segunda-feira, 16 de agosto de 2010

O corpo desprezado / The despised body / El cuerpo despreciado

O corpo assumiu um papel importante na cultura contemporânea quanto à definição de identidade. A sociedade e os grupos se organizam a partir da aparência física, pelo modo de vestir, pelo uso de tatuagens e piercings. Para superar uma situação de desconforto, para ter uma sensação de bem-estar ou mesmo para vencer a depressão, é posível procurar um tatuador ou um cirurgião plástico, perder uns centímetros na cintura ou uns quilinhos na balança, ir ao shopping tomar um banho de loja.
O caso Bruno – que envolve o desaparecimento de Eliza Samudio – traz à tona a questão de quanto vale o corpo. De um lado, um atleta no auge da carreira, que vive a diversidade e fragmentação da sua própria identidade. De outro, uma jovem que é vítima e objeto de quem se imagina acima do bem e do mal.
Por trás dessa história hedionda está retratado o novo paradigma da construção da individualidade, marcado pela fixação do narcisismo. A gente vê tomar lugar uma nova atenção ao corpo voltada para a criação de estratégias e dispositivos que visam à submissão e à desvalorização do corpo, com a ingênua aparência do cuidado.
Nesse contexto, o corpo tende a ser o lugar privilegiado de afirmação da identidade. Tanto pode ser, de forma autônoma, esculpido segundo um ideal subjetivado, fundado na noção de um corpo ideal, orientado por uma imagem referenciada na mídia, como pode ser descartado como um nada, jogado aos cães.
A cultura narcisista e hedonista que emerge valoriza um modelo e um padrão de comportamento em que o sujeito precisa ganhar visibilidade, e que ao mesmo tempo se dilui quando não mais atende às expectativas do outro.
A origem desta nova compreensão está na forma com que se construiu o pensamento ocidental, desde a cultura grega até a crise engendrada pela Modernidade. Karl Marx já havia dito que "dissolveram-se todas as relações sociais antigas e cristalizadas [...] tudo que era sólido e estável se esfumaça, tudo que era sagrado é profanado, e os homens são obrigados finalmente a encarar com seriedade suas condições de existência e suas relações recíprocas."
É em situações como essa que o Espírito de Deus geme e intercede por uma humanidade que anda errante, como ovelhas sem pastor.

Um comentário:

  1. O culto ao corpo, nao é algo novo. cada sociedade, desde tempos remotos cultiva ritos para a adoraçao a beleza. Vemos esses relatos na bíblia,com Saul na descriçao de sua formosidade e virilidade em detrimento de davi e, um outro exemplo, encontramos no livro de Ester em relaçao ao tratamento de beleza o qual as mulheres passavam no palácio do Rei para o seu encontro.Considero que, nao querendo ser simplista, mas,na dilvugaçao midiática e a padronização do mundo através da imposição de ideias pelo controle ideológico, seria hoje um diferencial que tem trazido grandes problemas para o ser humano. Karl Marx mesmo afirmava que nao adiantava uma grande gama de informaçoes sem dar um tempo consideravel para a sua assimilaçao. Sem isso se perde a oportunidade de forma uma criticidade fundamentada. Logo, as pessoas estão tendo acesso a informaçoes mas sem o trabalho de refletir sobre as mesmas. isso tem levado a alienaçao e aceitaçao passiva frente as ideias. Assim, percebemos que hoje, me parece, que a frase "o erro padronizado torna-se certo", uma grande verdade no cotidiano da tao aclamada pós-modernidade.

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