terça-feira, 16 de junho de 2026

Salvação, conversão e significado / Salvation, conversion and meaning / Salvación, conversión y sentido

 

“E todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo!” (Atos 2.21). 

Uma expressão comum entre os evangélicos brasileiros é “aceitar Jesus”. Ela tanto serve para descrever a experiência de conversão pessoal quanto para convidar pessoas a adotarem uma nova posição religiosa, acolhendo a fé evangélica. Ou seja, não só é uma expressão ligada à iniciação na fé, mas também um argumento proselitista.

Essa expressão se estabeleceu a partir da estratégia discursiva dos pregadores chamados evangelistas, desde os grandes oradores dos meios de comunicação, que enchiam auditórios, até mesmo os mais humildes nas comunidades periféricas e interioranas. Tornou-se um convite universal para que as pessoas experimentassem uma mudança de atitude em relação à fé.

As mensagens de arrependimento e de perdão divino, os chamados sermões evangelísticos, eram sempre encerradas com o apelo para aceitar Jesus. O gesto para isso era simples. Bastava manifestar com o levantar de uma das mãos durante o apelo, geralmente acompanhado de hinos e orações. Com isso, a pessoa demonstrava o seu desejo de experimentar uma nova forma de vida que a libertasse de tudo aquilo que tirava a sua dignidade.

O apelo para aceitar Jesus como Senhor e Salvador foi a forma mais emblemática usada pela igreja evangélica para restaurar a esperança pessoas que viviam de um modo degradante. Era direcionado a quem vivia oprimido pelas dívidas, pelas condições sociais, pelos vícios, pela violência, pelo medo e até pela falta de perspectiva para o futuro.

Quem aceitava Jesus passava a se sentir empoderado para experimentar uma vida mais autônoma, livre da opressão da vida cotidiana. Havia até canções que enalteciam esse gesto: “desde o dia em que aceitei Jesus, a minha vida se transformou; agora sou feliz, agora vivo bem; Jesus salvou a mim e salva a ti também”.

A partir dessa escolha, o novo convertido se tornava uma pessoa melhor, um melhor pai, uma melhor mãe, um melhor filho ou filha, um melhor trabalhador ou trabalhadora, um melhor patrão ou patroa e até mesmo um melhor cidadão ou cidadã. De fato, as pessoas melhoravam de vida até mesmo do ponto de vista socioeconômico, adotando novos hábitos de consumo e novas perspectivas de vida.

O apelo para aceitar Jesus em uma manifestação pública é resultado do movimento evangelicalista norte-americano sobre a igreja evangélica brasileira. A prática surgiu no século XIX através de lideranças avivalistas. Um deles foi Charles Finney, um dos pregadores do chamado “segundo grande avivamento” dos Estados Unidos. E foi trazido para o Brasil pelos missionários que trouxeram o protestantismo de missão a partir do século XIX.

Teologicamente, o apelo em si implica a ideia de uma conversão imediata, em que a pessoa reconhece a sua condição pecadora, arrepende-se e entrega-se à graça salvadora de Jesus Cristo. Pressupõe a ideia da justificação pela graça, que é gratuita e imediata. Aceitar Jesus implica também reconhecê-lo como Senhor e envolve submeter a vida de forma voluntária a seus ensinos e princípios.

O momento de aceitação ao apelo tem o sentido do acolhimento ao convite amoroso de Jesus, a dizer sim para o projeto redentor divino consumado no nascimento, vida e morte de Jesus na cruz. Essa atitude está diretamente relacionada à ação do Espírito Santo que é quem convence a pessoa do pecado e o encoraja ao “novo nascimento” e a se tornar uma “nova criatura”.

Essa prática ainda é muito forte e presente nas igrejas evangélicas históricas e tradicionais. Porém, as novas influências teológicas vindas dos Estados Unidos apontam para outras formas de proselitismo. Teologias como as da prosperidade e do domínio defendem a adoção de atitudes mais secularizadas, de conformação à mentalidade dominante de consumo e de adesão a um estilo de vida ligado ao ter e à aparência.

A consequência dessa mudança de abordagem trouxe o esvaziamento da proposta do seguimento de Jesus, da mudança de atitude, do aprendizado a respeito dos ensinos de Jesus de Nazaré e da vivência dos valores genuinamente cristãos no mundo, como a prática do amor, da justiça e da paz.

Um dos fatores que contribuíram para o crescimento dos evangélicos no Brasil tem a ver com os sentidos desse apelo. Pessoas que “aceitam Jesus” se dispõem a mudar de vida, a transformar a sua mentalidade a respeito da vida, a aprender aquilo que Jesus ensinou como valor para a vida e a experimentar uma vida livre de amarras religiosas, vivendo em uma nova comunidade na qual podem partilhar experiências de vida.

(Assista às mensagens da série Aceitar Jesus: O que isso significa? em meu canal no Youtube. Acesse pelo link: https://www.youtube.com/playlist?list=PL4NVfVIy5Bi6YBxpjO6ioVYz-hRpb3e9Z)

quarta-feira, 6 de maio de 2026

Espiritualidade dos discípulos de Jesus: Disciplina e exercícios espirituais [Novo E-book] / The Spirituality of Jesus' Disciples: Discipline and Spiritual Exercises / La espiritualidad de los discípulos de Jesús: disciplina y ejercicios espirituales

A igreja cristã da atualidade precisa deixar de lado a sua institucionalidade para se dedicar mais à espiritualidade. Jesus nunca teve em mente uma instituição hierárquica, fundada em um sistema de crenças, voltada para a manutenção de monumentos suntuosos. Ele chamou um grupo de pessoas rudes e humildes e as transformou em seus discípulos.

Quando se fala de espiritualidade, fala-se sobre exercícios e práticas de vida interior, de disciplina espiritual, de exame de si, de esvaziamento de si, de busca de uma experiência mais profunda de Deus. E foi isso que Jesus procurou transmitir ao seu corpo de discípulos.

Quem quiser ter uma experiência significativa de Deus é convidado a fazer uso dos exercícios e das práticas espirituais que vêm de alguma tradição religiosa. Nem mesmo os discípulos de Jesus escaparam a isso. Eles precisaram refletir sobre alguns exercícios e práticas que Jesus mesmo observa em sua vida.

Os discípulos de Jesus não foram obrigados a fazer mais do que Jesus fez ou pediu. Eles apenas precisavam fazer o percurso que o Mestre lhes apontou. E o fizeram com muita seriedade e profundidade, levando esses exercícios e práticas para as vivências das primeiras comunidades de fé.

Os exercícios e as práticas de espiritualidade não são novos e nem se restringem ao ambiente cristão. Outro aspecto importante é que a espiritualidade é um exercício subjetivo e de liberdade que exige de cada pessoa renúncias e dedicação.

Jesus fez uso dos exercícios e das práticas que já eram conhecidas em sua época, especialmente no judaísmo de seu tempo, e as ressignificou a partir da sua mensagem, as colocou em prática em sua própria vida e as ensinou aos seus discípulos. Ele se tornou o maior exemplo de alguém que fez da disciplina espiritual seu modo de vida.

Os primeiros discípulos de Jesus levaram esses exercícios e práticas para a vida da igreja primitiva, influenciando os novos seguidores, multiplicando, atualizando e dando novo direcionamento ao que o Mestre de espiritualidade ensinou.

Em meu novo livro, minha intenção é explorar quais foram os principais exercícios e práticas de espiritualidade que Jesus orientou seus discípulos realizar.

Como seguidores de Jesus em nosso tempo, é importante revisitar as práticas dos primeiros discípulos não só para conhecê-las, mas também para repensar as nossas.

Por que oramos, jejuamos, lemos a Bíblia, comungamos, confessamos, fazemos penitência ou nos consagramos do jeito que fazemos? Como o cristianismo primitivo desenvolveu suas práticas mais comuns? Quais eram as práticas mais relevantes para Jesus? Essas perguntas precisam de respostas que nos apontem diretrizes para a nossa espiritualidade hoje.

(Extraído da apresentação do livro Espiritualidade dos discípulos de Jesus: Disciplina e exercícios espirituais).

Para saber mais, leia o livro Espiritualidade dos discípulos de Jesus: Disciplina e exercícios espirituais, disponível no formato E-book Kindle da Amazon.

Acesse:

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sexta-feira, 20 de março de 2026

Revolução do amor: por uma espiritualidade dos afetos (novo e-book) / Revolution of love: towards a spirituality of affections / Revolución del amor: hacia una espiritualidad de los afectos

Em um tempo marcado por tanta guerra, ódio, injustiça, maldade e indiferença, falar do amor parece um contrassenso. Mas esse tema tornou-se urgente, não para impor um dever de amar, mas para nos lembrar que somos capazes de amar.

Neste livro, vamos explorar a temática do amor pelos caminhos da filosofia, da psicanálise, da teologia, das ciências bíblicas e da espiritualidade para falar do mal-estar que atravessa a humanidade em nosso tempo. Dizemos que o amor está em falta, mas o que deveríamos dizer é que o amor foi substituído por outras atitudes que têm destruído a vida no planeta. O amor está sufocado, escondido, disfarçado no mundo.

De um modo geral, ouvimos também falar que temos a obrigação de amar, que o mundo está mal porque as pessoas não se amam e, por isso, procuramos os culpados pela falta de amor no mundo. Acabamos construindo uma mentalidade que condiciona o amor a uma lei punitiva, uma força repressora, como algo impossível de acontecer de forma livre e espontânea.

O amor se torna, assim, uma abstração, algo distante de nossa realidade. “Falamos de amor, mas vivemos com ódio: odiamos em nome do amor. O ódio é o nosso protesto contra a ‘impossibilidade do amor’”, disse Thomas Merton no prólogo do livro de Ernesto Cardenal, Vida em amor.[1]

Uma imagem que ficou eternizada nos protestos contra a guerra retrata um jovem colocando flores nos fuzis de soldados. O fato aconteceu em 22 de outubro de 1967 e a foto foi tirada pelo fotojornalista Bernie Boston durante um protesto pacifista em Washington, contra a guerra no Vietnã. A foto recebeu o nome de “Flower power” e concorreu ao Prêmio Pulitzer daquele ano. Ela lembra que o amor é a única força que pode vencer a maldade.

O amor é um dos temas mais difíceis para ser abordado em um estudo ou reflexão. A dificuldade de escrever sobre o amor envolve tanto a abrangência do tema quanto as nossas próprias limitações e carências de amar e ser amado. Por isso que reunir as reflexões que fazem parte deste livro se tornou um grande desafio para mim. Primeiro porque o amor precisa ser aperfeiçoado em mim, e segundo porque o amor está em falta no mundo.

Não dá para se referir ao amor por palavras. Há que se viver, praticar, compartilhar. Exatamente pelo fato de que o amor não é um sentimento. Ele é uma atitude.

Há uma crise no mundo, que é da escassez do amor, que tem afetado todas as esferas da vida. Ela é maior do que as crises, econômica, política, social, ambiental e relacional. Ela também está por trás delas e provoca todas as demais crises pelas quais a humanidade passa.

A falta de amor está disfarçada de muitas formas. Ela pode se confundir com o medo de estar só, com a busca de realização pessoal, com o ideal de perfeição e até com o narcisismo. A falta de amor é o sintoma mais sério da perdição humana.

O ponto de virada para sair dessa crise aponta para uma mudança radical de mentalidade, uma conversão de si para deixar de ser alguém fechado em si mesmo a fim de se tornar aberto ao mundo e ao outro.

Para superar a falta de amor, somente uma grande revolução para nos apontar caminhos de construção dessa atitude que tanto faz falta. A revolução do amor tem a ver com uma transformação radical e profunda das estruturas humanas para que se possa estabelecer uma nova perspectiva de vida, centrada no amor.


[1] Cardenal, Ernesto. Vida em amor. Salamanca: Sigueme, 1987. p. 9.

Imagem criada por IA.

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domingo, 25 de janeiro de 2026

Religião como expressão humana: uma reflexão necessária para este tempo / Religion as a human expression: a necessary reflection for our time / La religión como expresión humana: una reflexión necesaria para nuestro tiempo

Um dos fatos mais surpreendentes a respeito da religião é que ela permanece ativa mesmo num mundo secularizado, cético e cientificista como o que nos vivemos. Alguém chegou a dizer que a religião iria desaparecer, mas ela tem se reafirmado em toda sua diversidade e pluralidade.

O meu livro O que é religião? é resultado de uma investigação que venho fazendo há muitos anos. Foi publicado pela primeira vez em 2005 e agora encontra-se disponível como e-book, revisado e atualizado com informações que venho abordando em artigos e textos em periódicos, anotações de aulas, apostilas de cursos ministrados e em meu blog de filosofia, espiritualidade e psicanálise.

O livro físico está esgotado. Daí a necessidade de disponibilizar esse conteúdo de forma digital. Desde que foi lançado, serviu de leitura recomendada em muitas faculdades de teologia, ciências da religião e áreas afins. Com a nova edição em e-book, creio que será ainda mais interessante para quem procura aprofundar seu conhecimento a respeito do assunto.

Falar de religião é sempre transitar em um terreno nebuloso, cheio complexidades e de subjetividades. Trata-se de um sistema complexo que envolve crenças, enigmas, esperanças, temores, mistérios e até aquilo que não se consegue exprimir em palavras, coisas que todos nós carregamos conosco. Lidar com o sagrado, com o sobrenatural, com o inefável ou com a finitude causa sempre um certo desconforto, pois nos confronta com nossa realidade existencial e nos interpela a assumirmos posições e a darmos direção à vida. Embora muitos nem sejam religiosos, na acepção mais realista do termo, não há quem não se detenha a refletir sobre seus temas diante das situações limites da vida.

Espero que a leitura deste pequeno livro ajude aos religiosos a serem mais críticos e sinceros em sua devoção. E espero que os não religiosos reflitam sobre a importância dessa experiência em sua prática cotidiana.

Para ler o e-book, acesse: https://www.amazon.com.br/dp/B0GHT2ZCHK

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Ascese, espiritualidade e discipulado / Asceticism, spirituality, and discipleship / Ascetismo, espiritualidad y discipulado

 

“Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus” (Filipenses 2.5). 

O grupo de discípulos de Jesus foi uma verdadeira escola de espiritualidade. Eles aprenderam com o maior mestre de espiritualidade que a humanidade conheceu sobre práticas que visavam o conhecimento de si e o cuidado de si e do outro de uma forma peculiar. Eles compreenderam sobre como é viver guiados pelo Espírito e a respeito das práticas de espiritualidade no seguimento de Jesus.

Ao contrário das influências do judaísmo, das religiões de mistério e das práticas dos movimentos filosóficos de seu tempo, Jesus desenvolveu uma espiritualidade mais equilibrada em relação aos rigores de alguns grupos. Jesus não se orientou pelos costumes do ascetismo de seu tempo. Ao contrário, ele inovou com a preocupação com uma vida de interioridade e de desprendimento para o cuidado com o próximo.

Havia muitos grupos religiosos que desenvolveram práticas monásticas e eremitas, com ênfase rigorosa em orações, abstenções e períodos de isolamento. Entre os movimentos ascéticos do judaísmo no tempo de Jesus, havia o grupo dos essênios. Eles eram uma seita formada por judeus que existiu desde o século II AEC. Viviam em comunidade e buscavam a pureza, a partilha dos bens e o silêncio. Eram dedicados ao estudo das Escrituras, desenvolviam rituais de purificação e praticavam a imersão como rito de iniciação. Essa seita ficou mais conhecida depois que foram descobertos os Manuscritos do Mar Morto, em uma gruta na localidade de Qumran.

Havia também a prática dos nazireus, que eram os judeus que faziam votos voluntários de consagração de vida a Deus, através de práticas de abstenções e de não cortar o cabelo por um período. Eles procuravam seguir rigorosamente as orientações do livro de Números 6.1-21. Não se tratava de uma seita ou grupo, mas de práticas que podiam ser desenvolvidas por qualquer judeu, homem ou mulher, que quisesse ter uma experiência de Deus ou mesmo de demonstrar gratidão.

Havia anda um movimento conhecido como os terapeutas, formado por judeus da diáspora, especialmente na região de Alexandria, no Egito. Entre as práticas ascéticas, estavam: o celibato, a renúncia aos bens materiais, a prática do jejum, a oração e o isolamento social, para se dedicaram a uma vida santa e se preservarem para o fim dos tempos. Esse grupo foi descrito pelo filósofo judeu Filo de Alexandria no século I da Era Comum.

No Novo Testamento, encontramos relatos sobre as práticas religiosas dos fariseus. Eles formavam um grupo político influente dos judeus, conhecidos por sua devoção rigorosa à Torah, à interpretação literalista das Escrituras e à tradição oral. A escola rabínica foi responsável por moldar a prática religiosa a partir das sinagogas e da interpretação das Escrituras.

Além dos movimentos de espiritualidade judaicos, a região onde Jesus viveu e formou o seu grupo de discípulos era influenciada pela cultura greco-romana e pelas tradições dos povos vizinhos, como os egípcios, os edomitas, os sírios, os fenícios e os samaritanos. A influência das religiões de mistério e das escolas filosóficas como a dos estoicos também se faziam presentes. Cada cultura tinha sua identidade própria e desenvolvia suas crenças e práticas religiosas. Dessa forma, a espiritualidade naquela região era pluralista e marcada pela diversidade.

A espiritualidade que Jesus ensinou aos seus discípulos tinha três características predominantes: a integração à vida social, o exercício do domínio próprio e a ênfase na prática do amor fraternal. Jesus confrontou a prática ritual e o formalismo, propondo uma nova relação com o sagrado, baseada na proposta de vida na perspectiva do Reino de Deus.

A espiritualidade dos discípulos de Jesus se consolidou quando do início da atuação como igreja. Toda ascese dos primeiros cristãos era voltada para a vida em comum, para o cuidado uns dos outros, para o compartilhamento e para o cumprimento da missão. Podemos chamá-la de espiritualidade do caminho pelo fato de que se realiza à medida que se a partir da própria caminhada como cristãos no mundo.

É a espiritualidade como discipulado, como aprendizado constante, como busca permanente para se tornar mais identificado com o exemplo deixado por Jesus de Nazaré. O objetivo era ser como o Mestre. Isso não dependia de estruturas religiosas, dogmas ou mesmo hierarquias. Havia a compreensão de que a vida era guiada pelo Espírito Santo e que o objetivo principal de uma vida cheia da graça era se tornar um instrumento vivo para o bem comum.

As regras de vida monástica e aquilo que conhecemos como ascese cristã só vieram posteriormente e se firmaram no século II em diante. O início foi marcado pela espontaneidade, pelo desejo de consagrar a vida inteira aos propósitos divinos, ainda que fosse preciso colocar em risco a própria vida. Ela era, por assim dizer, uma espiritualidade plural, livre de qualquer tipo de normatizações e de rituais rigorosos.

Essa espiritualidade do caminho e do caminhar faz falta nos dias atuais. O nosso tempo é marcado por uma diversidade de experiências e de práticas de espiritualidade que carecem de uma reflexão sobre o significado daquilo que fazemos. Os discípulos de Jesus praticavam orações, jejuns, meditação, períodos de reclusão e de solitude, autocontrole e testemunho de vida, tudo voltado para a vida em comunhão e para o cumprimento da missão.

Rever o modo como os discípulos de Jesus desenvolveram sua espiritualidade contribui para que possamos repensar sobre as razões pelas quais oramos, consagramos a vida ou mesmo prestamos serviços religiosos. Em última instância, permite que possamos entender melhor o que faz da gente cristãos e cristãs autênticos num mundo tão diverso.

(Assista à série de reflexões Espiritualidade dos discípulos de Jesus na playlist do Youtube: https://www.youtube.com/playlist?list=PL4NVfVIy5Bi5UCfJp5ohxoBGKl8tgcPA_).

A série foi publicada em livro e está disponível no formato E-book Kindle ba Amazon. Adquira e leia: https://www.amazon.com.br/dp/B0GZPC4Y9D


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