sexta-feira, 29 de maio de 2015

A sociedade justa: lançamento de livro / The equitable society / Una sociedad justa

A sociedade justa não sabemos precisar o que ela é, mas logo percebemos o que ela não é. Com certeza, ela não se parece em nada com a sociedade em que vivemos. O livro do professor Irenio Silveira Chaves, filósofo e teólogo, tenta responder algumas perguntas intrigantes: vivemos em uma sociedade justa? Qual o sentido de justiça num mundo tão desigual? Como podemos orientar nossas escolhas para vivermos em um mundo mais justo e menos desigual?
A ideia de justiça nasce de nossa capacidade de se indignar com as condições injustas. Nunca, em nenhum tempo da história, a humanidade viveu um período em que se tenha conhecido um estado pleno de justiça. A ideia de uma sociedade justa é uma abstração, um desejo, uma utopia, que, para se realizar necessita de ações concretas que envolvem tanto a vida pessoal como a coletiva.
Uma sociedade justa não acontece apenas por uma vontade política, nem se dá por meio de estruturas rígidas, nem por uma moral rigorosa. Porém, desejar e lutar por uma sociedade mais justa não é uma impossibilidade, pois implica que se coloque em questão toda a nossa humanidade. A sociedade justa, portanto, é uma possibilidade humana e é por essa razão que ansiamos por ela.
Entretanto, a sociedade justa não virá sem que isso comporte uma profunda reflexão sobre as atitudes do ser humano em suas relações. Exatamente pelo fato de que a justiça se faz necessária naquelas relações marcadas pelo conflito.
Como afirma o próprio auto, “Falar sobre a sociedade justa implica refletir sobre a condição humana e o desejo de uma vida melhor. Embora a humanidade nunca tenha vivido um tempo marcado por relações justas, este sempre foi o ideal de todas as pessoas em todos os tempos.”
Para tratar disso, o autor parte de três pressupostos básicos: o primeiro é que a noção de justiça que temos hoje é resultado de um processo de construção que marcou a cultura ocidental; o segundo é que o oposto de justiça não é injustiça, mas desigualdade social; o terceiro é que a noção de justiça do Ocidente recebeu a contribuição das matrizes teóricas do pensamento greco-romano, da tradição judaico-cristã e da racionalidade moderna.

Para lidar com as situações de desigualdade que marcam a vida na contemporaneidade, são apresentados novos princípios para orientar as ações tanto de pessoas em suas relações quanto de estruturas de poder que conduzem a vida social. Um livro importante para estudantes de Direito e profissionais do mundo jurídico, mas principalmente para pessoas comuns que se preocupam e desejam viver em uma sociedade mais justa.

domingo, 24 de maio de 2015

Superando a cultura do conforto / Overcoming the comfort culture / La superación de la cultura de comodidad

Sigam fielmente os termos desta aliança, para que vocês prosperem em tudo o que fizerem.” Deuteronômio 29.9. 
Certa vez, o famoso bispo episcopal de Massachusetts Phillips Brooks, no século XIX, afirmou: “Triste será o homem que algum dia se tornar uma pessoa absolutamente satisfeita com a vida que leva, com os pensamentos que passam por sua cabeça e com as coisas que faz. Até que esse dia chegue, um desejo sempre baterá à porta do seu coração: o desejo de fazer algo maior por saber que foi feito para isso.”
Vivemos um tempo dominado pela preocupação com o conforto, com a comodidade, com o lazer e com o entretenimento. Todos os recursos tecnológicos de que dispomos visam proporcionar um estilo de vida sem esforço, que não exija de nós operações complexas e que resulte em mais ociosidade. Tudo se realiza de forma automática e instantânea sem muito espaço para a reflexão e o pensamento.
Sinais de uma cultura do conforto:
a)        Restaurante fast food e self-service.
b)        Cartão de Crédito.
c)        Tecnologia touch screen.
d)        Condomínios com “lazer completo”.
e)        Indústria do entretenimento.
Se você quiser, de fato, experimentar o sucesso, isso vai requerer muito esforço. Uma vida bem-sucedida não acontece sem que necessite de muita renúncia, dedicação e habilidades. Como bem lembrou o estadista norte-americano Benjamin Franklin, “não há conquista sem sacrifício”.
É preciso afirmar um princípio para que apliquemos mais esforço em nossos empreendimentos e atitudes: o de que a comodidade e a conformidade produzem a mediocridade. Isso quer dizer que o que faz diferença nas nossas conquistas é a quantidade de tempo e de esforço que aplicamos em sua busca. Isso não tem nem tanto a ver com suas competências e qualidades, embora sejam muito importantes, mas com o seu caráter e interesse. Lembre-se sempre dessa frase: “Deus não procura melhores métodos, ele quer homens melhores” (M. Bounds).
O sucesso, portanto, tem mais a ver com a maneira como caminhamos do que com o lugar ou a posição que almejamos. O sucesso está mais relacionado com uma vida bem-sucedida do que com uma conquista. Precisamos, então, corrigir alguns conceitos equivocados que normalmente empregamos quando a realização pessoal está em questão.
Alguns mal-entendidos a serem superados sobre o sucesso:
Sucesso não proporciona felicidade, mas pessoas felizes são mais bem-sucedidas.
- Sucesso não é o oposto de fracasso, mas nossos fracassos nos ensinam a ser bem-sucedidos nas tentativas futuras.
- A pessoa bem-sucedida não é, necessariamente, aquela que tem mais títulos ou bens, mas aquela que se torna aquilo para o qual Deus a criou.
- Pessoas de sucesso não são as mais determinadas ou focadas, mas as que se esforçam por viver de acordo com os propósitos de Deus.
- O sucesso não vem conforme as oportunidades, mas é resultado de esforço e perseverança.
- O sucesso não está relacionado à sua carreira, mas ao seu caráter.
- O sucesso não é medido pelas relações de consumo, mas pela maneira como você se relaciona com Deus e com o outro.
- Sucesso não é sinônimo de prosperidade, mas de fidelidade e de confiança em Deus.
- O sucesso não é medido pela sua reputação, mas por sua integridade.

domingo, 17 de maio de 2015

Utilize seu potencial / Use your potential / Utilice su potencial

“O que as suas mãos tiverem que fazer, que o façam com toda a sua força, pois na sepultura, para onde você vai, não há atividade nem planejamento, não há conhecimento nem sabedoria.” Eclesiastes 9.10 
Todos nós possuímos duas características que nos ajudam em nossa capacidade de realização: uma é a faculdade de desenvolver habilidades e competências; outra é o estado de insatisfação que nos leva a querer sempre mais e melhor. Quando essas duas características estão intencionalmente inter-relacionadas, promovem o que podemos chamar de sucesso.
Entretanto, somos induzidos em todo tempo e acreditar que pessoas de sucesso ou pessoas bem sucedias são portadores de virtudes especiais por causa de sua origem, talento ou poder.
A pergunta que surge quando o assunto é sucesso: como pessoas comuns podem obter o máximo de seu potencial? Ebenezer Bittencourt, líder do Instituto Haggai no Brasil, afirma que “existem três tipos de pessoas: as que fazem as coisas acontecerem, as que olham as coisas acontecerem e as que não sabem o que está acontecendo”.
Por essa razão, torna-se necessário entender bem qual é o seu perfil, o que faz de você o que é e o que o torna diferente dos demais. A ideia de se definir um perfil tem sido utilizada de forma muito equivocada pelo mundo corporativo, principalmente nos processos seletivos, valorizando mais a exclusão do que a valorização das potencialidades de cada um.
O que deve ser levado em conta na avaliação de nosso perfil? Cada um de nós é resultado de um processo básico e histórico de formação. É isso que define o seu perfil.
Através do acróstico a seguir – a partir das letras que forma a palavra “perfil” – veja o que deve ser levado em consideração em sua formação:
P – Personalidade.
E – Experiências.
R – Relação de dons e talentos.
F – Formação.
I – Ideal.
L – Lista de habilidades.
Você tem um jeito de ser. Isso tem a ver com suas origens, seu temperamento e suas intencionalidades. Isso influencia seu modo de se expressar, de se relacionar, de se organizar e de interagir.
Descubra quem você é: faça um teste rápido sobre si mesmo usando o gráfico a seguir. Considere cada característica de personalidade e atribua um valor de 1 a 3 para cada uma delas. Por exemplo: você é uma pessoa introvertida ou extrovertida? Marque 1 se você tem essas duas características de forma equilibrada. Se é mais introvertido, marque 2 ou 3 na direção da palavra; ou, se é mais extrovertido, nessa outra direção. Faça o mesmo nas demais situações.
Forte                     Médio                    Forte

Introvertido
3
2
1
2
3
Extrovertido
Autocontrolado
3
2
1
2
3
Autoexpressivo
Rotineiro
3
2
1
2
3
Variado
Cooperador
3
2
1
2
3
Competitivo

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Cultura do encontro / Meeting culture / La cultura del encuentro

A cultura do encontro é um dos temas desafiadores trazidos pelo atual Papa Francisco que, ao meu ver, deve nos conduzir a uma reflexão sobre a conduta de cristãos de todos os segmentos. Entretanto, não se trata de um fato novo. Desde o Concílio Vaticano II, há uma recomendação que consta do documento Gaudium et spes para que se considere o próximo como um “outro eu” tendo em vista a formação de uma vida mais digna. Diz o documento: “sobretudo em nossos dias, urge a obrigação de nos tornarmos o próximo de todo e qualquer homem, e de o servir efetivamente quando vem ao nosso encontro”.
O chamado para a consolidação de uma “cultura do encontro” foi apresentado pelo Papa Francisco em 2013, principalmente em quatro ocasiões, como uma alternativa à cultura da exclusão e da indiferença: na homilia proferida na missa com os religiosos, por ocasião da XXVIII Jornada Mundial da Juventude; na mensagem do dia Mundial do Migrante e Refugiado; na aula magna da Pontifícia Faculdade Teológica da Sardenha; e na exortação apostólica Evangellii Gaudium.
No primeiro discurso, ele afirmou que a igreja precisa ter a coragem de ir de encontro à cultura do descartável e de desenvolver uma atitude que favoreça a solidariedade. Segundo ele, “o encontro e o acolhimento de todos, a solidariedade [...] e a fraternidade são elementos que tornam a nossa civilização verdadeiramente humana. Temos de ser servidores da comunhão e da cultura do encontro”.
Na segunda oportunidade, o Papa Francisco disse que: “O mundo só pode melhorar se a atenção é dirigida, em primeiro lugar, à pessoa; se a promoção da pessoa é integral, em todas as suas dimensões, inclusive a espiritual; se não se deixa ninguém de lado, incluindo os pobres, os doentes, os encarcerados, os necessitados, os estrangeiros (cf. Mt 25, 31-46); caso se passe de uma cultura do descartável para uma cultura do encontro e do acolhimento.”
A cultura do encontro implica uma preocupação com a condição humana atual em função da crise econômico-financeira, bem como a que afeta as condições de vida humana no âmbito da ecologia, da moral e do conhecimento, que põe em risco o presente e o futuro. Uma crise que envolve o ocidente com implicações para todo o mundo e que tem a ver com o modo como a humanidade realiza sua existência no mundo. No terceiro discurso, o Papa acrescentou: “Penso não só que há um caminho para percorrer, mas que precisamente o momento histórico que vivemos nos impele a procurar e encontrar caminhos de esperança, que abram horizontes novos à nossa sociedade”, afirmou. E mais: “Esta é uma proposta: cultura da proximidade. O isolamento e o fechamento em si mesmo ou nos próprios interesses nunca são o caminho para voltar a dar esperança e realizar uma renovação, mas é a proximidade, a cultura do encontro. O isolamento, não; a proximidade, sim. Cultura do confronto, não; cultura do encontro, sim.”
A proposta da cultura do encontro está afinada com a defesa que o próprio Papa Francisco faz por uma igreja “em saída”, que consiste na ideia de uma igreja que sai ao encontro das pessoas em sua circunstância de vida. No documento Evangellii Gaudium, ele afirma:[...] prefiro uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas, a uma Igreja enferma pelo fechamento e a comodidade de se agarrar às próprias seguranças. Não quero uma Igreja preocupada com ser o centro, e que acaba presa num emaranhado de obsessões e procedimentos. Se alguma coisa nos deve santamente inquietar e preocupar a nossa consciência é que haja tantos irmãos nossos que vivem sem a força, a luz e a consolação da amizade com Jesus Cristo, sem uma comunidade de fé que os acolha, sem um horizonte de sentido e de vida. Mais do que o temor de falhar, espero que nos mova o medo de nos encerrarmos nas estruturas que nos dão uma falsa proteção, nas normas que nos transformam em juízes implacáveis, nos hábitos em que nos sentimos tranquilos, enquanto lá fora há uma multidão faminta e Jesus repete-nos sem cessar: ‘Dai-lhes vós mesmos de comer’ (Mc 6, 37).”
As condições de vida no mundo atual interpelam a práxis cristã de modo que “torna-se necessária uma evangelização que ilumine os novos modos de se relacionar com Deus, com os outros e com o ambiente, e que suscite os valores fundamentais”. Nesse sentido, a igreja é chamada a ser servidora dum diálogo difícil”. E acrescenta: “Neste tempo em que as redes e demais instrumentos da comunicação humana alcançaram progressos inauditos, sentimos o desafio de descobrir e transmitir a ‘mística’ de viver juntos, misturar-nos, encontrar-nos, dar o braço, apoiar-nos, participar nesta maré um pouco caótica que pode transformar-se numa verdadeira experiência de fraternidade, numa caravana solidária, numa peregrinação sagrada. Assim, as maiores possibilidades de comunicação traduzir-se-ão em novas oportunidades de encontro e solidariedade entre todos.”
O evangelho possui uma dimensão social que interpela e convida a que o cristianismo saia de sua zona de conforto e desenvolva uma atitude que supere a desconfiança e o medo de ser invadido. “A verdadeira fé no Filho de Deus feito carne é inseparável do dom de si mesmo, da pertença à comunidade, do serviço, da reconciliação com a carne dos outros. Na sua encarnação, o Filho de Deus convidou-nos à revolução da ternura.”

sábado, 2 de maio de 2015

Como lidar com conflitos? / How to deal with conflicts? / ¿Cómo lidiar con los conflictos?

“Pois, quando chegamos à Macedônia, não tivemos nenhum descanso, mas fomos atribulados de toda forma: conflitos externos, temores internos.” 2 Coríntios 7.5
O conflito é contingente. Ele é inerente à nossa própria condição humana e está presente em todas as nossas relações como forças antagônicas que perturbam o processo de tomada de decisões.
Para Freud, o conflito é constitutivo do sujeito, que consiste em uma oposição de exigências internas contrárias, como o desejo e a censura, os sistemas e as instâncias, o querer e o poder, o prazer e a realidade, o inconsciente e o consciente.
Para Kurt Lewin, toda variação do comportamento humano é condicionada pela tensão entre as percepções que temos do mundo e o contexto psicológico em que estamos inseridos. O que está em jogo no conflito é uma convergência de forças quando se está diante de dois valores opostos.
O apóstolo Paulo falava de uma lei interior que atua na hora de fazer escolhas: “Quando quero fazer o bem, o mal está junto a mim.” Romanos 7.21. Portanto, o conflito é algo tão humanamente inevitável que até a Bíblia se preocupa com ele.
Por essa razão, precisamos partir do pressuposto de que enfrentar conflitos é parte de nossa realidade. Além de ser inevitável, é necessário. Os conflitos são sinais de vitalidade. Eles:
a) ajudam a organizar as ideias e a percepção da realidade;
b) apontam para o problema;
c) mobilizam recursos e pessoas para a busca de solução;
d) encorajam a que sejamos mais criativos; e
e) acabam com a preguiça.
Devemos olhar para o conflito de forma realista. Isso quer dizer que não devemos ser otimistas demais nem pessimistas em demasia. “O otimista é um tolo. O pessimista, um chato. Bom mesmo é um realista esperançoso”, disse certa vez Ariano Suassuna.
Teóricos da Administração têm desenvolvido uma maneira de lidar com conflitos que inclui dois estilos: um que está ligado à consideração e outro, à confrontação. No eixo das considerações – ao analisar o conflito –, você pode escolher entre a fuga e a acomodação, mas também pode optar entre dominar ou colaborar. No eixo da confrontação, você pode escolher entre evitar o conflito ou partir para a competição, ou pode escolher entre se render a ele ou cooperar.
O que determina o resultado positivo ao enfrentar conflitos é a sabedoria em analisar cada circunstâncias, valorizar as pessoas envolvidas e aplicar a dose certa de iniciativa própria. Nem sempre a melhor decisão é aquela que tomamos no calor da hora, mas aquela que tomamos na hora certa, no lugar certo, pelas razões certas. Muitas vezes, menos é mais. E isso demanda um exercício constante de aprendizado. 

Assista:

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