segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Santificação / Sanctification / Santificación

Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade.” João 17.17
A palavra santificação é carregada de significados. Lembra separação, experiência de consagração e até a relação com o sagrado. Seja qual for o sentido que se adote, ela sempre vai se referir a um processo, uma relação com algo que está diante de nós e nos chama para uma transformação.
Jesus, em sua oração sacerdotal, pediu ao Pai para que santificasse os seus seguidores em todo o tempo. Isso tem duas implicações: a primeira é que a santificação é algo que não somos capazes de fazer por nós mesmos, precisamos do auxílio do Pai; a segunda é que santificar-se tem mais a ver com aquilo que nos tornamos do que com aquilo que fazemos ou possuímos. E Jesus intercedeu para que os cristãos de todas as épocas e em todos os lugares fossem reconhecidos por terem se tornados santos por meio de uma relação com o Pai.
Antes de interceder pela nossa santificação, Jesus constata que seus discípulos estão no mundo. Essa relação mundana, porém, é de existência, e não de pertença. Estão no mundo, mas não são do mundo. A existência no mundo lembra que somos capazes de perceber e de sermos percebidos em meio às nossas circunstâncias concretas de vida. O fato de não pertencer ao mundo lembra que a lógica que rege as nossas escolhas e a nossa visão do mundo não é dominada pelo aqui agora, mas por uma voz que nos chama para mais além.
Ao interceder pela nossa santificação, Jesus reconhece que ela é resultado de uma relação com o Pai que fala e nos chama para um convívio. A santificação é resultado da palavra divina, que é a verdade. A verdade divina não é um saber lógico, observável e mensurável. Ela é confiável porque nasce do coração do Pai e é dita pelo próprio Pai ao coração do homem. É palavra viva porque é marcada pelo amor do Pai por criaturas como nós.
Para interceder pela nossa santificação, Jesus se apresenta como exemplo. Ele diz: “em favor deles eu me santifico”. Nenhum ser humano tem tal autoridade de se autoproclamar como padrão e modelo de santidade, somente aquele que viveu, morreu e ressuscitou como o fez Jesus. Ele se fez a encarnação dessa verdade viva, confiável e apaixonada que vem do coração do Pai.
Jesus sabia que a santidade seria a única forma com que a graça divina poderia alcançar visibilidade para um mundo errante. Não somos chamados à santificação para sermos bonzinhos, moralmente corretos ou portadores de uma verdade, mas para sermos sinais da graça e do amor do Pai a um mundo que se perdeu. Deus não faz de ninguém um santo para viver em uma redoma, mas para ser um sinal visível do amor divino.
Por isso que a graça não é um mero resultado de nossa vontade. Ninguém se faz santo por vontade própria. Isso seria o mesmo que se tornar um moralista. A santificação é um processo em que a vontade do Pai fala mais alto. O meu esforço é de querer me tornar um sinal da graça, alguém que encarna e reproduz o amor de Deus por gente perdida como eu, que precisa ser alcançada e redimida para uma nova vida em Cristo.

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