sexta-feira, 18 de julho de 2014

Orientações para ação pastoral durante a campanha eleitoral / Pastoral direction for elections / Orientación pastoral para las elecciones

Durante a campanha eleitoral, pastores e líderes religiosos exercem uma função importante na formação de consciências críticas das pessoas com as quais se relacionam. Como pastor, compreendo que alguns compromissos precisam ser assumidos diante do processo eleitoral, uma vez que somos formadores de opinião e temos uma opção política e ideológica diante da vida da sociedade. Independente de qual seja a posição de cada um, apresento aqui os princípios que devem orientar a ação pastoral em meu ministério:
1. O que não fazer:
1.1. Não assumir em público atitudes contrárias ou favoráveis a qualquer candidato ou partido político. Embora tenha uma preferência, a defesa ou condenação de pessoas ou grupos constrange a relação com os demais e inibe a liberdade de escolha da comunidade.
1.2. Não promover, em hipótese alguma, o chamado “voto de cajado”, aquele em que líderes eclesiásticos e religiosos negociam favores ou propostas com o objetivo de comprometer o voto dos seguidores de seu grupo religioso.
1.3. Não usar argumentos religiosos, espiritualizantes ou mesmo bíblicos para promover ou denegrir candidaturas ou programas políticos. Tanto a demonização quanto a sacralização de candidatos, ideologias, programas ou partidos se constituem como fatores inibidores do debate maduro dos reais problemas da sociedade.
1.4. Não criar barreiras, inimizades ou contendas com pessoas, grupos e segmentos da sociedade que tenham opiniões opostas. As eleições não correspondem a uma batalha entre inimigos. Oposição e governo são dois lados igualmente importantes para a democracia.
1.5. Não se omitir em relação às situações que envolvem injustiça, opressão, exploração, cerceamento da liberdade de expressão e desigualdades sociais.
2. O que fazer:
2.1. Defender a participação livre e consciente de cada cidadão no processo democrático através do voto.
2.2. Contribuir de forma responsável para que se tenha um compromisso claro a respeito da participação de cada pessoa na dinâmica da vida social e da ação política.
2.3. Assumir uma função profética em favor da justiça, em defesa dos oprimidos e na condenação de toda forma de privação de liberdade de expressão e de exploração do outro.
2.4. Ser um intercessor em favor da paz, orando pelas autoridades e suplicando por um governo justo e uma sociedade alcançada pela graça.
2.5. Servir como guia e exemplo de compromisso com o bem-estar social, procurando contribuir de forma concreta para que as mudanças necessárias na vida em sociedade se realizem de forma ampla, com oportunidade igual para todos, livre de qualquer tipo de preconceito e discriminação.

Se você gostaria que isso chegasse aos demais líderes religiosos, por favor compartilhe com mais alguém esse texto.

3 comentários:

  1. Obrigado pelo texto. Muito bom e sugestivo.

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  2. Assim como Lutero, tambem os fundadores da tradição reformada, Zuínglio e Calvino, reconheceram a importância e a legitimidade do Estado. Ao mesmo tempo, eles destacaram que Igreja e Estado são duas esferas distintas, que não devem ser confundidas. Essa distinção entre Igreja e Estado significa que cada domínio tem o direito de existir e que o Estado, assim como a Igreja, também é estabelecida por Deus, devendo, portanto, ser igualmente respeitado pelos cristãos. Portanto, a Igreja não deve usurpar as funções do Estado nem o Estado, as funções e prerrogativas da Igreja.

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  3. Muito bom texto.Quem dera todas as lideranças religiosas o lessem.

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