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domingo, 14 de setembro de 2014

Acolhida / Accepting / Acogiendo

“Portanto, eu lhe digo, os muitos pecados dela lhe foram perdoados, pelo que ela amou muito. Mas aquele a quem pouco foi perdoado, pouco ama.” Lucas 7.47
Onde foi parar aquele Jesus que aceita o perfume de uma prostituta? Essa pergunta nos incomoda porque expõe a quantidade de preconceitos e moralismos que fazem parte de nossa compreensão evangélica. Sim, somos herdeiros de uma tradição preconceituosa e moralista que culpabiliza o outro a partir de valores que escolhemos para nossa conduta.
Não resta a menor dúvida de que esses valores são nobres, bíblicos e até necessários para uma vida mais digna. Porém, o problema está em esperar que aqueles que não professam a mesma fé e que são diferentes em termos de formação desenvolvam as mesmas atitudes que acreditamos.
Na ocasião em que aceitou o perfume de uma prostituta, Jesus estava na casa de um religioso, cumpria as formalidades da vida social. Tudo parecia normal até que a mulher pecadora foi ao encontro de Jesus, por trás, e chorou aos seus pés. Suas lágrimas eram tantas que precisou enxugá-las com seus cabelos. Depois, beijou e ungiu os pés de Jesus com um perfume caríssimo.
Incompreensível atitude até para um sábio fariseu. Jesus precisou contar uma história de pessoas que devem muito. Afinal, só sabe o que é perdão quem tem uma dívida muito alta. Só sabe o que é ser bem recebido quem já foi muito rejeitado. Só sabe dar valor a uma pequena conquista quem muito perdeu.
É dessa maneira que Jesus nos acolhe. E é só compreendendo quem fomos que podemos valorizar o quanto ele nos ama.

domingo, 7 de setembro de 2014

“Vem e vê”: o custo do discipulado / “Come and see”: The cost of discipleship / “Venid y ved”: El costo del discipulado

“[...] Venham e verão [...]” João 1.39
André foi o primeiro discípulo a quem Jesus chamou, por isso é conhecido pela tradição cristã como “protocletos”. Era um homem cheio de vontade de ter uma vida mais próxima de Deus. Foi um dos discípulos de João Batista, juntamente com João, aquele mesmo que se tornaria um dos evangelistas.
A maneira como encontrou-se com Jesus pela primeira vez despertou seu interesse pelo Salvador. O convite de Jesus foi simples: “Vem e vê”. André assumiu o custo do discipulado de forma integral. Sua primeira atitude foi encontrar seu irmão Pedro para dizer que havia encontrado o Messias e para conduzi-lo até Jesus.
André tornou-se um grande evangelista e líder da igreja cristã. Sua ação missionária se estendeu à região que compreende hoje a Romênia e a Rússia. Sua visão missionária o conduziu a estabelecer a sede de sua missão em Bizâncio, que depois viria a ser a sede do império romano com o nome de Constantinopla, atual Istambul.
Ele assumiu o testemunho de Jesus Cristo até as últimas consequências. Morreu atado a uma cruz, martirizado, na cidade de Patras, região grega de Acaia. Seu nome é ainda lembrado como patrono na Escócia, na Ucrânia, na Romênia, na Sicília e em Istambul. Sua vida fala até hoje.

Até que ponto estamos dispostos a assumir o custo de seguir a Cristo? As consequências dessa decisão são imprevisíveis. De uma coisa podemos ter certeza: uma vida que se dispõe a assumir o custo do discipulado de forma radical faz a diferença e é disso que o mundo precisa.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

O modelo de discipulado de Jesus / The Jesus model of discipleship / El modelo de discipulado de Jesús

A maneira como Jesus investiu na formação de seu movimento não tem a ver com um projeto de poder, mas com o discipulado. O maior equívoco do cristianismo foi o de tentar criar um reino de justiça e fé em meio a uma sociedade corrompida e perversa, sem a ação transformadora do evangelho na vida das pessoas. Tentar colocar ordem num mundo caótico, por entender que está distante dos propósitos de Deus, não corresponde à missão dada por Jesus. Ele não comissionou pessoas a defenderem uma ideologia de poder, mas para serem testemunhas da graça divina, que nos acolhe e nos transforma em novas criaturas. Isso não se limita à formação de uma nova estrutura política e social, mas à restauração da humanidade em nós.
Para isso, Jesus se ocupou com duas áreas de atuação: como tornar-se um discípulo e como fazer discípulos. O modelo de Jesus para o discipulado é, portanto, relacional e intencional. Isso envolve quatro aspectos:
a) Em primeiro lugar, somos desafiados para uma nova vida, a viver uma nova realidade. Por isso somos transformados em nosso caráter, em nosso modo de pensar e na maneira como vemos o mundo. Isso demanda uma intencionalidade no discipulado.
b) Em segundo lugar, Jesus nos encoraja a uma vida de intimidade com Deus e para sermos mais sensíveis à sua vontade. Sua presença entre nós nos restaura e nos cura. Isso nos estimula a uma celebração apaixonada e apaixonante.
c) Em terceiro lugar, ele também nos convoca para a vida em comunidade, o que demonstra o quanto somos amados e valorizados. Isso desperta uma atitude mais acolhedora.
d) E, em quarto lugar, ele ainda nos capacita para testemunhar e a servir. Temos a missão de sinalizar o Reino de Deus no mundo. Isso nos leva a uma ação em favor das pessoas mais vulneráveis.
Por que Jesus se preocupou com isso? Primeiramente, por reconhecer que a única forma que temos para alcançar o mundo todo é através do relacionamento interpessoal. Cristãos não se reproduzem automaticamente, o que corresponde ao fato de que todos nós precisamos ser ajudados para chegar à maturidade. Nesse sentido, o discipulado é a melhor ferramenta para a formação de lideranças e de pessoas que são capazes de influenciar outras. Como uma relação intencional entre pessoas, o discipulado tem um baixo custo de implantação, pois se baseia unicamente no relacionamento.
Os primeiros discípulos compreenderam esse modelo de forma muito clara e o aplicaram no começo de sua caminhada como igreja no mundo. Logo de início, os primeiros discípulos foram reconhecidos como pessoas que estiveram com Jesus por causa de sua atitude: Vendo a coragem de Pedro e de João, e percebendo que eram homens comuns e sem instrução, ficaram admirados e reconheceram que eles haviam estado com Jesus. Atos 4.13.
O resultado da aplicação desse modelo no seguimento de Jesus contribuiu decisivamente para o aumento do número de cristãos desde o início. Esse é o modo como o livro de Atos relata: “E divulgava-se a palavra de Deus, de sorte que se multiplicava muito o número dos discípulos [...]” Atos 6.7 (ARA).
Ser e fazer discípulos é o modelo de Jesus. Isso vale para nossos dias para quem segue seus ensinos. E esse é o fator preponderante para a multiplicação do número daqueles que são alcançados pela graça e têm suas vidas transformadas.

domingo, 31 de agosto de 2014

Espiritualidade contemporânea / Contemporary spirituality / Espiritualidad Contemporánea

“Por isso digo: vivam pelo Espírito, e de modo nenhum satisfarão os desejos da carne.” Gálatas 5.16
Espiritualidade é vida no Espírito. Isso implica orientar a vida toda na direção do Espírito de Deus. É muito mais uma condição humana, que envolve toda a nossa humanidade. Veja alguns modos que a espiritualidade tem tomado forma na contemporaneidade:
Há uma espiritualidade ascética – que busca, através de exercícios espirituais, dobrar o corpo para disciplinar o espírito.
Uma espiritualidade de mercado – que transforma a fé num produto de consumo.
Uma espiritualidade ao portador – com baixo comprometimento social e alto individualismo.
Uma espiritualidade de adesão radical – sob a forma de fundamentalismo.
Uma espiritualidade de rede social – como desejo de autoafirmação, seguindo formas de autoajuda.
Uma espiritualidade engajada – preocupada com as grandes ameaças globais.
Uma espiritualidade alienada – que busca experiências de transes.
Uma espiritualidade politizada – que visa implantar o Reino de Deus na Terra.
Uma espiritualidade humanizadora – que procura atender as necessidades da pessoa humana de forma integral.

De todas essas formas, sou mais simpático e busco desenvolver uma espiritualidade que me leve mais próximo do propósito de Deus, de tal modo que o que mais importa são as atitudes que assumimos diante dos conflitos da vida.

domingo, 24 de agosto de 2014

Encorajamento / Encouragement / Ánimo

Espere no Senhor. Seja forte! Coragem! Espere no Senhor.” Salmos 27.14
O maior milagre operado por Deus na vida humana é o encorajamento. Somos criaturas marcadas pela fragilidade, incompletude, ambiguidade e até pelo temor e a dúvida. São condições que nos constituem como pessoas. Em meio às nossas limitações, Deus sempre se revela como aquele que nos dá força e coragem para seguir adiante.
Há orações que não fazem o menor sentido, principalmente diante do fato de que Deus sabe o que necessitamos antes mesmo de pedir. Há orações desnecessárias diante do fato de que Deus já revelou sua vontade em relação a vários fenômenos da vida. E há orações ineficazes porque pedimos coisas que satisfazem apenas os nossos interesses, distantes dos propósitos de Deus. Mas também há orações imprescindíveis.
Diante da angústia e da dor, a única oração possível é aquela que ecoa o grito desesperado de “até quando”. É o clamor de quem eleva os seus olhos para os montes e, por não ver saída, indaga: “de onde me virá o socorro?” Algumas outras expressões podem até acontecer, do tipo: “por que você me abandonou?”, “Se possível, passa de mim esse cálice”. Mas logo se aquieta e espera que Deus intervenha com o seu “basta”.

A única oração que faz sentido, necessária e eficaz é aquela que clama por força e coragem. Deus é especialista em nos capacitar com isso a fim de que possamos seguir adiante. Só aqueles que são encorajados por Ele poderão experimentar o que é ter vitória.
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