sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Crise de confiança no mercado financeiro / Crisis of confidence in financial market / Crisis de confianza en los mercados financieros

A crise que se abateu no mercado financeiro é uma crise de confiança. A confiança que está em questão está relacionada com a idéia ilusória e ingênua que tem sido apresentada, a de que fora do capitalismo não há salvação. Estamos assistindo inertes à agonia de uma ideologia neoliberal que invadiu o mundo corporativo. Uma ideologia que valoriza a aquisição de bens em que ter é representativo de ser, só que em uma perspectiva irracional: adquirir fortuna é mais importante que produzir bens e serviços.
O capital assumiu plenamente seu valor virtual. O problema dessa concepção – e que por isso a torna irracional – é de que se privatiza o lucro ao extremo. Nesse esforço, a política do Estado menor só é interessante para o mercado da iniciativa privada. Este, por sua vez, tem vida própria e precisa de autonomia para progredir e atingir o seu fim principal: o lucro. Esse mercado infalível, autônomo, precisa produzir movimentos especulativos. São as “bolhas” que são insufladas e tendem a estourar e gerar as crises financeiras.
O outro lado desse problema conhecemos agora. Se o lucro foi privatizado, os prejuízos, por sua vez, serão certamente socializados. Nessa hora da fuga de capitais, busca-se o Estado como única salvação. E é nesse momento em que se vê o tamanho do poder político: o Estado, que até então foi incapaz de solucionar os gigantescos problemas sociais, dispõem de recursos, como os que hoje são oferecidos, que seriam capazes de erradicar a fome mundial ou tirar da ignorância uma geração inteira com o incentivo ao ensino.
Somados os valores que cada Banco Central está injetando no mercado, isso equivaleria ao PIB de algumas potências mundiais. Dinheiro que servirá apenas para sustentar a estrutura e funcionamento do mercado formado por acionistas ávidos por lucratividade, não os meios de produção. O custo tende a ser maior porque, como conseqüência da crise, vem a restrição do crédito, que acarreta diminuição do consumo e da produção, que provoca diminuição do emprego formal.
Essas são as contradições culturais do capitalismo. Esse é o tempo do fim de todas as nossas certezas. O fracasso do capitalismo pode ser medido pela desilusão que a crise provoca. O mercado não pode mais ser o árbitro das relações econômicas e sociais, o ideal de ter não pode mais ser regido pelo consumo, os valores humanos não podem mais ser restringidos pelo progresso tecnológico. Não pode haver confiança onde há ênfase no risco.
O preço dessa crise será pago pelos cidadãos comuns. Mais uma vez, a conta da especulação vai se refletir sobre a camada mais pobre. Por isso que o mercado financeiro precisa ser inteiramente revisto. Mais do que isso, o capitalismo precisa ser revisto. Um outro mundo possível precisa ser tentado, aquele mesmo da utopia, que seja economicamente justo e politicamente democrático. Só que hoje com uma utopia a mais: a de ser ecologicamente viável. A dificuldade do mercado financeiro em resgatar o critério principal de sua sustentabilidade – a confiança – é uma prova de sua irracionalidade. Só que essa confiança não voltará. Não do mesmo modo. Virá com perdas dificilmente reparáveis para a camada mais pobre, mas também com o fortalecimento de uma nova mentalidade política que possa oferecer maior segurança. É o que veremos.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

O que é generosidade / Generosity / Generosidad

A generosidade é também uma característica que encontramos na pessoa que exerce influência. Isso tem a ver com aquilo que João fala da "ostentação de bens" (1 João 2.16). A palavra vem do latim generosus que designa o homem ou animal que é de boa raça. Para Descartes, o generoso é antes de tudo aquele que é de raça nobre e, no sentido figurado ou moral, aquele que demonstra grandeza de alma. Assim ele afirmava: “Assim, creio que a verdadeira generosidade, que faz um homem estimar-se a si mesmo no mais alto grau em que pode legitimamente estimar-se, consiste somente, por uma parte, em que ele sabe que não há algo que realmente lhe pertença a não ser essa livre disposição das suas vontades, nem por que ele deva ser louvado ou censurado a não ser porque faz bom ou mau uso dela; e, por outra parte, em que ele sente em si mesmo uma firme e constante resolução de fazer bom uso dela, isto é, de nunca deixar de ter vontade para empreender e executar todas as coisas que julgar serem as melhores. Isso é seguir perfeitamente a virtude”.
A generosidade é um agir em função das exigências do amor, da ética e da solidariedade. O que nos ajuda a identificar se uma pessoa ama de verdade ou se tem compaixão é a sua generosidade. Por isso que a generosidade tem a ver com o caráter de Deus. Ele nos amou tanto e teve tanta compaixão que nos deu um presente maravilhoso. “Mas Deus demonstra seu amor por nós: Cristo morreu em nosso favor quando ainda éramos pecadores”. Romanos 5.8. A generosidade nos torna semelhantes a Deus. Você não pode dizer que é uma pessoa que ama ou que tem compaixão se não for generosa. Comte-Sponville afirma que “a generosidade é o contrário do egoísmo, como a magnanimidade o é da mesquinharia”. E ainda: “a generosidade nos eleva em direção aos outros, poderíamos dizer, e em direção a nós mesmos enquanto libertos de nosso pequeno eu”.
Como se tornar uma pessoa generosa? Comece por Compartilhar o que você tem com outras pessoas. A Bíblia nos ensina: “Cada um exerça o dom que recebeu para servir aos outros, administrando fielmente a graça de Deus em suas múltiplas formas”. 1 Pedro 4.10. Você tem mais a compartilhar do que imagina. Tudo o que temos é uma ”dádiva perfeita” e vem do nosso Pai celestial, que derrama sobre nós todas as bênçãos espirituais nas regiões celestiais porque pertencemos a Cristo.
Faça isso com generosidade porque Deus nos dá generosamente. Diz a Bíblia: “Cada um dê conforme determinou em seu coração, não com pesar ou por obrigação, pois Deus ama ao que dá com alegria”. 2 Coríntios 9.7. Talvez você não tenha muito dinheiro para doar, mas pode dar seu tempo e talentos. Isso representa grande parte da generosidade. Imagine quanta coisa você poderia fazer abençoando outros, se simplesmente fizesse uma faxina em seus armários e passasse adiante sua fartura – dar aos outros aquilo que você não usa.
Isso significa praticar a mordomia como um exercício de fé. Assim Jesus falou: “Dêem, e lhes será dado: uma boa medida, calcada, sacudida e transbordante será dada a vocês. Pois a medida que usarem também será usada para medir vocês”. Lucas 6.38. Quando não dividimos, impedimos a comunidade de crentes a experimentar a bênção completa de Deus, e estamos sendo maus mordomos de tudo o que Deus tem nos dado. Ser generosos uns com os outros intensifica a nossa fé e nos torna generosos com o mundo. Aprenda a viver generosamente. A Bíblia diz: “Há maior felicidade em dar do que em receber”. Atos 20.35b. Lembre-se que tudo pertence a Deus. Você precisa dar com um coração agradecido, nunca contribuir sob pressão. Aprenda a viver generosamente. Você vai ser enriquecido ao final.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Tenha paz / “And peace be unto all that thou hast” / Tenga paz

Como podemos ter paz? A Bíblia conta uma história muito curiosa a respeito da família de Nabal. Em um dos trechos da narrativa, ele recebe o seguinte recado: “E assim direis àquele próspero: Paz tenhas, e que a tua casa tenha paz, e tudo o que tens tenha paz!” (1 Samuel 25.6)
A descrição que a Bíblia faz da casa de Nabal dava conta de um contraste muito grande. Ele era um homem duro e maligno em suas obras, enquanto sua esposa era meiga e compreensível.
Nabal não vivia em paz consigo mesmo. Tinha um sentimento egoísta, falando sempre em primeira pessoa: “meu pão... minha água... minhas rezes... meus tosquiadores” (v. 11). Recebeu mal os visitantes que chegaram à sua casa. Os visitantes eram servos de Davi, o guerreiro que lutava pela integridade nacional e tinha sido ungido para ser o rei.
Abigail, sua mulher, por sua vez, queria a paz de seu lar. Quem dera se os soldados de Davi tivessem vindo a ela primeiro! A história teria sido outra. Mas, mesmo assim, ela correu ao encontro do futuro rei, pediu perdão como se tivesse assumido para si a loucura de seu marido (v. 25), reconheceu que a mão de Deus estava com Davi (v. 28) e consagrou ao serviço do Senhor os bens que trouxera (v. 18 e 19).
Davi queria abençoar aquela família com paz, mas a paz não estava no coração do seu cabeça. Antes, Nabal achava que tinha a situação sob controle, que tudo estava debaixo de suas ordens, sentindo-se como um rei, senhor de tudo e de todos (v. 26). Quando soube do que sua bondosa mulher fizera, o que realmente tinha acontecido à sua volta, o quanto Deus o livrara pela sabedoria e humildade de sua esposa, enquanto se embriagava, ficou literalmente petrificado. Seu coração, que antes era endurecido, ficou como pedra mesmo (v. 37). Um ataque cardíaco tirou sua vida em poucos dias por causa do remorso, misturado com rancor e ressentimento.
Teve a oportunidade de viver em paz consigo mesmo e com os outros, mas lançara fora a chance de ser abençoado por Deus. Fora chamado de próspero, mas tornou-se um fracassado. Não sabia ele que a paz verdadeira está em um coração quebrantado e humilde perante Deus, receptivo em todo o tempo às oportunidades que o Senhor coloca diante de nós.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

O que é humildade / Humility / Humildad

A humildade é uma virtude que mais caracteriza as pessoas que exercem influência na sociedade. Ser humilde, ao contrário do que muitos pensam, não é ser pobre, destituído de bens ou uma pessoa simplória. Ser humilde é o oposto de ser orgulhoso. Isso tem a ver com aquilo que João fala da "cobiça dos olhos" (1 João 2.16).
O pior pecado que uma pessoa pode cometer não é adulterar, matar, mentir ou roubar. A Bíblia diz que o pior pecado é o orgulho. Essa é a raiz de todos os outros problemas na nossa vida. "Quando vem o orgulho, chega a desgraça, mas a sabedoria está com os humildes". Provérbios 11.2.
O conselho bíblico é: “Da mesma forma, jovens, sujeitem-se aos mais velhos. Sejam todos humildes uns para com os outros, porque ‘Deus se opõe aos orgulhosos, mas concede graça aos humildes’”. 1 Pedro 5.5.
A humildade não é: (a) ser fraco, mas reconhecer nossas fraquezas; (b) ter uma baixa auto-estima, mas é pensar menos sobre si mesmo. Humildade simplesmente significa que temos uma avaliação imparcial das nossas forças e fraquezas. Comte-Sponville comenta: “A humildade é esse esforço, pelo qual o eu tenta se libertar das ilusões que tem sobre si mesmo e – porque essas ilusões o constituem – pelo qual ele se dissolve”. Compreendemos nossa maneira de ser e nossas capacidades. Estamos conscientes disso, mas não ficamos nos lamuriando por causa de nossas limitações. Vemos tudo o que temos como dádivas de Deus e sabemos que sem Ele nada seríamos. “Portanto, humilhem-se debaixo da poderosa mão de Deus, para que ele os exalte no tempo devido”. 1 Pedro 5.6.
Humildade é resultado de saber quem você é. Há duas maneiras pelas quais a nossa humildade pode ser verificada: através dos elogios ou através das críticas que recebemos. A maneira como reagimos às críticas e elogios demonstram o quanto somos humildes. A humildade é uma atitude humana que, de tão humana, não se permite a uma depreciação do que somos nem mesmo a uma apreciação falsa de quem somos. "Não é ignorância do que somos, mas, ao contrário, conhecimento, ou reconhecimento, de tudo o que não somos. É seu limite, pois refere-se a um nada", insiste Comte-Sponville.
Como tornar-se humilde? Preste mais atenção nos outros que em você mesmo. Se você quer exercer influência de fato, sua vida irá requerer um certo tipo de humildade, ou a capacidade de esquecer-se de si mesmo o suficiente para prestar ajuda aos outros. Descartes reconheceu que “os mais generosos costumam ser os mais humildes”. O melhor referencial humano de humildade é Jesus Cristo. Devemos desenvolver uma atitude semelhante à de Jesus que, sendo Deus, voluntariamente assumiu a natureza de servo.
Conheça qual é a sua missão de vida. A chave para a humildade é conhecer a si próprio. Quando você compreende quem é, fica à vontade para servir ao próximo, mesmo estando longe dos holofotes. Jesus não se importou de ser confundido como um simples escravo porque sabia qual era a sua missão.
Deixe Deus controlar a sua vida. Nosso primeiro e mais crítico passo em direção ao desenvolvimento da humildade é agarrar firme a grandeza do amor de Deus por nós. Isso é tornar-se semelhante a Jesus. O segundo passo é render nossa vida a Deus. Se você estiver disposto a dar esses primeiros passos, você está se tornando uma pessoa humilde para Deus. Agostinho certa vez afirmou: “Onde está a humildade, está também a caridade”.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Lidere onde estiver / Lead where you are / Si usted es un líder

Você é um líder no lugar em que se encontra. Não importa qual seja sua função ou experiência, você foi colocado por Deus onde está para influenciar e contribuir para transformar sua igreja, sua comunidade e o mundo.
Você pode liderar uma organização inteira ou apenas um pequeno grupo. Você pode ser um líder profissional ou um voluntário. Você pode ser um líder experiente ou ser um iniciante em uma jornada de liderança. Não importa, a mentalidade que o mundo corporativo estimula atualmente é que você deve liderar onde estiver.
Você precisa descobrir como pode se equipar e se preparar para influenciar as pessoas à sua volta a darem um passo decisivo na direção de um nível mais elevado de vida, e para que você também tome decisões que possam mantê-lo em constante processo de maturidade e de aperfeiçoamento da visão a fim de transformar a realidade a sua volta.
Liderança é hoje um dos requisitos para a valorização de profissionais no mercado de trabalho. Tudo o que se precisa é desenvolver a capacidade de tomar iniciativas e de fazer as coisas acontecerem. Com isso, será possível conquistar a admiração e a confiança das pessoas a sua volta.
Para que você exerça sua liderança, independente de estar ocupando a função de líder, você precisa constantemente: a) concentrar esforços na solução de problemas; b) desenvolver a competência de ser um agente participativo em qualquer circunstância; c) reconhecer no outro importantes fontes de conhecimento; d) ser cordial e solidário em qualquer situação.
Os valores que norteiam a nossa conduta podem influenciar a sociedade em que vivemos na expectativa de que mudanças significativas sejam provocadas na vida das pessoas.
Depopis das considerações sobre o perfil do líder servidor, a nova tendência das reflexões do mundo corporativo estão voltadas para compreensão mais subjetiva do papel da liderança. Liderar deixa de ser uma atividade ligada à autoridade e chefia e passar a ter relação com a nossa capacidade de promover ações efetivas de mudança.
Esse tema, porém, não é novo para o cristianismo. Assim como Jesus Cristo tem sido o paradigma para o líder servidor, a maneira como ele escolheu e enviou seus discípulos é uma importantes referência sobre a influência que cada um pode exercer no lugar em que se encontra. Jesus afirmou aos seus discípulos: "vocês são o sal da terra e a luz do mundo". A reforma protestante tentou resgatar essa dimensão do serviço ao desenvolver a noção de sacerdócio universal dos crentes. Isso só reforça o fato de que Deus está interessado em seu poder de influência para que o mundo seja transformado.

domingo, 12 de outubro de 2008

Integridade / Integrity / Integridad

Se você quer exercer influência no lugar em que está, você precisa ter integridade. Isso tem a ver com aquilo que João fala da "cobiça da carne" (1 João 2.16). A integridade está relacionada com o caráter.
A coisa mais importante que uma pessoa tem em relação às demais é a sua credibilidade. Se você não tiver credibilidade, não tem a confiança dos outros. E se você não tiver a confiança dos outros, não pode exercer influência sobre elas. E o que torna uma pessoa confiável é a sua integridade.
O vocábulo “integridade” vem do latim integrare que significa “fazer inteiro, uno, total”. Pode ser traduzido também por santidade. Integrar é combinar as partes em um todo, formar uma totalidade. Ser íntegro é ser inteiro. Ter integridade não significa ser perfeito, mas significa ser inteiro.
Um grande exemplo de integridade na Bíblia foi Noé. “Esta é a história da família de Noé: Noé era homem justo, íntegro entre o povo da sua época; ele andava com Deus”. Gênesis 6.9. Outro grande exemplo foi Jó. “Disse então o Senhor a Satanás: ‘Reparou em meu servo Jó? Não há ninguém na terra como ele, irrepreensível, íntegro, homem que teme a Deus e evita o mal. Ele se mantém íntegro, apesar de você me haver instigado contra ele para arruiná-lo sem motivo’”. Jó 2.3
É interessante notar que as pessoas atualmente são conhecidas muito mais por sua imagem do que por aquilo que elas são de fato. Mas geralmente a imagem tem a ver com aquilo que as pessoas pensam que você é e não com aquilo que de fato você é.
Uma palavra relacionada à integridade é “integração”, que significa “tornar um”. O seu oposto é “desintegração” que corresponde a um estado de não-integridade. Nesta condição, as pessoas se destroem, caem aos pedaços, os relacionamentos desagregam-se, a confiança quebra-se. Sem integridade a vida e os relacionamentos são fragmentados, doentios e incompletos.
A integridade é essencial para que os relacionamentos sejam fortes. Tanto nos negócios, quanto na vida pessoal, integridade é uma das qualidades de caráter mais valorizadas. A pergunta então é: como cultivar integridade? Veja como encontrar respostas bíblicas para se tornar uma pessoa íntegra.
Em primeiro lugar, tome cuidado com as pequenas coisas. “O senhor respondeu: ‘Muito bem, servo bom e fiel! Você foi fiel no pouco, eu o porei sobre o muito. Venha e participe da alegria do seu senhor!’” Mateus 25.21.
Em segundo lugar, não separe o público do privado em questões éticas. “Em tudo seja você mesmo um exemplo para eles, fazendo boas obras. Em seu ensino, mostre integridade e seriedade”. Tito 2.7. Para manter relacionamentos íntegros você precisa seguir o conselho: “Você, porém, homem de Deus, fuja de tudo isso e busque a justiça, a piedade, a fé, o amor, a perseverança e a mansidão”. 1 Timóteo 6.11.
E em terceiro lugar, mantenha sua consciência limpa. “Por isso procuro sempre conservar minha consciência limpa diante de Deus e dos homens”. Atos 24.16.

sábado, 11 de outubro de 2008

Liderar é influenciar / Leadership is influence / El liderazgo es influencia

O principal aspecto relacionado à liderança está no fato de que todos nós somos chamados a tomar parte dela. Todas as pessoas exercem algum tipo de liderança ao longo de sua vida. Isso é assim porque liderança tem a ver com influência.
Rick Warren afirmou certa vez que há muitas características que são importantes para se encontrar em um líder, mas nenhuma delas era mais importante que estas três: integridade, humildade e generosidade. Estas características estão muito relacionadas ao que João disse a respeito das cobiças a que estamos sujeitos: "a cobiça da carne (tem a ver com a integridade), a cobiça dos olhos (tem a ver com a humildade) e a ostentação dos bens (tem a ver com a generosidade)".
Repare o que a Bíblia diz sobre isso: "Não amem o mundo nem o que nele há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Pois tudo o que há no mundo - a cobiça da carne, a cobiça dos olhos e a ostentação dos bens - não provém do Pai, mas do mundo. O mundo e a sua cobiça passam, mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre". 1 João 2.15-17.
Você também é um líder porque liderar é o mesmo que influenciar. Constantemente podemos exercer influência sobre familiares, vizinhos, amigos, colegas, clientes. A primeira descoberta, então, é que você é um líder no lugar em que você se encontra.
Embora precisemos de um líder para governar ou legislar a nossa cidade, as pessoas que escolhemos para esses cargos têm a ver com a maneira como entendemos a nossa própria atuação. A maneira como escolhemos nossas lideranças está diretamente relacionada com a consciência que temos sobre a nossa responsabilidade como participantes da vida social.
Como podemos cuidar da influência que exercemos? Acredite. Você não está aqui por acaso. Você foi feito para cumprir os propósitos divinos. A Bíblia diz: “Vocês, porém, são geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo exclusivo de Deus, para anunciar as grandezas daquele que os chamou das trevas para a sua maravilhosa luz”. 1 Pedro 2.9.
Portanto, exerça influência positivamente. A liderança eficaz é aquela que faz as coisas acontecerem. Ser líder não é o mesmo que ser chefe, mas é o que atua em parcerias. A Bíblia também diz: “Para que venham a tornar-se puros e irrepreensíveis, filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração corrompida e depravada, na qual vocês brilham como estrelas no universo”. Filipenses 2.15.
Mas também reconheça suas limitações. O único que pode tudo é Deus, que nos convida a entregarmos tudo o que nos aflige em suas mãos. “Lancem sobre ele toda a sua ansiedade, porque ele tem cuidado de vocês”. 1 Pedro 5.7.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Pânico, euforia e crise financeira / Panic in financial market / Pánico en los mercados financieros

O mundo mudou, e tudo indica que foi para pior. Há um temor por trás do atual colapso nos mercados financeiros. Esse temor é tão exagerado quanto a ganância que o provocou. O chamado “efeito manada” dos mercados de capitais é provocado por um pânico que tem causado devastação da capacidade financeira de bancos, empresas, nações.
A raiz do problema está na relação entre o investidor e o modo de gestão e financiamento de setores empreendedores. Como se sabe, um investidor adquire ações de uma empresa com o objetivo de ter participação nos seus ganhos. Ele não é o empresário, o empreendedor. Ele compra ações ou participações acionárias em uma decisão tanto racional quanto emotiva, em função de informações sobre o desempenho de determinada empresa. Mas ele mesmo não é o administrador e, por isso mesmo, não se ocupa da atividade da empresa, dos meios de produção e de rentabilidade. Ele não tem um compromisso com a prescrição de uma estratégia ou de uma determinada conduta comercial. Ele não decide acerca de investimentos, reorganização, política de pessoal, marketing e outras ações de gestão.
Em outras palavras, como mero investidor, ele deposita confiança na estratégia, nos conteúdos, nos objetivos e nas potencialidades de um capital produtivo e em sua administração. Essa confiança é o seu risco. Essa é a lógica racional do capitalismo.
Desde o início, o capitalismo enfatizou um modo de produção baseado numa concepção funcional abstrata do capital. Se no passado estava em jogo a produção e o consumo de bens concretos, reais, a confiança era depositada tanto na seriedade dos métodos administrativos quanto na qualidade e boa aceitação do produto. Hoje, a velocidade dos mercados financeiros e de suas rendas ditam o desempenho econômico. As decisões estão mais ligadas a aspectos subjetivos em face de uma limitação interna de valorização real do capital, que diminuiu a importância dos valores do trabalho humano. O capital se tornou um bem virtual e volátil.
A pergunta que hoje é levantada é: a reação do mercado a cada nova notícia é racional ou emocional? É preciso entender o que se passa na cabeça dos investidores em momentos de crise como o atual. Essa, porém, é uma tarefa complexa, pois não se trata de uma ciência exata, uma vez que a forma como as pessoas lidam com dinheiro varia muito. Faz-se necessário identificar alguns comportamentos comuns à maioria dos investidores.
Em recente entrevista à revista Exame, o estrategista de Investimentos Pessoais do ABN Amro Real Asset Management, Aquiles Mosca, explicou: “O ser humano tem a necessidade de fazer parte de um grupo. Se todos estão tomando determinada decisão, ele tende a agir da mesma maneira. Ninguém quer ser o último a sair da bolsa quando o mercado começa a cair”.
O “efeito manada” consiste nesse comportamento do investidor, que vai do pânico à euforia numa velocidade enorme. O investidor, nessa hora, age de forma inconsciente levado pela avalanche de informações veiculadas pela mídia. Se um determinado índice cai e isso provoca um comentário alarmante, a tendência é que esse comportamento de queda se perdure. Portanto, ganha mais quem resolve estar na contra-mão do “efeito manada” e sobrevive.
O pânico e a euforia diante dos índices das bolsas de valores são duas faces de uma mesma atitude, a expectativa de lucratividade com a virtualidade do capital. É possível ir de um polo ao outro com muita facilidade. E é isso que dá a dimensão da crise do mercado financeiro.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Como entender o homem contemporâneo / How understand the contemporary man / ¿Cómo entender el hombre contemporáneo?

A humanidade mudou seus paradigmas. O desenvolvimento tecnológico a que se chegou cria uma falsa idéia de progresso e de melhoria da vida humana. Na verdade, convivemos com quadros que são antagônicos: ao mesmo tempo em que temos equipamentos com tecnologias avançadas, assistimos ao aperfeiçoamento das máquinas de guerra; ao mesmo tempo que a humanidade avança na pesquisa científica sobre a origem da vida, não encontra solução para os graves problemas que a afligem, como a fome, a aids; temos uma concentração de poder econômico e político, mas que não são capazes de evitar catástrofes provocadas pelas forças da natureza de sempre, como maremotos, furacões; desenvolvemos a capacidade de pesquisar o espaço e manipular a vida, mas não somos capazes de controlar a violência, a criminalidade, a corrupção.
Isso tudo aponta para o fato de que o progresso que a humanidade tem experimentado não tem sido suficiente para mudar o coração humano. O que verificamos é o desenvolvimento de uma ambigüidade em que, ao mesmo tempo em que afirmamos nossa autonomia, descobrimos que há algo que falta para nos afirmamos como pessoas.
Assistimos à fragmentação e à descontinuidade de toda a forma de consciência: a consciência nacional dá lugar à globalização; a consciência de sujeito autônomo cede lugar para a desconstrução da individualidade. A experiência humana se reduz ao instante vivido, à cultura do fast-food, do self-service, sem sentido de continuidade e de memória histórica. Perderam-se os referenciais de valores e crenças. O impacto do instantâneo ocupou o lugar do profundo, o apego ao descartável permite que identidades sejam adotadas ou rejeitadas como uma troca de roupa. Uma ideologia de consumo domina a realidade de tal modo que o que mais importa é a imagem pública que se tem de si mesmo. A busca de gratificação, prazer e realização individual é o ideal supremo. A opinião pública substitui a interpretação religiosa e a ética com informações precisas, instantâneas, diretas e objetivas. O que tem aparência real está acima do bem e do mal.
As regras que prevalecem têm a ver com o bem-estar e não mais as que apontam para a necessidade de sacrificar os próprios interesses por causa do outro.
Essa maneira de pensar, em vez de considerar a fraqueza humana, pressupõe a capacidade infinita de realização, atribuindo valor extremo a uma vida de prosperidade e sucesso organizada em torno de padrões de consumo.
Não há mais lugar para uma devoção pietista, voltada para a reconciliação do pecador e da promoção de uma vida de privações e de ideais ascéticos. Os exemplos de santos e profetas não estão mais em piedosos religiosos, mas naqueles que conseguiram transformar a vida numa grande acumulação e intensificação do consumo. Essa contradição dá lugar a uma resposta radical, contrária a essa tendência da sociedade de consumo. O fundamentalismo religioso se levanta como uma voz possível diante da fragmentação e da diversidade.
Essa condição que a humanidade se encontra exige clama por um cristianismo adulto, que possa assumir a ausência de Deus e viver, ao mesmo tempo, a fé em Jesus Cristo que participa do sofrimento de Deus no mundo. Se a crença em Deus perdeu sentido, não cabe aos cristãos tentarem frear o processo de maturidade do mundo. Antes, precisamos viver a realidade do homem contemporâneo sem perder o núcleo original de nossa fé, o testemunho de Jesus Cristo, constantemente reinterpretado à luz das condições históricas.
A decisão que a igreja precisa tomar hoje é de ser portadora da nova de que Deus não está ausente da vida humana, mas que é um sujeito que nos vê, de forma silenciosa e discreta, face a face. A mensagem da igreja deve ser capaz de despertar ainda o desejo de Deus, que reafirme o testemunho de Jesus Cristo, o Deus impregnado do humano, que tem compaixão desse homem que vive uma situação histórica que se atualiza constantemente. A pergunta deve ser: de que maneira a mensagem de Cristo se faz relevante hoje? A resposta tem a ver com o modo como Cristo toma forma no mundo, na vida e na comunhão da igreja, fundada em uma fé comprometida com Cristo e com o mundo, sem se mostrar arrogante, e que aponta o caminho viável.

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