segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Conflito entre Venezuela e EUA: soberania e autodeterminação dos povos em risco / Conflict between Venezuela and the USA: sovereignty and self-determination of peoples at risk / Conflicto entre Venezuela y EEUU: soberanía y autodeterminación de los pueblos en riesgo

Na madrugada do dia 3 de janeiro de 2026, as forças militares dos EUA, que estavam posicionadas no mar do Caribe em prontidão de ataque há quase 5 meses, bombardearam a Venezuela, invadiram a capital venezuelana e sequestraram o seu presidente. A investida faz parte de uma escalada de hostilidades entre Caracas e Washington que se acentuaram após a posse de Donald Trump.

Independente do que se pense, ou se saiba, sobre as personalidades de Nicolas Maduro e Donald Trump e seus governos, estamos diante de crimes previstos em acordos internacionais. Desde o fim da Segunda Guerra Mundial, foram construídos acordos e instituições internacionais para salvaguardar o direito dos povos, mas que atualmente se mostram ineficazes.

As alegadas justificativas de envolvimento com o narcotráfico e o narcoterrorismo, apresentadas pelo governo americano, caíram por terra. O que ficou claro é que o objetivo era de fato a apropriação das maiores reservas de petróleo do planeta, conforme o próprio Trump declarou em entrevista à imprensa.

O atual governo dos EUA efetivou uma ameaça que pairava no ar desde a ascensão do chavismo ao poder na Venezuela, há mais de 20 anos. Naquela ocasião, as empresas americanas que atuavam na exploração do petróleo venezuelano foram afastadas em nome de uma mudança política para a defesa dos interesses dos projetos de cunho popular.

O que está em jogo nesse cenário? Fica evidente o poder de influência das grandes empresas produtoras de petróleo que regem os rumos da política internacional. Fica claro também que o interesse econômico de uma nação em desenvolvimento, seja na América Latina ou em qualquer parte do mundo, está sempre subordinado aos interesses corporativos das nações onde se encontram as sedes dessas empresas. O discurso de usar os ganhos com o petróleo e gás para diminuir a pobreza e a desigualdade social não são sequer cogitados. Além disso, a defesa dos valores internacionais que fizeram surgir a ONU há 80 anos atrás, que são os da soberania nacional e o da autodeterminação dos povos, fica fragilizada. Qualquer nação que não detenha a mesma capacidade bélica está ameaçada.

Não se trata mais de ameaça à democracia, mas da reação a um processo que está em curso, que é o da construção de um mundo multipolarizado, dominado pelas grandes potências econômicas e militares. O ataque à Venezuela é uma declaração de que não há nação imune às grandes potências mundiais.

O que isso pode acarretar? Em um primeiro momento, isso pode desencadear uma corrida armamentícia de todos os países que se sentirem desprotegidos. As nações em desenvolvimento precisarão se preparar militarmente para proteger suas riquezas naturais e sua soberania. Ao mesmo tempo, os blocos econômicos regionais precisarão avançar nos acordos de cooperação de defesa. Especialmente na América Latina, será necessário um grande esforço de cooperação para que a região não sirva de território de domínio de nenhum império.

O mundo precisa urgentemente virar a chave da dependência dos combustíveis fósseis. Hoje, essa é a maior causa da crise pela qual a humanidade atravessa. Foi após o emprego em massa dos combustíveis fósseis na indústria e no consumo mundial que aumentaram os conflitos de proporções mundiais bem como a degradação do meio ambiente, colocando em risco a vida no planeta.

Nesse conflito, não há lado bom, não há santos de parte a parte. É o jogo do poder a qualquer custo, tanto por parte de quem usurpa o posto de forma questionável, quanto de quem se utiliza do cargo para o exercício da tirania e da opressão.

É um tempo para que pessoas de bom senso parem para refletir sobre esse fenômeno histórico, tanto para compreender suas causas quanto para avaliar as suas consequências. É tempo também de buscar a paz. Já se disse que somente as nações que dominam armas de destruição em massa estão protegidas. Isso se resume a um grupo seleto de 9 nações no mundo.

Não são os países ou a economia que estão sob ameaça. Na verdade, é a humanidade que está em risco. Uma prova disso é que não se falou sobre o número de vítimas durante esse ataque, nem muito menos se falou do direito dos cidadãos aos ganhos advindos dos recursos naturais em seus territórios.

O que se vê é a perpetuação da lógica colonialista nos mesmos moldes da exploração que se deu após o descobrimento da América, baseada no poder do capital e na força militar. Trata-se de um retrocesso de mais de 200 anos desde os movimentos emancipatórios que fizeram surgir as nações do continente.

De minha parte, digo: quem for de oração, dobre os seus joelhos para interceder pela paz no mundo.

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