domingo, 18 de janeiro de 2015

Deus é justo / The Lord is righteous / Justo es Jehová

O Senhor é justo em todos os seus caminhos e é bondoso em tudo o que faz. Salmos 145.17
Quem nunca se emocionou ao ver uma igreja evangélica cantar o tradicional hino “Justo és, Senhor” (Justus Dominus, de Lowell Masson)? Lembro-me de quando a congregação se esforçava para cantá-lo em todas as vozes possíveis e imagináveis. Até o mais desafinado procurava dar sua contribuição com seu tom formando, assim, o mais angelical dos coros entre os homens. E sempre acontecia desse mesmo modo, de forma muito espontânea.
No fundo, todos nós compreendemos que a única pessoa a quem podemos atribuir a definição de justo é Deus. Nenhum ser humano mereceu essa designação, nem mesmo o humano Jesus a reivindicou para si. Somente João se referiu a Jesus Cristo como “o Justo”.
E somos assim porque sabemos que nenhuma expressão humana de justiça se mostrou satisfatória até hoje. Como uma virtude humana, a justiça é sempre incompleta, ambígua e contraditória. Por isso Jesus Cristo reconheceu que são bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, pois é na descoberta de nossa incompletude e na nossa abertura para o único que é justo que podemos ser satisfeitos.
Esse reconhecimento, no entanto, comporta duas possibilidades de equívoco: o primeiro quando atribuímos a Deus nossa ideia racional de justiça, aquela que parte de um mediador hábil para tratar de nossas diferenças; o segundo é aquele que vê a justiça como reparadora de um dano, que exige a vingança de algo que nos ultraja, que nos atinge em nossa dignidade.
Compreender Deus como mediador em meio àquilo que causa desigualdade entre nós é o mesmo que exigir que Ele seja insensível, impessoal diante do que nos angustia. Do mesmo modo, requerer que Deus seja um reparador de nossa dignidade é considerá-lo um tirano, vingativo, iracundo. Nenhum desses dois modos são expressões do Deus que é amor, que é como a Bíblia o define. Seu critério de justiça, no entanto, é permeado pelo amor, que se manifesta como graça, misericórdia, perdão e compaixão, valores que a nossa humanidade vã tem grandes dificuldades de realizar.
O salmo que remete à ideia de um Deus justo lembra que ele é bom em tudo o que faz. Não existe melhor definição de justo do que isso: a pessoa boa é uma pessoa justa. O mesmo salmo que contém essa bela definição diz também que ele “está perto de todos os que o invocam, de todos os que o invocam com sinceridade”. Ele não é um Deus distante. Ele não é um Deus raivoso. Ele é o Deus que quer estar ao lado de gente como a gente. Isso sim é justiça.

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