segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Natal: a vida estava nele / Christmas: life was in him / Navidad: la vida estaba en él

Dos quatro evangelistas, somente dois narram o nascimento de Jesus: Mateus e Lucas. Dos outros dois, Marcos nem sequer menciona. Talvez por achar que não fosse relevante o modo como Jesus veio ao mundo, mas sim o que ele fez e falou, assim como o modo como terminou sua vida aqui. Já João escreve um prólogo, um requinte literário para obras mais rebuscadas, como sendo um resumo de toda a vida de Jesus. Quem lê esse texto inicial tem a ideia total do livro e do que foi a vida de Jesus.
Nesse prólogo, há uma afirmação que é a síntese da pessoa de Jesus. Uma expressão de sua identidade, do que ele significou para as pessoas de seu tempo. “Nele estava a vida, e esta era a luz dos homens”. João 1.4. Foi assim que João preferiu falar de Jesus. O que era apenas uma ideia, uma coisa de que apenas se ouviu falar, agora estava ali diante dos seus olhos. Não importa como chegou. Melhor ainda que as narrativas deem conta de alguém que tenha nascido de forma tão humilde, tendo apenas os céus, a natureza e gente simples como testemunhas.
Para João, era mais expressivo o fato de que, quem olhasse para ele, mesmo não o conhecendo, perceberia a vida em sua plenitude, alguém que transborda de vida, que é a verdadeira síntese da vida. Alguém que sabia o que é viver, pois experimentava isso no seu modo de ser. Um humano assim só podia ser divino.
A palavra viva se fez vida. Isso sim é natal. O Deus vivo se fez gente. Isso sim é natal. Todos podiam ver isso e encontrar nele fortes razões para viver e reconhecer que, por pior que fossem as circunstâncias, ser gente valia a pena. Estava ali, diante dos olhos de quem o visse, alguém que carregava consigo toda a ambiguidade e contradição humanas e que, ainda assim, demonstrava que a vida é bela, dom precioso que precisa ser bem aproveitado.
O fato de ser divino e ser a própria vida não isentou Jesus de sofrer e sentir dor, de ser enganado e traído, de ser tentado e questionado, de até morrer a nossa morte de forma tão cruel. Quem olhasse para Jesus veria que a vida não se resume a uma série de atitudes fundadas numa lógica em que Deus está ausente. Nem mesmo numa necessidade de acumular coisas e saberes que não resultam em realização pessoal. A vida é mais. É ser aquilo para o qual Deus pensou para nós. Gente que vivia o engano de uma vida sem sentido encontrava na pessoa de Jesus uma luz, um indicativo, um direcionamento sobre o que é de fato viver.
O profeta já sabia que seria assim desde o passado: “O povo que caminhava em trevas viu uma grande luz; sobre os que viviam na terra da sombra da morte raiou uma luz.” Isaías 9.2. Os discípulos souberam que é assim que Deus faz conosco: “Pois ele nos resgatou do domínio das trevas e nos transportou para o Reino do seu Filho amado.” Colossenses 1.13.

O natal em nosso calendário serve para nos lembrar isso: que quando a vida não faz mais sentido, precisamos olhar de novo para Jesus. Nele encontramos vida. Quando nos perdemos nos caminhos errantes de nossa vida, precisamos olhar para aquele que nos chamou para segui-lo como caminho. Ter um feliz natal é ter a vida invadida pela vida. Um Feliz Natal para todos.

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