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domingo, 31 de agosto de 2014

Espiritualidade contemporânea / Contemporary spirituality / Espiritualidad Contemporánea

“Por isso digo: vivam pelo Espírito, e de modo nenhum satisfarão os desejos da carne.” Gálatas 5.16
Espiritualidade é vida no Espírito. Isso implica orientar a vida toda na direção do Espírito de Deus. É muito mais uma condição humana, que envolve toda a nossa humanidade. Veja alguns modos que a espiritualidade tem tomado forma na contemporaneidade:
Há uma espiritualidade ascética – que busca, através de exercícios espirituais, dobrar o corpo para disciplinar o espírito.
Uma espiritualidade de mercado – que transforma a fé num produto de consumo.
Uma espiritualidade ao portador – com baixo comprometimento social e alto individualismo.
Uma espiritualidade de adesão radical – sob a forma de fundamentalismo.
Uma espiritualidade de rede social – como desejo de autoafirmação, seguindo formas de autoajuda.
Uma espiritualidade engajada – preocupada com as grandes ameaças globais.
Uma espiritualidade alienada – que busca experiências de transes.
Uma espiritualidade politizada – que visa implantar o Reino de Deus na Terra.
Uma espiritualidade humanizadora – que procura atender as necessidades da pessoa humana de forma integral.

De todas essas formas, sou mais simpático e busco desenvolver uma espiritualidade que me leve mais próximo do propósito de Deus, de tal modo que o que mais importa são as atitudes que assumimos diante dos conflitos da vida.

domingo, 24 de agosto de 2014

Encorajamento / Encouragement / Ánimo

Espere no Senhor. Seja forte! Coragem! Espere no Senhor.” Salmos 27.14
O maior milagre operado por Deus na vida humana é o encorajamento. Somos criaturas marcadas pela fragilidade, incompletude, ambiguidade e até pelo temor e a dúvida. São condições que nos constituem como pessoas. Em meio às nossas limitações, Deus sempre se revela como aquele que nos dá força e coragem para seguir adiante.
Há orações que não fazem o menor sentido, principalmente diante do fato de que Deus sabe o que necessitamos antes mesmo de pedir. Há orações desnecessárias diante do fato de que Deus já revelou sua vontade em relação a vários fenômenos da vida. E há orações ineficazes porque pedimos coisas que satisfazem apenas os nossos interesses, distantes dos propósitos de Deus. Mas também há orações imprescindíveis.
Diante da angústia e da dor, a única oração possível é aquela que ecoa o grito desesperado de “até quando”. É o clamor de quem eleva os seus olhos para os montes e, por não ver saída, indaga: “de onde me virá o socorro?” Algumas outras expressões podem até acontecer, do tipo: “por que você me abandonou?”, “Se possível, passa de mim esse cálice”. Mas logo se aquieta e espera que Deus intervenha com o seu “basta”.

A única oração que faz sentido, necessária e eficaz é aquela que clama por força e coragem. Deus é especialista em nos capacitar com isso a fim de que possamos seguir adiante. Só aqueles que são encorajados por Ele poderão experimentar o que é ter vitória.

sábado, 16 de agosto de 2014

Utopia e Não-Lugar: pensar a esperança em meio à solidão / Utopia and Non-Places / Utopia y No-Lugar

Todavia, de acordo com a sua promessa, esperamos novos céus e nova terra, onde habita a justiça.” 2 Pedro 3.13
A utopia é uma forma de pensar as mudanças que desejamos a partir da compreensão da nossa realidade. O termo foi inventado pelo filósofo renascentista Thomas More para se referir a uma cidade ideal, perfeita, onde as pessoas vivem num ambiente de completa justiça.
Analisada etimologicamente, a palavra utopia corresponde literalmente a “não-lugar”. Não é um lugar que não existe, mas o lugar imaginado em que habita o desejo de uma sociedade mais justa e um mundo melhor. O propósito da utopia é fazer com que, em meio a uma situação difícil, sejamos capazes de pensar que uma vida melhor é possível.
Marc Augé, sociólogo contemporâneo, faz uso dessa ideia de não-lugar para se referir aos espaços urbanos em que nos movimentamos em meio a uma multiplicidade de interações, mas que na verdade revelam o quanto estamos sós. Nesses não-lugares, somos cercados por um universo de imagens e de sons que nos dizem como devemos agir de forma passiva, sem muita reflexão.
Imagine uma pessoa que sai de manhã de casa, se dirige ao ponto de ônibus, embarca no mesmo, se assenta e coloca o fone de ouvido ligado ao seu celular que toca a sua música preferida. Em todo percurso, passou por pessoas que, como você, se movimentam pelo mesmo espaço sem revelar sua identidade e sem qualquer relação.
Esses não-lugares, que são criados por uma sociedade globalizada, pós-moderna e consumista, nos induzem à individualidade e a uma consensualidade em relação a determinados padrões de comportamento que interferem na maneira como percebemos a realidade. Nesses não-lugares é que circulamos, nos comunicamos com o mundo e consumimos. Eles são, portanto, sem identidade histórica, resultam da perda de relação afetiva entre as pessoas e são marcados pela solidão.
A utopia se difere dessa concepção do não-lugar visto que é um chamado a imaginar uma vida melhor. O utópico é o lugar imaginado, sonhado e que aponta para uma esperança. Não é fantasioso, pois nasce da percepção do contexto vivido. É na medida em que nos apercebemos da realidade que podemos imaginar e construir um espaço em que esteja garantida a vida plena das pessoas, relações mais justas entre elas e a proteção dos mais vulneráveis.
Pessoas que esperam novos céus e nova terra vivem um desejo utópico de superação de toda injustiça, o que só é possível mediante a fé.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Ao meu redor / God is always around me / Dios siempre está a mi alrededor

O anjo do Senhor é sentinela ao redor daqueles que o temem, e os livra.” Salmos 34.7
Um hino tradicional da fé evangélica diz: “Ao meu redor Deus sempre está ao meu redor, ao meu redor, para me guiar”. Saber que Deus está por perto nas horas mais difíceis é uma afirmação de fé que serve como consolo.
O hino tem três estrofes bem simples que correspondem a momentos importantes de reflexão para quando as lutas vêm. Diante da angústia e da dor, não há coisa mais importante a fazer do que refletir sobre onde está Deus naquele situação: ele está sempre ao nosso redor.
A primeira reflexão trata da experiência de amor. Pessoas que nunca experimentaram ou desconhecem o amor de Deus desenvolvem a percepção de que estão só. A solidão é resultado da falta de experiência de amor. E é porque Deus nos ama que podemos ter a certeza de que ele está sempre por perto.
A segunda reflexão trata das experiências de perda e de abandono. Qualquer um de nós pode passar por isso. A vida é marcada por essa contínua ameaça. Somente a relação com Deus não se altera, pois ele é fiel em estar ao nosso lado, mesmo nessas horas.
A terceira reflexão fala do inefável, do indizível, do inexplicável que é a sensação que a presença de Deus proporciona nos nossos momentos mais difíceis. Saber que ele está ao redor encoraja e dá força para seguir adiante e até para tomar as decisões necessárias.
O resultado desses momentos de reflexão leva à conclusão inevitável de que, aconteça o que for, Deus está ao redor. Ele está sempre perto não para evitar problemas, mas para nos guiar.
Deus está ao nosso redor. Sempre. Ele nos dá a garantia de que não estamos sós nos momento de turbulência da vida.

Ouça a canção na voz do grupo Vencedores por Cristo, em 1968.

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Compromisso, missão e serviço / Commitment, mission and service / El compromiso, la misión y el servicio

Uma das marcas de nosso tempo é a ausência de compromisso. Isso não quer dizer que as pessoas não têm comprometimento algum. A grande maioria está mais interessada com aquelas situações que satisfazem um sentimento individualista repleta de narcisismo. Vivemos em meio ao complexo de Carolina, aquela da música de Chico Buarque de Hollanda, para quem o tempo passou na janela e só Carolina não viu.
Pessoas sem compromisso desconhecem seu potencial e as possibilidades de transformações da realidade a partir de sua própria ação. Desconhecem também o fato de que não vivemos sozinhos. Precisamos uns dos outros para realizar nossos sonhos e desejos. A ideia de compromisso lembra um acordo em que o outro está implicado como parceiro.
O primeiro paço para uma grande mudança é estar comprometido com aquilo que queremos nos tornar. Isso implica mudar a mentalidade, fazer ajustes, estabelecer metas e redefinir estratégias, o que pode provocar um deslocamento de nossa zona de conforto. Essa talvez seja a maior dificuldade de se assumir compromissos que gerem mudança. Queremos melhorias, mas estamos pouco preocupados em fazer as mudanças daquilo que nos dá segurança e comodidade.
Jesus foi um grande exemplo de uma pessoa comprometida. A maior razão para que ele realizasse o seu ministério humano com tantos resultados extraordinários e para que influenciasse tanto a humanidade não estava em sua natureza divina ou poder sobrenatural. Jesus estava comprometido com uma missão, e ela consistia na realização histórica do Reino de Deus.
A maneira como Jesus se comprometeu com sua missão pode ser melhor compreendida pela menção profética de Isaías: Eis o meu servo, a quem sustento, o meu escolhido, em quem tenho prazer. Porei nele o meu Espírito, e ele trará justiça às nações. Não gritará nem clamará, nem erguerá a voz nas ruas. Não quebrará o caniço rachado, e não apagará o pavio fumegante. Com fidelidade fará justiça; não mostrará fraqueza nem se deixará ferir, até que estabeleça a justiça sobre a terra. Em sua lei as ilhas porão sua esperança.” Isaías 42.1-4.
A maneira como Jesus viveu e serviu é um convite para colocar a vida a serviço da mesma causa. Jesus serviu de forma integral como consequência de sua mensagem a respeito do Reino de Deus. Em última análise, isso significa experimentar a salvação que vem de Deus. A vida de serviço cristão tem seu fundamento e justificativa na própria vida de serviço de Jesus de Nazaré. Ele mesmo disse que envia seus discípulos da mesma forma com que foi enviado.
A missão do discípulo, daquele que segue a Cristo, consiste em levar às últimas consequências o testemunho do evangelho. Pessoas comprometidas com a causa do evangelho formam a comunidade daqueles que cumprem missão no mundo, que é o verdadeiro sentido de ser igreja. Resumir a missão a um conjunto de práticas, ainda que seja a pregação ou a assistência aos necessitados, é reduzir o sentido da missão. A igreja que serve de forma integral não é um refúgio, mas um lugar de acolhida que nos capacita para seguir caminho.

Ninguém faz ideia do que gente comprometida é capaz. Pessoas com compromisso de estarem juntas para cumprir missão é o que dá sentido e forma à caminhada cristã no mundo. Não há razão de uma igreja existir apenas como mais uma forma de fazer religião, a não ser que seus participantes estejam comprometidos em fazer a diferença para o contexto em que estão inseridos.
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