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quarta-feira, 4 de maio de 2016

Relacionamento com pessoas tóxicas / Relationship with toxic people / La relación con personas tóxicas

“O engano está no coração dos que maquinam o mal, mas a alegria está entre os que promovem a paz.” Provérbios 12.20
Quem não tem ou já teve em sua vida alguém que só causa constrangimentos? Há pessoas que desenvolvem a habilidade de arruinar o relacionamento com quem mais amam e de contaminar o ambiente em que vivem. Você sabe como lidar com isso? E quando a pessoa que complica as coisas é você mesmo?
Todo mundo pode ter uma mudança de humor, passar por altos e baixos, enfrentar situações estressantes e críticas. Porém, há pessoas que desenvolvem um comportamento tal que afetam os relacionamentos.
A expressão “pessoas tóxicas” é usada para se referir a quem faz uso de suas variações de humor para manipular e para intimidar o outro nos relacionamentos. Tais pessoas são capazes de acabar com o sossego e a saúde de qualquer um.
No seu livro Gente tóxica, o psicólogo argentino Bernardo Stamateas diz que são pessoas que potencializam nossas fraquezas, que nos sobrecarregam e que nos enchem de frustrações. Muitos psicólogos, conselheiros pessoais e livros de autoajuda orientam a que pessoas tóxicas sejam evitadas. E talvez essa seja a melhor atitude antes de iniciar um relacionamento mais duradouro ou até uma amizade mais próxima. A Bíblia também recomenda assim: “Não se associe com quem vive de mau humor, nem ande em companhia de quem facilmente se ira; do contrário você acabará imitando essa conduta e cairá em armadilha mortal” (Provérbios 22.24,25).
É um grande desafio ter um relacionamento com pessoas assim, primeiramente porque você vai precisar se proteger, mas também porque pessoas assim necessitam de amor e cuidado emocional. A pergunta básica que deve ser feita primeiramente é: você precisa de pessoas assim em sua vida?
Pensando nisso é que surge a pergunta que se faz neste momento: o que a Bíblia nos orienta fazer quando nos deparamos com pessoas tóxicas em nossos relacionamentos mais próximos?
Primeiramente, como identificar pessoas tóxicas? Pessoas que têm uma personalidade tóxica são aquelas que se vitimizam, que são interesseiras, manipuladoras, pessimistas ou narcisistas. Podem ser psicopatas, neuróticas, agressivas e autodepreciativas. Normalmente podem desenvolver atitudes arrogantes, gananciosas, egoístas, fofoqueiras, negativistas, dissimuladas, melindrosas e até invejosas. Pessoas assim tendem a nos culpabilizar pelos problemas e tentam controlar a nossa vida. Na verdade, o comportamento tóxico se volta contra a própria pessoa, para chamar a atenção sobre si ou para alcançar um determinado fim. Em função disso, pessoas tóxicas desenvolvem mais facilmente sentimentos de ódio, mágoa e rancor, podem alimentar desejos de vingança e ainda enfrentam o medo da solidão e do desprezo. Pessoas assim precisam ser ouvidas, amadas e cuidadas também.
O que fazer, então? Veja algumas sugestões de atitudes:
a) Considere que você é capaz de agir melhor. Pessoas tóxicas tendem a influenciar a conduta do outro ao ponto de atingir sua autoestima. Não permita que alguém assuma o controle da sua vida ou venha aniquilar os seus sonhos.
b) Não leve as intimidações e manipulações de pessoas tóxicas para o lado pessoal. O problema não é com você, mas com elas mesmas. Muitos problemas relacionais que enfrentamos resultam de falsas expectativas que alimentamos em relação ao outro. Não tenha idealizações, não espere nada de ninguém.
c) Pratique a compaixão. Muitas pessoas agem de forma complicada por enfrentarem situações difíceis, estressantes ou até mesmo de saúde. Pessoas tóxicas podem estar passando por angústia, depressão e situações de tensão. É preciso saber identificar o problema que elas estão passando e também diferenciar isso da maneira como estão agindo. Não é porque elas têm problemas que poderão se aproveitar da situação para alcançar outros fins.
d) Mantenha um tempo para você mesmo a fim de renovar o seu ânimo. Quando as pessoas tóxicas fazem parte dos relacionamentos mais próximos, é difícil se afastar delas totalmente. É preciso ter o cuidado para que o comportamento tóxico não o afete. Não permita que tais pessoas invadam a sua intimidade pessoal ao ponto de interferir em sua conduta e caráter.
e) Aprenda a negociar, mas não abra mão dos seus direitos. Dizer “sim” e “não” na medida certa é a melhor maneira de estabelecer limites nos relacionamentos.

terça-feira, 9 de junho de 2015

Comece a construir seu sucesso hoje / Start building your success right now / Comience a construir su éxito de hoy

“Quem observa o vento não plantará; e quem olha para as nuvens não colherá.” Eclesiastes 11.4 
O sucesso não é uma questão de sorte, mas de planejamento. A recomendação do sábio no livro bíblico de Eclesiastes é: se você espera as condições favoráveis, nunca realizará nada. Não se trata de uma questão de privilégio, mas de aproveitar bem as oportunidades. Como disse Branch Rickey: “A sorte é resultado de um plano bem elaborado”.
O sucesso que você deseja para a sua vida começa a ser construído hoje. Benjamim Franklin dizia que “um dia de hoje equivale a dois dias de amanhã; o que eu serei, já estou me tornando agora”.
O modo como você lida com a sua vida hoje determina suas expectativas sobre o futuro. Veja algumas afirmações importantes sobre como você pode se preparar para um futuro melhor:
a)      Sua vida jamais mudará enquanto você não mudar o que faz diariamente.
b)      Você não toma decisões porque são fáceis, baratas ou comuns. Você toma decisões porque elas são certas.
c)      Pessoas bem-sucedidas são as que estabelecem princípios de vida desde cedo e os administram diariamente.
Há dois fatores que são essenciais para uma vida bem-sucedida: o primeiro diz respeito a nossas atitudes e o segundo, à nossa disciplina. As atitudes nos ajudam a começar e a disciplina nos ajuda a terminar. As atitudes estão ligadas às nossas escolhas e a disciplina está ligada ao nosso caráter.
Diante do que temos dito, você precisa começar urgentemente a dar passos para o sucesso:
a)      Comece com você.
b)      Comece agora.
c)      Comece aos poucos.
Lembre-se: a pessoa bem-sucedida não é medida pelo que tem, mas pelo que se tornou. O sucesso está muito mais ligado a sua realização como pessoa do que com os títulos e prêmios que você conquista. Claro que alcançar posições faz parte de toda a carreira. Mas nada se compara com aquilo que você conquistou de forma digna.
Guarde com você esta frase como uma direção para toda a sua vida: “O sucesso é ter paz na consciência, que é resultado da satisfação pessoal de saber que fez o melhor que podia para se tornar o melhor do que é capaz de ser”, John Wooden.

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Enfrente as pressões do dia a dia / Face the pressures of everyday life / Enfréntate a las presiones de la vida cotidiana

“Não andem ansiosos por coisa alguma, mas em tudo, pela oração e súplicas, e com ação de graças, apresentem seus pedidos a Deus.” Filipenses 4.6 
Como você enfrenta os conflitos e as pressões do dia a dia? Todos nós estamos sujeitos a ter o que chamamos de dia mau, que é aquele em que tudo parece que conspira contra nós. Independente disso, durante um mesmo dia podemos enfrentar várias situações que nos tiram do sério.
Alguns chegam a dizer que têm que “enfrentar um leão por dia”, outros afirmam que parece que para a vida deles só tem “vento contrário”, nunca a favor. Isso leva a que as pessoas desenvolvam diferentes atitudes ao lidar com as circunstâncias adversas.
Veja algumas atitudes comuns diante de situações de pressão ou estresse:
a) Síndrome de Gabriela – é aquela pessoa que enfrenta todas as situações com o mesmo temperamento e ainda diz: “eu nasci assim, eu cresci assim e vou ser sempre assim”.
b) O leão da montanha – é aquela pessoa que leva a vida de forma despreocupada e, quando vêm as cobranças, encontra um jeito de fugir do problema dizendo: “saída pela esquerda!”
c) A hiena pessimista – é aquela pessoa que vê dificuldade em tudo, reclama de tudo e ainda diz: “ó céus, ó vida, ó azar, isso não vai dar certo!”
d) O homem de vidro – é aquela pessoa frágil que se quebra por qualquer motivo.
Não podemos evitar que a crise aconteça, mas podemos tirar melhor proveito dela. John Kennedy, em 1959, no auge da crise da guerra fria, lembrou o significado da palavra crise no dicionário chinês que tanto pode servir para descrever um risco ou perigo quanto para descrever uma oportunidade. Como afirmou M. Scott Peck: “A maioria das pessoas não enxerga plenamente esta verdade – a de que viver é difícil. Ao invés disso se lamentam incessantemente.”
A capacidade de enfrentar pressões chama-se resiliência. Trata-se de uma palavra tirada do campo da física que tem sido empregada por psicólogos e educadores. A resiliência consiste no equilíbrio entre a pressão sofrida e a capacidade de lutar. Além disso, é o fator que resulta em aprendizagem. Pessoas resilientes são capazes de tirar proveito das pressões do dia a dia.
Então, como se tornar uma pessoa resiliente? Veja algumas atitudes:
a) Esteja consciente de sua capacidade e de suas reais possibilidades.
b) Analise as circunstâncias que envolvem o problema.
c) Focalize a sua atenção na solução do problema.
d) Saiba adaptar-se às mudanças e situações ambíguas.
e) Pense estrategicamente e tome decisões acertadas mesmo sob pressão.
f) Adote condutas flexíveis na solução de problemas.

g) Desenvolva o hábito de colocar suas questões primeiramente diante de Deus, em oração.

domingo, 17 de maio de 2015

Utilize seu potencial / Use your potential / Utilice su potencial

“O que as suas mãos tiverem que fazer, que o façam com toda a sua força, pois na sepultura, para onde você vai, não há atividade nem planejamento, não há conhecimento nem sabedoria.” Eclesiastes 9.10 
Todos nós possuímos duas características que nos ajudam em nossa capacidade de realização: uma é a faculdade de desenvolver habilidades e competências; outra é o estado de insatisfação que nos leva a querer sempre mais e melhor. Quando essas duas características estão intencionalmente inter-relacionadas, promovem o que podemos chamar de sucesso.
Entretanto, somos induzidos em todo tempo e acreditar que pessoas de sucesso ou pessoas bem sucedias são portadores de virtudes especiais por causa de sua origem, talento ou poder.
A pergunta que surge quando o assunto é sucesso: como pessoas comuns podem obter o máximo de seu potencial? Ebenezer Bittencourt, líder do Instituto Haggai no Brasil, afirma que “existem três tipos de pessoas: as que fazem as coisas acontecerem, as que olham as coisas acontecerem e as que não sabem o que está acontecendo”.
Por essa razão, torna-se necessário entender bem qual é o seu perfil, o que faz de você o que é e o que o torna diferente dos demais. A ideia de se definir um perfil tem sido utilizada de forma muito equivocada pelo mundo corporativo, principalmente nos processos seletivos, valorizando mais a exclusão do que a valorização das potencialidades de cada um.
O que deve ser levado em conta na avaliação de nosso perfil? Cada um de nós é resultado de um processo básico e histórico de formação. É isso que define o seu perfil.
Através do acróstico a seguir – a partir das letras que forma a palavra “perfil” – veja o que deve ser levado em consideração em sua formação:
P – Personalidade.
E – Experiências.
R – Relação de dons e talentos.
F – Formação.
I – Ideal.
L – Lista de habilidades.
Você tem um jeito de ser. Isso tem a ver com suas origens, seu temperamento e suas intencionalidades. Isso influencia seu modo de se expressar, de se relacionar, de se organizar e de interagir.
Descubra quem você é: faça um teste rápido sobre si mesmo usando o gráfico a seguir. Considere cada característica de personalidade e atribua um valor de 1 a 3 para cada uma delas. Por exemplo: você é uma pessoa introvertida ou extrovertida? Marque 1 se você tem essas duas características de forma equilibrada. Se é mais introvertido, marque 2 ou 3 na direção da palavra; ou, se é mais extrovertido, nessa outra direção. Faça o mesmo nas demais situações.
Forte                     Médio                    Forte

Introvertido
3
2
1
2
3
Extrovertido
Autocontrolado
3
2
1
2
3
Autoexpressivo
Rotineiro
3
2
1
2
3
Variado
Cooperador
3
2
1
2
3
Competitivo

sábado, 2 de maio de 2015

Como lidar com conflitos? / How to deal with conflicts? / ¿Cómo lidiar con los conflictos?

“Pois, quando chegamos à Macedônia, não tivemos nenhum descanso, mas fomos atribulados de toda forma: conflitos externos, temores internos.” 2 Coríntios 7.5
O conflito é contingente. Ele é inerente à nossa própria condição humana e está presente em todas as nossas relações como forças antagônicas que perturbam o processo de tomada de decisões.
Para Freud, o conflito é constitutivo do sujeito, que consiste em uma oposição de exigências internas contrárias, como o desejo e a censura, os sistemas e as instâncias, o querer e o poder, o prazer e a realidade, o inconsciente e o consciente.
Para Kurt Lewin, toda variação do comportamento humano é condicionada pela tensão entre as percepções que temos do mundo e o contexto psicológico em que estamos inseridos. O que está em jogo no conflito é uma convergência de forças quando se está diante de dois valores opostos.
O apóstolo Paulo falava de uma lei interior que atua na hora de fazer escolhas: “Quando quero fazer o bem, o mal está junto a mim.” Romanos 7.21. Portanto, o conflito é algo tão humanamente inevitável que até a Bíblia se preocupa com ele.
Por essa razão, precisamos partir do pressuposto de que enfrentar conflitos é parte de nossa realidade. Além de ser inevitável, é necessário. Os conflitos são sinais de vitalidade. Eles:
a) ajudam a organizar as ideias e a percepção da realidade;
b) apontam para o problema;
c) mobilizam recursos e pessoas para a busca de solução;
d) encorajam a que sejamos mais criativos; e
e) acabam com a preguiça.
Devemos olhar para o conflito de forma realista. Isso quer dizer que não devemos ser otimistas demais nem pessimistas em demasia. “O otimista é um tolo. O pessimista, um chato. Bom mesmo é um realista esperançoso”, disse certa vez Ariano Suassuna.
Teóricos da Administração têm desenvolvido uma maneira de lidar com conflitos que inclui dois estilos: um que está ligado à consideração e outro, à confrontação. No eixo das considerações – ao analisar o conflito –, você pode escolher entre a fuga e a acomodação, mas também pode optar entre dominar ou colaborar. No eixo da confrontação, você pode escolher entre evitar o conflito ou partir para a competição, ou pode escolher entre se render a ele ou cooperar.
O que determina o resultado positivo ao enfrentar conflitos é a sabedoria em analisar cada circunstâncias, valorizar as pessoas envolvidas e aplicar a dose certa de iniciativa própria. Nem sempre a melhor decisão é aquela que tomamos no calor da hora, mas aquela que tomamos na hora certa, no lugar certo, pelas razões certas. Muitas vezes, menos é mais. E isso demanda um exercício constante de aprendizado. 

domingo, 26 de abril de 2015

Por que pessoas fracassam? / Why people fail? / ¿Por qué fallan las personas?

“O Senhor firma os passos de um homem, quando a conduta deste o agrada; ainda que tropece, não cairá, pois o Senhor o toma pela mão.” Salmos 37:23-24
Ter sucesso é uma exigência para quem quer seguir qualquer carreira ou realizar qualquer projeto. Vivemos no império das pessoas bem-sucedidas. O contrário disso é fracasso. Bill Gates, o homem mais rico do mundo – o perfil do bem-sucedido – afirmou certa vez: “O sucesso é um professor perverso. Ele seduz as pessoas inteligentes e as faz pensar que jamais vão cair.”
Normalmente, pessoas fracassam por três motivos:
a) não sentem necessidade de alcançar o sucesso;
b) não têm medo do sucesso; ou
c) desconfiam do sucesso.
Isso quer dizer que você só fracassará na vida se não tentar e não lançar um desafio para si mesmo. O sucesso é resultado de muito trabalho. Entretanto, o trabalho não se basta por si mesmo. Há que se buscar um equilíbrio em nossas relações.
Bryan Dyson, ex-presidente da Coca-Cola, comparou a vida a um jogo de malabarismo com cinco bolas, sendo uma de borracha e as outras quatro de vidro. Essas bolas seriam o trabalho, a família, a saúde, os amigos e a espiritualidade. A bola de borracha corresponde ao trabalho. Se ela cair, vai pular para cima em retorno. As demais, se caírem, ficarão para sempre danificadas. Daí a necessidade de muito equilíbrio.
O fracasso é sempre uma possibilidade quando as nossas relações com o outro estão em jogo. Há muito tipo de sucesso que são verdadeiros fracassos. Por exemplo, uma pessoa pode ser bem-sucedida em seu empreendimento, mas deixar escapar a chance de se relacionar bem com quem ama.
A diferença entre sucesso e fracasso está na dose certa de esforço que você aplica em suas relações e nas suas prioridades na hora de fazer escolhas. Quando se tem que tomar decisões, o que mais importa são os valores que orientam a nossa vida. O certo a fazer tem que ser válido para toda e qualquer situação. A teoria do vale tudo não é a melhor receita para o sucesso.
Na hora de tomar decisões, alguns princípios são imprescindíveis. Um deles é a prudência. Os judeus ensinam que há três fatores que determinam o sucesso: a inteligência (habilidade de pensar), o conhecimento (habilidade de processar informações) e a sabedoria (habilidade de aplicar o conhecimento às situações práticas)
Outro princípio é o bom-senso. Pessoas de bom-senso ouvem conselhos e aprendem com seus erros. Há ainda o princípio da fé. O grande segredo da vida é viver de acordo com o que Deus planejou para nós. E, finamente, o princípio do cuidado com os relacionamentos. Coloque as pessoas acima das coisas.

O fracasso não é, em si mesmo, o fim da linha, mas uma oportunidade de rever seus valores, suas escolhas e suas ações. Pessoas bem-sucedidas são capazes de olhar para si mesmos e de fazerem um diagnóstico realista de quem é. O fracasso mesmo é se iludir achando que é capaz de realizar coisas que estão distante daquilo que pode conferir dignidade a você e aos que estão a sua volta.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Superando as barreiras para a liderança autêntica / Overcoming barriers to authentic leadership / Superar los obstáculos para el auténtico liderazgo

O conceito de líder autêntico tem sido associado ao perfil estabelecido pelo mundo corporativo para aqueles que influenciam o mercado produtivo. São pessoas que, mesmo que não possuam as marcas que tradicionalmente são atribuídas ao líder, sabem aprender com suas próprias experiências a partir de uma reflexão realista de sua condição pessoal e encarar corajosamente suas próprias contradições. O líder autêntico se dá conta de suas limitações e as enfrentas na busca de superação.
A tentação de Jesus pode ser vista como exercício de superação das barreiras que impedem a liderança autêntica ou, dito de outro modo, a nossa afirmação como pessoa. As maiores barreiras estão relacionadas à própria condição de sujeito do desejo, que comporta tanto a inclinação para o erro e o equívoco como a aspiração de realização e de afirmação de si. Isso tem a ver com o fato de que há obstáculos que todo líder enfrenta: o desejo de ter; o desejo de poder e o desejo de aprovação. São desejos legítimos, mas que se inserem na dimensão da ambiguidade que caracteriza a nossa própria humanização.
A tentação de Jesus se dá em três modos visando um só fato: a realização do desejo não na acolhida do cuidado e do propósito de Deus, mas na realização humana. A tentação do líder implica a realização do desejo de autonomia e de autogoverno, de ser autossuficiente. Isso afeta líderes em todas as esferas da ação humana, inclusive as relacionadas à fé. Note o que Lucas diz: “Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou do Jordão e foi levado pelo Espírito ao deserto, onde, durante quarenta dias, foi tentado pelo diabo [...]” (Lucas 4.1-2). Líderes cristãos também podem ser tentados e isso não tem nada a ver com moralismo.
A tentação de Jesus revela o ambiente para a tentação: nossas carências. Revela também a força da tentação: nossos desejos. O objetivo é nos afastar do caminho do serviço e da solidariedade. Depois de passar pelo deserto por quarenta dias, Jesus teve fome. Não há nada de errado em ser tentado. O problema está na maneira como se constrói um caminho para a solução dos problemas. A pergunta, então, é: como superar as barreiras para o exercício de uma liderança autêntica?
Em primeiro lugar, superando o desejo de ter. A primeira tentação de Jesus lembra o engano da capacidade de realização humana. É a tentação de ter o poder que Deus tem. “Se você é o Filho de Deus, mande que essas pedras se transformem em pão.” Lucas 4.3. Ter é uma armadilha. Comporta a ambição e a ostentação. Jesus foi tentado a criar mecanismos para se apoderar do divino. A ideia é de se tentar manipular Deus através da magia e da alienação.
Em segundo lugar, superando o desejo de poder. A segunda tentação envolve o engano das manipulações humanas. É a tentação de usar o poder de Deus para fins próprios. Satanás mostrou a Jesus todos os domínios do mundo e disse: “Eu lhe darei toda a autoridade sobre eles e todo o seu esplendor, porque me foram dados e posso dá-los a quem eu quiser. Então, se você me adorar, tudo será seu.” Lucas 4.6-7. Jesus foi tentado com a crença de que o homem é um sujeito autônomo, a fazer aquilo que Deus faz. A ideia é de ser como Deus, através da projeção infantil de um Deus paternalista que atende a todos os nossos desejos, bastando pedir do modo certo.
Em terceiro lugar, superando o desejo de reconhecimento. A terceira tentação lembra o engano das aparências, inclusive religiosas, baseadas em critérios de retribuição e merecimento. A tentação de ser Deus. A Bíblia diz que Satanás levou Jesus até Jerusalém, colocou-o na parte mais alta do templo e lhe disse: “Se você é o Filho de Deus, jogue-se daqui para baixo. Pois está escrito: ‘Ele dará ordens a seus anjos a seu respeito, para lhe guardarem’, com as mãos eles os segurarão, para que você não tropece em alguma pedra.” Lucas 4.9-11. Jesus foi tentado a colocar Deus à prova. Ele foi induzido a crer que a razão humana tem o controle de tudo como se nele mesmo, enquanto humano, houvesse a capacidade de exercer decisões sobre o futuro. A ideia é de se substituir Deus na vida, através da ilusão de ter todo o controle e de se exercer o poder dominador.
O quadro da tentação de Jesus nos ajuda a compreender as dimensões da liderança autêntica, principalmente no que diz respeito ao exercício do ministério: a) ele é humano: se realiza em meio ao desejo e ao deserto; b) ele é divino: se realiza em meio ao cuidado divino e ao assédio do diabo. A tentação de Jesus é representativa da tentação humana de realização de seus desejos através de meios próprios e não na acolhida da graça na vida.
Jesus torna-se o paradigma da escolha que precisa ser feita. Ele realiza o seu ministério em meio à fragilidade humana e a confiança no cuidado divino. O evangelho de Lucas diz que Jesus saiu do lugar da tentação e foi para a Galileia, onde iniciou seu ministério “no poder do Espírito”. Sua primeira mensagem na sinagoga de Nazaré lembrou a profecia de Isaías 61:“O Espírito do Senhor está sobre mim...” (Lucas 4.18)

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Ética para uma liderança autêntica / ethics for authentic leadership / ética para el auténtico liderazgo

O caminho para a construção de uma liderança autêntica passa pela formação do caráter do líder. A lógica que rege o mundo corporativo distancia aqueles que exercem liderança dos processos de nossa própria humanização. Não é raro encontrar metáforas que exemplificam essa realidade: liderar com mãos de ferro, ser uma coluna firme, ter pés de boi. As virtudes mais valorizadas, que conduzem ao sucesso, são: coragem, inovação e superação, como se fossem conquistas isoladas da complexidade humana. Tudo isso é legítimo, mas nada disso acontece se a personalidade do sujeito não sofrer um longo, e muitas vezes penoso, processo de construção.
Deus sabe disso. Ele conhece o ser humano melhor do que qualquer um de nós. Afinal, ele nos criou e se fez um de nós. Uma das narrativas bíblicas que serve para exemplificar isso é o processo de construção da personalidade de Elias como profeta. Ela se encontra em 1 Reis 7-19. Elias é o protótipo do líder para hoje. Sua experiência levanta a questão da ambiguidade que envolve o exercício da liderança, principalmente no que diz respeito à atividade pastoral e profética. O processo pelo qual Elias é formado como um líder para o seu tempo é marcado através de sua trajetória que passa por alguns lugares que são simbólicos: Querite, Serepta, Carmelo e Horebe. A partir de cada um desses lugares, é possível levantar questões que têm a ver com a ambiguidade da liderança.
A primeira delas é: a quem você serve? Querite, então se apresenta como o lugar de luta diante da ambiguidade que envolve a liderança: o exercício do poder e a fragilidade humana. Naquele primeiro momento, Elias quis ser reconhecido como representante de um Deus melhor que Baal. Deus não é um deus melhor, mas diferente. Essa diferença é revelada pela ação de seus servos. Para enfrentar a oposição diante do poder de Baal e do rei Acabe, Elias precisou passar pelo retiro de Querite, onde foi cuidado por Deus durante um período de seca.
A segunda questão é: como você serve? Serepta apresenta-se como o lugar do encontro com a fragilidade humana. A ambiguidade está na confrontação das situações concretas vividas. Elias sai do seu retiro e se depara com situações reais vividas pelas pessoas simples. Nada é mais frágil que uma viúva desamparada e um menino morto. A verdadeira missão do líder se afirma diante desse quadro: revelar o Deus amoroso, não o Deus Todo Poderoso. Elias deveria agir como servidor do Deus da vida. O Deus diferente de Baal se revela diante de situações reais vividas por gente comum, diante de situações cotidianas, a fim de despertar conversão e fé.
A terceira questão é: o que você faz? Carmelo se torna o lugar de atitude, de tomada de decisões corajosas. A ambiguidade está na possibilidade de exercício do poder, tanto para dominação como para revelação do amor de Deus. Elias é tentado a não agradar a Deus, mas ao povo. Está claro que o objetivo é conduzir o povo a Deus. Mas, para isso, pode servir-se de uma estrutura de poder e de mecanismos de violência. A experiência do Carmelo é emocionante: põe Deus à prova e o obriga a se manifestar. Com a vitória sobre os profetas de Baal, Elias é percebido como aquele que tem o controle sobre Deus e sobre o tempo. Passa a ser servido pelo rei. Dois personagens são importantes nessa história: Obadias, aquele que age em nome de Deus salvando os que permaneceram fiéis ao Senhor, e Jezabel, uma inimiga mortal disposta a matar todos os que fossem fiéis ao Senhor. No primeiro está o exemplo de alguém que luta em nome de Deus, no segundo está a oposição. O exemplo de Obadias estimula a ação, mas a ameaça de Jezabel o devolve a sua fraqueza.
A quarta questão, então, é: por que você serve? Horebe é finalmente o lugar de estar diante de Deus despojado de toda a ilusão do poder. É resultado de uma oração de fracasso de Elias em 1 Reis 19.4, que revela disposição de entrega e reconhecimento de quem é. A grandeza do ministério profético de Elias não está no Carmelo, mas em Horebe. Elias pode agora deixar Deus ser Deus e ele mesmo ser o que é, um profeta. Horebe traz a ambiguidade a respeito de Deus: o verdadeiro Deus de bondade age no meio da suavidade. A teofania é fundadora da diferença entre Deus e Baal: o Senhor não está nas projeções que fazemos dele, como o vento tempestuoso, o tremor da terra ou o fogo, mas na brisa suave. Diante da descoberta de quem Deus é, descobrem-se também novas linhas de ação: o lugar do profeta não é Horebe, mas no meio do povo.
No processo de humanização do exercício da liderança, a trajetória de Elias representa a diversidade em que o líder pode se encontrar. Em cada uma delas, um perfil de líder pode ser formado. Entretanto, quando estamos diante da realidade da liderança cristã para um tempo como este, é somente em Horebe que a liderança pode se fazer autêntica.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Jesus e a transformação de indivíduos em pessoas / Jesus and the transformation of individuals in person / Jesús y la transformación de los individuos

É possível aplicar os ensinos de Jesus em um contexto tão ambíguo como tem se caracterizado o comportamento do mundo corporativo nesse estágio em que o capitalismo chegou? A resposta é positiva, embora deva ficar bem claro que o pensamento desenvolvido por Jesus Cristo está voltado para uma preocupação que está na contramão da mentalidade contemporânea.
Alguns livros têm surgido nessa área que servem de bons referenciais teóricos a fim de promover uma aproximação entre os princípios cristãos e uma práxis de mercado que leve em consideração muito mais a realização pessoal do que a conquista de lucro. É o caso de Mentoria Espiritual: O desafio de transformar indivíduos em pessoas, de James M. Houston (Ed. Mundo Cristão). Há também: Jesus Coach, de Laurie Beth Jones (Ed. Mundo Cristão), e Jesus CEO, da mesma autora (Ed. Ediouro), que procuram apresentar o estilo de Jesus em treinar os seus discípulos de tal forma que os transformou em líderes eficazes, em relação à missão para a qual foram designados.
A preocupação desses autores é de mostrar que o que orientou as atitudes de Jesus como um mentor espiritual foi a perspectiva de resgatar a condição humana e fazer com que indivíduos até então com vidas inexpressivas experimentassem uma transformação significativa. Para isso, Jesus se utilizou de três estratégias: o ensino voltado para as habilidades, a ação efetiva e responsável comprometida com o outro e os relacionamentos movidos pela compaixão.
Foi assim que ele treinou doze homens oriundos de experiências tão diversas e ao mesmo tempo tão comuns. A força com que os chamou fez com que aqueles seus colaboradores tivessem a vida modificada de repente, de modo que nunca mais foram os mesmos. Esse grupo não era formado por pessoas extraordinárias ou sobrenaturais. Eles eram humanos, demasiadamente humanos, passíveis de um questionamento, cheios de temores, mas que foram conduzidos a se tornarem líderes capazes de levar a cabo a missão que lhes fora entregue como se fosse a sua própria missão de vida.
Para entender esse aspecto, é preciso analisar o papel de Jesus Cristo destituído daquilo que a teologia lhe atribui. Uma compreensão de Cristo que não seja meramente histórica, mas que também não esteja vinculada a uma doutrina. Um Jesus que atue muito mais como um homem que tomou as decisões acertadas e que serviu de fonte de inspiração para outros, no sentido de que seu exemplo fosse imitado.
Um líder que esteja para além do Messias, pois foi isso que ele foi enquanto aqui viveu. Ele abriu mão de sua glória para que pudesse ser absolutamente homem, e que deve ser visto como tal em sua função de líder, professor e chefe. Foi isso que o fez motivar sua equipe e tornar efetiva a relação com seus colaboradores. Sua capacidade de gerenciar pessoas e situações de conflito, associada a uma mensagem confrontadora aos padrões da época, fez dele o maior exemplo de espiritualidade que já existiu.
Mesmo que não se aceite a pessoa de Jesus Cristo como o Filho de Deus, senhor e salvador de todos os que creem, não se pode discordar de que seus ensinos e seu exemplo constituem-se um forte argumento em favor de uma reavaliação sobre o modo como temos conduzido nossas ações e para apontar caminhos para a reconstrução de uma vida que possa fazer sentido.

terça-feira, 24 de março de 2009

Exemplo de mentoria espiritual / Example of spiritual mentoring / Ejemplo de mentores espirituales

Um dos exemplos de mentoria espiritual que encontramos na Bíblia é Barnabé. Você já ouviu falar de alguma procissão em devoção a São Barnabé? Já leu algum livro, carta, bilhete ou quem sabe um “scrap” escrito por Barnabé? Conhece algum grande feito que ele realizou ou algum grande movimento que liderou? Eu também não. Apesar disso, ele é o maior exemplo de prática da mentoria espiritual que podemos encontrar na Bíblia depois de Jesus Cristo.
A história de Barnabé é relatada no livro de Atos dos apóstolos. Ele mesmo não era um apóstolo. Era um membro comum da comunidade de cristãos de Jerusalém. Sua vida é conhecida por causa das atitudes que tomou em meio a situações de tensão experimentadas pela igreja. Essas atitudes evidenciavam marcas inconfundíveis de seu caráter. Pelo menos algumas dessas situações podem ser alistadas como definidoras dos grandes valores que orientavam a sua vida.
O primeiro valor era a generosidade. Logo no começo, quando a igreja ainda dava os seus primeiros passos, os cristãos desenvolveram o hábito de fazer doações para ajuda mútua. E um dos exemplos expressivos, que mereceu o registro histórico foi o de Barnabé. “José, um levita de Chipre a quem os apóstolos deram o nome de Barnabé, que significa ‘encorajador’, vendeu um campo que possuía, trouxe o dinheiro e o colocou aos pés dos apóstolos”. Atos 4.36-37.
O segundo valor era investir em pessoas. Assim que o temível Saulo se converteu, a presença dele assustava a igreja e até incomodava. Mas Barnabé acreditou na conversão dele e “lhes contou como, no caminho, Saulo vira o Senhor, que lhe falara, e como em Damasco ele havia pregado corajosamente em nome de Jesus”. Atos 9.27. Depois, quando precisou de um companheiro, “Barnabé foi a Tarso procurar Saulo e, quando o encontrou, levou-o para Antioquia. Assim, durante um ano inteiro Barnabé e Saulo se reuniram com a igreja e ensinaram a muitos. Em Antioquia, os discípulos foram pela primeira vez chamados cristãos”. Atos 11.25-26. Se Paulo foi o que se tornou, agradeça a Barnabé.
O terceiro valor era o compartilhamento. Quando os irmãos em Antioquia começaram a se reunir, Barnabé foi até lá para ajudá-los: “Este, ali chegando e vendo a graça de Deus, ficou alegre e os animou a permanecerem fiéis ao Senhor, de todo o coração.” Atos 11.23. E quando a própria igreja de Antioquia quis enviar missionários, não teve dúvidas: “Enquanto adoravam o Senhor e jejuavam, disse o Espírito Santo: ‘Separem-me Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado’. Assim, depois de jejuar e orar, impuseram-lhes as mãos e os enviaram”. Atos 13.2-3.
O quarto valor era a cooperação. O ministério de Barnabé era: “fortalecendo os discípulos e encorajando-os a permanecer na fé, dizendo: ‘É necessário que passemos por muitas tribulações para entrarmos no Reino de Deus’.” Atos 14.22. E quando tinha que partir para outra cidade: “Paulo e Barnabé designaram-lhes presbíteros em cada igreja; tendo orado e jejuado, eles os encomendaram ao Senhor, em quem haviam confiado”. Atos 11.23.
Mas o irremediável Barnabé não parou quando Paulo resolveu seguir seu próprio rumo. Lá estava ele de novo apostando tudo na formação de João Marcos: “Tiveram um desentendimento tão sério que se separaram. Barnabé, levando consigo Marcos, navegou para Chipre.” Atos 15.39

segunda-feira, 23 de março de 2009

O que é mentoria espiritual? / What is spiritual coaching? / Que és tutoria espiritual?

Ao contrário do que possa parecer, a mentoria espiritual está mais para um exercício de vida simples e de amizade cristã, do que uma atividade profissional baseada em fórmulas que só servem para distanciar as pessoas umas das outras. A mentoria espiritual tem por princípio o relacionamento com o outro, mas de tal modo que se torna resultante de um primeiro e grande relacionamento que se dá entre o mentor e mentoreado com Deus como o grande Outro.
Somente a partir do estabelecimento de uma relação com Deus é que o indivíduo consegue superar os limites de uma existência autocentrada, egoísta e manipuladora. É isso que tornará possível uma aproximação do outro de forma amorosa e dentro dos princípios ensinados por Jesus Cristo.
Até mesmo no campo da mentoria profissional, um mentor, tutor ou coach não é um mero treinador. Seu trabalho não se resume em oferecer instrução particular, ensino e supervisão em uma determinada área de atividade. Há que se compartilhar também a vida.
Mentoria espiritual exige uma sensibilidade para entender o modo de Deus agir, uma atitude de respeito e de compaixão para com aqueles com quem convivemos a fim de desenvolvermos juntamente a habilidade de aprender com as situações mais comuns da vida. É como a reconstrução de uma casa após uma grande enchente. Não basta restaurar a aparência da casa. Tem que se limpar por dentro, reorganizar a vida, recompor os móveis. Para esse recomeço, a solidariedade, a generosidade e a gratidão são os valores mais importantes a serem cultivados.
Lembro-me do vizinho de meu cunhado. Ele tinha uma linda casa de madeira toda envernizada. Era a casa mais linda do bairro. Um dia, um incêndio consumiu toda a casa. O casal de proprietários perdeu tudo. Não deu tempo de salvar nada. Não tinham nem roupa mais para se vestir. Foi aí que funcionou a solidariedade. Hoje, uma outra casa está reconstruída no terreno. Mas o casal jamais será o mesmo.
No que diz respeito à mentoria espiritual, a casa somos nós mesmos, em nossa integridade. Isso tem a ver com a nossa identidade. As transformações culturais que acontecem na sociedade têm devastado o universo de nossos valores e também a maneira como compreendemos a nós mesmos. É preciso revirar os escombros e refazer as fundações para reconstruir uma vida tal como ela foi criada para ser. É disso que trata a mentoria espiritual.
Nessa condição, somos todos mentoreados e Jesus Cristo é o único e verdadeiro mentor capaz de nos ajudar a reconstruir uma vida que possa fazer sentido. A mentoria espiritual tem, então, um grande fundamento teórico: os ensinos deixados por Jesus Cristo, conforme está registrado na Bíblia. Só que esses estudos devem ser analisados à luz da história, da filosofia e da psicanálise para se chegar a uma compreensão mais adequada de quem somos.
É nesse sentido que Jesus Cristo pode ser considerado o mentor mais hábil e mais eficiente que já se conheceu. Durante seu ministério, ele aconselhou, exortou, motivou e orientou seus discípulos, de tal forma que transformou a vida de pessoas simples. O método que Jesus usou pode ser comparado ao que atualmente é conhecido como life coaching, cujos conceitos podem ser aplicados à atividade executiva tanto nas grandes corporações quanto em pequenas empresas.
O grande desafio da mentoria espiritual é, portanto, fazer de Jesus o grande coach da nossa vida pessoal e de aprofundar esse relacionamento no sentido de fazer com que a vida e os ensinos dele sejam reproduzidos em nós.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Quando a mentoria espiritual é necessária / When the spiritual mentoring is needed / Cuando la mentoria espiritual és necessaria

Em que medida a mentoria pode ser considerada como uma atividade espiritual? Na medida em que ela nos remete a uma compreensão de nós mesmos como humanos. E isso vale para o mentor e para o mentoreado. A mentoria como atividade humana surge da necessidade de encontrar sentido para as coisas que fazemos em um contexto de trabalho dominado pela mentalidade engendrada pelo capitalismo. Empresas, na maioria das vezes, adotam programas de mentoria e coach porque estão preocupadas em aumentar sua competitividade e fazer com que os membros da equipe aumentem a sua capacidade de produção.
Mas a mentoria vai além disso. E será tão eficaz quanto necessária na medida em que estiver vinculada a uma noção de espiritualidade. Quando uma empresa começar a se preocupar com a questão da espiritualidade aplicada ao mentoreamento, deve se preparar para uma reviravolta no mundo interior de seus colaboradores. O que vai passar a orientar a vida das pessoas que se interrelacionam são novos valores, novos princípios, novas conquistas que vão sendo consolidadas ao longo das descobertas que serão feitas.
Defendo uma espiritualidade que seja expressão humana, uma atitude em face dos conflitos constitutivos de nossa condição humana. Atitude essa que tem a ver com a nossa necessidade de sermos felizes e de encontrar sentido para a nossa vida. Para esse modo de compreender, tenho como pressuposto o fato de que essa espiritualidade se dá a partir de um relacionamento pessoal com Jesus Cristo e pela formação de seu caráter em nós.
Não se justifica uma mentoria que seja espiritual que não tenha como princípio a formação do caráter de Cristo. De um lado, é preciso que o mentor ou coucher tenha um comprometimento pessoal de construir uma identidade que se aproxime da pessoa de Jesus, que assuma a sua forma, que se torne conforme a imagem de Cristo. De outro, que o objetivo seja o de fazer com que a pessoa mentoreada assuma o compromisso de também construir sua identidade conforme a mesma imagem de Cristo.
Assumir a forma de Cristo ou reproduzir o caráter de Cristo só se torna possível a partir da análise e vivência dos seus ensinamentos, que estão contidos na Bíblia. Considero que Jesus Cristo foi o maior mestre de espiritualidade que já viveu e que a Bíblia, onde estão registrados seus ensinos, o maior manual de orientação espiritual que já se produziu – tanto que tem influenciado centenas de gerações há mais de três mil anos, abrangendo três grandes religiões mundiais: o cristianismo, o islamismo e o judaísmo.
O que se faz necessário, portanto, é desenvolver um programa de mentoria que leve em consideração a espiritualidade como expressão humana e que, ao mesmo tempo, se preocupe com a construção de identidade à semelhança de Jesus Cristo conforme o que se depreende nas Escrituras. Isso não significa repetir os modelos que foram construídos ao longo da história do cristianismo, nem mesmo formatar as descobertas aos padrões de uma religiosidade. Há que se inovar na busca de novos caminhos para a interpretação e para a descoberta de formas de se aplicar os valores e princípios à vida.
Uma mentoria nesses termos é um grande desafio porque é inovadora. Implica mudanças de comportamento das pessoas a partir da constatação de sua necessidade. Por que sua empresa precisa de um programa de mentoria? Para aumentar sua competitividade e eficiência ou para fazer com que as pessoas sejam felizes e encontrem sentido para a sua vida? Se for o primeiro caso, mentoria não passa de uma estratégia para fazer com que seus colaboradores deem mais de si do que eles já estão dando, e isso soa para eles como exploração, em última análise. Mas se é o segundo caso, a mentoria espiritual é o caminho.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Mentoria, coaching e espiritualidade / Mentoring, coaching and spirituality / tutoría, entrenamiento y la espiritualidad

Você certamente já ouviu falar que liderar é executar as tarefas enquanto se constroem relacionamentos. Esta é a ideia defendida por escritores como James Hunter. Nos dias de hoje, você não consegue legitimidade da sua atuação como líder se não for através da construção do relacionamentos com seus companheiros de equipe. O que você descobre hoje é que os líderes bem sucedidos ajudam seus colaboradores a crescer e se adaptarem através de um programa de relacionamentos conhecido como mentoria. O nível de envolvimento do líder em desenvolver mentoria demonstra o quanto ele se preocupa com sua equipe e isso encoraja a todos os envolvidos para a mudança e para a inovação. Até mesmo os conflitos são mais bem trabalhados por valorizar os relacionamentos interpessoais e a comunicação.
A grande razão para a existência desse tipo de atividade é o fato de que não há formas de organização humana sem conflito. Não podemos ignorar o fato de que as nossas interações formam uma rede, um tecido social que influencia a conduta humana. As pessoas normalmente aprendem através das ações intencionais, das crises e também dos relacionamentos. As ações intencionais nos remetem ao saber fazer, o tipo de conhecimento que está em alta em nossos dias. As crises nos estimulam a uma reflexão sobre o melhor aproveitamento dos recursos e das oportunidades a fim de construir uma condição melhor. Mas é nos relacionamentos que identificamos nossos pontos fracos e fortes e podemos encontrar caminhos para a realização pessoal.
Como uma atividade voltada para o mundo corporativo, a mentoria tem assumido pelo menos duas formas distintas, mas muito próximas entre si. Quando a mentoria é praticada por um nível hierárquico superior, com a finalidade de orientar o subordinado e de fazer com que as intenções da liderança sejam transformadas em ação, tem sido chamada de coaching.
Quando a preocupação está voltada para a vida como um todo, não só para as questões ligadas à carreira e à organização, tem sido chamada de mentoring. Nesse nível de mentoria, o que prevalece é o valor da pessoa como ela é, sem a preocupação com superação ou com tomadas de decisões, mas com o real interesse de aprofundar relacionamentos, realçar valores humanos e aumentar o nível de comprometimento com as pessoas.
A mentoria é uma estratégia muito antiga. Para alguns, ela foi pela primeira vez registrada na literatura na obra de Homero. A Bíblia tem relatos de atividade de mentoria bastante curiosos. Os profetas bíblicos desenvolviam seus discípulos através de um relacionamento muito próximo. Foi o caso do profeta Elias com o seu auxiliar Eliseu, que por sua vez, quando se tornou profeta, teve como auxiliar o jovem Jeazi. Jesus teve doze discípulos que foram treinados para o apostolado, mas ele escolheu três – Pedro, Tiago e João – para serem os mais próximos.
A mentoria é baseada na vivência, no caminhar junto, no compartilhar a vida. Poucos mentores profissionais sabem que seu principal papel não é ter todas as respostas, mas construir juntos o caminho para uma relação amigável, justa, equilibrada. É claro que o maior beneficiado de um ambiente em que as pessoas se respeitam e reconhecem o seu valor é a própria organização. Por isso que mais de um terço das grandes empresas nos Estados Unidos desenvolvem programas de mentoria, segundo as pesquisas por entidades ligadas à área de recursos humanos.
Quando é a hora de se preocupar com isso? (a) Quando a situação de crise externa exige flexibilização das ações; (b) quando a competitividade aumenta; (c) quando os conflitos internos atrapalham os relacionamentos; (d) quando se torna necessária a busca de novas ideias.
Mas você não precisa esperar ficar doente para poder ir ao médico. Você pode adotar um estilo de vida saudável e periodicamente procurar o médico para os exames preventivos e de rotina. Esse é o papel da mentoria na vida da organização: promover um ambiente saudável para os relacionamentos, viabilizar a comunicação interpessoal de forma eficaz, prevenir as possibilidades de conflito e valorizar as pessoas pelo que de fato elas são. Quem precisa disso? Todos. Famílias, empresas, escolas, igrejas, organizações, sindicatos, partidos políticos, órgãos públicos. É preciso redescobrir um modo para humanizar as relações a fim de tornar a vida mais significativa. O grande desafio da mentoria é verdadeiramente transformar indivíduos em pessoas.

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