sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Dimensão espiritual do voto / Spiritual dimension of voting / Dimensión espiritual de la votación

O exercício do voto ganhou uma dimensão simbólica nas sociedades democráticas que chega próximo do sagrado. O dia da eleição se caracteriza como um dia em que se pode parar a rotina e refletir sobre o significado das funções públicas no nosso dia a dia. É a coisa pública (que em latim seria res publica, que deu o termo república) que toma forma e invade a dimensão do privado.
Votar é um dever e um direito de todo o cidadão. Foi assim que a gente aprendeu. De um lado, somos obrigados a comparecer na seção eleitoral para sufragar o voto e, de outro, esse ato se reveste de exercício de liberdade. Parece que as duas atitudes são paradoxais, mas estão em completa sintonia com a dinâmica das relações políticas que fazem parte de nossa sociedade.
Para a grande maioria, a política se resume ao período eleitoral. É quando a gente percebe que no intervalo de dois anos não se deu conta de que a vida aconteceu. E sentimos isso no preço das coisas, no salário, nos sonhos realizados e naqueles que tiveram que ser adiados, nas relações de trabalho, quando se precisou cuidar da saúde, segurança, de locomoção, de comunicação, formação para o futuro, investimento dos recursos poupados e até nos projetos de vida, lazer e planejamento familiar. Por causa disso, levantam-se santos e pecadores, demonizam-se os culpados e beatificam-se aqueles que proporcionaram algum benefício, amaldiçoa-se os que são rejeitados e abençoa-se a quem mais interessa ao dar a ele o voto.
Nessa hora, duas coisas podem acontecer: ou sucumbimos a uma necessidade de permitir a continuidade do estado de coisas a que chegamos ou arriscamos a mudança. Alguns preferem uma terceira via, a do protesto silencioso do voto em branco ou nulo. Há também aqueles que se alienam totalmente, no sentido mesmo de transferir para outro a responsabilidade pelo seu destino. Mas isso é uma outra história.
O voto assumiu a dimensão simbólica de que é possível colocar ordem nas coisas a partir de um simples sufrágio e que, ao escolher o candidato, estamos desobrigados de nossa responsabilidade social. Quando se digita o número do candidato não se escolhe apenas um entre milhares. Escolhe-se a possibilidade de realização de um sonho, de um projeto de cidade, de nação e de mundo que imaginamos possível. Acreditamos nisso a partir daquilo que o candidato representa, seja em termos de sua proposta e plano de ação, seja por causa do seu caráter e idoneidade, seja pelas afinidades que construímos com ele.
Votar é mais do que escolher um candidato. É tomar parte de um processo histórico que define o rumo da vida social. É ter a capacidade de definir a pessoa em quem o poder irá tomar forma. Por isso que voto tem consequência, porque é um ato que nasce do exercício de nossa consciência e que, somado a outros tantos gestos semelhantes, poderá definir o rumo das circunstâncias que envolvem a nossa vida. Pense nisso quando votar. Você terá um instante para escolher e quatro anos para viver o resultado de sua escolha.

Um comentário:

  1. Concordo plenamente, porém me inquieta, por exemplo, no Rio de Janeiro há uma dificuldade gigantesca de encontrar candidatos compromissados com as injustiças socias e tantos outros assuntos. Estou analisando o programa de algumas candidatos a dep. estadual e federal e tem sido complicado. Mas o voto é extremamente importante.
    Abs
    Lucinao Manga

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