso de Jesus, a dizer sim para o projeto redentor divino consumado no nascimento, vida e morte de Jesus na cruz. Essa atitude está diretamente relacionada à ação do Espírito Santo que é quem convence a pessoa do pecado e o encoraja ao “novo nascimento” e a se tornar uma “nova criatura”.

Essa prática ainda é muito forte e presente nas igrejas evangélicas históricas e tradicionais. Porém, as novas influências teológicas vindas dos Estados Unidos apontam para outras formas de proselitismo. Teologias como as da prosperidade e do domínio defendem a adoção de atitudes mais secularizadas, de conformação à mentalidade dominante de consumo e de adesão a um estilo de vida ligado ao ter e à aparência.

A consequência dessa mudança de abordagem trouxe o esvaziamento da proposta do seguimento de Jesus, da mudança de atitude, do aprendizado a respeito dos ensinos de Jesus de Nazaré e da vivência dos valores genuinamente cristãos no mundo, como a prática do amor, da justiça e da paz.

Um dos fatores que contribuíram para o crescimento dos evangélicos no Brasil tem a ver com os sentidos desse apelo. Pessoas que “aceitam Jesus” se dispõem a mudar de vida, a transformar a sua mentalidade a respeito da vida, a aprender aquilo que Jesus ensinou como valor para a vida e a experimentar uma vida livre de amarras religiosas, vivendo em uma nova comunidade na qual podem partilhar experiências de vida.

(Assista às mensagens da série Aceitar Jesus: O que isso significa? em meu canal no Youtube. Acesse pelo link: https://www.youtube.com/playlist?list=PL4NVfVIy5Bi6YBxpjO6ioVYz-hRpb3e9Z)

quarta-feira, 6 de maio de 2026

Espiritualidade dos discípulos de Jesus: Disciplina e exercícios espirituais [Novo E-book] / The Spirituality of Jesus' Disciples: Discipline and Spiritual Exercises / La espiritualidad de los discípulos de Jesús: disciplina y ejercicios espirituales

A igreja cristã da atualidade precisa deixar de lado a sua institucionalidade para se dedicar mais à espiritualidade. Jesus nunca teve em mente uma instituição hierárquica, fundada em um sistema de crenças, voltada para a manutenção de monumentos suntuosos. Ele chamou um grupo de pessoas rudes e humildes e as transformou em seus discípulos.

Quando se fala de espiritualidade, fala-se sobre exercícios e práticas de vida interior, de disciplina espiritual, de exame de si, de esvaziamento de si, de busca de uma experiência mais profunda de Deus. E foi isso que Jesus procurou transmitir ao seu corpo de discípulos.

Quem quiser ter uma experiência significativa de Deus é convidado a fazer uso dos exercícios e das práticas espirituais que vêm de alguma tradição religiosa. Nem mesmo os discípulos de Jesus escaparam a isso. Eles precisaram refletir sobre alguns exercícios e práticas que Jesus mesmo observa em sua vida.

Os discípulos de Jesus não foram obrigados a fazer mais do que Jesus fez ou pediu. Eles apenas precisavam fazer o percurso que o Mestre lhes apontou. E o fizeram com muita seriedade e profundidade, levando esses exercícios e práticas para as vivências das primeiras comunidades de fé.

Os exercícios e as práticas de espiritualidade não são novos e nem se restringem ao ambiente cristão. Outro aspecto importante é que a espiritualidade é um exercício subjetivo e de liberdade que exige de cada pessoa renúncias e dedicação.

Jesus fez uso dos exercícios e das práticas que já eram conhecidas em sua época, especialmente no judaísmo de seu tempo, e as ressignificou a partir da sua mensagem, as colocou em prática em sua própria vida e as ensinou aos seus discípulos. Ele se tornou o maior exemplo de alguém que fez da disciplina espiritual seu modo de vida.

Os primeiros discípulos de Jesus levaram esses exercícios e práticas para a vida da igreja primitiva, influenciando os novos seguidores, multiplicando, atualizando e dando novo direcionamento ao que o Mestre de espiritualidade ensinou.

Em meu novo livro, minha intenção é explorar quais foram os principais exercícios e práticas de espiritualidade que Jesus orientou seus discípulos realizar.

Como seguidores de Jesus em nosso tempo, é importante revisitar as práticas dos primeiros discípulos não só para conhecê-las, mas também para repensar as nossas.

Por que oramos, jejuamos, lemos a Bíblia, comungamos, confessamos, fazemos penitência ou nos consagramos do jeito que fazemos? Como o cristianismo primitivo desenvolveu suas práticas mais comuns? Quais eram as práticas mais relevantes para Jesus? Essas perguntas precisam de respostas que nos apontem diretrizes para a nossa espiritualidade hoje.

(Extraído da apresentação do livro Espiritualidade dos discípulos de Jesus: Disciplina e exercícios espirituais).

Para saber mais, leia o livro Espiritualidade dos discípulos de Jesus: Disciplina e exercícios espirituais, disponível no formato E-book Kindle da Amazon.

Acesse:

https://www.amazon.com.br/dp/B0GZPC4Y9D

sexta-feira, 20 de março de 2026

Revolução do amor: por uma espiritualidade dos afetos (novo e-book) / Revolution of love: towards a spirituality of affections / Revolución del amor: hacia una espiritualidad de los afectos

Em um tempo marcado por tanta guerra, ódio, injustiça, maldade e indiferença, falar do amor parece um contrassenso. Mas esse tema tornou-se urgente, não para impor um dever de amar, mas para nos lembrar que somos capazes de amar.

Neste livro, vamos explorar a temática do amor pelos caminhos da filosofia, da psicanálise, da teologia, das ciências bíblicas e da espiritualidade para falar do mal-estar que atravessa a humanidade em nosso tempo. Dizemos que o amor está em falta, mas o que deveríamos dizer é que o amor foi substituído por outras atitudes que têm destruído a vida no planeta. O amor está sufocado, escondido, disfarçado no mundo.

De um modo geral, ouvimos também falar que temos a obrigação de amar, que o mundo está mal porque as pessoas não se amam e, por isso, procuramos os culpados pela falta de amor no mundo. Acabamos construindo uma mentalidade que condiciona o amor a uma lei punitiva, uma força repressora, como algo impossível de acontecer de forma livre e espontânea.

O amor se torna, assim, uma abstração, algo distante de nossa realidade. “Falamos de amor, mas vivemos com ódio: odiamos em nome do amor. O ódio é o nosso protesto contra a ‘impossibilidade do amor’”, disse Thomas Merton no prólogo do livro de Ernesto Cardenal, Vida em amor.[1]

Uma imagem que ficou eternizada nos protestos contra a guerra retrata um jovem colocando flores nos fuzis de soldados. O fato aconteceu em 22 de outubro de 1967 e a foto foi tirada pelo fotojornalista Bernie Boston durante um protesto pacifista em Washington, contra a guerra no Vietnã. A foto recebeu o nome de “Flower power” e concorreu ao Prêmio Pulitzer daquele ano. Ela lembra que o amor é a única força que pode vencer a maldade.

O amor é um dos temas mais difíceis para ser abordado em um estudo ou reflexão. A dificuldade de escrever sobre o amor envolve tanto a abrangência do tema quanto as nossas próprias limitações e carências de amar e ser amado. Por isso que reunir as reflexões que fazem parte deste livro se tornou um grande desafio para mim. Primeiro porque o amor precisa ser aperfeiçoado em mim, e segundo porque o amor está em falta no mundo.

Não dá para se referir ao amor por palavras. Há que se viver, praticar, compartilhar. Exatamente pelo fato de que o amor não é um sentimento. Ele é uma atitude.

Há uma crise no mundo, que é da escassez do amor, que tem afetado todas as esferas da vida. Ela é maior do que as crises, econômica, política, social, ambiental e relacional. Ela também está por trás delas e provoca todas as demais crises pelas quais a humanidade passa.

A falta de amor está disfarçada de muitas formas. Ela pode se confundir com o medo de estar só, com a busca de realização pessoal, com o ideal de perfeição e até com o narcisismo. A falta de amor é o sintoma mais sério da perdição humana.

O ponto de virada para sair dessa crise aponta para uma mudança radical de mentalidade, uma conversão de si para deixar de ser alguém fechado em si mesmo a fim de se tornar aberto ao mundo e ao outro.

Para superar a falta de amor, somente uma grande revolução para nos apontar caminhos de construção dessa atitude que tanto faz falta. A revolução do amor tem a ver com uma transformação radical e profunda das estruturas humanas para que se possa estabelecer uma nova perspectiva de vida, centrada no amor.


[1] Cardenal, Ernesto. Vida em amor. Salamanca: Sigueme, 1987. p. 9.

Imagem criada por IA.

Para adquirir e ler mais no e-book, acesse: https://www.amazon.com.br/dp/B0GS479YJM

domingo, 25 de janeiro de 2026

Religião como expressão humana: uma reflexão necessária para este tempo / Religion as a human expression: a necessary reflection for our time / La religión como expresión humana: una reflexión necesaria para nuestro tiempo

Um dos fatos mais surpreendentes a respeito da religião é que ela permanece ativa mesmo num mundo secularizado, cético e cientificista como o que nos vivemos. Alguém chegou a dizer que a religião iria desaparecer, mas ela tem se reafirmado em toda sua diversidade e pluralidade.

O meu livro O que é religião? é resultado de uma investigação que venho fazendo há muitos anos. Foi publicado pela primeira vez em 2005 e agora encontra-se disponível como e-book, revisado e atualizado com informações que venho abordando em artigos e textos em periódicos, anotações de aulas, apostilas de cursos ministrados e em meu blog de filosofia, espiritualidade e psicanálise.

O livro físico está esgotado. Daí a necessidade de disponibilizar esse conteúdo de forma digital. Desde que foi lançado, serviu de leitura recomendada em muitas faculdades de teologia, ciências da religião e áreas afins. Com a nova edição em e-book, creio que será ainda mais interessante para quem procura aprofundar seu conhecimento a respeito do assunto.

Falar de religião é sempre transitar em um terreno nebuloso, cheio complexidades e de subjetividades. Trata-se de um sistema complexo que envolve crenças, enigmas, esperanças, temores, mistérios e até aquilo que não se consegue exprimir em palavras, coisas que todos nós carregamos conosco. Lidar com o sagrado, com o sobrenatural, com o inefável ou com a finitude causa sempre um certo desconforto, pois nos confronta com nossa realidade existencial e nos interpela a assumirmos posições e a darmos direção à vida. Embora muitos nem sejam religiosos, na acepção mais realista do termo, não há quem não se detenha a refletir sobre seus temas diante das situações limites da vida.

Espero que a leitura deste pequeno livro ajude aos religiosos a serem mais críticos e sinceros em sua devoção. E espero que os não religiosos reflitam sobre a importância dessa experiência em sua prática cotidiana.

Para ler o e-book, acesse: https://www.amazon.com.br/dp/B0GHT2ZCHK

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