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segunda-feira, 7 de março de 2016
A sedução da maldade / The seduction of badness / La seducción de la maldad
A sedução da maldade por Irenio
Mensagem apresentada pelo pastor Irenio Silveira Chaves, da Igreja Batista da Orla Oceânica, no dia 5/3/2016, no quadro A Bíblia Fala Hoje, do programa Reencontro - TV Brasil. Para saber mais, acesse: http://www.ireniochaves.com.br
Para conhecer a igreja, acesse: http://orlaoceanica.blogspot.com.br
sábado, 17 de julho de 2010
Religiosidade e consumo / Religiosity and consumption / La religiosidad y el consumo
Um amigo compartilhou comigo o relatório O estado do mundo 2010, do Worldwatch Institute, lançado no Brasil pelo Instituto Akatu em 1º de julho deste ano. O fato que mais me chamou a atenção foi que o consumo cresceu seis vezes mais que a população nos últimos 50 anos. Para dar conta disso, o mundo extrai da natureza o equivalente a 112 Empires States por dia.Isso significa que a natureza não dará conta desse consumo, uma vez que o uso dos recursos naturais está ultrapassando a capacidade que o planeta tem de provê-los. Achei também curioso que, para a solução do problema, o primeiro artigo apresenta a necessidade de mudança de mentalidade. E isso é muito mais uma questão de espiritualidade do que de qualquer outra área.
Logo no artigo seguinte – o segundo, portanto –, o documento aponta para o envolvimento das religiões nesse processo de mudança de mentalidade. Segundo Gary Gardner, o autor, de cada cinco habitantes do mundo, quatro pessoas professam uma religião e isso pode ser um grande fator de mudança, pois podem se tornar agentes na criação de novas culturas de sustentabilidade. Destaca-se o fato de que universidades de natureza confessionais têm se preocupado em formação que relacionem práticas religiosas e sustentabilidade, inclusive o surgimento de atividades religiosas voltadas para a defesa do meio ambiente, notadamente nas esferas da conservação da água, de preservação de florestas, da energia limpa e do clima.
Entretanto, o mesmo não se pode dizer no que diz respeito aos padrões de consumo. A maneira como as religiões tem tratado a questão do consumismo tem sido paradoxal: Embora elas tenham referencial teórico para abordar a questão, e sua ajuda seja extremamente necessária, o envolvimento religioso no consumismo está basicamente restrito a declarações ocasionais e exporádicas de líderes religiosos.
O que as religiões podem oferecer em termos de formação de uma cultura de sustentabilidade? O documento do Worldwatch Institute sugere algumas diretrizes: educação sobre meio ambiente; educação sobre consumo; educação sobre investimentos; expressão do sagrado na natureza durante as liturgias; resgate de valores tradicionais. “Ironicamente,” diz Gardner, “a maior contribuição que as religiões em todo o mundo poderiam fazer ao desafio da sustentabilidade seria a de levar a sério sua própria sabedoria antiga sobre materialismo.”
Ao analisar a maneira como a Igreja Católica, por exemplo, tem tratado a questão do paradigma contemporâneo de democracia, verifica-se que houve um caminho, desde o Papa Leão XXIII, para a compreensão de que o bem comum é a meta da sociedade. As encíclicas papais e documentos episcopais, bem como o Concílio Vaticano II, afirmam que as economias devem estar voltadas para servir ao bem comum e criticam o capitalismo desenfreado que enfatiza o lucro a todo custo, com ênfase na caridade e na justiça.
Mas tudo isso é pouco, ainda mais quando se verifica o crescente apelo dos movimentos carismáticos e neopentecostais de associar prosperidade espiritual com consumo em excesso. Num mundo que avalia seus gurus pela quantidade de bens que o mesmo possui, a solução ainda se encontra distante do paradigma religioso.
sábado, 3 de outubro de 2009
Ética cristã e pós-modernidade / Christian ethics and postmodernity / La ética cristiana y la postmodernidad
O maior desejo das pessoas, de um modo geral, é descobrir de que maneira é possível ser feliz. Para dar conta desse desejo pela vida feliz, surge um campo de saber que aponta para a busca do sentido da vida: é o campo da ética.A fé cristã encontra-se diante do dilema característico da pós-modernidade. Por isso, a proposta para a reflexão ética nesse tempo não aponta para uma harmonização, mas para o conflito. A questão que se levanta é como se torna possível o diálogo entre a fé cristã e o mundo que aprendeu a viver sem a hipótese da existência de Deus.
A maneira como as pessoas orientam suas condutas brota de um desejo de encontrar explicações sobre o sentido da vida, sobre o que é bom e valioso para uma vida feliz.
A ética cristã, como um dessas reflexões sobre o caminho para a construção da felicidade, implica uma compreensão do homem enquanto ser que se relaciona com o mundo, consigo mesmo e com os outros. O principal problema do cristianismo não se restringe ao problema moral. Trata-se de uma questão ética profunda que diz respeito à maneira como se torna possível estabelecer o diálogo com um mundo arreligioso que chegou a sua maturidade. Como deve se dar o diálogo cristão com o mundo? Como se dá o discurso cristão diante das grandes questões humanas desse tempo? Como desenvolver a fé tendo em vista a questão da sustentabilidade? Qual o interesse da ética cristã em relação à bioética?
Este é o objetivo do livro Ética cristã e pós-modernidade: tomar parte de um processo de reflexão sobre a relevância da mensagem cristã para hoje, sobre como essa mesma mensagem pode fazer sentido nestes dias, principalmente no que diz respeito ao sentido da vida, à esperança de um mundo sustentável e ao tema da bioética. O livro, em sua primeira parte, analisa a dimensão da ética enquanto conhecimento humano e seu desenvolvimento como disciplina filosófica, bem como procura situar a ética cristã no contexto do pensamento humano.
Na segunda parte, procura-se apresentar uma alternativa para a reflexão ética no pensamento contemporâneo que serve como base para a construção de um diálogo entre fé cristã e mundo. Para tanto, foi escolhida a proposta do teólogo alemão Dietrich Bonhoeffer, morto pelo nazismo.
A terceira parte contém uma análise da pós-modernidade e procura entender de que maneira a mensagem cristã pode se fazer relevante em meio a um mundo fragmentado que aprendeu a construir sua compreensão da vida sem a hipótese Deus, principalmente no campo do diálogo com o mundo e das questões que envolvem sustentabilidade e bioética.
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
Espiritualidade e aquecimento global / Spirituality and global warming / La espiritualidad y el calentamiento global
Os mais recentes relatórios que tratam do problema do aquecimento global apontam para o fato de que, caso não sejam tomadas atitudes radicais em favor da contenção das suas causas, a população mundial sofrerá por causa dos seus efeitos. A maior consequência disso é que, num futuro bem próximo, mais de um terço da humanidade não terá acesso à água por causa da urbanização maciça, a redução dos habitats animais e a concentração de rebanhos para a produção de alimentos. Esse quadro tende ainda a dar lugar a novas pandemias. Além disso, a escalada das mudanças climáticas não só afetará os padrões climáticos, como também influenciará a produção de alimentos e provocará até o desaparecimento de alguns estados. A perspectiva é que um contingente de mais da metade da população enfrentará mais violência e instabilidade social devido ao aumento do desemprego e à escassez de água, alimentos e energia.Quando o assunto é questão climática, não se trata mais de um problema social ou político, mas de definição do futuro e destino da vida humana. A compreensão é de que esse quadro dos efeitos do aquecimento global é resultado de decisões motivadas por atitudes ambiciosas e desonestas que têm afetado todos os campos da ação humana, sobretudo o da economia. É isso que tem levado à compreensão de que as soluções passam pelas relações de interdependência e pela ética. Temas como recessão global e aquecimento global estão inter-relacionados, pois têm uma causa comum. Muitos compreendem que se trata de uma oportunidade para inovar na geração de novas tecnologias ecologicamente corretas e reorientar a economia para colocar o mundo no caminho para um futuro melhor. São decisões de natureza política, que envolvem governos. Porém, o que se deseja é uma mudança de mentalidade que passa pelo abandono da lógica que fundou a sociedade da indústria de consumo – baseado em um domínio ilimitado do homem sobre a natureza – e que adote a consciência de que somos parte de uma totalidade complexa em que as coisas possuem valor em si mesmas e que dependemos delas para existir – o resgate do ideal franciscano. Uma ética da sustentabilidade atrai indivíduos, independente de suas convicções, a se filiarem a um ideal de lutar pela existência e assume o compromisso de ser a comunidade daqueles que amam a natureza porque amam a Deus que a criou.quinta-feira, 10 de setembro de 2009
Espiritualidade e sustentabilidade / Spirituality and Sustainability / Espiritualidad y Sostenibilidad
A relação entre espiritualidade e sustentabilidade já foi apontada pela Carta da Terra: “Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. [...] A escolha é nossa: formar uma aliança global para cuidar da Terra e uns dos outros, ou arriscar a nossa destruição e a da diversidade da vida.” A questão é: de que maneira podemos construir uma relação de fé que possa contribuir para somar forças em prol de uma luta universal pelo respeito à natureza e aos direitos humanos? Até que ponto somos responsáveis por isso?O desafio que a Carta da Terra lança é constrangedor: “A escolha é nossa: formar uma aliança global para cuidar da Terra e uns dos outros, ou arriscar a nossa destruição e a da diversidade da vida.” Não é uma questão de afirmação, mas de escolha: “[...] decidir viver com um sentido de responsabilidade universal, identificando-nos com toda a comunidade terrestre bem como com nossa comunidade local.” Uma vez que somos parte de uma mesma “aldeia global”, para usar um termo de Marshal McLuhan, diz a carta que “necessitamos com urgência de uma visão de valores básicos para proporcionar um fundamento ético à emergente comunidade mundial”.
De que maneira isso é possível? A própria carta aponta o caminho: “Que o nosso tempo seja lembrado pelo despertar de uma nova reverência face à vida, pelo compromisso firme de alcançar a sustentabilidade, a intensificação da luta pela justiça e pela paz, e a alegre celebração da vida.” É nessa perspectiva que se encontra uma questão ética emergente.
Albert Schwitzer, no começo do século XX já havia comentado: “Até agora, o grande delito de todos os sistemas éticos é crer que só lhes concerne tratar da relação do homem para com o homem.” O caminho da sustentabilidade passa a ser uma necessidade para toda a humanidade nesse momento em que se pergunta sobre o seu futuro. Porém, não se pode negar que o cristianismo é um grande responsável pela mentalidade ecológica dominante que tem tratado da natureza de um modo devastador. Para a solução dos problemas ecológicos, ainda ressoa a crítica feita por Lynn White Jr.: “Pessoalmente duvido que nosso desastroso retrocesso ecológico possa ser evitado simplesmente pela aplicação de mais ciência e tecnologia a nossos problemas. [...] O que fazemos com a ecologia dependerá de nossas ideias sobre a relação homem-natureza.”
Para White Jr., a noção cristã de um Deus transcendente, separado da natureza, que se comunica com ela somente através da revelação, removeu o espírito da natureza, permitindo uma exploração mais fácil da mesma a partir de uma ideologia individualista e consumista. Toda a conquista tecnológica e científica é fruto de uma compreensão engendrada por um cristianismo arrogante que associa pecado a ignorância intelectual e entende o progresso como fruto do domínio ilimitado do homem sobre a natureza. Como justificativa de tal desastre, encontra-se uma perspectiva escatológica equivocada que condena a natureza a um fim catastrófico como resultado do juízo divino. Uma vez que a origem do problema está em uma compreensão religiosa, a solução, segundo White Jr., deve ser também religiosa.
O caminho que se pode vislumbrar está associado ao que se tem afirmado como sustentabilidade. “[Sustentabilidade é] suprir as necessidades da geração presente sem afetar a habilidade das gerações futuras de suprir as suas.” Esse conceito foi usado pela primeira vez em 1987 a partir de um relatório da Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento da ONU, conhecido pelo sugestivo título Nosso futuro comum. A preocupação é com o fato de que vivemos além de nossos recursos, de modo que a ênfase deve estar centralizada na atitude da geração atual tendo em vista a garantia de satisfação de nossas necessidades tanto agora quanto no futuro. Como afirmou o Papa João Paulo II em 1999, em seu discurso pela paz mundial: “Com efeito, a maneira mais segura de salvaguardar a criação consiste em pôr o bem-estar do ser humano no centro da solicitude pelo meio ambiente.”
Uma ética cristã que esteja comprometida com a sustentabilidade tem a ver com o modo como se entende a relação do homem com Deus. A garantia de um futuro feliz passa pela construção de um relacionamento com Deus em que o homem se reconhece como criatura. Tudo o que foi criado por Deus se reveste de um valor intrínseco, de tal modo que o valor que as coisas possuem está diretamente vinculado ao valor que atribuo para mim mesmo. O que as pessoas fazem no campo da ecologia depende do que se compreende a respeito de si mesmo e das relações que se estabelece com tudo à sua volta.
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
Espiritualidade e mundanidade / Spirituality and mundaneness / Espiritualidad y mundanas
Bonhoeffer certa vez afirmou: “A comunidade cristã está no lugar em que o mundo todo deveria estar; neste sentido, ela serve representativamente ao mundo e existe em função dele”. Isso seria o mesmo que dizer que o lugar do cristianismo verdadeiro é o mundo. A comunidade cristã tem o dever de estar a serviço do mundo.O cristão não é um fim em si mesmo nem está além do humano, mas é o ser humano que pode e deve viver diante de Deus como ser humano, assim como, por meio da crucificação de Jesus, o mundo foi liberto para viver em autêntica mundanidade. Isto significa o fim da tensão entre “cristão” e “mundano” e que todos estão convocados para um modo de vida simples cujo paradigma é Jesus Cristo. A conceito de autêntica mundanidade só existe com base na pregação da cruz de Jesus Cristo, que é o Senhor vivo, a quem foi dado todos os poderes do mundo.
A idéia de mundanidade está relacionada à “mudanidade” de Martin Heidegger, em Ser e tempo, que caracteriza o próprio modo de ser do mundo, previamente constituído, para onde o homem é lançado, a partir do qual sua experiência adquire sentido e em relação ao qual deve estabelecer sua identidade.
A idéia de mundanidade está relacionada à “mudanidade” de Martin Heidegger, em Ser e tempo, que caracteriza o próprio modo de ser do mundo, previamente constituído, para onde o homem é lançado, a partir do qual sua experiência adquire sentido e em relação ao qual deve estabelecer sua identidade.
É por essa razão que podemos afirmar que a nossa espiritualidade é marcada por uma determinação divina a cumprir: estar orientada para o mundo e estar orientada para a vida dessa comunidade como lugar de presença de Jesus Cristo. Nossa espiritualidade precisa ser mundana.
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