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domingo, 23 de novembro de 2014

Transformado: Como a fé pode transformar a sua vida / Transformed: How faith can transform your life / Transformado: Cómo la fe puede transformar tu vida

A única maneira de realmente mudar a sua vida é mudar a maneira como você pensa. Você não pode esperar grandes mudanças querendo permanecer do mesmo jeito. Todos nós precisamos experimentar uma mudança na maneira de compreender e lidar com algumas áreas de nossa vida pessoal: nossas finanças, nossas emoções, nossos relacionamentos, nosso futuro e até a nossa carreira profissional.
Quando permitimos que a nossa maneira de pensar mude, isso também altera a nossa maneira de viver. Para isso, todos nós precisos estabelecer metas e princípios que orientem a nossa vida de maneira bem-sucedida. E a melhor maneira de fazer isso é através da fé. Estabelecer desafios para si mesmo envolve uma responsabilidade de empregar todas as suas capacidades, habilidades e energia para alcançá-los. E estes desafios serão cada vez mais relevantes se forem claros, mensuráveis e realistas. Ou seja: tenham a ver com a sua realidade como pessoa e todas as suas relações. Você é uma pessoa criada à imagem e semelhança de Deus para viver de acordo com seus propósitos. Enquanto isso não acontecer, sempre nos compreenderemos como uma condição incompleta.
Ao estabelecer seus desafios, leve em consideração o que pode honrar a Deus em sua vida. Pense em pequenos e grandes desafios. Pensar grandes coisas nos conduz a grandes realizações. Porém, você jamais conseguirá grandes realizações se não valorizar e se ocupar das pequenas coisas. A Bíblia está repleta de exemplos de pessoas simples que tiveram experiências significativas de transformação por meio da fé.
Nós temos a palavra final quando o assunto é mudar a nossa maneira de pensar. E quando mudamos a mente, mudamos o modo de vida. Isso quer dizer que, se você orientar o seu modo de pensar para o que Jesus ensinou, você construirá uma vida mais próxima da vontade dele. Portanto, aprenda mais sobre hábitos, conceitos e características que Jesus ensinou que permitem uma mudança de atitude e que proporcione maior realização pessoal.
O grande desafio da vida não é desenvolver determinados conhecimentos ou dominar um conjunto de doutrinas, mas ser uma nova pessoa. Isso significa orientar a vida por valores diferentes do que tem dominado a lógica secularizada do mundo contemporâneo. Ser diferente não é o mesmo que ser um estranho, mas desenvolver um sentido de humanidade que leve em conta os propósitos de Deus para a vida humana.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Só uma coisa é necessária / But one thing is needful / Empero una cosa es necesaria

“Todavia apenas uma é necessária” Lucas 10.42
Quantas vezes você já tentou acertar na vida? Quantas coisas você precisa fazer para poder melhorar? Qual é a melhor escolha? O que é fazer a coisa certa? Responder a essas perguntas pode dar a ideia de que a vida é como uma loteria, em que há muitas alternativas, mas só uma é correta.
Esse é um grande engano. A vida não é como um jogo de azar, embora implique fazer muitas escolhas. O grande problema de se encarar a vida assim é que a humanidade fez dela um amontoado de fragmentos, de tal modo que, enquanto a tratamos de forma fragmentada, ela sempre será uma vida falsa e fracassada.
O encontro de Marta e Maria com Jesus é um retrato disso. Marta entendeu que era preciso agradar a Jesus de muitas formas. Ficou atarefada e ocupada demais com os serviços da casa. Maria, porém, sabia que aquela era uma oportunidade única de estar face a face com Jesus. Sentou-se calmamente ao seu lado e ouvia seus ensinos.
Quantas vezes você já esteve tão absorvido com suas ocupações achando que isso é o melhor? Muitos até adotam uma experiência de religiosidade que comporta uma agenda lotada, cheia de coisas para fazer. Entretanto, a Bíblia nos mostra que nada disso é necessário.
Uma espiritualidade que abarrota nossa agenda de eventos e tarefas não corresponde a uma espiritualidade comprometida e responsável. Muitas vezes, esse tipo de religiosidade se confunde com uma fuga do mundo, com uma tentativa de ludibriar nosso sentimento ferido por causa de nossas próprias desilusões.
O evangelho nos chama a uma espiritualidade de encontro em que o que está em questão é a nossa vida inteira, com todas as suas implicações e todas as relações. Foi por isso que Jesus disse que Maria havia escolhido a melhor parte. Em vez de se encher de atividades para agradar a Jesus, ela optou por investir um pouco do seu tempo numa oportunidade rara de encontro.
O chamado de Jesus para a espiritualidade do encontro continua viva ainda hoje. Ele nos chama para isso e nos alcança no lugar e nas circunstâncias em que vivemos.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Eleições e Realidade Brasileira / Elections and Brazilian Reality / Elecciones y Realidad Brasileña

O resultado das eleições 2014 requer uma leitura mais madura de nossa realidade como nação. A vitória do governo atual, com a reeleição da presidente Dilma Rousseff, não é resultado de uma boa atuação, mas de um movimento silencioso que vem acontecendo no país há algum tempo, que é a manifestação de insatisfação e o desejo de mudança que acontece a partir das periferias.
Esse é um sinal de que o cenário político ganhou novos contornos e quem não souber compreender isso adequadamente poderá ser levado por interpretações equivocadas. Isso se deu a partir do esquema de manipulação levado a efeito através da grande imprensa e das redes sociais. O quadro apresentado era de uma situação pré-golpe tal como nos acontecimentos anteriores ao golpe de 1964. Lembrava os discursos do direitista e golpista Carlos Lacerda que dizia de Getúlio Vargas: "Não pode ser candidato. Se for, não pode ser eleito. Se eleito, não pode tomar posse. Se tomar posse, não pode governar."
O que as urnas desta vez apontaram é que as forças conservadoras de direita, que sempre estiveram à frente da República e que hoje se encontram na oposição, precisam rever seu projeto de Brasil e as estratégias políticas para as próximas eleições. Mas apontam também para o fato de que o governo atual precisa ser mais ágil nas políticas sociais e combater com mais vigor a corrupção de seu próprio partido.
O voto no governo atual foi, ao mesmo tempo, um voto crítico, que tanto aprova seu programa social quanto rejeita sua prática partidária, mas também um veto à oposição, em que tanto se rejeita sua tática golpista e desleal quanto pede que seja mais coerente.
O resultado das urnas é uma prova de que a democracia brasileira vai se fortalecendo lentamente, encontrado finalmente seu caminho. Mas ainda há uma necessidade urgente de reforma política, em que se pensa a possibilidade de uso do voto distrital, em que se conquiste definitivamente o fim das coligações e se repense o financiamento de campanha, principalmente com o fim do financiamento de empresas.
A vitória do governo não se deu só no norte e nordeste, mas em todo o Brasil onde a desigualdade e a injustiça campeiam. Foi um grito dos excluídos e daqueles que lutam em sua causa. Enquanto houver pobreza e desigualdade neste país não dá para se pensar em outra mudança possível. O governo atual já conseguiu tirar o Brasil do mapa da fome, mas precisa tirar também do mapa das desigualdades, da má distribuição de renda, nos baixos indicadores de educação e saúde.
A força da grande imprensa conservadora mostrou-se mais uma vez intensa, mas não foi suficiente para conter o poder das mídias alternativas. A população tem uma atitude mais crítica e um acesso maior às informações que não permite mais que denúncias de última hora interfiram tanto no resultado das eleições.

De fato, o Brasil de hoje é melhor do que o de há 12 anos, mas muito distante do ideal. Há ainda uma enorme dívida social histórica para com os menos favorecidos, com aqueles que precisam de oportunidades para construírem um futuro melhor. O grande desafio agora do governo é combater a corrupção, fazer o país crescer mais, controlar a inflação a níveis inferiores ao atual e aproximar as pessoas a um projeto de nação.

sábado, 25 de outubro de 2014

Combate à corrupção / Combat against corruption / Lucha contra la corrupción

Quando o assunto é corrupção, só entra em questão a corrupção alheia. Ficam de fora as tentativas próprias de levar proveito em cada situação. Porém, é preciso ter em mente que a corrupção é um fenômeno que precisa ser encarado em toda a sua complexidade. A corrupção não é um fenômeno cultural, embora esteja enraizada em todas as culturas. Não é também uma peculiaridade da vida pública, que afeta os políticos em especial. Ela está presente de diversas formas em nosso cotidiano e afeta todas as nossas relações. Ele é um produto da maldade presente em nossas atitudes.
Por essa razão, um dos itens do Pacto Global da ONU, no ano 2000, propõe o combate à corrupção em todas as suas formas, incluindo o suborno e a extorsão. Trata-se de um conjunto de medidas endereçadas a autoridades e empresários que estão ligadas aos valores fundamentais no que concerne aos Direitos Humanos, às relações de trabalho, ao meio ambiente e, inclusive, ao combate à corrupção.
O combate à corrupção é uma luta constante que deve ser assumida por todos, principalmente pelo fato de que, na forma com que se caracteriza dentro do sistema capitalista, ela começa exatamente nas manobras e nos interesses ligados a quem controla os meios de produção e o mercado. Enquanto não se tratar a corrupção levando em consideração o corrupto e o corruptor, não haverá meios de inibir tal prática. A corrupção não consiste somente em um agente público apresentar dificuldades para depois vender as facilidades, mas também no fato de que aquele que busca benefícios próprios está muito mais interessado em comprar facilidades do que cumprir as exigências que lhes são apresentadas.
Isso quer dizer que há um apelo mundial para que as empresas passem a compreender e a adotar a integridade como um princípio que orienta suas condutas. A corrupção não é um problema unicamente brasileiro, como alguns acreditam. Há, inclusive, no sistema jurídico brasileiro a concepção da corrupção como um crime. Os tipos de corrupção, conforme entendimento presente na legislação brasileira: suborno; pagamento de facilitação; pagamento de brindes; “caixa dois”; sonegação fiscal; lavagem de dinheiro; políticas de apoio e patrocínio.
O fenômeno da corrupção não envolve somente governos ou os políticos. Isso afeta a todos os cidadãos, as empresas e entidades públicas e privadas de um modo geral. O controle da corrupção é de interesse de toda a coletividade, pois isso interfere diretamente na formulação das políticas públicas e na solução dos graves problemas sociais. As práticas de corrupção podem até criar uma ideia aparente de vantagem, mas na verdade elas prejudicam a competição e o livre mercado ao estabelecer uma concorrência desleal e criar um clima de insegurança do mercado. A corrupção compromete a integridade do negócio e deturpa os valores éticos.
O combate à corrupção não é uma tarefa fácil. Não depende só de leis ou de ações governamentais. Por essa razão, a Controladoria-Geral da União elaborou em 2009 um manual, intitulado A Responsabilidade Social das empresas no combate à corrupção, com as diretrizes básicas para que essa iniciativa aconteça também nas empresas. O documento (na sua p. 16) define corrupção do seguinte modo:
“Um ato de corrupção pode ser definido como uma transação ou troca entre quem corrompe e quem se deixa corromper. Atos de corrupção correspondem, portanto, a uma promessa ou recompensa em troca de um comportamento que favorece os interesses do corruptor. É uma forma particular de influência do tipo ilícita, ilegal e ilegítima, que conduz ao desgaste do mais importante recurso do sistema político: sua legitimidade.”
Dentre as propostas para que a empresa desenvolva uma prática de combate à corrupção encontram-se: a adoção de um programa de integridade e combate à corrupção, a adoção de medidas de transparência e relacionamento com investidores e o gerenciamento da integridade. São atitudes de caráter preventivo que ajudam a corrigir os comportamentos no ambiente organizacional que violam a ética adotada.

sábado, 18 de outubro de 2014

“Mar de lama”: desigualdade, corrupção e inflação em tempos eleitorais / Inequality, corruption and inflation / La desigualdad, la corrupción y la inflación

Os discursos da oposição estão orquestrados com as manchetes da grande imprensa: o Brasil está mal. Não resta a menor dúvida de que o Brasil vai mal, mas nunca esteve tão melhor. Não chega a estar tão a ponto de ser o tal “mar de lama” anunciado pelo candidato oposicionista, assim como nunca tivemos na história do país uma condição que se possa chamar de “mar de rosas”. O fato é que a vida das pessoas melhorou: há mais emprego, há mais oportunidade de estudo, há mais pessoas na classe média e menos gente vivendo na miséria e, por incrível que pareça, há mais pessoas ricas.
Na configuração do processo eleitoral de 2014, o que está em jogo não é somente uma situação moral, mas a escolha entre dois projetos de poder: um que é favorável à luta contra as estruturas que promovem a desigualdade e outro que atende às exigências do mercado que estimulam a concentração de renda; um que representa as lutas das organizações de classe dos trabalhadores e outro que representa os ideais das forças conservadoras de direita.
O que a oposição alardeia como um caos social e econômico está ligado a uma realidade dura e cruel vivida pelas camadas menos favorecidas, embora não apresente planos e metas para a sua diminuição. Alguns desses fatores podem ser aqui elencados:
a) a saúde pública ainda enfrenta situações precárias de atendimento;
b) a educação pública carece de investimentos e incentivos;
c) o transporte público de massa enfrenta condições que não atendem à demanda;
d) a violência chegou a níveis insuportáveis, com um aparato de organização e sofisticação nunca vistos.
A solução para esses graves problemas passa pela conjugação de forças dos poderes constituídos, quer seja em instâncias federal, estadual e municipal, quer seja por parte do executivo, do legislativo e do judiciário. É uma ilusão acreditar que a solução do problema virá pela escolha de um candidato que se autoproclame portador de soluções, como um “salvador da pátria”.
As condições em que se dão os problemas de saúde, educação, transporte público e violência são as mesmas que favorecem a desigualdade social, a corrupção e a inflação, corroboradas por práticas de autoritarismo e de injustiça que infestam todas as esferas da vida pública. Isso se deve a uma prática histórica ligada à distribuição de terras, à política de favorecimentos e à concessão de oportunidades melhores aos que circulam mais próximos ao poder.
Trata-se de uma política de exclusão que relegou à margem da sociedade uma enorme parcela da população que sempre foi discriminada por razões de cor, religião e posição social. A república brasileira é um produto histórico dessa política excludente. Ela foi proclamada por uma elite branca e aristocrática, que estabeleceu uma democracia voltada para a manutenção do poder nas mãos das pessoas com maior poder aquisitivo. Qualquer tentativa de se reverter essa configuração foi tratada com ataques moralistas e golpes institucionais, com o uso intenso dos grandes órgãos de imprensa e da influência por afinidade com representantes dos poderes instituídos, sobretudo em relação ao legislativo e ao judiciário.
O discurso do “mar de lama” foi usado por representantes da direita – como Carlos Lacerda – para desestabilizar o governo de Getúlio Vargas, o que o levou ao suicídio. Foi usado também na campanha eleitoral de Jânio Quadros, que sucedeu a Juscelino Kubitschek, mas que renunciou sete meses depois da posse. Foi usado ainda para justificar o golpe militar de 1964 e estabelecer um regime de exceção no país.
Reacender esse discurso neste momento eleitoral traz o implícito de que as políticas sociais, que combatem as estruturas que favorecem a desigualdade, que combate a fome e a miséria e que promovem correções na distribuição de renda, não agradam às ditas forças conservadoras de direita.
O combate à desigualdade social inclui a rejeição das práticas que a favorecem, que promovem a má distribuição de renda e exploram os menos favorecidos. Programas como o Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida, Prouni e equivalentes, embora sejam relevantes e decisivos para a inclusão social de milhões de brasileiros, são alternativos. O que se faz necessário mesmo é de uma política que penalize o poder do ganho de capital sobre a s forças produtivas.
O combate à corrupção deve envolver o tratamento das relações que a favorecem, incluindo o agente público envolvido na prática, mas também a origem do dinheiro, que está vinculado a prestadores de serviços, fornecedores e empreiteiros que se beneficiam da corrupção. Uma denúncia que é feita por um agente criminoso, que aponta apenas um lado do problema e esconde a fonte da corrupção não contribui para o combate à corrupção.
O combate à inflação não pode se dar apenas por uma política de controle dos juros e do câmbio, mas por uma combinação de práticas que levem em consideração os ataques especulativos do mercado, que cuidem da relação entre oferta e demanda no mercado interno, que levem em consideração as exigências do mercado externo e o repasse de ganhos das multinacionais.
O que o Brasil precisa hoje é de uma política de Estado e de um programa de governo que tenha por princípio o combate constante às estruturas que promovem a desigualdade social, o tratamento permanente da corrupção como um mal intolerável que resulte na condenação do corrupto e do corruptor, e o controle da inflação tendo em vista os ataques especulativos do mercado com sua sede ganhos cada vez mais abusivos. Sem um compromisso público de campanha por parte dos candidatos, o discurso e suas plataformas eleitorais não passam de demagogia. 
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