domingo, 14 de agosto de 2016

Deus é Pai / God is father / Dios es padre

Um só Deus e Pai de todos, que é sobre todos, por meio de todos e em todos.” Efésios 4.6.
Jesus sempre se referiu a Deus como seu pai. Ele mesmo o chamou de “abba”, a primeira palavra em aramaico que as crianças de seu tempo aprendiam a falar, equivalente ao nosso “papai”. Na oração que ensinou aos seus discípulos, Jesus pediu que nos referíssemos ao “Pai Nosso”.
Precisamos da figura do pai. Freud disse certa vez que, “na maioria dos seres humanos, tanto hoje como nos tempos primitivos, a necessidade de se apoiar numa autoridade de qualquer espécie é tão imperativa que seu mundo desmorona se essa autoridade é ameaçada”. Isso porque o pai representa o quanto podemos ser capazes de encontrar o equilíbrio diante dos conflitos do mundo em que vivemos. Para Jung, o arquétipo do pai é um símbolo que contribui para a formação de nossa personalidade.
Não é um equívoco concordar com a psicanálise de que a ideia que temos de Deus é uma projeção infantil da imagem paterna. Em sua revelação ao homem, Deus sempre se mostra como um pai amoroso. E é consolador descobrir que Deus sempre nos vê como um pai vê o seu filho.
Tomando como base o mito de Édipo, podemos compreender a figura paterna como aquela que nos expõe ao outro como um espelho. E isso é condição de nossa formação como pessoas, é o que provoca nossos deslocamentos em direção à maturidade e à ilusão de sermos autônomos. O pai funciona como uma metáfora do desejo que temos de sermos acolhidos por quem nos deu a vida como um dom.
Chamar a Deus de Pai é muito mais do que reproduzir a ideia paterna que temos e projetá-la numa figura distante. É pluralizar a função paterna e descobrir que somente aquele que nos criou e nos deu as condições de existência poderia carregar consigo as prerrogativas do pai. O pai que temos é que se torna uma representação dessa paternidade divina, uma encarnação provisória e mal-acabada do pai amoroso que temos em Deus.
Deus é pai porque estabelece uma relação de amor conosco. Deus é pai porque investe na nossa formação como pessoas. Deus é pai porque nele fomos gerados para viver em liberdade e em criatividade no eterno devir em que a vida se dá. Deus é pai porque fala com seus filhos. Deus é pai porque somos semelhança sua, capazes de sentir alegria e dor, de ter abertura para o que está além. Deus é pai porque em nossa intimidade desejamos sua presença entre nós.
Quantas razões a mais poderíamos acrescentar para entendermos Deus como nosso pai? O profeta declarou: Contudo, Senhor, tu és o nosso Pai. Nós somos o barro; tu és o oleiro. Todos nós somos obra das tuas mãos” (Isaías 64.8).
Vivemos uma experiência de amor ferido em que as relações paternas humanas não conseguem cicatrizar. E é a descoberta do amor divino que nos remete à construção de nossa relação com Deus como Pai. O salmista canta: Como um pai tem compaixão de seus filhos, assim o Senhor tem compaixão dos que o temem; pois ele sabe do que somos formados; lembra-se de que somos pó” (Salmos 103.13,14).
“Vejam como é grande o amor que o Pai nos concedeu: que fôssemos chamados filhos de Deus, o que de fato somos!(1 João 3.1). Somente pessoas que se deixam ser invadidas por esse amor conseguem atribuir a Deus o lugar de Pai em sua vida.

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