quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Mais vida: O que acontece com o mundo? / More life: What happens to the world? / Más vida: ¿Qué pasa con el mundo?

A humanidade atravessa uma fase de grandes transformações. Há uma crise humanitária que se reflete no modo como lidamos com as diferentes identidades; as principais decisões a respeito de políticas públicas e busca de bem-estar social são marcadas por atitudes altamente utilitaristas e materialistas; a globalização e o consumo em massa trouxeram forte apelo de uniformização e homogeneização da cultura; há também uma forte desvalorizações da memória histórica, com a supervalorização do aqui e agora; a lógica do mercado invade espaços que deveriam ser tratados democraticamente, como a segurança, a saúde e a educação; as esferas do público e do privado se confundem com a exposição da intimidade e a invasão de privacidade instituída. E nesse universo de transformações, Deus vai sendo lançado para fora das relações humanas.
Essa crise aponta para o fato que vivemos uma realidade plural que tanto pode ser enriquecedora como também um grande desafio. Ela nos chama a buscar respostas que orientem nossas ações num mundo em que, em meio à diversidade, todos possamos viver de um modo mais digno. Ela também trás à tona a emergência dos Direitos Humanos visto que coloca em questão as condições concretas de existência no mundo, o direito fundamental à vida. Defender o direito à vida é lutar pela garantia de todos aqueles direitos que estão diretamente ligados ao modo como vivemos no mundo.
O evangelho trouxe uma preocupação especial sobre isso. O primeiro e principal direito que Deus nos garante é o direito de ser, de existir. Decorrente desse, todos os demais direitos humanos estão ligados a uma existência digna no mundo. Por que temos o direito de ser uma pessoa diante de Deus, Ele está interessado em que todos possam ter acesso a condições melhores de existência, que todos possam desfrutar de uma vida digna.
Quando se fala em uma vida digna, vem logo à nossa mente uma vida em que as necessidades básicas estão satisfeitas, com condições humanas ideais e com a garantia de um bem-estar mínimo. Mas viver dignamente é muito mais do que isso. A vida digna é uma condição humana essencial, de tal modo que todos têm direito a ela igualmente. Não dá para um grupo de pessoas ter acesso a uma tal condição de vida digna, ainda que minimamente, enquanto muitos não têm a mesma oportunidade de desfrutá-la.
Vivemos num mundo em que as oportunidades não são iguais para todos e as condições mínimas de acesso a uma vida digna não são garantidas a uma maioria esmagadora. Estamos falando em termos de educação, saúde, trabalho, segurança e lazer. A situação é mais grave quando falamos também de acesso à renda, liberdade de pensamento e até respeito à própria condição de pessoa.
Os maiores inimigos da vida digna são a ganância, o preconceito e a intolerância. São atitudes que estão por trás de toda sorte de opressão, exploração e exclusão. A cada época, essas condições ganham novos contornos e se perpetuam em nossas práticas sociais. Atualmente, elas são orientadas pelas tendências que provocam a crise humanitária que vivemos.
O evangelho é um chamado amoroso a que possamos viver nossa vida humana dignamente diante de Deus. Jesus foi a melhor expressão de uma vida dignamente humana. Jesus foi motivado não apenas pelo desejo por uma vida após a morte, mas por uma vida que faça sentido antes da morte, contra a própria morte.
Não dá para viver dignamente diante de Deus sem experimentar a mudança de mente que o Espírito de Deus promove.
Não dá para viver dignamente diante dos homens sem encarnar os valores e a proposta de vida que Jesus nos deixou.
Não dá para viver dignamente diante de si sabendo que estamos distantes dos propósitos daquele que nos criou.
Em seu último discurso enquanto viveu no mundo, conhecido como sermão escatológico e que se encontra nos capítulos 24 e 25 do Evangelho de Mateus, Jesus apresentou sua preocupação com o destino da humanidade. Especialmente em sua última parte, Jesus falou sobre como nossas ações no presente interfere em nossas escolhas futuras, de tal modo que aquilo que fazemos aqui e agora são determinantes para nossa relação com ele na eternidade.
A série de reflexões que se segue tem como ponto de partida a análise do trecho que corresponde à parábola das ovelhas e dos bodes. Nela Jesus fala profeticamente sobre as aflições humanas e como a maneira como lidamos com as dores do mundo estão relacionadas à nossa condição de fé. A preocupação será de identificar, na ação de Jesus, como ele mesmo esteve presente no enfretamento das formas como essas dores estão presentes na vida concreta de pessoas de seu tempo. Com isso, será possível a gente identificar também como é possível cuidar das mesmas dores enfrentadas pela humanidade hoje.

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Justiça: o que as pessoas pedem quando gritam por justiça / Justice / Justicia

A justiça é um clamor, um grito, uma aspiração e um desejo de quem enfrenta situações de opressão, de cerceamento da liberdade e de exploração. Ainda não se conseguiu uma definição adequada do que seja justiça, porém identificamos claramente o que seja a injustiça, que é a sua ausência.
Para pensar na justiça, é preciso partir de três pressupostos: o primeiro é que a justiça é um construto, ou seja, é um conceito que não dá para ser observado de forma clara; o segundo é que a noção de justiça que temos hoje é marcada por uma pluralidade de significados; e o terceiro é que somente compreendemos o que é justiça a partir do enfrentamento de condições de desigualdade.
A preocupação com a justiça passou por várias transformações históricas de tal modo que o que temos hoje é resultado de alguns fatores sociais e culturais que foram determinantes para a sua construção. O primeiro deles é o surgimento das cidades e a sofisticação da vida urbana, com a administração da vida dentro de um espaço geográfico comum. Outro fator importante foi o surgimento da escrita e, com ela, uma cultura fundada no letramento e na textualidade. Mas também influenciou bastante a prática comercial, primeiramente baseada na troca e posteriormente a partir do surgimento da moeda como reguladora de valores.
A ideia de justiça vem sendo construída desde civilizações antigas. Os povos que habitaram a Mesopotâmia tinham a ideia de que a justiça era um valor divino, representado pelo Sol. A ideia era de trazer a justiça à Terra. Ou, como previa Hamurabi em seu código: fazer resplandecer o direito no país, arruinar o mal e o malfeitor e impedir que o forte maltrate o fraco. No Egito, a justiça era representada por uma balança. O foco era regular e organizar as relações e os processos sociais. O que se buscava era o equilíbrio, de tal modo que as partes saíssem satisfeitas do tribunal. Entre os gregos, a preocupação era que cada um deveria fazer o que lhe cabe na sociedade, nem mais nem menos. A maior tragédia social seria um escravo ou alguém da ralé chegar a governar a cidade. A deusa da justiça Themis era representada por uma donzela carregando a balança em uma das mãos e a espada na outra, com seus olhos bem abertos. Quem vendou a justiça foram os romanos. Na história grega houve dois juristas atenienses que ficaram famosos no século VI a.C.: Drácon e Sólon. O primeiro como como criador das leis penais mais severas e o segundo como o reformulador dessas leis a partir de aspectos sociais e econômicos. Entre os hebreus, o sentido de justiça era marcado pelo aspecto moral, voltado para a busca de relações justas conforme uma ordem legal estabelecida. O sentido de justiça no Antigo Testamento era de uma confiança, mas a versão inglesa da Bíblia traduziu a palavra justiça como uma retidão.
De um modo geral, o conceito de justiça que prevalece é baseado tanto na ideia de uma retribuição como de uma recompensa. Daí que, quando alguém grita por justiça está pedindo uma dessas três coisas: uma vingança, a reparação de um dano ou a garantia de um direito adquirido. É isso que faz com que as pessoas acreditem que, fazendo a coisa certa, poderão alcançar os resultados desejados.
Essa mentalidade retributiva é aplicada até mesmo em nossa relação com Deus. Uma fé firmada nesse princípio diz: “faça as coisas corretamente e Deus o abençoará”. Entretanto, a concepção de justiça que Jesus Cristo afirmou caminha na direção contrária. Para Jesus, se quisermos experimentar a justiça, é preciso acolher o amor e a misericórdia daquele único que é justo: Deus. Viver de modo justo e digno só é possível de acordo com os propósitos do Criador de todas as coisas. O evangelho da graça é aquele que afirma acolhida ao amor e à misericórdia divina para viver de maneira correta. A bênção divina não é uma conquista por viver de maneira correta. A bênção divina é o que nos ajuda a viver de maneira correta.
O conceito de justiça trazido por Jesus Cristo lembra uma construção. Uma vez que todos fomos criados pelo mesmo Deus, isso nos torna iguais em condições e direitos. O problema é que também somos iguais em relação ao pecado. Por essa razão, jamais seremos capazes de nos tornarmos pessoas melhores, agirmos corretamente ou nos salvarmos de nossa própria perdição por méritos próprios, se não experimentarmos uma transformação de dentro para fora.
O evangelho trouxe para as concepções de justiça em vigor uma inovação: a justificação pela fé. A justiça não acontece sem a justificação pela fé. A justificação pela fé é o que nos permite receber o dom divino de nos tornarmos pessoas melhores e justas de acordo com o propósito divino. A justificação pela fé inclui sermos perdoados, porém é mais que isso. Ser perdoado é ser liberado para seguir adiante na nossa vida, mas ser justificado pela graça é ser liberado para viver a vida que Deus planejou na presença amorosa dEle.
A justiça é, portanto, o sinal de uma vida transformada pela graça. Você não se torna justo por se preocupar com o direito dos mais vulneráveis, mas se você foi justificado pela fé se importará com aqueles que têm seus direitos violados. Quando alguém acolhe a graça de Deus em Cristo, é impulsionado em direção à justiça. É o que a Bíblia nos diz: “Deus tornou pecado por nós aquele que não tinha pecado, para que nele nos tornássemos justiça de Deus” (2 Coríntios 5.21).
Se alimentamos um relacionamento com Deus, mas não nos importamos com as condições de exploração, opressão e desigualdade do mundo, tem alguma coisa errada em nosso relacionamento com Deus. A Bíblia, inclusive, apresenta o quarteto vulnerável para servir de referência para o nosso senso de justiça. Ele é formado pela viúva, pelo órfão, pelos imigrantes e pelos pobres. Se você não se importa com eles, quem está mal e você e precisa clamar por sua própria transformação.
A graça salvadora de Jesus interfere diretamente no nosso senso de justiça. De um modo geral, as pessoas acreditam que, se forem moralmente boas, Deus as recompensará. Entretanto, aquele único que é justo, que nos chamou para viver conforme a sua justiça, sabe que a nossa condição – por mais correta que possa parecer – está distante do seu propósito. Toda forma de injustiça, desigualdade, exploração e violência é importante para Deus. Ele sabe que todas elas são resultados da maldade humana que só encontra solução na acolhida do seu amor misericordioso.
Deus sabe que nossas tentativas de fazer justiça, seja com nossas próprias mãos ou até mesmo com nossa razão, sempre será de forma incompleta e imperfeita. A injustiça no mundo é fruto da maldade humana. Quando pessoas se importam com a justiça, deixando de lado as causas pelas quais as injustiças acontecem em sua volta, isso não passa de uma farsa. Quando acusamos as injustiças do mundo, mas não identificamos os modos como eu tomo parte delas, isso é hipocrisia. E quando vemos as dores e as mazelas do mundo e não nos reconhecemos como parte da solução, isso é crueldade.

sábado, 30 de dezembro de 2017

Uma poética da esperança / A poetic of hope / Una poética de la esperanza

O nascimento de Cristo foi um acontecimento único na história da humanidade, o momento em que o divino e o humano se encontram no surgimento de uma nova vida. Um singelo bebê foi a expressão da plenitude da revelação divina. Um fato como esse não dá para ser descrito a partir da narrativa que a ciência ocidental está acostumada. É o que podemos chamar de inefável, indizível e inebriante. A linguagem não é capaz de abarcar todo o seu significado.
A mentalidade científica, sobretudo a partir da Modernidade, reduziu o conhecimento àquilo que pode ser matematizado, explícito de forma racional e explicado a partir de uma lógica causal e mecanicista. De tal modo que achamos que somos capazes de produzir um discurso esclarecedor. O evento do nascimento de Cristo, porém, está envolto do mistério, dessa penumbra que coloca em questão a nossa razão, que desafia o nosso entendimento.
O Natal é tempo de celebrar a lembrança de um Deus que vem a nós. A história da encarnação de Deus em Cristo é para nos lembrar que tudo é possível para Ele. Ela nos remete ao real sentido da salvação: o resgate do humano que foi criado como semelhante ao divino. Para que possamos viver de forma humana diante de Deus, o divino se fez humano.
Somente a linguagem poética é capaz de alcançar e de expressar o que o Natal nos lembra. Por isso, a maneira como o evangelista Lucas conta a história do Natal é cercada de cânticos. Ele apresenta várias dessas poesias entoadas por anjos e pessoas que fizeram parte daquele momento sem igual. São chamados de “cânticos do advento” e a tradição cristã atribuiu a alguns deles nomes em latim. São manifestações poéticas diante da revelação do mistério divino.
Veja uma breve lista dessas poesias no evangelho de Lucas:
a) O canto de Isabel – Lucas 1.25.
b) Saudação do Anjo, também conhecido como Ave Maria – Lucas 1.28-33.
c) O canto de Maria, também conhecido como Magnificat – Lucas 1.46-55.
d) O canto de Zacarias, também conhecido como Benedictus – Lucas 1.68-79.
e) O canto dos Anjos, também conhecido como Gloria in Excelsis – Lucas 2.14.
f) O canto de Simeão, também conhecido como Nunc Dimittis – Lucas 2.29-32.
g) A profecia de Zacarias – Lucas 2.34-35.
As canções de Natal que nos acostumamos a ouvir durante esse período festivo foram compostas mais recentemente e são reflexos de uma cultura diferente do contexto em que Jesus nasceu. Já as canções do advento registradas por Lucas são expressões de quem viveu aquele primeiro momento, que vislumbrou o descortinar da revelação divina aos homens.
A fé e a poesia são experiências muito próximas. A fé é o que orienta a nossa caminhada em direção a Des. A poesia é um modo de expressar pela linguagem o que está além da nossa compreensão. Fé e poesia se complementam, trazem consigo uma relação que põe em jogo nossa própria existência. A fé se nega a repetir formulações dogmáticas e a poesia se nega a reproduzir a semântica normativa e do senso comum. A fé é o que nos conduz a estarmos abertos às possibilidades divinas e a poesia se manifesta está sempre aberta a uma estética da existência.
A teologia já se deu conta de que não é capaz de descrever em linguagem científica o universo que envolve a fé. Os textos dogmáticos não exprimem tudo o que cremos, em quem cremos nem por que cremos. Através da linguagem poética, é possível mergulhar num universo de sentidos, de vitalidade, de esperança que a inspiração do Espírito nos aponta.
Lucas registra que aqueles cantores eram movidos pelo Espírito para celebrar a revelação da graça, para louvar ao Senhor da Graça, para profetizar o tempo novo e renovar a esperança na graça divina. Eram “boa novas” para toda a humanidade, pois a salvação tão desejada era agora uma realidade.

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Consciência Negra: Por que ainda precisamos de um dia para lembrar? / Black Consciousness: Why do we need a day to remember / Consciencia Negra: ¿Por qué necesitamos un día para recordar

É preciso ter vivido a condição de negro para saber o porquê de um Dia da Consciência Negra. Eu, que nasci branco, não sei qual é a dor de se sentir excluído, oprimido e marginalizado por causa da cor da pele. O fato de ter sido pobre, estudado em escolas públicas em todos os níveis, crescido na periferia de um grande centro, convertido à fé evangélica e formado em meio à luta contra desigualdades a partir de um viés mais à esquerda não me dão a ideia do que um negro ou uma negra passa em termos de discriminação, preconceito e falta de oportunidades.
Por mais que eu me esforce, ou estude, ou leia, jamais vou alcançar o sentimento de quem se descobre diferente por causa de um tratamento ofensivo, de uma agressão moral ou física, de um olhar de desconfiança somente pela aparência. Nunca fui expulso de um ambiente, barrado em uma festa, excluído de um grupo ou demitido por causa da minha feição física. Isso para não falar da maneira desigual em que é tratado durante uma ação policial, diante de uma concorrência por emprego, na busca de cuidado por bem-estar.
Vivo num país dominado por uma elite branca, em meio a uma população de maioria formada por negros e pardos. Só nisso dá para se ter uma ideia de que a luta da comunidade dita afrodescendente – de acordo com o politicamente correto – é desigual. Políticas de cotas, leis contra o racismo e campanhas publicitárias pelo fim do preconceito não têm sido suficientes. As marcas de uma história escravocrata e de um racismo velado ainda estão vivas nas principais mídias, nas universidades, nas altas instituições da sociedade.
Volta e meia você precisa assistir, nesta terra, discursos como o do notável jurista Ives Gandra da Silva Martins, que se acha um “modesto” professor, injustiçado por ser branco em face da luta por espaço por aqueles que não tiveram a mesma sorte de ser luso-descendente. Ou as reações a uma piada racista feita pelo âncora de um dos principais noticiários da maior empresa de TV do país. E há até quem tenta substituir a ênfase do Dia da Consciência Negra por uma consciência humana. Se não formos capazes de nos darmos conta da humanidade que há nesse dia, não é mudando o foco que vamos conseguir. O primeiro passo para a formação de uma consciência humana passa pelo mínimo de respeito à consciência negra.
Não, eu não sei o que é ser negro. E nunca vou saber. E nem adianta tentar buscar formas de entender. O que preciso fazer é me dar conta da história de dor, de luta e de sofrimento de quem não é branco como eu. E não é um fato que envolve o Brasil. Ela está presente em todos os lugares do mundo em que o negro, em todas as épocas, foi visto como sub-humano. Até mesmo na mãe África, explorada por quem sempre se achou civilizado.
A lógica da escravidão, da segregação, do Apartheid, da supremacia branca e de outras mentalidades racistas só têm lugar em meio à falta de consciência sobre a condição humana de quem nasceu negro. E elas estão ainda aí fazendo suas vítimas. O Dia da Consciência Negra é para lembrar que quem quer manter o negro oprimido é uma sociedade dominada por uma elite branca. Se você não consegue perceber isso, é sinal de que precisamos dessa conscientização. Que em pelo menos um dia do ano a gente seja capaz de parar para pensar nisso, e tomar consciência. Se isso nos conduzir a uma atitude de respeito, é um bom começo.

domingo, 5 de novembro de 2017

O poder extraordinário da oração / The Extraordinary Power of Prayer / El poder extraordinario de la oración

Todo mundo enfrenta circunstâncias difíceis na vida. Se você não está passando agora, certamente já passou alguma vez e muito provavelmente virá a enfrentar lutas e grandes desafios. Isso faz com que todos nós precisemos de algo que nos dê um impulso, que nos encoraje, que desperte em nós um estímulo para seguir adiante apesar das condições desfavoráveis que possamos experimentar.
A oração é um recurso de que dispomos como um alento para as horas de aflição, como um grito de socorro na hora do medo, como um refúgio diante de nossos fracassos. Orar é o reconhecer nossa dependência de Deus, uma declaração de que não somos tão suficientes como imaginamos, que não temos o controle sobre as circunstâncias, que somos mais orientados pelas nossas incertezas do que pelas nossas convicções.
A oração é sinônimo de aproximação, de diálogo, de intimidade. Aquele que ora se abre para uma relação mais íntima com Deus, aceita humildemente a oportunidade de estar diante daquele que tudo pode mesmo apesar de ser aquele que nada pode. Ela alimenta a nossa relação com Deus e nos estimula a viver a fé em meio às nossas condições mais concretas de vida.
O maior mestre de oração foi Jesus Cristo não só por ter ensinado seus discípulos a orar, mas também por desenvolver uma vida significativa de oração. E essa é uma forte justificativa por que devemos orar: Jesus orou e ensinou a orar. Jesus orou ao começar o seu ministério e orou quando teve que suportar a cruz. A oração esteve presente nos momentos mais expressivos, como a ressurreição de seu amigo e a preparação para a sua prisão final, como também nos seus momentos de maior solitude. Jesus orou em companhia dos seus discípulos, diante das dores das pessoas e pelo futuro daqueles que o viriam segui-lo.
Se queremos experimentar o poder extraordinário da oração, precisamos aprender com Jesus. Jesus também enfrentou situações difíceis. E em todas elas, Jesus demonstrou que, quando nossos sentidos estão voltados para Deus, encontramos confiança e segurança de maneira singular. Jesus estava certo de que estava cumprindo o propósito de Deus para sua vida em seu tempo.
A oração é o remédio divino para a ansiedade, para o medo e a solidão. A oração não muda a realidade externa, mas altera completamente o nosso interior. A oração não move o braço de Deus, mas move o nosso coração na direção de experimentar a vontade de Deus. Ela nos ajuda a manter o foco nos propósitos divinos e, com isso, descansar no Senhor e descobrir o que realmente importa para cada circunstância vivida.
A falta de oração na vida é um grave problema. Mas, pior do que isso, a oração usada equivocadamente é um pecado gravíssimo. Usar a oração como arma de defesa, como fuga da alma, como instrumento de barganha ou tentativa de controlar o poder de Deus é sinônimo de fracasso espiritual. A oração revela o nosso caráter. Se você quer saber qual é a sua índole, quais as suas reais intenções de caráter e a maneira como você compreende Deus, basta fazer uma análise honesta dos seus motivos de oração.
Assim como a oração pode desvendar nossas ambiguidades e equívocos, ela é o caminho seguro para reparar nossas distorções, visto que Deus conhece nossas fragilidades e está sempre pronto a nos fortalecer. A oração é sinônimo de uma espiritualidade madura. Quando oramos, nossa mente e coração estão atentos ao cuidado divino, que fala e age como um pai amoroso. Deus se revela com poder e graça ao coração mais acolhedor e humilde.

Assista:

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