sábado, 20 de novembro de 2010

Eleição presidencial e o futuro / Presidential election and the future / Elecciones presidenciales y el futuro

A eleição presidencial deste ano deixa um legado interessante. Apesar de todo o ambiente de boato que caracterizou a campanha eleitoral, a escolha de uma mulher para ser presidente do Brasil é indicativa de uma grande mudança de mentalidade que vai tomando lugar na sociedade brasileira. A eleição de um operário em 2002 já demonstrava isso.
Quando Lula foi eleito, ficou o indicativo de que é possível traçar um projeto de vida e chegar lá, mesmo que as condições não pareçam tão favoráveis de início. Ficou evidenciado que no Brasil a mobilidade social existe, uma vez que uma pessoa da classe menos favorecida havia chegado ao posto mais alto da vida pública.
A eleição de Dilma Roussef consolida esse processo. Isso não quer dizer que se esteja exaltando a qualidade moral ou política de alguém. Muito ao contrário. Isso não tem nada a ver com esses aspectos. Aliás, o que ficou claro é que, no que diz respeito ao exercício do poder, o quadro de corrupção não mudou e a todo instante paira uma sombra de populismo no governo que se encerra.
O fato é que uma pessoa representativa de segmentos da sociedade que sempre estiveram excluídas do poder chegou ao topo: primeiro, uma pessoa das camadas populares; agora, uma mulher. E isso carrega em si mesmo muitos significados. Não é garantia de que o Brasil vai melhorar, mas é uma evidência de que alguma coisa está mudando na cabeça das pessoas. A lição que se pode tirar disso é que, mesmo que se diga que não temos chance, é possível lutar e, quem sabe, um dia chegar lá.
Fica a suspeita de que isso faça parte de um movimento ainda maior, que nasce na periferia e nas camadas menos favorecidas que têm ganhado oportunidade de melhoria de vida nos últimos anos. Essa massa de emergentes que chega à classe média – e mesmo a que sonha poder um dia chegar – começa a influenciar decisivamente as mudanças que vêm ocorrendo na sociedade em diversos setores, determinando novos padrões de consumo, de organização do poder e até de novas formas de expressão de fé.
Esse novo Brasil que sai das urnas exige uma mudança de atitude das classes mais favorecidas e das elites. Vivemos num país que vem se tornando cada vez mais um ambiente com oportunidade para todos, um país de inclusão. É claro que isso não é resultado de um governo apenas, mas de um processo histórico que teve início nas lutas contra a repressão e a ditadura, haja vista que as atuais lideranças tiveram uma mesma origem, ainda que hoje sejam governo ou oposição. Faz parte desse processo a promulgação da Constituição de 1988 e a redemocratização.
Para quem viveu intensamente esse processo histórico, isso tudo é muito promissor. Podemos vislumbrar um Brasil melhor, que sempre sonhamos para nós e para a futura geração. Que estejamos certos disso.

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