Na madrugada do dia 3 de janeiro de 2026, as forças militares dos EUA, que estavam posicionadas no mar do Caribe em prontidão de ataque há quase 5 meses, bombardearam a Venezuela, invadiram a capital venezuelana e sequestraram o seu presidente. A investida faz parte de uma escalada de hostilidades entre Caracas e Washington que se acentuaram após a posse de Donald Trump.
Independente do que se pense, ou se saiba, sobre as
personalidades de Nicolas Maduro e Donald Trump e seus governos, estamos diante
de crimes previstos em acordos internacionais. Desde o fim da Segunda Guerra
Mundial, foram construídos acordos e instituições internacionais para salvaguardar
o direito dos povos, mas que atualmente se mostram ineficazes.
As alegadas justificativas de envolvimento com o narcotráfico
e o narcoterrorismo, apresentadas pelo governo americano, caíram por terra. O
que ficou claro é que o objetivo era de fato a apropriação das maiores reservas
de petróleo do planeta, conforme o próprio Trump declarou em entrevista à
imprensa.
O atual governo dos EUA efetivou uma ameaça que pairava no
ar desde a ascensão do chavismo ao poder na Venezuela, há mais de 20 anos.
Naquela ocasião, as empresas americanas que atuavam na exploração do petróleo
venezuelano foram afastadas em nome de uma mudança política para a defesa dos
interesses dos projetos de cunho popular.
O que está em jogo nesse cenário? Fica evidente o poder de
influência das grandes empresas produtoras de petróleo que regem os rumos da
política internacional. Fica claro também que o interesse econômico de uma nação
em desenvolvimento, seja na América Latina ou em qualquer parte do mundo, está
sempre subordinado aos interesses corporativos das nações onde se encontram as
sedes dessas empresas. O discurso de usar os ganhos com o petróleo e gás para
diminuir a pobreza e a desigualdade social não são sequer cogitados. Além
disso, a defesa dos valores internacionais que fizeram surgir a ONU há 80 anos
atrás, que são os da soberania nacional e o da autodeterminação dos povos, fica
fragilizada. Qualquer nação que não detenha a mesma capacidade bélica está
ameaçada.
Não se trata mais de ameaça à democracia, mas da reação a um
processo que está em curso, que é o da construção de um mundo multipolarizado,
dominado pelas grandes potências econômicas e militares. O ataque à Venezuela é
uma declaração de que não há nação imune às grandes potências mundiais.
O que isso pode acarretar? Em um primeiro momento, isso pode
desencadear uma corrida armamentícia de todos os países que se sentirem desprotegidos.
As nações em desenvolvimento precisarão se preparar militarmente para proteger
suas riquezas naturais e sua soberania. Ao mesmo tempo, os blocos econômicos
regionais precisarão avançar nos acordos de cooperação de defesa. Especialmente
na América Latina, será necessário um grande esforço de cooperação para que a
região não sirva de território de domínio de nenhum império.
O mundo precisa urgentemente virar a chave da dependência
dos combustíveis fósseis. Hoje, essa é a maior causa da crise pela qual a
humanidade atravessa. Foi após o emprego em massa dos combustíveis fósseis na
indústria e no consumo mundial que aumentaram os conflitos de proporções
mundiais bem como a degradação do meio ambiente, colocando em risco a vida no
planeta.
Nesse conflito, não há lado bom, não há santos de parte a
parte. É o jogo do poder a qualquer custo, tanto por parte de quem usurpa o
posto de forma questionável, quanto de quem se utiliza do cargo para o
exercício da tirania e da opressão.
É um tempo para que pessoas de bom senso parem para refletir
sobre esse fenômeno histórico, tanto para compreender suas causas quanto para
avaliar as suas consequências. É tempo também de buscar a paz. Já se disse que
somente as nações que dominam armas de destruição em massa estão protegidas.
Isso se resume a um grupo seleto de 9 nações no mundo.
Não são os países ou a economia que estão sob ameaça. Na
verdade, é a humanidade que está em risco. Uma prova disso é que não se falou
sobre o número de vítimas durante esse ataque, nem muito menos se falou do
direito dos cidadãos aos ganhos advindos dos recursos naturais em seus
territórios.
O que se vê é a perpetuação da lógica colonialista nos
mesmos moldes da exploração que se deu após o descobrimento da América, baseada
no poder do capital e na força militar. Trata-se de um retrocesso de mais de
200 anos desde os movimentos emancipatórios que fizeram surgir as nações do
continente.
De minha parte, digo: quem for de oração, dobre os seus
joelhos para interceder pela paz no mundo.

Nenhum comentário:
Postar um comentário