quarta-feira, 13 de junho de 2018

Vida como caminho / Life as a way / Vida como camino


Para viver, é preciso se pôr a caminho. O grande dilema é que existem várias possibilidades de se seguir o caminho da vida, mas só acabamos escolhendo um e ainda ficamos divagando sobre como podemos experimentar as demais.
A vida é como um caminho, ela acontece como o percurso trilhado por uma estrada em que o que mais importa é o modo como fazemos a caminhada. Ao longo do caminho da vida, Deus vem ao nosso encontro e nos chama para uma experiência transformadora e de relacionamento. Ele quer nos transformar em seus filhos e se relacionar conosco como um pai amoroso.
Ao longo do caminho, Deus trabalha em nós a maneira como estabelecemos prioridades na vida, como nos relacionamos com o próximo e como desenvolvemos nossas expectativas. Ao longo do caminho, Deus também aponta desafios e nos encoraja a enfrentar situações que nos preparam para seguir adiante na caminhada. Ao longo do caminho, somos confrontados em nossa condição de perdidos e conduzidos a uma experiência de abertura para o que está além de nós mesmos. Ao longo do caminho também Deus partilha conosco seu amor pela humanidade e nos convida a nos envolvermos com sua missão de buscar tantos outros que estão no caminho.
A graça da vida não está na maneira como a começamos ou como a terminamos, mas está no modo como fazemos a caminhada. E a graça maior da vida é não desistirmos nunca da caminhada, por mais difícil que ela seja.
Henry Bergson disse certa vez que a vida é um caminho de sombras e luzes, A grande sabedoria é fazer com que a gente saiba lidar com as sombras e tirar o melhor proveito da luz. A poeta brasileira Cora Coralina declamou: “O que vale na vida não é o ponto de partida e sim a caminhada. Caminhando e semeado, no fim terás o que colher”.
O salmista pensou na vida como caminho. Para trilhá-lo, é preciso tomar a decisão de entrega. Ele disse: “Entregue o seu caminho ao Senhor; confie nele, e ele agirá” (Salmos 37.5).
Lucas, tanto no evangelho quanto em Atos dos Apóstolos, relatou experiências de encontro de Jesus com pessoas que estavam a longo dos muitos caminhos por onde passou. Ao encontrá-las no caminho, Jesus proporcionou momentos únicos de reflexão e de tomada de decisões a fim de que elas fizessem ajustes na caminhada e pudessem seguir adiante, trilhando o caminho da vida tendo como guia aquele que declarou ser O Caminho.

segunda-feira, 28 de maio de 2018

Greve dos caminhoneiros e os efeitos do golpe contra a democracia / Strike of the truck drivers and the effects of the coup against democracy / Huelga de los camioneros y los efectos del golpe contra la democracia



O golpe de 2016 foi uma violência contra a democracia e afetou as relações institucionais no Brasil. Nunca antes na história do país um golpe chegou tão longe, destruindo esperanças e provocando conflitos de proporções gigantescas envolvendo desde a macroeconomia até mesmo as mobilizações sociais em defesa de direitos. A greve dos caminhoneiros de 2018 é uma prova disso.
Após 8 dias de paralisações, bloqueio de estradas e manifestações de apoio de diversos setores da sociedade, os caminhoneiros conseguiram expor dois aspectos de nossa realidade política: de um lado, a força da mobilização quando interesses do setor produtivo e da força de trabalho estão conjugados; de outro, um governo fraco e ilegítimo que demonstrou falta de habilidade em negociar com os grevistas.
A origem do problema está na política de preços adotada pela Petrobras, que provocou aumentos sucessivos dos combustíveis em curto espaço de tempo (11 amentos em 17 dias). Mas a causa está mais atrás, na adoção de um programa neoliberal que foi derrotado nas urnas em 2014. Para entender bem esse processo, é preciso ir mais longe no tempo, nas manifestações contra a corrupção e o aumento de preço das passagens em 2013, quando já se encontrava o embrião que deu lugar à mentalidade que serviu de sustentação para o impeachment, em 2016, e para a aprovação de medidas de redução de direitos sociais, como a emenda constitucional dos gastos públicos e a reforma trabalhista, pelo governo que sucedeu.
O resultado do golpe se pode ver em diversas áreas: o aumento do desemprego, a recessão do consumo, os baixos índices do PIB, o aumento da dívida pública, o esgotamento das reservas financeiras. São sintomas que desencadeiam grandes desastres: o aumento da extrema pobreza e da mortalidade infantil, bem como o retorno do Brasil ao mapa da fome. O aumento do preço dos combustíveis é apenas uma face de um governo que se estruturou a partir da falácia do golpe.
Ainda há quem diga que não foi golpe. Quem pensa assim imagina que golpes ainda são feitos à moda antiga, com canhões e baionetas nas ruas. Mas desde o surgimento do nazismo e do fascismo, golpes são articulados com aparência de legalidade. Foi assim que Hitler e Mussolini chegaram ao poder, por meio de medidas adotadas pelo legislativo e pelo judiciário, com forte apoio das elites e dos que controlam a opinião pública. É a moda do golpe dentro do rito, respeitando as regras do jogo.
Dois equívocos estão por trás de golpes oligárquico-jurídico-parlamentar-midiáticos: o primeiro, o de que a democracia pode se dar sem a participação de partidos e de ideologias; o segundo, o de transferir as decisões políticas para lideranças que não têm compromisso com ideais democráticos. A democracia é o território dos debates ideológicos. É a diferença entre as propostas partidárias que alimenta o debate democrático que permite que o povo faça escolhas conscientes. Sem essas diferenças, não há democracia, mas tirania de uma ideologia sobre as demais. A democracia depende de pessoas que estejam comprometidos com ela em meio às diferenças. Por ser um sistema político imperfeito, ela precisa de quem a defenda permanentemente. Não é porque a democracia vai mal que ela deve ser aniquilada, mas é quando ela mais precisa ser fortalecida.
A greve dos caminhoneiros carrega consigo uma ambiguidade. Ela tanto revela o lado sombrio do golpe, de supressão de direitos, quanto coloca em questão as soluções democráticas para os problemas do país. A suspeita de que a greve fosse uma espécie de locaute dos patrões nos dá margem para pensar assim, principalmente quando temas antidemocráticos transversais são propostos, como o pedido pela intervenção militar e a rejeição de bandeiras partidárias. As lideranças sindicais estão movidas pela crença de que podem encontrar solução pela manifestação espontânea dos insatisfeitos. E, de fato, a insatisfação com as consequências do desastre do golpe pode levar a uma escalada de protestos sem controle, pois a crise atinge a educação, a saúde, a segurança e todos os setores da economia.
Os caminhoneiros, ao lutar contra a política de preços da Petrobras, acabaram atingindo em cheio o centro nervoso do golpe. O que fica claro é que o golpe, tramado desde 2013 e consumado em 2016, serviu para colocar no poder um grupo político alinhado com os interesses da elite oligárquica, disposto a levar a efeito um projeto de poder neoliberal a qualquer custo. De início, era para evitar que setores progressistas, representados pelo PT, vencessem as eleições de 2014. A derrota nas urnas provocou as manobras para não deixar governar através do controle do Congresso. E tudo isso culminou com o pedido de impeachment da presidente eleita sem crime. O golpe se desdobra e se afirma na medida em que o principal candidato para 2018, que tem o dobro das intenções de voto do segundo colocado nas pesquisas, foi condenado sem provas e permanece preso apesar de a Constituição garantir-lhe direito a recursos.
O golpe, portanto, fracassou. E com seu fracasso levou o país a um estado caótico. A solução, no entanto, é democrática e no respeito ao Estado Democrático de Direito. É preciso ter serenidade para que essa crise seja suportada a fim de que se garanta o processo democrático, com o exercício de eleições livres. A maior luta hoje é pela defesa da democracia, com a afirmação do voto consciente. E que o Brasil encontre forças para isso.

sábado, 7 de abril de 2018

Prisão de Lula: poder e democracia em questão / Lula prison: power and democracy in question / Prisión de Lula: el poder y la democracia en cuestión


Poucas horas depois de o Supremo Tribunal Federal ter negado o pedido de Habeas Corpus impetrado pela defesa, o Tribunal Federal da quarta região autorizou a expedição do mandado de prisão. 22 minutos após, o juiz de primeira instância do Paraná emite a ordem de prisão pondo, assim, em execução um plano que vem sendo tramado no imaginário das elites conservadoras: ver o Presidente Lula preso. Tudo isso aconteceu desde a madrugada do dia 5 de abril de 2018 até meados da tarde do mesmo dia. A ordem de prisão pegou a todos de surpresa, inclusive a própria Polícia Federal e os advogados de defesa, que aguardavam que tal fato viesse a acontecer em até 30 dias devido às possibilidades de recursos que a ação demandava. Lula foi preso no dia 7 de abril de 2018.
A prisão do Presidente da República que teve o maior índice de aprovação em seu mandato e era oriundo das camadas populares e dos movimentos de esquerda se constitui em um ato simbólico que representa bem a realidade política vivida pelo Brasil: a ação das forças oligárquicas e conservadoras da direita contra os movimentos e lideranças que apresentam alguma ameaça ao projeto de perpetuação do poder de uma elite.
Para entender a dimensão simbólica dessa prisão é preciso lançar pelo menos dois olhares para a história: um para o processo de formação de nossa cambaleante democracia, que se orienta a partir de golpes e manobras para atender a interesses da elite dominante; e outro para a trajetória do próprio Lula, desde os tempos em que atuou como líder sindical, posteriormente como deputado constituinte e como o presidente que mais fez pela classe trabalhadora, conduzindo o país a níveis de emprego e de crescimento do PIB otimizados, à oferta de oportunidades de formação para as populações mais carentes, à melhoria da distribuição de renda com a consequente redução da fome e da miséria e a projeção do país no cenário internacional como a potência econômica da América Latina.
Entretanto, a prisão de Lula é cercada por alguns equívocos que são nutridos pela grande mídia e pelos partidos de direita. Um deles é o desejo do fim da impunidade, uma característica dos processos judiciais que protegem o mais rico, uma vez que a lei foi elaborada pelos representantes dessa mesma elite exatamente com esse fim. O outro sentimento é a ideia de que se tem empreendido o maior combate à corrupção na história do país, com ações espetaculares de investigação do ministério público e a prisão de alguns empresários e políticos poderosos. A prisão de Lula não representa o fim da impunidade e muito menos se constitui num combate à corrupção.
Na verdade, a prisão de Lula é uma forma de se reeditar o mito do bode expiatório para atender a um desejo coletivo de vingança sobre o mal maior que afeta a vida social. Transfere-se sobre uma pessoa e um partido a responsabilidade de toda a corrupção que há no país, como se esses tais fossem os criadores de todo o mal da vida nacional, os inimigos do Brasil, que precisam ser execrados da vida pública. Chega-se à ingenuidade de acreditar que, eliminando a figura de uma pessoa e reduzindo a força de um partido, será possível viver um novo tempo na nossa democracia.
Mas essa prisão só aconteceu com a concretização de uma articulação política para evitar que a esquerda volte ao poder nas próximas eleições, retirando da corrida presidencial o candidato mais cotado para vencer nas urnas. O argumento de que ele foi condenado em duas instâncias, em vez de validar a prisão, somente confirma o grau de perseguição implacável empreendida por um segmento do judiciário e pela grande mídia, articulados para dar uma aparência de legalidade ao processo, o que juristas têm denunciado como lawfare.
A partir de análises feitas por juristas conceituados, chega-se à constatação de que: (a) a acusação é inepta, firmada numa delação generosamente premiada de um criminoso, sem que uma prova concreta tenha sido apresentada; (b) o trâmite do processo foi duvidoso, pois não levou em consideração o farto material probatório da defesa; (c) a celeridade em condenar, sobretudo com a ação combinada entre primeira e segunda instâncias, a fim de cumprir um prazo que pudesse interferir no processo eleitoral; (d) as sucessivas negativas de Habeas Corpus nos tribunais superiores, demonstrando o interesse das forças conservadoras de reforçar a mentalidade punitivista que domina setores do judiciário em detrimento da defesa de direitos fundamentais da pessoa humana; (e) a pressa em expedir a ordem de prisão sem o trânsito em julgado mesmo na segunda instância, sem respeitar os prazos recursais; e (f) as manobras de pauta do judiciário para evitar que se aplique o princípio constitucional e da legislação penal de presunção de inocência e da não culpabilidade.
A prisão de Lula é um recado claro para quem ousa desafiar a elite conservadora que atua no país desde os tempos da colonização. O fim dessa história não é bom para a sociedade brasileira. Entretanto, alguém precisa pagar o preço de encarnar a resistência a esse poder centralizador que tem relegado o país ao seu atraso. Dessa vez foi Lula, com um histórico de luta em defesa dos direitos do trabalhador. As elites sabem que, entre os representantes da esquerda atual, não há alguém com tal currículo. E a esquerda sabe que não se encontra capacitada para promover uma frente ampla em favor desse mesmo projeto.
O resultado é que estamos todos vulneráveis e expostos à opressão de quem tem a mão pesada para punir quem lhe ameaça. A prisão de Lula denuncia o fracasso da democracia brasileira, desnuda o grau de injustiça e desigualdade com que os movimentos e lideranças populares são tratados. A judicialidade da prisão é uma farsa cruel para preservar interesses de uma elite dominante.
(Foto de Francisco Proner Ramos).

sexta-feira, 30 de março de 2018

Mística da Paixão / Mystic of the Passion / Mística de la Pasión


“[...] tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim” (João 13.1).
O que levou Jesus a morrer numa cruz? A teologia tradicional nos dirá que Jesus escolheu assim para nos substituir de forma completa, para pagar o preço de nossos pecados. E nos dirá com toda convicção que o próprio Pai enviou seu filho, por amor, para morrer em nosso lugar. Ele foi dado em sacrifício vivo e perfeito para a nossa salvação.
Essas informações foram passadas para nós como se fossem verdades absolutas. Porém, a morte na cruz não pode ser tratada como um fato isolado, independente do contexto em que Jesus Cristo viveu. Podemos dizer que ela é resultado de algo muito maior e muito mais complexo. A crucificação é resultado da paixão.
Primeiramente, a paixão de um Deus pela humanidade. Tomado de um amor louco, Deus toma a decisão de encarnar a nossa humanidade de forma plena, cercado por todas as nossas ambiguidades, contradições e fragilidades, mas também de virtudes e valores. Ele escolheu nascer numa manjedoura entre animais, comer e andar com pecadores e morrer crucificado entre marginais, embora tivesse tudo para viver de outro modo. Nasceu em uma família de sangue nobre, herdeira de um trono; foi educado entre mestres e doutores para ser como um deles; e teve várias oportunidades de escapar da perseguição e da morte durante a sua vida. Isso nos leva a perguntar: o que alguém tomado de paixão é capaz de fazer? Levar às últimas consequências seu amor sem medida.
Em segundo lugar, a paixão de uma pessoa que viveu de modo que só poderia resultar em uma morte implacável. Jesus afrontou as autoridades judaicas ao acusar sua hipocrisia e injustiça. De um lado, seus ensinos colocavam em questão a validade da tradição e apresentavam novos significados e possibilidades de interpretação. Por outro, desafiou os costumes da época, fazendo coisas que rompiam com certos hábitos: ele curou no sábado, tocou em pessoas imundas, acusou a maldade de fariseus e doutores da lei. Mas Jesus também afrontou as autoridades romanas. Ele escolheu estar ao lado de gente vulnerável, desprezada por sua condição de pobreza. Por causa de suas posturas, muitas vezes foi tomado como um revolucionário, que seria capaz de conduzir o povo à superação das formas dominantes de opressão e de exploração. Jesus desafiou as estruturas políticas e religiosas de seu tempo.
Em terceiro lugar, os episódios que cercaram o período que chamamos de paixão de Cristo foram marcados por um conflito: não só Jesus foi preso, açoitado, condenado e consequentemente crucificado pela fúria de seus inimigos, mas também foi traído, negado e abandonado pelos seus amigos. As narrativas da paixão não só demonstram a maldade dos inimigos, mas também a traição dos amigos. E elas não só despertam uma reflexão crítica sobre a condição humana, mas também nos indica caminhos para a nossa realização. O remorso da traição e da maldade pode nos conduzir à fuga, à indiferença ou até mesmo ao suicídio. Mas o amor louco de alguém que escolheu viver como viveu, ao ponto de assumir até o fim as consequências disso, nos conduz a um reencontro, a uma nova oportunidade, a uma atitude de transformação de nossa maneira de viver.
Alguém que escolheu viver como Jesus viveu só poderia morrer como ele morreu. Não foi Jesus que escolheu a cruz, foram os homens que rejeitaram a oferta de vida de Jesus e o conduziram à cruz. A morte de Jesus na cruz é da mesma natureza da morte de quem morre lutando por direitos dos mais frágeis. A cruz é uma vergonha para nós, pois representa a nossa escolha humana de rejeitar a oferta do amor divino pela humanidade. Um amor que não compreendemos, mas que necessitamos. A cruz é o símbolo do amor rejeitado, embora sejamos tão carentes dele. Contemplar a cruz nos remete às minhas próprias carências como também à minha própria dificuldade de acolher o amor divino.
A paixão de Jesus é um mistério. Ela expõe a nossa humanidade, mas ao mesmo tempo revela o amor e a justiça de Deus. Tanto fala de nossas carências e fraquezas, como nos fala da graça redentora. Ela aponta para a nossa finitude, como também nos oferece uma abertura para o que está além de nós mesmos. Pensar na paixão pela via da teologia tradicional pode nos conduzir a equívocos. Uma justiça, ainda que divina, que precisa da morte de alguém para produzir seus efeitos é falha. Um pai, ainda que seja o Pai Nosso, que manda seu filho para morrer tem um amor muito duvidoso. Um Deus que precisa do sacrifício de alguém para aplacar sua ira por causa dos pecados do outro é um deus fraco. A cruz desconstrói a nossa ideia de um Deus racional e imutável e nos remete ao encontro com o Deus que se faz presente de forma silenciosa na dor de quem morreu por amor.
Mas a paixão de Jesus não só não é um fato isolado, como também não possui um fim em si mesma. A paixão não se consuma na cruz. Ela se realiza na ressurreição. O encarnado e crucificado, ressuscitou. E as narrativas da paixão que encontramos nos evangelhos têm o cuidado de nos contar toda a história: Jesus foi traído, preso, torturado, condenado, crucificado, sepultado e ressuscitado. Sem a ressurreição, a morte na cruz não passaria de um martírio ou sacrifício. Mas ela é mais que isso, é o chamado para a realização da vida de Deus na nossa vida.

segunda-feira, 19 de março de 2018

Violência: nota sobre a execução de Marielle e Anderson / Violence: note on the execution of Marielle and Anderson / Violencia: nota sobre la ejecución de Marielle y Anderson


Sua boca está cheia de maldições, mentiras e ameaças; violência e maldade estão em sua língua” (Salmos 10.7).
A violência é fruto da impiedade e da maldade humanas. Ela é sempre resultado de uma ação intencional de agredir o outro, seja de forma física, psicológica ou moral. Da mesma forma, é também produto de uma mentalidade individualista, dominadora e discriminatória, que vê o outro, o que ele é e como pensa diferente como uma ameaça.
Estamos vivendo um tempo de crescimento de um sentimento de insegurança e instabilidade que tem dado oportunidade para o desenvolvimento de uma mentalidade preconceituosa, de ódio e de segregação que acaba resultando em mais violência. Jesus nos lembrou que “[...] todos os que empunham a espada, pela espada morrerão” (Mateus 26.52). Violência, quando não tratada, gera mais violência.
Diante da execução trágica da vereadora do Rio de Janeiro e militante em defesa dos Direitos Humanos Marielle Franco e de seu motorista, manifestamos nossa solidariedade com os familiares e amigos, bem como nossa preocupação com as dimensões que a violência tem alcançado em nosso Estado. Essa morte é simbólica do mal que campeia entre nós e que deve nos conduzir a um clamor pela misericórdia divina.
Que tanto os que efetuaram a execução quanto os foram seus mandantes sejam identificados e julgados. Que a justiça possa fluir como um rio perene entre nós, conforme diz Amós 5.24.
(Nota publicada no Boletim Informativo da Igreja Batista da Orla Oceânica, em 18/3/2018).

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