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segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Organize a sua vida / Organize your life / Organice su vida

Organize sua vida. Isso também é espiritualidade. Você precisa pôr em ordem as coisas que você faz. Isso te ajuda a também pôr em ordem o seu mundo interior. É claro que há coisas que estarão sempre fora do seu controle. Mas há algumas coisas que são possíveis de serem controladas. Veja só.
Organize o seu trabalho. Você pode gerenciar o seu tempo, seus contatos, suas prioridades. Há muitas coisas que podem causar desordem nas suas relações de trabalho e que podem gerar falta de produtividade. Se você é uma pessoa perfeccionista, se tem dificuldade de dizer não ou mesmo se falta planejamento para as suas atividades diárias, por exemplo, você pode estar gastando muita energia com aquilo que não é necessário. Esteja consciente de que ninguém tem tempo para fazer tudo, mas as pessoas que se envolvem com grandes coisas são pessoas que souberam organizar a sua vida.
Organize a sua família. É nela que estão os seus relacionamentos mais afetuosos e permanentes. O individualismo e a ambição são causas de destruição do relacionamento familiar. Nossos familiares não precisam de bens que gerem conforto, mas precisam de afeto, de atenção, que proporcionam satisfação e equilíbrio.
Organize a sua casa. A nossa habitação é o lugar de ser o que somos no íntimo, é o lugar da fuga do cotidiano. É lá que estão nossos espaços íntimos, nossos livros, discos e filmes preferidos. É lá que gastamos tempo com amenidades, cuidamos de nossa saúde, fazemos a refeição mais saudável. Para isso, você precisa cuidar da limpeza, da funcionalidade, da harmonia. Isso significa ter as coisas nos devidos lugares para não perder tempo com atividades prolongadas. Mas tenha cuidado: o prazer de estar em casa não pode ser desperdiçado com tarefas de limpeza e de organização.
Organize suas finanças. A maneira como você aplica ou investe o seu dinheiro revela o seu caráter. O cuidado com a aparência pode produzir um tipo de pessoa que custa muito caro. Isso não quer dizer que você não tem que cuidar de sua aparência. O problema é que o ter se tornou uma imposição na sociedade de consumo. Você precisa encontrar um modo de equilibrar seus gastos de modo que você possa ter uma vida saudável no presente e investir no seu futuro.
Organize suas idéias. O conhecimento é o seu grande capital para viver nesse tempo. O principal modo de conhecimento hoje é o “saber fazer”, que é o conhecimento associado à experiência. É interesse observar que o desempenho e a eficiência hoje não são medidos pelos diplomas, mas pelas competências e habilidades. Mas não se iluda, a proliferação do conhecimento gera a ansiedade e a máxima especialização gera falta de conhecimento da complexidade que envolve a vida. Conhecer mais significa também estar antenado com o mundo da política, das artes, da literatura, do cinema, do teatro. Para isso, você precisa acompanhar o noticiário, encontrar pessoas também antenadas e partilhar seus conhecimentos.
Comece a dar os primeiros passos hoje. Faça uma coisa de cada vez de maneira consistente. Estabeleça metas. Respeite seus limites. A cada coisa que colocar em ordem em sua vida, você vai perceber que as circunstâncias melhoram e isso será um estímulo para continuar.

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Espiritualidade e secularidade / Spirituality and secularity / Espiritualidad y el secularismo

A despeito do que muitos dizem sobre a crescente influência do secularismo, Peter Berger, em seu livro Um rumor de anjos, verifica que a espiritualidade nunca esteve tão presente na sociedade contemporânea. Ele chama a atenção para as marcas de transcendência presentes nas ações humanas. A análise desse fenômeno interessa para a formulação de uma teologia de características antropológicas.
Um ponto de partida que se mostrou viável para a teologia foi a compreensão de que os fenômenos religiosos são projeções humanas, produtos da história, construídas pelo homem. Esse ponto de partida não pode deixar de considerar que essas projeções humanas existem e são indicadoras de uma realidade verdadeiramente outra, que a imaginação humana reflete. Esse ponto de partida é antropológico, um empreendimento filosófico que se fundamenta na pergunta: “O que é o homem?”
Se as projeções religiosas do homem correspondem a uma realidade que é sobre-humana e sobrenatural, então parece lógico procurar vestígios desta realidade no próprio projetor. Não é para propor uma teologia empírica – o que seria logicamente impossível – mas antes uma teologia de sensibilidade empírica muito aguda que buscasse correlacionar suas proposições com o que pode ser empiricamente conhecido. Na medida em que seu ponto de partida for antropológico, uma tal teologia voltará a algumas das preocupações fundamentais do liberalismo protestante – sem, espera-se, a condescendência com os “eruditos desdenhadores da religião” e seus vários utopismos (BERGER, 1973, p. 69).
Peter Berger sugere, então, que o pensamento teológico procure descobrir o que ele chama de sinais de transcendência no âmbito da condição humana, compreendidos como fenômenos que se encontram no domínio da realidade natural, cotidiana, que apontam para além da realidade. Ele sugere que há “gestos humanos prototípicos” que podem constituir tais sinais, tal como a propensão para a ordem, de tal modo que, no centro do processo de tornar-se plenamente humano, podemos encontrar uma experiência de confiança na ordem da realidade. Outro sinal é o argumento da esperança, que consiste na orientação da existência humana para o futuro, na concretização de projetos. Um terceiro sinal é o argumento do humor, que reconhece a contraditória condição humana como cômica e, por isso, relativizadora.
Esses sinais de transcendência de nossa época são rumores de que o sentimento religioso não está ausente. Antes, a redescoberta do sobrenatural consiste em uma reconquista da abertura na percepção da realidade.
O benefício moral principal da religião é que ela permite uma confrontação com a época em que se vive numa perspectiva que transcende à época e assim a coloca em proporção. [...] Encontrar coragem para fazer o que se tem que fazer num dado momento não é o único bem moral. É também um grande bem moral que este mesmo momento não se torna o momento absoluto e final da existência, que, em aceitando suas exigências, não perde a capacidade de rir e brincar (BERGER, 1973, p. 126).

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