sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Começar de novo / Start again / Empezar de nuevo

Deus sempre dá a cada um de nós a chance de recomeçar. Não se trata de voltar no tempo e refazer o que ficou para trás. Deus nos dá a chance de tentar mais uma vez e encontrar um novo fim para a nossa história. Quando tudo parece perdido, quando chegamos a nossa situação limite, quando nos sentimos por baixo, Deus sempre nos acena com uma nova oportunidade. É a chance do renovo. “Lembre-se de onde caiu! Arrependa-se e pratique as obras que praticava no princípio” (Apocalipse 2.5).
O tempo do renovo existe em toda a natureza. E muitas vezes é preciso que haja uma situação crítica, até mesmo uma catástrofe, para que a natureza se recomponha e a vida se refaça. As chances da natureza se recompor são inesgotáveis. Possivelmente nunca mais será como antes. Mas sempre há vida que renasce dos escombros.
Deus nos chama para o renovo quando nos convida para nos voltarmos para ele. Seus braços estão sempre estendidos nos aguardando, seus ouvidos sempre prontos a nos ouvir. E lembre-se: as maiores conquistas espirituais acontecem quando estamos lá no fundo do poço, quando deixamos que o Senhor nos tire de lá e nos coloque firmados sobre uma rocha.
Deus dá os recursos para o renovo. Ele nos provê com seu amor sem limites. Ele nos diz para não temermos, pois é Ele mesmo que nos fortalece, nos esforça, nos ajuda e nos sustenta com a destra de sua justiça. É o mesmo que nos garante que para Ele não há coisa impossível. Ele é quem nos desafia a declararmos a vitória sobre o que nos oprime, porque maior é o que está em nós do que o que está no mundo.
Há quatro atitudes, porém, para quem quer experimentar o renovo. Você precisa fazer uma avaliação realista de seu passado, as coisas que você andou fazendo que entristeceu o coração de Deus. Você precisa fazer também uma declaração de arrependimento, que você está desejoso e pronto para ter uma nova chance de recomeçar. Você ainda precisa tomar uma decisão de retomar as práticas de uma vida equilibrada e saudável que ficaram deixadas para trás. Finalmente, abra-se para um novo relacionamento com Deus. Esse novo relacionamento consiste no fato de que você se disponha a seguir os ensinos de Jesus Cristo e buscar ajustar o seu caráter ao dele.
Sempre é tempo de renovo. Basta que você ouça a voz do Senhor te dizendo: “lembre-se de onde caiu”. É de lá que você tem que recomeçar. É a partir de lá que Deus quer restaurar a sua vida. Por isso, volte-se para retomar a caminhada de onde você mesmo parou.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Trabalhar demais aumenta risco de demência / Working increases risk of dementia / El trabajo aumenta el riesgo de demencia

Não é brincadeira. Saiu na revista de ciência da BBC. Uma pesquisa liderada por cientistas finlandeses sugere que excesso de trabalho pode aumentar o risco de declínio mental e, possivelmente, de demência. Demência é um termo genérico que descreve a deterioração de funções como memória, linguagem, orientação e julgamento. O Mal de Alzheimer, com dois terços dos casos, é a forma mais comum e mais grave a que se corre o risco de chegar.
Quando li essa notícia hoje, não consegui deixar de associar à espiritualidade. Eu preciso levar isso mais a sério. Você já reparou o quanto a gente gasta tempo fazendo coisas completamente desnecessárias? E como a gente acumula coisas na vida só pra ter que arrumar depois? Faça uma lista das coisas desnecessárias que você faz:
- Ler e-mail todo dia. No tempo da carta não era assim. O carteiro passava uma ou duas vezes por semana e isso resolvia o nosso problema de comunicação. Hoje a gente tem a caixa de correspondência do webmail lotada com um montão de informações que não servem para nada.
- Fazer compras em supermercado. Você já reparou que parece que todo mundo resolve fazer compras na mesma época? O supermercado sempre lotado, fila para tudo. Sem contar o fato de que tem que encher o carrinho durante as compras, esvaziar o carrinho no caixa, encher o carrinho depois de pagar as compras, esvaziar o carrinho para pôr as compras no carro, esvaziar o carro para levar as compras para dentro de casa, colocar as compras arrumadas no armário, para depois tirar as compras do armário para pôr em uso. Não é muita coisa? Não seria mais fácil buscar o que precisa na birosca da esquina?
- Viagem para visitar a família. Meus familiares moram a uma hora de carro da minha casa. Mas se vamos passar uma noite por lá, haja trabalho. Arruma bagagem para ir com um montão de coisas que você imagina que pode usar. Quando chega lá, não usa metade que levou e volta com tudo de novo pra casa. Nessa, meu cunhado leva a pior quando vem passar uns dias com a gente. Ele tem dois filhos pequenos. Só o viedogame das crianças é um desastre. Desmonta videogame, monta de novo, para depois desmontar quando for embora, para ainda montar de novo quando chegar lá. E quando esqueceu aquele cabinho imprescindível para conectar? Coitado.
- Faxina da casa. Eu nunca entendi direito a lógica da faxina. Primeiro você suja, depois você limpa para poder sujar de novo. É sempre a mesma coisa. A minha parte da faxina em casa é limpar o banheiro. Já tenho a traquitana toda no esquema. Rodo, vassoura, balde, escova, pano-de-chão, esponja tudo já na mão para não ter que procurar muito na hora da limpeza. Aí vem a parte que eu mais gosto: aquele spray com o tira-limo e o desinfetante que remove tudo só na borrifada, sem fazer esforço. Só assim para resistir.
- Férias. Não há nada mais trabalhoso do que férias. Você passa o ano inteiro planejando a viagem, os compromissos, as oportunidades. No final, descobre que não deu para fazer nada. Teve um ano que decidimos fazer uma viagem de carro para o sul. Passei mais tempo na fase do planejamento do que na viagem. Deu tudo certo, claro. Mas deu muito trabalho fazer todos os preparativos.
Foi aí que lembrei do conselho bíblico: “Por que gastar dinheiro naquilo que não é pão, e o seu trabalho árduo naquilo que não satisfaz?” (Isaías 55.2). Mas como evitar o trabalho? A maneira como o ser humano interfere na natureza é através do trabalho. É o modo como transformamos a nossa realidade.
Uma coisa é certa, não conseguimos evitar o trabalho. Mas é preciso que se tenha sabedoria para aproveitar bem a vida e desfrutar do melhor que Deus tem preparado para nós. Trabalhar sem a perspectiva do cuidado de Deus já é um indício de demência.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Crescimento pessoal e espiritual / Personal and spiritual growth / Crecimiento personal y espiritual

Tenho para mim que as coisas não poderão mudar na minha vida se eu permanecer do mesmo jeito que estou. Pense quando você estava no começo de sua carreira profissional ou no começo de um relacionamento. Se você tivesse o conhecimento que tem hoje, faria do mesmo jeito o que você fez naquela época do começo? E se tivesse a chance de começar de novo, faria tudo da mesma maneira?
Atualmente, a maioria dos conselhos para situações de autorrealização são: “não desista”, “mantenha o foco”, “agregue valor”, “dê a volta por cima”, “supere a si mesmo”, “seja um vencedor”. Ninguém vai chegar até você para dizer: “cresça e apareça”. O problema é que, embora pareçam abordagens distintas, elas acabam interrelacionadas. Crescer e aparecer não têm nada a ver com sua estatura física. Isso tem mais a ver com a maneira como você vê a si mesmo, pois é isso que você está mostrando de si para os outros. Se você quer dar um incentivo à sua carreira ou aos seus relacionamentos e, ao mesmo tempo, estar diante dos holofotes, você precisa pensar sobre esse tema.
Mas como colocar em prática esses conselhos na vida diária, em meio aos conflitos em família, do ambiente profissional, nos relacionamentos? Eu tenho uma notícia boa e uma ruim sobre isso. A ruim é que não existe um remédio instantâneo para crescer e aparecer. A boa é que sempre existe um jeito para você chegar lá. Não é fácil nem rápido, mas compensa. Necessariamente não o levará para diante dos holofotes, mas será impossível passar por essa vida inteira sem deixar vestígios significativos e sem ser notado.
Todos nós queremos melhorar em alguma coisa. E nada impede que desejemos progredir. O problema é que existem muitas barreiras que atravessam o nosso caminho e, por conta disso, muita gente acaba desistindo. Você se lembra qual foi a última vez que sonhou em alcançar algo e desistiu? Quem sabe o sonho da casa própria, ou um curso de aperfeiçoamento em sua carreira, ou mesmo uma dieta para perder uns quilinhos. Por trás do que motiva o desânimo e a desistência encontram-se diversos fatores que estão relacionados com o nosso desenvolvimento pessoal
Pensando nisso é que surgiram algumas ideias. Ultimamente, a minha preocupação tem estado voltada para a busca de orientações para o desenvolvimento humano de forma pessoal. Crescer é próprio dos seres vivos, mas só o ser humano se preocupa com isso. Para isso, três pressupostos orientaram o meu modo de pensar.
O primeiro é que o desenvolvimento humano não é natural. Trabalho com a hipótese de que toda a ação humana é social e culturalmente construída. Isso não é o mesmo que dizer que o homem é produto do meio. Da mesma forma que é um equívoco dizer isso, é também um equívoco dizer que temos total controle de nossa existência, ou que somos apenas determinados biologicamente. Não podemos negar que vivemos a tensão entre o determinismo e a liberdade, que somos influenciados e que influenciamos, ficamos perplexos diante do contingente, mas podemos fazer escolhas.
O segundo é que a Bíblia é o mais completo guia de orientações para a humanidade que já existiu. Se você quiser fazer da Bíblia um guia de verdades absolutas, você vai ter sérios problemas. Primeiro porque a Bíblia foi escrita em um tempo que não se tinha o conhecimento que se tem hoje. Segundo porque os escritores bíblicos nunca quiseram ter todas as respostas para as questões humanas. Terceiro porque as nossas condições socioculturais são completamente distintas dos autores e primeiros leitores da Bíblia. Mas é preciso reconhecer que o povo hebreu elaborou uma obra que contém princípios de vida que influenciam até hoje três grandes religiões: o cristianismo, o judaísmo e o islamismo. E isso inclui não somente os seguidores dessas religiões, mas também toda a sociedade onde haja um praticante sequer de qualquer uma dessas religiões.
O terceiro é que Jesus foi o maior mestre sobre crescimento pessoal e de reflexão sobre a nossa condição humana que já viveu entre os homens. Ele não somente deixou ensinos profundos que têm influenciado o pensamento humano, como também viveu de um modo que nos intriga até hoje. Não importa como você o estude, seja do ponto de vista histórico ou do ponto de vista da fé, Jesus Cristo serve como exemplo e referencial para o agir responsável de qualquer ser humano, em qualquer contexto. Ao dizer isso, não posso deixar de admitir que esse pressuposto tem um implícito: o modo como Jesus Cristo se torna relevante para a minha vida envolve um contexto maior, que é o fato de que há um Deus que, de forma inteligente, tem propósitos muito claros para a minha vida e que está interessado em ter um relacionamento pessoal comigo.

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Avivamento: o remédio de Deus para a crise / The God's antidote to crisis / Aviva: la medicina de Dios para la crisis

Como será que Deus olha para a crise que estamos enfrentando? Muitos críticos da fé cristã têm acusado a Deus como um insensível às dores humanas. Afirmam que se Deus existe ele está ausente ou então é um Deus fraco. Mas é na sua fraqueza e ausência que Deus se mostra poderoso e presente.
A pergunta comum em meio à crise é: o que fazer diante de tantos problemas que temos atravessado? A Bíblia aponta para o fato de que, quando as coisas chegam a ficar fora do controle, essa é a hora de Deus agir.
A única solução para tempos difíceis é permitir que Deus se manifeste entre nós com seu poder e sua graça, de tal modo que possa deixar marcas profundas da transformação de vidas para a glória dele.
Essa manifestação especial do poder de Deus tem sido analisada e até mesmo buscada pela igreja evangélica como um tempo da visitação de Deus ao seu povo. O tempo da visitação especial de Deus ao seu povo tem sido chamado de avivamento.
Tem sido assim ao longo da história do cristianismo. Deus tem visitado o seu povo com ventos de avivamento em meio a momentos de grande enfrentamento.
O primeiro grande avivamento entre os cristãos está registrado na Bíblia. Foi quando o Espírito Santo inaugurou o seu ministério no Dia de Pentecostes, registrado em Atos 2.
Outros movimentos de avivamento continuaram a acontecer, como entre os cristãos celtas (do século V ao século IX), ou através de João Huss na Tchecoslováquia (no século XIV), a própria reforma protestante no século XVII, o movimento pietista europeu no século XVIII.
Mas o maior avivamento que já se tem notícia foi o que aconteceu na Inglaterra e na América do Norte no século XVIII, que resultou na maior expansão missionária da igreja em toda a sua história. A igreja evangélica brasileira é resultado desse mover de Deus.
Hoje, mais do que nunca, precisamos de uma visitação do Espírito Santo em todo o mundo. Alguns até identificam que esse novo tempo para a igreja significa o surgimento de uma atitude que entenda o coração do homem contemporâneo a fim de o conduzir em sua experiência com Deus.
O detalhe interessante é que, quando o avivamento acontece, é sinal de que houve antes um profundo declínio moral e espiritual. E é essa condição que nos permite entender que Deus possibilitou algo que restaura a nossa comunhão íntima com ele.
Note bem:
a) Para que o avivamento aconteça, é preciso que as pessoas reconheçam que precisam dele.
b) E se o avivamento acontece, isso é acompanhado por uma ardente paixão em atrair as pessoas para que participem de nossa experiência com Deus.
Ainda no século XIX, Spurgeon - um inflamado pregador inglês - reconheceu que muitos movimentos tidos como avivamentos causaram mais danos do que benefícios para a obra de Deus. Leonard Ravenhill faz a pergunta: por que tarda o pleno avivamento? Esse é o título de seu pequeno livro, muito antigo, sobre esse assunto. Dentre as muitas respostas que apresenta está o fato de que roubamos a glória que pertence a Deus.
Alguém um dia perguntou:
– Qual o segredo para o avivamento?
– Não há segredo. Ore! – Foi a resposta.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

O futuro sumiu / The future disappeared / El futuro desapareció

Ontem tomei um café na universidade onde trabalho. Até aí nada de anormal. Posicionei-me diante da nova máquina de café, que fica entre o caixa automático do banco e a geladeira, também automática. Coloquei a moeda no lugar indicado e o display acusa que a partir daquele momento a máquina estava em funcionamento. Apertei a opção “capuccino”. Um pequeno braço mecânico se estende até o lugar de onde sairá a bebida. Barulho de braço mecânico se movimentando. A máquina emite outro ruído diferente, o que acusa que o grão de café torrado está sendo moído na hora, que a água quente e outros ingredientes também são adicionados. Logo o display ordena: “retire o copo”. Puxo o copo do braço mecânico e constato que tenho em minhas mãos um delicioso café capuccino na dose certa, adoçado e com uma colherzinha descartável dentro. É só mexer e degustar.
Enquanto me dirijo para a sala de aula, para falar de tecnologia educacional para futuros pedagogos, sou forçado a pensar: o futuro chegou e ainda não nos demos conta disso. E o que acontece é que não se fala mais no futuro. Nossos olhos estão voltados para o imediato, para o agora. Vivemos a cultura do instantâneo, do “em tempo real”, em que qualquer espera que demore alguns segundos parecem uma eternidade.
Lembra-se da década de 1970? Era quando se falava da nova era, a era de aquários. Depois veio a década de 1980, quando só se pensava no ano 2000 e a pergunta de como seria viver no século XXI. Aí chegou a década de 1990 e, com ela, a desilusão da nova era, a angústia de continuarmos tão humanos como sempre fomos.
E agora? Seria esse o tal fim da história? A verdade é que o futuro chegou e estamos desconfortáveis nele. A grande realidade que descobrimos é que vivemos em um tempo em que perdemos o controle. Tudo está fragmentado. Tudo muda muito rápido
A crise que atravessamos não é especificamente financeira ou mercadológica. A crise é de falta de referência. Olhando de um outro modo, a nossa relação com o mundo tornou-se assumidamente simbólica. Tudo que se vê é através de uma interface.
Não, isso não é novo. Sempre fomos assim. O problema é que nos damos conta disso somente hoje. Por isso que essa descoberta gera conflitos. Esse indivíduo fragmentado que nasce nesse contexto precisa encontrar caminhos para superar a ilusão. A Modernidade ocidental nos ensinou que somos sujeitos autônomos, dotados de vontade, que têm controle do seu próprio destino. O que fazer diante disso? É daí que surge o consumo como alternativa para afirmação de identidade. Como não se consegue assimilar as mudanças, o consumo passou a ser a medida para o contentamento.
Essa mudança foi anunciada há muito tempo. Além disso, ela foi lentamente construída. Hoje estamos adentro dela, que se instalou e definiu nossas ações. A nova máquina de café da universidade e o seu contexto é apenas uma prova disso. Tomei o meu café e joguei o copinho no lixo. Logo em seguida, pensei conformado: mais um trabalhador desempregado...

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Marcas da espiritualidade contagiante / Contagious spirituality / Marcas de la espiritualidad contagiosa

Jesus é sem dúvida o maior mestre de espiritualidade que já existiu. Ele investiu no seu relacionamento íntimo com Deus. Certa vez ele experimentou o que chamaríamos de um êxtase místico. A Bíblia chega a dizer: “E foi transfigurado diante deles; o seu rosto resplandecia como o sol, e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz” (Mateus 17.2).
O episódio da transfiguração é interessante. Três discípulos foram especialmente escolhidos por Jesus para terem uma experiência sem igual. Não eram os melhores; eram os mais chegados. Não eram os mais perfeitos; eram os que Jesus sabia que iriam receber marcas profundas do que estava por acontecer.
Um era colérico, intempestivo, açodado. Outro era legalista, formal, meticuloso. Outro era de ressentir, jovem demais, que se deixava alterar o humor ao mais leve problema.
Os três passaram alguns instantes contemplando a glória de Deus, manifestada ali, na frente deles. O Pai permitiu que Jesus tivesse um breve contato com aquela glória anterior, a mesma que existia antes da formação do mundo. Jesus sentia saudade da glória celestial. Sabia de sua missão. Por isso, como perfeito homem que foi, não via a hora de ver a glória restaurada. Dessa vez, de uma forma tal que seres mortais como nós tivessem acesso. Era uma resposta a um de seus mais secretos desejos: “Glorifica-me... com aquela glória que eu tinha contigo” (João 17.5).
Aqueles três discípulos tiveram suas vidas marcadas pelo pequeno vislumbre da glória de Deus. O Pai amoroso acolhe o Filho que lhe dá prazer. A nuvem estava ali presente, envolvendo aquele encontro do verbo encarnado com as criaturas celestes. Não havia o que fazer. Que barraca que nada! Não basta passar uma noite aqui! Só vale a eternidade diante da glória de Deus! Os três prostrados com o rosto em terra deviam ter feito longas e pesadas orações de confissão e súplica. Certamente clamaram para que não fosse retirado deles a oportunidade de mais uma vez estar diante da glória do Senhor.
Quando os três e Jesus desceram do monte da transfiguração, o contraste com os que não estiveram diante da glória de Deus era grande. De um lado, contagiante alegria. De outro, o fracasso e a incapacidade de servir. A vida daqueles três, porém, não foi a mesma. Um destacou-se como líder da igreja até a morte, Pedro. Outro se sentiu privilegiado por ter sido o primeiro mártir entre os apóstolos, Tiago. E outro perseverou até o final mesmo quando prisioneiro por causa da fé, João.
Defendo uma espiritualidade que altere o rumo da vida. Não há como ter passado momentos em contato com Deus e permanecer do mesmo jeito. Você precisa permitir que marcas profundas aconteçam, por ter passado tempo na presença dele, de tal maneira que nada signifique mais do que ter estado diante da glória de Deus, ao menos que por um instante.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Motivação para enfrentar a crise / Motivation to face the crisis / Motivación para hacer frente a la crisis

Qual é a sua motivação para enfrentar crises?
Veja em qual dessas atitudes você se enquadra:
a) A atitude do Leão da Montanha. Ele era um simpático felino rosa que se vestia com punhos e gola de uma camisa antiga, além de uma inconfundível gravata. É um personagem de desenho animado da década de 1960. O Leão da Montanha caiu no gosto do público graças ao seu charme, elegância e estilo. Educado, articulado e com um “ar” de ator canastrão, tinha uma estratégia para se livrar das crises: com o uso do jargão característico, “Saída, pela esquerda”, fazia menção do caminho para sair de cena. Seu perfil deixou uma marca inesquecível para os fãs da série: o genial jogo de cintura para sair de situações complicadas. Sua pose mais conhecida é justamente a em que coloca os braços em posição de quem vai sair correndo para fugir de uma confusão!
b) A atitude da hiena pessimista. Quem não se lembra também de Hardy, ainda na década de 1960, uma hiena que sempre via problema em tudo. Sua frase preferida era “Eu sei que não vai dar certo... Oh, dia, oh, céus, oh, azar...”, que virou um bordão conhecido. Seu companheiro era Lippy, um leão otimista, que sempre bolava planos curiosos para os dois se darem bem, mas Hardy, com todo o seu pessimismo, nunca acreditava que teriam sucesso.
Neste momento em que tanto se fala de crise mundial, gostaria de ajudá-lo a entender como é possível ter disposição para enfrentar tempos difíceis. Não é que você saia por aí procurando uma crise para viver. Você não precisa procurá-la. Ela virá até você, quer você queira ou não.
Segundo os dicionários da língua portuguesa, crise significa: um momento decisivo, uma alteração repentina no curso de algo. Vem da palavra grega krisis, que significa juízo, o que leva à necessidade de discernimento. John Kennedy lembrou, no auge da crise da guerra fria, em 1959, que a palavra crise no dialeto chinês é escrita com dois caracteres: o primeiro significa abismo, perigo, risco; o segundo, oportunidade.
Tenho para mim que a crise financeira atual, que se abateu sobre o mercado mundial, serve para trazer de volta a preocupação com as desigualdades humanas. Isso nos leva a pensar que a crise não é o problema em si, mas a maneira como somos afetados pelos problemas gerados pela crise. O modo como reagimos ao problema é que define a proporção da crise.
É certo que vamos enfrentar tempos difíceis, mas o que importa é que façamos disso uma oportunidade de crescer e aprofundar o nosso relacionamento com Deus e com as pessoas que nos cercam. Certamente há aquelas pessoas que, diante da crise, desistem. Mas há aqueles que, em meio à crise, encontram motivação para seguir adiante e tentarem de um outro modo.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Como enfrentar um tempo de crise / how to win in a time of crisis? / cómo ganar en un momento de crisis

O ano de 2009 tem sido anunciado como um ano de crise. Em seu discurso de posse, o presidente norte-americano Barack Obama reconheceu isso. Ele afirmou ainda: “Hoje eu lhes digo que os desafios diante de nós são reais. São sérios e são muitos. Eles não serão superados facilmente ou num curto período de tempo.”
Embora todos os indicativos apontem para um tempo de crise, a melhor atitude não é fugir ou ter medo. Mesmo que a crise não nos afete, a melhor atitude não é também olhar para os lados e simplesmente suspirar de alívio dizendo que isso não é conosco. A Bíblia nos aponta um caminho mais seguro para enfrentar esse tempo de crise.
Diante da crise, o salmista pergunta: “Quando os fundamentos estão sendo destruídos, que pode fazer o justo?” Salmos 11.3. Se a pergunta é: o que é possível fazer diante da crise? O conselho bíblico é: “Olhem para o Senhor e para a sua força; busquem sempre a sua face”. 1Crônicas 16.11.
Atitude correta daquele que confia no Senhor é reconhecer que, sem Deus, não há esperança, mas com Deus tudo fica bem melhor. “Temam o Senhor, vocês que são os seus santos, pois nada falta aos que o temem”. Salmos 34.9.
Pode ser que você diga que isso não te afeta, afinal a crise econômica não ameaça o seu emprego. Mas quando a gente houve falar que grandes corporações demitiram dez, vinte mil funcionários de uma vez, isso pode afetar toda a cadeia produtiva e, de alguma forma, um dia vai chegar até você. Quando se fala de demissões, não se fala só de números, mas de pessoas que têm compromissos, família, sonhos.
A atitude mais adequada, numa hora como essa que a crise toma a todos, é perguntar para você mesmo: de que maneira ou posso ajudar as pessoas a superar esse momento de crise? Ou então: como posso influenciar as pessoas que estão mais próximas de mim a enfrentarem a crise de um outro modo?
O mundo está em crise há muito tempo. A crise econômica atual é apenas um lado do problema. Gostaria de sugerir algumas atitudes para enfrentar crises, sejam elas de que natureza for. Em primeiro lugar, apresente para Deus seu problema. Jó não teve dúvidas. Veja o que ele fez: “Por isso não me calo; na aflição do meu espírito desabafarei, na amargura da minha alma farei as minhas queixas”. Jó 7.11. Reconheça a grandeza de Deus. Não importa o que aconteça, Deus não vai te desamparar. “Deus é o nosso refúgio e a nossa fortaleza, auxílio sempre presente na adversidade. Por isso não temeremos, ainda que a terra trema e os montes afundem no coração do mar, ainda que estrondem as suas águas turbulentas e os montes sejam sacudidos pela sua fúria”. Salmos 46.1-3 .
Peça forças ao Senhor. A Bíblia diz: “Recorram ao Senhor e ao seu poder; busquem sempre a sua presença”. Salmos 105.4. E, acima de tudo, mantenha o seu foco nas promessas divinas. “Por isso não desanimamos. Embora exteriormente estejamos a desgastar-nos, interiormente estamos sendo renovados dia após dia, pois os nossos sofrimentos leves e momentâneos estão produzindo para nós uma glória eterna que pesa mais do que todos eles. Assim, fixamos os olhos, não naquilo que se vê, mas no que não se vê, pois o que se vê é transitório, mas o que não se vê é eterno”. 2Corítios 4.16-18

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