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quarta-feira, 25 de março de 2009

Jesus e a transformação de indivíduos em pessoas / Jesus and the transformation of individuals in person / Jesús y la transformación de los individuos

É possível aplicar os ensinos de Jesus em um contexto tão ambíguo como tem se caracterizado o comportamento do mundo corporativo nesse estágio em que o capitalismo chegou? A resposta é positiva, embora deva ficar bem claro que o pensamento desenvolvido por Jesus Cristo está voltado para uma preocupação que está na contramão da mentalidade contemporânea.
Alguns livros têm surgido nessa área que servem de bons referenciais teóricos a fim de promover uma aproximação entre os princípios cristãos e uma práxis de mercado que leve em consideração muito mais a realização pessoal do que a conquista de lucro. É o caso de Mentoria Espiritual: O desafio de transformar indivíduos em pessoas, de James M. Houston (Ed. Mundo Cristão). Há também: Jesus Coach, de Laurie Beth Jones (Ed. Mundo Cristão), e Jesus CEO, da mesma autora (Ed. Ediouro), que procuram apresentar o estilo de Jesus em treinar os seus discípulos de tal forma que os transformou em líderes eficazes, em relação à missão para a qual foram designados.
A preocupação desses autores é de mostrar que o que orientou as atitudes de Jesus como um mentor espiritual foi a perspectiva de resgatar a condição humana e fazer com que indivíduos até então com vidas inexpressivas experimentassem uma transformação significativa. Para isso, Jesus se utilizou de três estratégias: o ensino voltado para as habilidades, a ação efetiva e responsável comprometida com o outro e os relacionamentos movidos pela compaixão.
Foi assim que ele treinou doze homens oriundos de experiências tão diversas e ao mesmo tempo tão comuns. A força com que os chamou fez com que aqueles seus colaboradores tivessem a vida modificada de repente, de modo que nunca mais foram os mesmos. Esse grupo não era formado por pessoas extraordinárias ou sobrenaturais. Eles eram humanos, demasiadamente humanos, passíveis de um questionamento, cheios de temores, mas que foram conduzidos a se tornarem líderes capazes de levar a cabo a missão que lhes fora entregue como se fosse a sua própria missão de vida.
Para entender esse aspecto, é preciso analisar o papel de Jesus Cristo destituído daquilo que a teologia lhe atribui. Uma compreensão de Cristo que não seja meramente histórica, mas que também não esteja vinculada a uma doutrina. Um Jesus que atue muito mais como um homem que tomou as decisões acertadas e que serviu de fonte de inspiração para outros, no sentido de que seu exemplo fosse imitado.
Um líder que esteja para além do Messias, pois foi isso que ele foi enquanto aqui viveu. Ele abriu mão de sua glória para que pudesse ser absolutamente homem, e que deve ser visto como tal em sua função de líder, professor e chefe. Foi isso que o fez motivar sua equipe e tornar efetiva a relação com seus colaboradores. Sua capacidade de gerenciar pessoas e situações de conflito, associada a uma mensagem confrontadora aos padrões da época, fez dele o maior exemplo de espiritualidade que já existiu.
Mesmo que não se aceite a pessoa de Jesus Cristo como o Filho de Deus, senhor e salvador de todos os que creem, não se pode discordar de que seus ensinos e seu exemplo constituem-se um forte argumento em favor de uma reavaliação sobre o modo como temos conduzido nossas ações e para apontar caminhos para a reconstrução de uma vida que possa fazer sentido.

terça-feira, 24 de março de 2009

Exemplo de mentoria espiritual / Example of spiritual mentoring / Ejemplo de mentores espirituales

Um dos exemplos de mentoria espiritual que encontramos na Bíblia é Barnabé. Você já ouviu falar de alguma procissão em devoção a São Barnabé? Já leu algum livro, carta, bilhete ou quem sabe um “scrap” escrito por Barnabé? Conhece algum grande feito que ele realizou ou algum grande movimento que liderou? Eu também não. Apesar disso, ele é o maior exemplo de prática da mentoria espiritual que podemos encontrar na Bíblia depois de Jesus Cristo.
A história de Barnabé é relatada no livro de Atos dos apóstolos. Ele mesmo não era um apóstolo. Era um membro comum da comunidade de cristãos de Jerusalém. Sua vida é conhecida por causa das atitudes que tomou em meio a situações de tensão experimentadas pela igreja. Essas atitudes evidenciavam marcas inconfundíveis de seu caráter. Pelo menos algumas dessas situações podem ser alistadas como definidoras dos grandes valores que orientavam a sua vida.
O primeiro valor era a generosidade. Logo no começo, quando a igreja ainda dava os seus primeiros passos, os cristãos desenvolveram o hábito de fazer doações para ajuda mútua. E um dos exemplos expressivos, que mereceu o registro histórico foi o de Barnabé. “José, um levita de Chipre a quem os apóstolos deram o nome de Barnabé, que significa ‘encorajador’, vendeu um campo que possuía, trouxe o dinheiro e o colocou aos pés dos apóstolos”. Atos 4.36-37.
O segundo valor era investir em pessoas. Assim que o temível Saulo se converteu, a presença dele assustava a igreja e até incomodava. Mas Barnabé acreditou na conversão dele e “lhes contou como, no caminho, Saulo vira o Senhor, que lhe falara, e como em Damasco ele havia pregado corajosamente em nome de Jesus”. Atos 9.27. Depois, quando precisou de um companheiro, “Barnabé foi a Tarso procurar Saulo e, quando o encontrou, levou-o para Antioquia. Assim, durante um ano inteiro Barnabé e Saulo se reuniram com a igreja e ensinaram a muitos. Em Antioquia, os discípulos foram pela primeira vez chamados cristãos”. Atos 11.25-26. Se Paulo foi o que se tornou, agradeça a Barnabé.
O terceiro valor era o compartilhamento. Quando os irmãos em Antioquia começaram a se reunir, Barnabé foi até lá para ajudá-los: “Este, ali chegando e vendo a graça de Deus, ficou alegre e os animou a permanecerem fiéis ao Senhor, de todo o coração.” Atos 11.23. E quando a própria igreja de Antioquia quis enviar missionários, não teve dúvidas: “Enquanto adoravam o Senhor e jejuavam, disse o Espírito Santo: ‘Separem-me Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado’. Assim, depois de jejuar e orar, impuseram-lhes as mãos e os enviaram”. Atos 13.2-3.
O quarto valor era a cooperação. O ministério de Barnabé era: “fortalecendo os discípulos e encorajando-os a permanecer na fé, dizendo: ‘É necessário que passemos por muitas tribulações para entrarmos no Reino de Deus’.” Atos 14.22. E quando tinha que partir para outra cidade: “Paulo e Barnabé designaram-lhes presbíteros em cada igreja; tendo orado e jejuado, eles os encomendaram ao Senhor, em quem haviam confiado”. Atos 11.23.
Mas o irremediável Barnabé não parou quando Paulo resolveu seguir seu próprio rumo. Lá estava ele de novo apostando tudo na formação de João Marcos: “Tiveram um desentendimento tão sério que se separaram. Barnabé, levando consigo Marcos, navegou para Chipre.” Atos 15.39

segunda-feira, 23 de março de 2009

O que é mentoria espiritual? / What is spiritual coaching? / Que és tutoria espiritual?

Ao contrário do que possa parecer, a mentoria espiritual está mais para um exercício de vida simples e de amizade cristã, do que uma atividade profissional baseada em fórmulas que só servem para distanciar as pessoas umas das outras. A mentoria espiritual tem por princípio o relacionamento com o outro, mas de tal modo que se torna resultante de um primeiro e grande relacionamento que se dá entre o mentor e mentoreado com Deus como o grande Outro.
Somente a partir do estabelecimento de uma relação com Deus é que o indivíduo consegue superar os limites de uma existência autocentrada, egoísta e manipuladora. É isso que tornará possível uma aproximação do outro de forma amorosa e dentro dos princípios ensinados por Jesus Cristo.
Até mesmo no campo da mentoria profissional, um mentor, tutor ou coach não é um mero treinador. Seu trabalho não se resume em oferecer instrução particular, ensino e supervisão em uma determinada área de atividade. Há que se compartilhar também a vida.
Mentoria espiritual exige uma sensibilidade para entender o modo de Deus agir, uma atitude de respeito e de compaixão para com aqueles com quem convivemos a fim de desenvolvermos juntamente a habilidade de aprender com as situações mais comuns da vida. É como a reconstrução de uma casa após uma grande enchente. Não basta restaurar a aparência da casa. Tem que se limpar por dentro, reorganizar a vida, recompor os móveis. Para esse recomeço, a solidariedade, a generosidade e a gratidão são os valores mais importantes a serem cultivados.
Lembro-me do vizinho de meu cunhado. Ele tinha uma linda casa de madeira toda envernizada. Era a casa mais linda do bairro. Um dia, um incêndio consumiu toda a casa. O casal de proprietários perdeu tudo. Não deu tempo de salvar nada. Não tinham nem roupa mais para se vestir. Foi aí que funcionou a solidariedade. Hoje, uma outra casa está reconstruída no terreno. Mas o casal jamais será o mesmo.
No que diz respeito à mentoria espiritual, a casa somos nós mesmos, em nossa integridade. Isso tem a ver com a nossa identidade. As transformações culturais que acontecem na sociedade têm devastado o universo de nossos valores e também a maneira como compreendemos a nós mesmos. É preciso revirar os escombros e refazer as fundações para reconstruir uma vida tal como ela foi criada para ser. É disso que trata a mentoria espiritual.
Nessa condição, somos todos mentoreados e Jesus Cristo é o único e verdadeiro mentor capaz de nos ajudar a reconstruir uma vida que possa fazer sentido. A mentoria espiritual tem, então, um grande fundamento teórico: os ensinos deixados por Jesus Cristo, conforme está registrado na Bíblia. Só que esses estudos devem ser analisados à luz da história, da filosofia e da psicanálise para se chegar a uma compreensão mais adequada de quem somos.
É nesse sentido que Jesus Cristo pode ser considerado o mentor mais hábil e mais eficiente que já se conheceu. Durante seu ministério, ele aconselhou, exortou, motivou e orientou seus discípulos, de tal forma que transformou a vida de pessoas simples. O método que Jesus usou pode ser comparado ao que atualmente é conhecido como life coaching, cujos conceitos podem ser aplicados à atividade executiva tanto nas grandes corporações quanto em pequenas empresas.
O grande desafio da mentoria espiritual é, portanto, fazer de Jesus o grande coach da nossa vida pessoal e de aprofundar esse relacionamento no sentido de fazer com que a vida e os ensinos dele sejam reproduzidos em nós.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Quando a mentoria espiritual é necessária / When the spiritual mentoring is needed / Cuando la mentoria espiritual és necessaria

Em que medida a mentoria pode ser considerada como uma atividade espiritual? Na medida em que ela nos remete a uma compreensão de nós mesmos como humanos. E isso vale para o mentor e para o mentoreado. A mentoria como atividade humana surge da necessidade de encontrar sentido para as coisas que fazemos em um contexto de trabalho dominado pela mentalidade engendrada pelo capitalismo. Empresas, na maioria das vezes, adotam programas de mentoria e coach porque estão preocupadas em aumentar sua competitividade e fazer com que os membros da equipe aumentem a sua capacidade de produção.
Mas a mentoria vai além disso. E será tão eficaz quanto necessária na medida em que estiver vinculada a uma noção de espiritualidade. Quando uma empresa começar a se preocupar com a questão da espiritualidade aplicada ao mentoreamento, deve se preparar para uma reviravolta no mundo interior de seus colaboradores. O que vai passar a orientar a vida das pessoas que se interrelacionam são novos valores, novos princípios, novas conquistas que vão sendo consolidadas ao longo das descobertas que serão feitas.
Defendo uma espiritualidade que seja expressão humana, uma atitude em face dos conflitos constitutivos de nossa condição humana. Atitude essa que tem a ver com a nossa necessidade de sermos felizes e de encontrar sentido para a nossa vida. Para esse modo de compreender, tenho como pressuposto o fato de que essa espiritualidade se dá a partir de um relacionamento pessoal com Jesus Cristo e pela formação de seu caráter em nós.
Não se justifica uma mentoria que seja espiritual que não tenha como princípio a formação do caráter de Cristo. De um lado, é preciso que o mentor ou coucher tenha um comprometimento pessoal de construir uma identidade que se aproxime da pessoa de Jesus, que assuma a sua forma, que se torne conforme a imagem de Cristo. De outro, que o objetivo seja o de fazer com que a pessoa mentoreada assuma o compromisso de também construir sua identidade conforme a mesma imagem de Cristo.
Assumir a forma de Cristo ou reproduzir o caráter de Cristo só se torna possível a partir da análise e vivência dos seus ensinamentos, que estão contidos na Bíblia. Considero que Jesus Cristo foi o maior mestre de espiritualidade que já viveu e que a Bíblia, onde estão registrados seus ensinos, o maior manual de orientação espiritual que já se produziu – tanto que tem influenciado centenas de gerações há mais de três mil anos, abrangendo três grandes religiões mundiais: o cristianismo, o islamismo e o judaísmo.
O que se faz necessário, portanto, é desenvolver um programa de mentoria que leve em consideração a espiritualidade como expressão humana e que, ao mesmo tempo, se preocupe com a construção de identidade à semelhança de Jesus Cristo conforme o que se depreende nas Escrituras. Isso não significa repetir os modelos que foram construídos ao longo da história do cristianismo, nem mesmo formatar as descobertas aos padrões de uma religiosidade. Há que se inovar na busca de novos caminhos para a interpretação e para a descoberta de formas de se aplicar os valores e princípios à vida.
Uma mentoria nesses termos é um grande desafio porque é inovadora. Implica mudanças de comportamento das pessoas a partir da constatação de sua necessidade. Por que sua empresa precisa de um programa de mentoria? Para aumentar sua competitividade e eficiência ou para fazer com que as pessoas sejam felizes e encontrem sentido para a sua vida? Se for o primeiro caso, mentoria não passa de uma estratégia para fazer com que seus colaboradores deem mais de si do que eles já estão dando, e isso soa para eles como exploração, em última análise. Mas se é o segundo caso, a mentoria espiritual é o caminho.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Mentoria, coaching e espiritualidade / Mentoring, coaching and spirituality / tutoría, entrenamiento y la espiritualidad

Você certamente já ouviu falar que liderar é executar as tarefas enquanto se constroem relacionamentos. Esta é a ideia defendida por escritores como James Hunter. Nos dias de hoje, você não consegue legitimidade da sua atuação como líder se não for através da construção do relacionamentos com seus companheiros de equipe. O que você descobre hoje é que os líderes bem sucedidos ajudam seus colaboradores a crescer e se adaptarem através de um programa de relacionamentos conhecido como mentoria. O nível de envolvimento do líder em desenvolver mentoria demonstra o quanto ele se preocupa com sua equipe e isso encoraja a todos os envolvidos para a mudança e para a inovação. Até mesmo os conflitos são mais bem trabalhados por valorizar os relacionamentos interpessoais e a comunicação.
A grande razão para a existência desse tipo de atividade é o fato de que não há formas de organização humana sem conflito. Não podemos ignorar o fato de que as nossas interações formam uma rede, um tecido social que influencia a conduta humana. As pessoas normalmente aprendem através das ações intencionais, das crises e também dos relacionamentos. As ações intencionais nos remetem ao saber fazer, o tipo de conhecimento que está em alta em nossos dias. As crises nos estimulam a uma reflexão sobre o melhor aproveitamento dos recursos e das oportunidades a fim de construir uma condição melhor. Mas é nos relacionamentos que identificamos nossos pontos fracos e fortes e podemos encontrar caminhos para a realização pessoal.
Como uma atividade voltada para o mundo corporativo, a mentoria tem assumido pelo menos duas formas distintas, mas muito próximas entre si. Quando a mentoria é praticada por um nível hierárquico superior, com a finalidade de orientar o subordinado e de fazer com que as intenções da liderança sejam transformadas em ação, tem sido chamada de coaching.
Quando a preocupação está voltada para a vida como um todo, não só para as questões ligadas à carreira e à organização, tem sido chamada de mentoring. Nesse nível de mentoria, o que prevalece é o valor da pessoa como ela é, sem a preocupação com superação ou com tomadas de decisões, mas com o real interesse de aprofundar relacionamentos, realçar valores humanos e aumentar o nível de comprometimento com as pessoas.
A mentoria é uma estratégia muito antiga. Para alguns, ela foi pela primeira vez registrada na literatura na obra de Homero. A Bíblia tem relatos de atividade de mentoria bastante curiosos. Os profetas bíblicos desenvolviam seus discípulos através de um relacionamento muito próximo. Foi o caso do profeta Elias com o seu auxiliar Eliseu, que por sua vez, quando se tornou profeta, teve como auxiliar o jovem Jeazi. Jesus teve doze discípulos que foram treinados para o apostolado, mas ele escolheu três – Pedro, Tiago e João – para serem os mais próximos.
A mentoria é baseada na vivência, no caminhar junto, no compartilhar a vida. Poucos mentores profissionais sabem que seu principal papel não é ter todas as respostas, mas construir juntos o caminho para uma relação amigável, justa, equilibrada. É claro que o maior beneficiado de um ambiente em que as pessoas se respeitam e reconhecem o seu valor é a própria organização. Por isso que mais de um terço das grandes empresas nos Estados Unidos desenvolvem programas de mentoria, segundo as pesquisas por entidades ligadas à área de recursos humanos.
Quando é a hora de se preocupar com isso? (a) Quando a situação de crise externa exige flexibilização das ações; (b) quando a competitividade aumenta; (c) quando os conflitos internos atrapalham os relacionamentos; (d) quando se torna necessária a busca de novas ideias.
Mas você não precisa esperar ficar doente para poder ir ao médico. Você pode adotar um estilo de vida saudável e periodicamente procurar o médico para os exames preventivos e de rotina. Esse é o papel da mentoria na vida da organização: promover um ambiente saudável para os relacionamentos, viabilizar a comunicação interpessoal de forma eficaz, prevenir as possibilidades de conflito e valorizar as pessoas pelo que de fato elas são. Quem precisa disso? Todos. Famílias, empresas, escolas, igrejas, organizações, sindicatos, partidos políticos, órgãos públicos. É preciso redescobrir um modo para humanizar as relações a fim de tornar a vida mais significativa. O grande desafio da mentoria é verdadeiramente transformar indivíduos em pessoas.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Organize as suas prioridades / Organize your priorities/ Organice sus prioridades

Imagine que você recebe a notícia de que tem poucos dias de vida. O que você faria para aproveitar ao máximo seus últimos momentos? O problema é que ninguém sabe quanto tempo mais nos resta. A Bíblia diz que a vida é como um sopro, que logo se vai. A principal razão, portanto, para que você organize a sua vida é para que você possa experimentar de forma intensa tudo aquilo que deus tem preparado para você neste tempo.
Era isso que Deus queria que Ezequias compreendesse. “... Ponha a casa em ordem...” (Isaías 38.1). Ele fora acometido de uma enfermidade e pouco tempo lhe restava para cuidar de coisas que eram realmente importantes para a vida. Embora tivesse sido um rei que empreendeu uma grande reforma na vida de Israel, Ezequias precisava cuidar de sua vida pessoal. Havia ainda algo que precisa ser colocado em ordem.
Diz a história bíblica que Deus acrescentou ainda mais 15 anos de vida a Ezequias. O que aconteceu nesse tempo? Ele continuou sendo um rei exemplar, mas cuidou pouco de sua vida pessoal. Durante os 15 anos que viveu após aquele encontro com Deus, Ezequias teve um filho, Manassés, que assumiu o poder em seu lugar ainda adolescente e veio a se tornar um dos piores reis que Israel já havia conhecido.
É importante saber que Deus tem acrescentado um tempo a cada um de nós. É importante fazer desse tempo um tempo de qualidade e aproveitar ao máximo as oportunidades. Para isso, você precisa se organizar.
E, afinal, o que significa se organizar? Donna Smallin, autora do livro Organize-se, explica: “Organizar-se é controlar a própria vida, escolher as prioridades, determinar o que é realmente importante e livrar-se do que é excessivo”. Ela tem cerca de 500 conselhos para que se coloque a vida em ordem.
Como organizar? Toda organização envolve pelo menos três ações. A primeira é planejar. Os especialistas são unânimes em afirmar que, para se organizar, é necessário planejamento. Com tantos estímulos disputando nossa atenção ao mesmo tempo, é muito fácil se dispersar e deixar o caos tomar conta de tudo. Mas, com planejamento, a gente poupa energia, direcionando-a apenas àquilo que é fundamental.
A segunda é estabelecer prioridades. Nessa hora, é importante que você saiba atribuir valor às coisas a serem realizadas. Existem coisas que são mais prioritárias que outras. Com uma visão geral do que é preciso fazer, você consegue estabelecer suas prioridades. Comece da tarefa mais importante até chegar a menos importante. Você vai se impressionar com a quantidade de coisas que é capaz de fazer em um só dia.
Periodicamente, coloque no papel seus objetivos de médio e longo prazo. Esses planos funcionam como uma carta de navegação, que vai ajudá-lo a manter o foco e a não gastar tempo e energia com o que não é fundamental. Com isso em mente, a cada dia você pode dar um passo a mais em direção à sua realização. Para isso você precisa desenvolver duas características pessoais: seja flexível e esteja preparado para fazer os ajustes que serão inevitáveis ao longo do percurso. Lembre-se que planos são apenas para nos auxiliar e não para nos deixar numa camisa de força. A Bíblia nos recomenda que o homem pode fazer planos, mas a direção certa vem do Senhor.
A terceira é a avaliar. Freqüentemente seus planos devem ser atualizados e, no caminho, muitos objetivos e prioridades acabam sendo descartados. Você avalia melhor quando compreende as circunstâncias e faz uma interpretação realista de cada momento vivido.
A grande pergunta então é: por que é preciso se organizar? Alguém já afirmou que uma forte razão para ter a vida organizada é porque ele gosta do ócio. Quanto mais ele se organiza, mais tempo lhe sobra para ficar em ociosidade. A principal razão para nos organizarmos é que todos nós precisamos de um pouco de ordem na vida. Isso é o que torna nossa existência viável. É isso que fará com que você aproveite bem as oportunidades que a vida lhe oferece.

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Organize a sua vida / Organize your life / Organice su vida

Organize sua vida. Isso também é espiritualidade. Você precisa pôr em ordem as coisas que você faz. Isso te ajuda a também pôr em ordem o seu mundo interior. É claro que há coisas que estarão sempre fora do seu controle. Mas há algumas coisas que são possíveis de serem controladas. Veja só.
Organize o seu trabalho. Você pode gerenciar o seu tempo, seus contatos, suas prioridades. Há muitas coisas que podem causar desordem nas suas relações de trabalho e que podem gerar falta de produtividade. Se você é uma pessoa perfeccionista, se tem dificuldade de dizer não ou mesmo se falta planejamento para as suas atividades diárias, por exemplo, você pode estar gastando muita energia com aquilo que não é necessário. Esteja consciente de que ninguém tem tempo para fazer tudo, mas as pessoas que se envolvem com grandes coisas são pessoas que souberam organizar a sua vida.
Organize a sua família. É nela que estão os seus relacionamentos mais afetuosos e permanentes. O individualismo e a ambição são causas de destruição do relacionamento familiar. Nossos familiares não precisam de bens que gerem conforto, mas precisam de afeto, de atenção, que proporcionam satisfação e equilíbrio.
Organize a sua casa. A nossa habitação é o lugar de ser o que somos no íntimo, é o lugar da fuga do cotidiano. É lá que estão nossos espaços íntimos, nossos livros, discos e filmes preferidos. É lá que gastamos tempo com amenidades, cuidamos de nossa saúde, fazemos a refeição mais saudável. Para isso, você precisa cuidar da limpeza, da funcionalidade, da harmonia. Isso significa ter as coisas nos devidos lugares para não perder tempo com atividades prolongadas. Mas tenha cuidado: o prazer de estar em casa não pode ser desperdiçado com tarefas de limpeza e de organização.
Organize suas finanças. A maneira como você aplica ou investe o seu dinheiro revela o seu caráter. O cuidado com a aparência pode produzir um tipo de pessoa que custa muito caro. Isso não quer dizer que você não tem que cuidar de sua aparência. O problema é que o ter se tornou uma imposição na sociedade de consumo. Você precisa encontrar um modo de equilibrar seus gastos de modo que você possa ter uma vida saudável no presente e investir no seu futuro.
Organize suas idéias. O conhecimento é o seu grande capital para viver nesse tempo. O principal modo de conhecimento hoje é o “saber fazer”, que é o conhecimento associado à experiência. É interesse observar que o desempenho e a eficiência hoje não são medidos pelos diplomas, mas pelas competências e habilidades. Mas não se iluda, a proliferação do conhecimento gera a ansiedade e a máxima especialização gera falta de conhecimento da complexidade que envolve a vida. Conhecer mais significa também estar antenado com o mundo da política, das artes, da literatura, do cinema, do teatro. Para isso, você precisa acompanhar o noticiário, encontrar pessoas também antenadas e partilhar seus conhecimentos.
Comece a dar os primeiros passos hoje. Faça uma coisa de cada vez de maneira consistente. Estabeleça metas. Respeite seus limites. A cada coisa que colocar em ordem em sua vida, você vai perceber que as circunstâncias melhoram e isso será um estímulo para continuar.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Existe organização certa? Are there right organization?

Tomando a idéia de Peter Drucker, não existe organização certa, mas uma estrutura organizacional pode ser adequada para uma determinada tarefa em determinadas condições e ocasiões. Podem existir vários tipos de estrutura organizacional, mas cada uma deve ser adequada à natureza da tarefa.
Uma mesma organização pode ter várias estruturas, algumas mais centralizadas, outras mais descentralizadas. O diferencial são as pessoas que participam dessa estrutura. Elas devem ser capazes de atuar em diferentes contextos, seja para trabalhar em equipe, seja para exercer liderança ou para se submeter a um comando ou a procedimentos de controle.
Por isso que se deve compreender que a estrutura organizacional não é uma questão absoluta, mas necessária. A melhor organização é aquela que tem uma estrutura adequada para cada tarefa. O que deve determinar o desempenho é a complexidade que envolve a tarefa e a capacidade de coordenar processos para a realização da missão da instituição.
Dessa forma, a melhor estrutura é aquela que se torna mais útil, mais flexível e mais leve. O objetivo de uma estrutura assim é manter viva a paixão das pessoas envolvidas na organização. Estruturas existem para serem mudadas. E o momento de mudar é quando elas interferem na motivação das pessoas envolvidas.
Sua organização pode ser a mais nobre, cuja missão você vê como extremamente sublime, mas se a sua estrutura não motiva as pessoas a se envolverem mais no processo, é hora de mexer na estrutura e não necessariamente nas pessoas.

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