quinta-feira, 9 de abril de 2009

O significado contemporâneo da Páscoa / The contemporary meaning of Easter / El sentido contemporáneo de la Pascua

Durante estes dias você vai ouvir em algum lugar alguém contar a história da morte e ressurreição de Jesus. Quando eu era criança, os cinemas mudavam sua programação para apresentar os filmes clássicos da paixão de Jesus, os religiosos faziam procissões, autos e encenações pelas ruas, uma tentativa de reproduzir a via crucis. Já na minha juventude, a semana santa era tempo de ouvir os sermões e assistir as cantatas dentro dos templos que recontavam a mesma história. Não sei quantas vezes já a ouvi ao longo dessa minha vida. Creio que foram tantas vezes quantas eu precisei relembrar que houve um momento único na história da humanidade em que alguém de fato se importou com a minha condição humana.
Talvez você se surpreenda com o que vou afirmar: Jesus foi único que de fato se importou com o homem e com sua condição humana a ponto de lhe apontar uma alternativa, uma saída, um caminho para a realização plena. Ele foi o maior ser humano que já viveu e o maior mestre sobre nós mesmos que já existiu. E o que ele fez e o que ele ensinou não perdeu seu prazo de validade. Por isso que sua história precisa ser contada e recontada. Nunca será demais repeti-la.
Quando Jesus viveu, ele não pediu aos seus discípulos para que comemorassem o seu nascimento. Isso o fazemos porque nos alegra contar o tempo e relembrar aqueles momento em que nos achávamos mais felizes. Mas ele pediu que fizéssemos de sua morte um memorial. Isso precisamos fazer como um exercício de encontro com a nossa própria realidade.
A história da crucificação nos constrange porque nos vemos nela. Ela é uma denúncia daquilo que como humanos somos capazes de fazer. Ela nos traz de volta à nossa realidade e nos lembra que não temos condição nenhuma de dar conta de nós mesmos. Mas a história da ressurreição nos impulsiona a seguir adiante, ela nos aponta para um futuro e para uma esperança. Crucificação e ressurreição fazem parte de um jogo que envolve memória e imaginário. É a dupla expressão que nos leva para dentro de nós mesmos. A memória de que somos criaturas e que caminhamos fatalmente para o fim. O imaginário de que temos a possibilidade de construir uma vida melhor com Deus. Memória que nos confronta com o fato de que somos falhos. Imaginário que nos acende a fé para ser aquilo para o qual Deus nos criou.
Poderíamos dizer isso de outro modo. A Páscoa traz em sua forma a expressão de nossa própria contradição, a de que vivemos a tensão entre determinismo e liberdade, entre o já e o ainda não. É por causa dessa história que podemos entender melhor o quanto Deus se importa conosco e como foi intenso o seu esforço em nos proporcionar um encontro com sua graça.
Para os cristãos, Páscoa é paixão de um Deus que nos ama loucamente e nos chama para desfrutar do seu amor. Amor que se doa a ponto de se fazer morte, morte de cruz. Para os judeus, Páscoa é a festa da passagem, da mudança, da transitoriedade. Lembrança de um Deus que se faz caminho e nos chama para seguir por ele. Para nós precisa ser o encontro com Deus, que se fez homem, que se foz morte, que se fez ressurreição, que se fez vida nova pela fé em Jesus Cristo. Eu não posso me esquecer que isso se deu em um momento muito especial de nossa história.

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