sábado, 27 de agosto de 2016

Dízimo / Tithes / Diezmos

“Todos os dízimos da terra, seja dos cereais, seja das frutas das árvores, pertencem ao Senhor; são consagrados ao Senhor.” Levítico 27.30
O dízimo tem em si um mistério que somente aqueles que o praticam conseguem experimentar. Não conheço nem nunca ouvi falar de dizimistas enfrentando crise em suas finanças pessoais, ainda que sejam pessoas de poucos recursos. E digo mais: os maiores dizimistas que conheci não eram pessoas com renda elevada. Em toda a minha vida pastoral tenho visto que entre os dizimistas mais fiéis encontram-se os mais pobres. Como o sábio um dia afirmou: Há quem dê generosamente, e vê aumentar suas riquezas; outros retêm o que deveriam dar, e caem na pobreza” (Provérbios 11.24).
O dízimo não é barganha, não é prestação, não é voto e não é pagamento de promessa. Ser um dizimista é reconhecer que tudo pertence ao Senhor e que nós temos o privilégio de sermos administradores do que é dele, para a glória dele e para a consumação dos propósitos dele. É a partir dessa afirmação que entendo que o dízimo tem quatro perspectivas.
A primeira é que dízimo é mandamento. Foi uma ordem dada por Deus para que o serviço religioso tivesse sustento. Alguns podem até argumentar que era uma lei para um povo e uma cultura, em um tempo passado. Porém, é bom lembrar que Jesus não condenou essa prática. Antes, a elogiou e recomendou a sua observância como modelo para as práticas de misericórdia.
A segundo é que dízimo é dívida. Porém, não é para ser cobrada como uma fatura vencida. Pessoas que não entregam o dízimo estão fraudando a administração dos recursos de que dispõe. Quem não consegue administrar o pouco não pode esperar o muito. Quem não consegue destinar uma parte do pouco para aquilo que acredita, jamais se contentará com o muito.
A terceira é que dízimo é simbólico. Ele é representativo de nossa confiança no cuidado divino. Pessoas dizimistas são fiéis. A entrega do dízimo é um ato de fidelidade. Por isso que ele é voluntário, pois cada um sabe de sua capacidade e qual é a sua necessidade. Ninguém deve entregar o dízimo por constrangimento ou por barganha, mas confiar nas promessas divinas.
E a quarta é que dízimo é princípio. Deus espera mais de nós do que a fidelidade. Ele espera também generosidade. Pessoas generosas são capazes de ofertar além do dízimo. Pessoas que são dizimistas, embora seja até elogiável, podem agir como legalistas e usarem sua prática para oprimir e manipular seus semelhantes.
Quem acha que o dízimo é para enriquecer religiosos engana-se e esconde com esse discurso o seu próprio egoísmo. Pense nisso.

domingo, 14 de agosto de 2016

Deus é Pai / God is father / Dios es padre

Um só Deus e Pai de todos, que é sobre todos, por meio de todos e em todos.” Efésios 4.6.
Jesus sempre se referiu a Deus como seu pai. Ele mesmo o chamou de “abba”, a primeira palavra em aramaico que as crianças de seu tempo aprendiam a falar, equivalente ao nosso “papai”. Na oração que ensinou aos seus discípulos, Jesus pediu que nos referíssemos ao “Pai Nosso”.
Precisamos da figura do pai. Freud disse certa vez que, “na maioria dos seres humanos, tanto hoje como nos tempos primitivos, a necessidade de se apoiar numa autoridade de qualquer espécie é tão imperativa que seu mundo desmorona se essa autoridade é ameaçada”. Isso porque o pai representa o quanto podemos ser capazes de encontrar o equilíbrio diante dos conflitos do mundo em que vivemos. Para Jung, o arquétipo do pai é um símbolo que contribui para a formação de nossa personalidade.
Não é um equívoco concordar com a psicanálise de que a ideia que temos de Deus é uma projeção infantil da imagem paterna. Em sua revelação ao homem, Deus sempre se mostra como um pai amoroso. E é consolador descobrir que Deus sempre nos vê como um pai vê o seu filho.
Tomando como base o mito de Édipo, podemos compreender a figura paterna como aquela que nos expõe ao outro como um espelho. E isso é condição de nossa formação como pessoas, é o que provoca nossos deslocamentos em direção à maturidade e à ilusão de sermos autônomos. O pai funciona como uma metáfora do desejo que temos de sermos acolhidos por quem nos deu a vida como um dom.
Chamar a Deus de Pai é muito mais do que reproduzir a ideia paterna que temos e projetá-la numa figura distante. É pluralizar a função paterna e descobrir que somente aquele que nos criou e nos deu as condições de existência poderia carregar consigo as prerrogativas do pai. O pai que temos é que se torna uma representação dessa paternidade divina, uma encarnação provisória e mal-acabada do pai amoroso que temos em Deus.
Deus é pai porque estabelece uma relação de amor conosco. Deus é pai porque investe na nossa formação como pessoas. Deus é pai porque nele fomos gerados para viver em liberdade e em criatividade no eterno devir em que a vida se dá. Deus é pai porque fala com seus filhos. Deus é pai porque somos semelhança sua, capazes de sentir alegria e dor, de ter abertura para o que está além. Deus é pai porque em nossa intimidade desejamos sua presença entre nós.
Quantas razões a mais poderíamos acrescentar para entendermos Deus como nosso pai? O profeta declarou: Contudo, Senhor, tu és o nosso Pai. Nós somos o barro; tu és o oleiro. Todos nós somos obra das tuas mãos” (Isaías 64.8).
Vivemos uma experiência de amor ferido em que as relações paternas humanas não conseguem cicatrizar. E é a descoberta do amor divino que nos remete à construção de nossa relação com Deus como Pai. O salmista canta: Como um pai tem compaixão de seus filhos, assim o Senhor tem compaixão dos que o temem; pois ele sabe do que somos formados; lembra-se de que somos pó” (Salmos 103.13,14).
“Vejam como é grande o amor que o Pai nos concedeu: que fôssemos chamados filhos de Deus, o que de fato somos!(1 João 3.1). Somente pessoas que se deixam ser invadidas por esse amor conseguem atribuir a Deus o lugar de Pai em sua vida.

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Muito além do ouro: Valores olímpicos aplicados à vida / Beyond the gold, Olympic values applied to life / Más allá del oro, los valores olímpicos aplicados a la vida

Combati o bom combate, terminei a corrida, guardei a fé.” 2 Timóteo 4.7
O que passa pela cabeça de um atleta naquele momento em que percebe que conquistou a medalha olímpica? Durante a competição, a medalha de ouro é o sonho de todos nos Jogos Olímpicos, o maior torneio esportivo do planeta. Em sua edição de 2016, as Olimpíadas acontecerão pela primeira vez em um país latino-americano, especificamente na cidade do Rio de Janeiro, com a participação de cerca de 10.500 atletas representando 206 países.
Entretanto, o objetivo dos Jogos Olímpicos não é distribuir medalhas, mas promover uma mentalidade que esteja voltada para a promoção da paz, da união, do respeito e da busca da excelência entre as pessoas por meio de atividades que combinam o esporte, a cultura e a educação. Essa mentalidade tem um nome: é olimpismo, que é o espírito que orienta a organização e a realização do torneio, tendo em vista a criação de um estilo de vida baseado na busca da dignidade humana.
As Olimpíadas são uma das heranças da Grécia Antiga e que fazem uso de um modo de pensar fundado em um conjunto de práticas que contribuem para a construção de um mundo melhor, sem qualquer tipo de intolerância, preconceito ou discriminação, tendo como motivação a prática esportiva como um direito de todos. Por essa razão, valores como a amizade, o respeito e a excelência são promovidos como uma forma de se criar um ambiente equilibrado e harmônico para a vida.
A amizade é um valor que nos convida a um entendimento mútuo entre as pessoas e os povos do mundo. Os Jogos Olímpicos inspiram a humanidade a superar suas diferenças ideológicas, econômicas, étnicas, religiosas e de gênero e a desenvolver o encontro e a comunhão em meio à diversidade. O respeito se refere ao cuidado de si e do outro, à atenção às normas de vida comum, ao cuidado com o meio ambiente, o que está presente no fair play, no combate ao doping, na repressão ao suborno e na ética desportiva. A excelência significa dar o melhor de si quer seja no jogo ou na vida, tendo em vista fazer com que a competição não seja só para ganhar, mas para contribuir de forma eficaz para a realização pessoal e para superação de desafios.
A Carta Olímpica, documento do Comitê Olímpico Internacional, que serve de base para a organização dos jogos, afirma que o olimpismo é uma filosofia de vida cujos objetivos são colocar o esporte a serviço do desenvolvimento humano e promover uma sociedade preocupada com a defesa da dignidade humana.
Nos últimos tempos, o esporte vem ganhando uma importância significativa na vida social, não só pelo aumento do número de participantes e de modalidades, mas também por movimentar um lucrativo mercado de equipamentos e materiais esportivos, de patrocínios e de espectadores. As Olimpíadas do Rio, por exemplo, deverá ser acompanhada por mais de 3 bilhões e 200 milhões de pessoas em todo o mundo pelas emissoras de TV, pela Internet e por meios diversos de comunicação. E isso estimula a que mais e mais pessoas se envolvam com a prática de esportes.
Por essa razão, a preocupação com os valores deve ir além do espetáculo oferecido. O esporte deve estar voltado para aquilo que há de mais humano em nós, nas formas concretas em que se dá a nossa existência como pessoas no mundo. Nesse aspecto, os limites do humano vão além dos ideais de ser o mais ágil, o mais veloz ou o mais forte. O humano está para além do biológico e da técnica. Ele está naquelas circunstâncias em que a vida exige um sentido.
Quando os idealizadores dos Jogos Olímpicos dos tempos modernos começaram a resgatar o espírito olímpico dos gregos antigos, foram influenciados por sentimentos e compreensões que são grandemente enraizados na mensagem cristã. Aquilo que se entende hoje como valores olímpicos sempre fizeram parte do ensino deixado por Jesus tendo em vista a restauração de um novo sentido de humanidade.
Por isso, os Jogos Olímpicos se constituem não só como uma oportunidade para refletir sobre a vida humana, mas também para pensar no humano que Jesus quis restaurar em nós, como pessoas amadas e cuidadas por Deus. Desse modo, será possível sonhar com uma vida que seja digna de ser vivida. Tal como nos Jogos, na vida somos todos atletas em busca de superação perseguindo o ideal maior de viver o que Cristo propôs a nós. Foi o que o apóstolo Paulo fez: ele combateu o bom combate da vida, ele percorreu todo o estádio da vida e ele preservou a fé.

sábado, 30 de julho de 2016

O canto de Moisés: espiritualidade em meio à luta / The song of Moses, spirituality amid fighting / La canción de Moisés, la espiritualidad en medio de combates

O Senhor é a minha força e a minha canção; ele é a minha salvação! Ele é o meu Deus e eu o louvarei, é o Deus de meu pai, e eu o exaltarei!” Êxodo 15.2
Moisés tinha mais ou menos oitenta anos quando começou a liderar o povo hebreu na travessia do deserto em direção à Terra Prometida. Poderia se dizer que ele tinha visto de tudo nessa vida, como pessoa experiente que era. Já tinha vivido em palácios e em acampamentos, já tinha trabalhado em liderança e sabia o que era ser escravo, já conhecia a cultura das elites e já tinha vivido em meio a cultura do povo, já tinha experimentado a religiosidade dos pagãos e já havia vivenciado a espiritualidade do seu povo.
Naquele momento crucial da sua trajetória, logo após atravessar o Mar Vermelho, Moisés estava em êxtase. Ele e todo o povo tinham vista a mais sublime manifestação do poder de Deus. Um Deus que consegue abrir o mar só podia ser muito poderoso mesmo. É sinal de que tem em suas mãos o controle de tudo. Porém, ele sabia que sua missão apenas estava começando. Ela só terminaria em Canaã.
Moisés tinha tudo para se deixar encantar por aquele momento. Com um Deus assim ao seu lado, não precisaria ter temor algum. Entretanto, ele reúne o povo e louva ao Senhor como um exercício de entrega e preparação para o que virá depois. O canto de Moisés naquele momento era um sinal de que não só ele estava agradecido e não só reconhecia o poder de Deus, mas demonstrava sua disposição para seguir adiante.
Moisés tinha três motivos para cantar. O primeiro é que ele sabia que Deus livra. Os poderosos da Terra em seu tempo indagavam: “que Deus pode livrar vocês das minhas mãos?” Mas ele, bem como os profetas e poetas, cantam: “quem pode livrar como o Senhor?” Ele disse: Quem entre os deuses é semelhante a ti, Senhor? Quem é semelhante a ti? Majestoso em santidade, terrível em feitos gloriosos, autor de maravilhas?” (Êxodo 15.11).
O segundo motivo é que ele sabia que Deus salva. Deus conhece as aflições do seu povo exatamente porque está junto dele. Tão perto que pode socorrer com suas próprias mãos. Senhor, a tua mão direita foi majestosa em poder. Senhor, a tua mão direita despedaçou o inimigo” (Êxodo 15.6). Somente um Deus que está presente pode salvar-nos daquilo que mais nos aflige. Em outra feita, o profeta Sofonias também vai declarar que Deus salva porque está no meio do seu povo. O Senhor, o seu Deus, está em seu meio, poderoso para salvar. Ele se regozijará em você, com o seu amor a renovará, ele se regozijará em você com brados de alegria” (Sofonias 3.17).
O terceiro motivo é que ele sabia que Deus fala. Desde a experiência da sarça ardente, Moisés aprendeu a ouvir a voz de Deus. Ele descobriu que Deus fala e que isso é maravilhoso. Mas não só isso, o que Deus fala é bom para a vida, atender ao chamado divino e obedecer à sua voz é o melhor que se tem a fazer. Foi isso que ficou claro para aquele povo a quem liderava: O Senhor, o nosso Deus, mostrou-nos sua glória e sua majestade, e nós ouvimos a sua voz vinda de dentro do fogo. Hoje vimos que Deus fala com o homem e que este ainda continua vivo!” (Deuteronômio 5.24).
O canto de Moisés não é um canto de vitória ufanista. Ele não fez isso como quem ganha um campeonato de futebol. Com aquele canto, Moisés rendeu sua vida inteira a Deus. Dali por diante, poderia acontecer o que fosse, Moisés não tinha dúvidas de quem Deus era. Ele sabia que a jornada seria longa e difícil. A única força que teria para vencer os grandes desafios era a consciência de que Deus estava ao seu lado. Em todo o tempo, Deus seria suficiente para livrar, para salvar e também para falar.
No fim da vida, já aos cento e vinte anos, depois de liderar o povo pelo deserto, ao transmitir a incumbência para Josué, Moisés cantou mais uma vez. Ele disse: Ele é a Rocha, as suas obras são perfeitas, e todos os seus caminhos são justos. É Deus fiel, que não comete erros; justo e reto ele é” (Deuteronômio 32.4).
Seu cântico entrou para a história. Na eternidade, os sete anjos do Apocalipse o entoarão como reconhecimento da vitória: Grandes e maravilhosas são as tuas obras, Senhor Deus todo-poderoso. Justos e verdadeiros são os teus caminhos, ó Rei das nações. Quem não te temerá, ó Senhor? Quem não glorificará o teu nome? Pois tu somente és santo. Todas as nações virão à tua presença e te adorarão, pois os teus atos de justiça se tornaram manifestos” (Apocalipse 15.3,4).
Você tem algum motivo para cantar? Lembre-se de o quanto Deus já o livrou, reflita sobre a salvação que vem do Senhor e pare para ouvir o que Deus tem para falar. Todos nós temos algumas razões para cantar, mesmo que tudo pareça tão difícil ao nosso redor. Caso não encontre uma neste exato momento, siga ao menos o conselho: Cantem de alegria ao Senhor, vocês que são justos; aos que são retos fica bem louvá-lo” (Salmos 33.1)

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Trégua Olímpica: um tempo de tolerância, solidariedade e paz / Olympic Truce: a time of tolerance, solidarity and peace / Tregua Olímpica: un tiempo de tolerancia, de solidaridad y de paz

Os jogos olímpicos, em sua versão primeira, foram criados para se promover a paz. Já naquela época se entendia que o esporte inspira ações de tolerância, solidariedade, de inclusão social, de educação e de pacificação, tendo em vista a construção de uma sociedade mais justa. Isso vale para hoje também. Nelson Mandela chegou a dizer que “o esporte fala às pessoas em uma linguagem que elas podem entender”. E as Olimpíadas se constituem como o ponto máximo de realização desses ideais humanos.
A Grécia antiga, por volta do século VIII a.C., vivia em meio às guerras entre suas cidades e para se proteger dos impertinentes invasores. Os gregos, então, propuseram um período de trégua, ao qual chamaram de Ekecheiria, que significa “dar as mãos”. Durante esse período, atletas, artistas e peregrinos, bem como seus familiares, poderiam viajar em segurança para Olímpia, o local dos jogos olímpicos, e retornar do mesmo modo para suas cidades. Esse tempo equivalia a sete dias antes dos jogos e a sete dias depois dos jogos, chamado de trégua olímpica ou paz olímpica. A cidade onde os jogos eram realizados era considerada como território neutro, ainda que as cidades participantes estivessem em guerra. Ali, inclusive, líderes militares poderiam fazer seus acordos de paz.
Na reedição dos jogos olímpicos na contemporaneidade, a tradição de se buscar um período de trégua durante o torneio vem sendo mantida. Mas, somente em 1991, por causa dos conflitos na extinta Iugoslávia, o Comitê Olímpico internacional começou a mobilizar meios para a adoção da trégua olímpica como um tema de interesse internacional. Desse modo, em 1992, a ONU convocou a todos os países signatários a observarem um período de trégua durante os jogos já a partir da Olimpíada de Barcelona, naquele ano. Em 1993, então, são instituídos os 100 Dias de Paz para todos os jogos olímpicos e paralímpicos de verão e inverno.
Em face dos muitos conflitos que o mundo enfrenta, Ban Ki-Moon, o Secretário-Geral da ONU, pediu um cessar das hostilidades no mundo todo, ao aproximar-se a edição deste ano dos jogos na cidade do Rio de Janeiro. “Uma pausa nas lutas manifestaria os valores que os Jogos buscam promover: respeito, amizade, solidariedade e igualdade”, disse.
Embora o esporte seja um fator importante para a promoção da tolerância, da solidariedade e da paz, nem sempre os jogos olímpicos conseguiram promover uma trégua. Durante as realizações nos tempos modernos, duas guerras mundiais aconteceram de modo a cancelar algumas edições. Até mesmo durante a chamada guerra fria, aconteceram boicotes, proibições e até atentados, como foi o caso dos jogos de Munique, em 1972, quando onze atletas de Israel foram mortos pelo grupo terrorista palestino Setembro Negro. A única edição que recebeu 100% de adesão dos países-membros da ONU foi a de Londres, em 2012.
De acordo com a decisão aprovada em outubro de 2015 na ONU, 180 dos 193 países-membros concordaram em observar uma paralisação dos conflitos durante os jogos do Rio 2016, a começar, portanto, nesta sexta-feira, 29 de julho. O documento que trata da trégua olímpica neste ano recebe o título de “Esporte para o desenvolvimento e a paz: construindo um mundo mais pacífico e melhor por meio do esporte e do ideal olímpico”. Nele, foram incluídas preocupações com a proteção e a educação de meninos e meninas em todo o mundo.
Para um tempo marcado pela crise dos refugiados e pelos ataques terroristas, a expectativa de que a trégua olímpica se torne realidade já é um alento. Isso deve valer também para que se observe um cessar na intolerância, no preconceito e nas hostilidades entre as pessoas, não só entre nações. Isso deve valer mais ainda para os conflitos internos no nosso país: guerras de quadrilha pelo controle do tráfico, agressões e ofensas por causa de intolerância religiosa e ideológica bem como a tramitação do golpe de estado em curso no país com aparência de legalidade, que é o impeachment atual.
Um evento dessa magnitude, que acontece pela primeira vez num país latino-americano, certamente comporta críticas de várias naturezas. Mas não podemos perder a chance histórica de cuidar das relações uns com os outros, de lembrarmos que somos todos humanos, de que ainda é possível sonhar com um tempo de paz para a nossa cidade, para o nosso país e para o mundo em que vivemos.

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