Neste livro, vamos explorar a temática
do amor pelos caminhos da filosofia, da psicanálise, da teologia, das ciências
bíblicas e da espiritualidade para falar do mal-estar que atravessa a
humanidade em nosso tempo. Dizemos que o amor está em falta, mas o que
deveríamos dizer é que o amor foi substituído por outras atitudes que têm
destruído a vida no planeta. O amor está sufocado, escondido, disfarçado no
mundo.
De um modo geral, ouvimos também falar
que temos a obrigação de amar, que o mundo está mal porque as pessoas não se
amam e, por isso, procuramos os culpados pela falta de amor no mundo. Acabamos
construindo uma mentalidade que condiciona o amor a uma lei punitiva, uma força
repressora, como algo impossível de acontecer de forma livre e espontânea.
O amor se torna, assim, uma abstração,
algo distante de nossa realidade. “Falamos de amor, mas vivemos com ódio:
odiamos em nome do amor. O ódio é o nosso protesto contra a ‘impossibilidade do
amor’”, disse Thomas Merton no prólogo do livro de Ernesto Cardenal, Vida em amor.[1]
Uma imagem que ficou eternizada nos
protestos contra a guerra retrata um jovem colocando flores nos fuzis de
soldados. O fato aconteceu em 22 de outubro de 1967 e a foto foi tirada pelo
fotojornalista Bernie Boston durante um protesto pacifista em Washington,
contra a guerra no Vietnã. A foto recebeu o nome de “Flower power” e concorreu
ao Prêmio Pulitzer daquele ano. Ela lembra que o amor é a única força que pode
vencer a maldade.
O amor é um dos temas mais difíceis
para ser abordado em um estudo ou reflexão. A dificuldade de escrever sobre o
amor envolve tanto a abrangência do tema quanto as nossas próprias limitações e
carências de amar e ser amado. Por isso que reunir as reflexões que fazem parte
deste livro se tornou um grande desafio para mim. Primeiro porque o amor
precisa ser aperfeiçoado em mim, e segundo porque o amor está em falta no mundo.
Não dá para se referir ao amor por
palavras. Há que se viver, praticar, compartilhar. Exatamente pelo fato de que
o amor não é um sentimento. Ele é uma atitude.
Há uma crise no mundo, que é da
escassez do amor, que tem afetado todas as esferas da vida. Ela é maior do que
as crises, econômica, política, social, ambiental e relacional. Ela também está
por trás delas e provoca todas as demais crises pelas quais a humanidade passa.
A falta de amor está disfarçada de
muitas formas. Ela pode se confundir com o medo de estar só, com a busca de
realização pessoal, com o ideal de perfeição e até com o narcisismo. A falta de
amor é o sintoma mais sério da perdição humana.
O ponto de virada para sair dessa
crise aponta para uma mudança radical de mentalidade, uma conversão de si para
deixar de ser alguém fechado em si mesmo a fim de se tornar aberto ao mundo e
ao outro.
Para superar a falta de amor, somente uma grande revolução para nos apontar caminhos de construção dessa atitude que tanto faz falta. A revolução do amor tem a ver com uma transformação radical e profunda das estruturas humanas para que se possa estabelecer uma nova perspectiva de vida, centrada no amor.
[1] Cardenal, Ernesto. Vida em amor. Salamanca: Sigueme, 1987. p. 9.
Imagem criada por IA.
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