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quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Ação de Graças e cultura de gratidão / Thanksgiving and gratitude culture / Acción de Gracias y la cultura de gratitud

Deem graças em todas as circunstâncias [...].” 1 Tessalonicenses 5.18
A última quinta-feira de novembro é lembrada em todas as comunidades protestantes do mundo como o Dia de Ação de Graças. Nos Estados Unidos e no Canadá, é feriado nacional. Trata-se de um dia que deve ser de gratidão, com expressões celebrativas de louvor a Deus pelas oportunidades que se teve durante o ano.
Não é uma data que faça parte de nossa cultura brasileira. Para os povos do hemisfério norte, corresponde a uma época do outono e ao fim do período de colheita, preparando-se para os rigorosos dias de inverno com neve. Aqui, estamos em plena primavera, já sentindo os sinais do verão intenso que está por vir. Lá, agradecem a Deus pela safra; aqui, deveríamos agradecer pela vida simplesmente.
A data foi instituída pela primeira vez nos Estados Unidos para ajudar o comércio no período de recuperação da Grande Depressão. O então presidente Roosevelt queria que houvesse uma motivação a mais para que o povo antecipasse as compras do Natal e aumentasse o período de propagandas que estimulavam o consumo.
No Brasil, a ideia de um Dia de Ação de Graças foi trazida pelo republicano Joaquim Nabuco, depois de assistir a uma empolgada celebração em Nova Iorque. Morreu sem ver o seu projeto realizado, pois foi o presidente Gaspar Dutra que acabou instituindo a comemoração (sem feriado) anos mais tarde.
Seja uma data que atenda interesses consumistas ou não, é importante enfatizar dois aspectos: primeiro, o Dia de Ação de Graças é um legado da fé protestante; segundo, agradecer a Deus é sempre oportuno e necessário.

Celebrar ao menos um dia de gratidão no ano é um exercício de aprendizado. Se você não consegue fazer isso ao menos uma vez, dificilmente estará em condições de desenvolver um coração agradecido, que é uma parte da proposta de espiritualidade bíblica para aqueles que se dispõem a viver segundo a vontade de Deus.

domingo, 23 de novembro de 2014

Transformado: Como a fé pode transformar a sua vida / Transformed: How faith can transform your life / Transformado: Cómo la fe puede transformar tu vida

A única maneira de realmente mudar a sua vida é mudar a maneira como você pensa. Você não pode esperar grandes mudanças querendo permanecer do mesmo jeito. Todos nós precisamos experimentar uma mudança na maneira de compreender e lidar com algumas áreas de nossa vida pessoal: nossas finanças, nossas emoções, nossos relacionamentos, nosso futuro e até a nossa carreira profissional.
Quando permitimos que a nossa maneira de pensar mude, isso também altera a nossa maneira de viver. Para isso, todos nós precisos estabelecer metas e princípios que orientem a nossa vida de maneira bem-sucedida. E a melhor maneira de fazer isso é através da fé. Estabelecer desafios para si mesmo envolve uma responsabilidade de empregar todas as suas capacidades, habilidades e energia para alcançá-los. E estes desafios serão cada vez mais relevantes se forem claros, mensuráveis e realistas. Ou seja: tenham a ver com a sua realidade como pessoa e todas as suas relações. Você é uma pessoa criada à imagem e semelhança de Deus para viver de acordo com seus propósitos. Enquanto isso não acontecer, sempre nos compreenderemos como uma condição incompleta.
Ao estabelecer seus desafios, leve em consideração o que pode honrar a Deus em sua vida. Pense em pequenos e grandes desafios. Pensar grandes coisas nos conduz a grandes realizações. Porém, você jamais conseguirá grandes realizações se não valorizar e se ocupar das pequenas coisas. A Bíblia está repleta de exemplos de pessoas simples que tiveram experiências significativas de transformação por meio da fé.
Nós temos a palavra final quando o assunto é mudar a nossa maneira de pensar. E quando mudamos a mente, mudamos o modo de vida. Isso quer dizer que, se você orientar o seu modo de pensar para o que Jesus ensinou, você construirá uma vida mais próxima da vontade dele. Portanto, aprenda mais sobre hábitos, conceitos e características que Jesus ensinou que permitem uma mudança de atitude e que proporcione maior realização pessoal.
O grande desafio da vida não é desenvolver determinados conhecimentos ou dominar um conjunto de doutrinas, mas ser uma nova pessoa. Isso significa orientar a vida por valores diferentes do que tem dominado a lógica secularizada do mundo contemporâneo. Ser diferente não é o mesmo que ser um estranho, mas desenvolver um sentido de humanidade que leve em conta os propósitos de Deus para a vida humana.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Só uma coisa é necessária / But one thing is needful / Empero una cosa es necesaria

“Todavia apenas uma é necessária” Lucas 10.42
Quantas vezes você já tentou acertar na vida? Quantas coisas você precisa fazer para poder melhorar? Qual é a melhor escolha? O que é fazer a coisa certa? Responder a essas perguntas pode dar a ideia de que a vida é como uma loteria, em que há muitas alternativas, mas só uma é correta.
Esse é um grande engano. A vida não é como um jogo de azar, embora implique fazer muitas escolhas. O grande problema de se encarar a vida assim é que a humanidade fez dela um amontoado de fragmentos, de tal modo que, enquanto a tratamos de forma fragmentada, ela sempre será uma vida falsa e fracassada.
O encontro de Marta e Maria com Jesus é um retrato disso. Marta entendeu que era preciso agradar a Jesus de muitas formas. Ficou atarefada e ocupada demais com os serviços da casa. Maria, porém, sabia que aquela era uma oportunidade única de estar face a face com Jesus. Sentou-se calmamente ao seu lado e ouvia seus ensinos.
Quantas vezes você já esteve tão absorvido com suas ocupações achando que isso é o melhor? Muitos até adotam uma experiência de religiosidade que comporta uma agenda lotada, cheia de coisas para fazer. Entretanto, a Bíblia nos mostra que nada disso é necessário.
Uma espiritualidade que abarrota nossa agenda de eventos e tarefas não corresponde a uma espiritualidade comprometida e responsável. Muitas vezes, esse tipo de religiosidade se confunde com uma fuga do mundo, com uma tentativa de ludibriar nosso sentimento ferido por causa de nossas próprias desilusões.
O evangelho nos chama a uma espiritualidade de encontro em que o que está em questão é a nossa vida inteira, com todas as suas implicações e todas as relações. Foi por isso que Jesus disse que Maria havia escolhido a melhor parte. Em vez de se encher de atividades para agradar a Jesus, ela optou por investir um pouco do seu tempo numa oportunidade rara de encontro.
O chamado de Jesus para a espiritualidade do encontro continua viva ainda hoje. Ele nos chama para isso e nos alcança no lugar e nas circunstâncias em que vivemos.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Eleições e Realidade Brasileira / Elections and Brazilian Reality / Elecciones y Realidad Brasileña

O resultado das eleições 2014 requer uma leitura mais madura de nossa realidade como nação. A vitória do governo atual, com a reeleição da presidente Dilma Rousseff, não é resultado de uma boa atuação, mas de um movimento silencioso que vem acontecendo no país há algum tempo, que é a manifestação de insatisfação e o desejo de mudança que acontece a partir das periferias.
Esse é um sinal de que o cenário político ganhou novos contornos e quem não souber compreender isso adequadamente poderá ser levado por interpretações equivocadas. Isso se deu a partir do esquema de manipulação levado a efeito através da grande imprensa e das redes sociais. O quadro apresentado era de uma situação pré-golpe tal como nos acontecimentos anteriores ao golpe de 1964. Lembrava os discursos do direitista e golpista Carlos Lacerda que dizia de Getúlio Vargas: "Não pode ser candidato. Se for, não pode ser eleito. Se eleito, não pode tomar posse. Se tomar posse, não pode governar."
O que as urnas desta vez apontaram é que as forças conservadoras de direita, que sempre estiveram à frente da República e que hoje se encontram na oposição, precisam rever seu projeto de Brasil e as estratégias políticas para as próximas eleições. Mas apontam também para o fato de que o governo atual precisa ser mais ágil nas políticas sociais e combater com mais vigor a corrupção de seu próprio partido.
O voto no governo atual foi, ao mesmo tempo, um voto crítico, que tanto aprova seu programa social quanto rejeita sua prática partidária, mas também um veto à oposição, em que tanto se rejeita sua tática golpista e desleal quanto pede que seja mais coerente.
O resultado das urnas é uma prova de que a democracia brasileira vai se fortalecendo lentamente, encontrado finalmente seu caminho. Mas ainda há uma necessidade urgente de reforma política, em que se pensa a possibilidade de uso do voto distrital, em que se conquiste definitivamente o fim das coligações e se repense o financiamento de campanha, principalmente com o fim do financiamento de empresas.
A vitória do governo não se deu só no norte e nordeste, mas em todo o Brasil onde a desigualdade e a injustiça campeiam. Foi um grito dos excluídos e daqueles que lutam em sua causa. Enquanto houver pobreza e desigualdade neste país não dá para se pensar em outra mudança possível. O governo atual já conseguiu tirar o Brasil do mapa da fome, mas precisa tirar também do mapa das desigualdades, da má distribuição de renda, nos baixos indicadores de educação e saúde.
A força da grande imprensa conservadora mostrou-se mais uma vez intensa, mas não foi suficiente para conter o poder das mídias alternativas. A população tem uma atitude mais crítica e um acesso maior às informações que não permite mais que denúncias de última hora interfiram tanto no resultado das eleições.

De fato, o Brasil de hoje é melhor do que o de há 12 anos, mas muito distante do ideal. Há ainda uma enorme dívida social histórica para com os menos favorecidos, com aqueles que precisam de oportunidades para construírem um futuro melhor. O grande desafio agora do governo é combater a corrupção, fazer o país crescer mais, controlar a inflação a níveis inferiores ao atual e aproximar as pessoas a um projeto de nação.

sábado, 25 de outubro de 2014

Combate à corrupção / Combat against corruption / Lucha contra la corrupción

Quando o assunto é corrupção, só entra em questão a corrupção alheia. Ficam de fora as tentativas próprias de levar proveito em cada situação. Porém, é preciso ter em mente que a corrupção é um fenômeno que precisa ser encarado em toda a sua complexidade. A corrupção não é um fenômeno cultural, embora esteja enraizada em todas as culturas. Não é também uma peculiaridade da vida pública, que afeta os políticos em especial. Ela está presente de diversas formas em nosso cotidiano e afeta todas as nossas relações. Ele é um produto da maldade presente em nossas atitudes.
Por essa razão, um dos itens do Pacto Global da ONU, no ano 2000, propõe o combate à corrupção em todas as suas formas, incluindo o suborno e a extorsão. Trata-se de um conjunto de medidas endereçadas a autoridades e empresários que estão ligadas aos valores fundamentais no que concerne aos Direitos Humanos, às relações de trabalho, ao meio ambiente e, inclusive, ao combate à corrupção.
O combate à corrupção é uma luta constante que deve ser assumida por todos, principalmente pelo fato de que, na forma com que se caracteriza dentro do sistema capitalista, ela começa exatamente nas manobras e nos interesses ligados a quem controla os meios de produção e o mercado. Enquanto não se tratar a corrupção levando em consideração o corrupto e o corruptor, não haverá meios de inibir tal prática. A corrupção não consiste somente em um agente público apresentar dificuldades para depois vender as facilidades, mas também no fato de que aquele que busca benefícios próprios está muito mais interessado em comprar facilidades do que cumprir as exigências que lhes são apresentadas.
Isso quer dizer que há um apelo mundial para que as empresas passem a compreender e a adotar a integridade como um princípio que orienta suas condutas. A corrupção não é um problema unicamente brasileiro, como alguns acreditam. Há, inclusive, no sistema jurídico brasileiro a concepção da corrupção como um crime. Os tipos de corrupção, conforme entendimento presente na legislação brasileira: suborno; pagamento de facilitação; pagamento de brindes; “caixa dois”; sonegação fiscal; lavagem de dinheiro; políticas de apoio e patrocínio.
O fenômeno da corrupção não envolve somente governos ou os políticos. Isso afeta a todos os cidadãos, as empresas e entidades públicas e privadas de um modo geral. O controle da corrupção é de interesse de toda a coletividade, pois isso interfere diretamente na formulação das políticas públicas e na solução dos graves problemas sociais. As práticas de corrupção podem até criar uma ideia aparente de vantagem, mas na verdade elas prejudicam a competição e o livre mercado ao estabelecer uma concorrência desleal e criar um clima de insegurança do mercado. A corrupção compromete a integridade do negócio e deturpa os valores éticos.
O combate à corrupção não é uma tarefa fácil. Não depende só de leis ou de ações governamentais. Por essa razão, a Controladoria-Geral da União elaborou em 2009 um manual, intitulado A Responsabilidade Social das empresas no combate à corrupção, com as diretrizes básicas para que essa iniciativa aconteça também nas empresas. O documento (na sua p. 16) define corrupção do seguinte modo:
“Um ato de corrupção pode ser definido como uma transação ou troca entre quem corrompe e quem se deixa corromper. Atos de corrupção correspondem, portanto, a uma promessa ou recompensa em troca de um comportamento que favorece os interesses do corruptor. É uma forma particular de influência do tipo ilícita, ilegal e ilegítima, que conduz ao desgaste do mais importante recurso do sistema político: sua legitimidade.”
Dentre as propostas para que a empresa desenvolva uma prática de combate à corrupção encontram-se: a adoção de um programa de integridade e combate à corrupção, a adoção de medidas de transparência e relacionamento com investidores e o gerenciamento da integridade. São atitudes de caráter preventivo que ajudam a corrigir os comportamentos no ambiente organizacional que violam a ética adotada.
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