segunda-feira, 11 de março de 2013

Direitos humanos, intolerância e preconceito: a propósito da indicação de Marco Feliciano / Human rights, intolerance and prejudice / Los derechos humanos, la intolerancia y los prejuicios

Os protestos contra a indicação do pastor evangélico Marco Feliciano à presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados traz à tona a discussão em torno de um tema que envolve a relação com as liberdades individuais: questão dos direitos das minorias. A própria indicação em si já é resultado de uma manobra que está longe de interessar a quem luta pelos direitos universais do homem, quanto mais às minorias. Acho até que haverá muita dificuldade para encontrar um nome de consenso dentro da própria comissão – e da composição atual do parlamento brasileiro – para estar à frente da pasta.
Pelo fato de ser pastor e estar à frente de um movimento oriundo no seio do protestantismo, Marco Feliciano supostamente teria tudo para responder ao cargo. Afinal, a função pastoral é de ajudar as pessoas a governarem bem a sua vida de tal maneira que encontrem sua realização plena. Além disso, a luta pelos direitos humanos, pela tolerância e pela liberdade de expressão nasceu em um contexto peculiar ao movimento da reforma protestante e se tornou sua bandeira de luta na Modernidade. Há também que se falar no apelo cristão e evangélico – do Evangelho mesmo – à liberdade, ao respeito aos valores humanos e à fraternidade.
O que se vê, no entanto, é que o pastor Marco Feliciano carrega consigo um rastro de preconceitos e intolerâncias que estão completamente em oposição à história da igreja evangélica no mundo e ao cerne da mensagem cristã. E o pior disso tudo é que não há como ele se dar conta disso, pois está inserido no contexto de uma teologia triunfalista e ufanista, herdeira de uma cultura de culpabilização, que constitui hoje a teologia evangélica praticada no Brasil, notadamente a que faz uso dos meios de comunicação de massa e arrasta multidões aos seus templos.
O resultado é um desastre: as minorias lideradas por um patrulhamento ideológico, consequência da intolerância e preconceito, combatem a pessoa de Marco Feliciano com mais intolerância e preconceito. Não, ele não é inocente e nem é a pessoa indicada para o cargo. Sua indicação é prova do fracasso da sociedade politicamente organizada que não dispõe de melhores exemplos de luta pela defesa dos direitos humanos. Essa luta é que não é pessoal. Ele é de toda a sociedade. Não basta que celebridades midiáticas chamem o pastor de “monstro”. Monstruoso é ver que chegamos a um ponto de saturação da tolerância em que não dá mais para se tolerar, pois aqueles que tinham o dever de fazê-lo são os mais intolerantes.
Isso abre um caminho perigoso: não dá para aceitar o pastor intolerante e preconceituoso na Comissão de Direitos Humanos, mas dá para se silenciar diante da nomeação de um acusado de corrupção para a Comissão de Finanças, um acusado de fraude na Comissão de Justiça e um acusado de desmatamento na Comissão de Meio Ambiente. O caminho dessa nova moralidade é que é perigoso, que diz o que pode e o que não pode na vida pública como se isso fosse numa troca, que permite que alguns erros sejam intoleráveis e outros aceitos com mais passividade. E como se faz essa distinção? Pela intensidade do grito, pelo patrulhamento e pela execração da figura pública nas redes sociais, abaixo-assinados e outros.
A indicação de Marco Feliciano para a Comissão de Direitos Humanos é um absurdo. Por trás disso está a figura de um pastor que deveria ser um exemplo e testemunha do amor de Jesus a todas as criaturas. Está também o retrato de uma sociedade errante que não tem quem a guie como um pastor. Quando a sociedade começa a questionar com razão aqueles que têm o dever de guiá-la, é hora de chorar. Fracassamos na nossa missão.

Um comentário:

  1. TENHO LIDO VARIOS ARTIGOS SOBRE ESSA ASSUNTO QUE É MUITO SERIO PARA NÓS QUE SOMOS SERVOS DE DEUS NESSE PAIS INCREDULO. OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO JÁ ESTÃO DETONANDO O PASTOR MARCO. COM CERTEZA O O PASTOR MENOS PRECISA NO MOMENTO É QUE O SEGUIMENTO EVANGELICO DO QUAL ELE PERTENCE FIZESSE TAMBEM O MESMO. VEJO COMO IMPRUDENTE NÃO APOIA-LO NA HORA EM QUE ELE MAIS PRECISA. ELE PODE TER COMETIDO ALGUMAS FALHAS. COM CERTEZA MAIS SERÁ MOTIVOS DOS PROPRIOS PARES DETONA-LO COMO FAZEM OS IMPIOS. VEJO NO PASTOR MESMO DISCORDANDO EM ALGUNS PONTO DELE, UMA VOZ A FAVOR DA PALAVRA DE DEUS NAQUELE LUGAR ONDE O PECADO SUPERABUNDOU. SERÁ QUE SÓ ISSO NÃO SERIA MOTIVO DOS CRISTÃOS ESTAREM ORANDO PARA QUE SUA VOZ IMPEDISSE O CRESCIMENTO DAQUELES QUE DESEJAM BOTAR EM NOSSA GUELA ABAIXO QUE CASAMENTO DO MESMO SEXO É ALGO NORMAL. QUEM SABE DEUS ESTÁ USANDO A VOZ DO PASTOR MARCO PARA CALAR A VOZ DOS IMPIOS.

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