quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Muito além do ouro: Valores olímpicos aplicados à vida / Beyond the gold, Olympic values applied to life / Más allá del oro, los valores olímpicos aplicados a la vida

Combati o bom combate, terminei a corrida, guardei a fé.” 2 Timóteo 4.7
O que passa pela cabeça de um atleta naquele momento em que percebe que conquistou a medalha olímpica? Durante a competição, a medalha de ouro é o sonho de todos nos Jogos Olímpicos, o maior torneio esportivo do planeta. Em sua edição de 2016, as Olimpíadas acontecerão pela primeira vez em um país latino-americano, especificamente na cidade do Rio de Janeiro, com a participação de cerca de 10.500 atletas representando 206 países.
Entretanto, o objetivo dos Jogos Olímpicos não é distribuir medalhas, mas promover uma mentalidade que esteja voltada para a promoção da paz, da união, do respeito e da busca da excelência entre as pessoas por meio de atividades que combinam o esporte, a cultura e a educação. Essa mentalidade tem um nome: é olimpismo, que é o espírito que orienta a organização e a realização do torneio, tendo em vista a criação de um estilo de vida baseado na busca da dignidade humana.
As Olimpíadas são uma das heranças da Grécia Antiga e que fazem uso de um modo de pensar fundado em um conjunto de práticas que contribuem para a construção de um mundo melhor, sem qualquer tipo de intolerância, preconceito ou discriminação, tendo como motivação a prática esportiva como um direito de todos. Por essa razão, valores como a amizade, o respeito e a excelência são promovidos como uma forma de se criar um ambiente equilibrado e harmônico para a vida.
A amizade é um valor que nos convida a um entendimento mútuo entre as pessoas e os povos do mundo. Os Jogos Olímpicos inspiram a humanidade a superar suas diferenças ideológicas, econômicas, étnicas, religiosas e de gênero e a desenvolver o encontro e a comunhão em meio à diversidade. O respeito se refere ao cuidado de si e do outro, à atenção às normas de vida comum, ao cuidado com o meio ambiente, o que está presente no fair play, no combate ao doping, na repressão ao suborno e na ética desportiva. A excelência significa dar o melhor de si quer seja no jogo ou na vida, tendo em vista fazer com que a competição não seja só para ganhar, mas para contribuir de forma eficaz para a realização pessoal e para superação de desafios.
A Carta Olímpica, documento do Comitê Olímpico Internacional, que serve de base para a organização dos jogos, afirma que o olimpismo é uma filosofia de vida cujos objetivos são colocar o esporte a serviço do desenvolvimento humano e promover uma sociedade preocupada com a defesa da dignidade humana.
Nos últimos tempos, o esporte vem ganhando uma importância significativa na vida social, não só pelo aumento do número de participantes e de modalidades, mas também por movimentar um lucrativo mercado de equipamentos e materiais esportivos, de patrocínios e de espectadores. As Olimpíadas do Rio, por exemplo, deverá ser acompanhada por mais de 3 bilhões e 200 milhões de pessoas em todo o mundo pelas emissoras de TV, pela Internet e por meios diversos de comunicação. E isso estimula a que mais e mais pessoas se envolvam com a prática de esportes.
Por essa razão, a preocupação com os valores deve ir além do espetáculo oferecido. O esporte deve estar voltado para aquilo que há de mais humano em nós, nas formas concretas em que se dá a nossa existência como pessoas no mundo. Nesse aspecto, os limites do humano vão além dos ideais de ser o mais ágil, o mais veloz ou o mais forte. O humano está para além do biológico e da técnica. Ele está naquelas circunstâncias em que a vida exige um sentido.
Quando os idealizadores dos Jogos Olímpicos dos tempos modernos começaram a resgatar o espírito olímpico dos gregos antigos, foram influenciados por sentimentos e compreensões que são grandemente enraizados na mensagem cristã. Aquilo que se entende hoje como valores olímpicos sempre fizeram parte do ensino deixado por Jesus tendo em vista a restauração de um novo sentido de humanidade.
Por isso, os Jogos Olímpicos se constituem não só como uma oportunidade para refletir sobre a vida humana, mas também para pensar no humano que Jesus quis restaurar em nós, como pessoas amadas e cuidadas por Deus. Desse modo, será possível sonhar com uma vida que seja digna de ser vivida. Tal como nos Jogos, na vida somos todos atletas em busca de superação perseguindo o ideal maior de viver o que Cristo propôs a nós. Foi o que o apóstolo Paulo fez: ele combateu o bom combate da vida, ele percorreu todo o estádio da vida e ele preservou a fé.

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