terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Tragédia e memória: às vítimas de Santa Maria / Tragedy and memory / Tragedia y la memoria

Desde a manhã de domingo, o Brasil inteiro é tomado de uma perplexidade e dor sem fim. A dor dos moradores de Santa Maria, principalmente das famílias que perderam seu futuro, é mesma de todos nós. Alguém já disse que quem perde um pai é chamado de órfão, quem perde um cônjuge é chamado de viúvo, mas quem perde um filho não tem nome devido a tamanha dor. Dor que não se aplaca com palavras, dor do vazio, dor da perda. Mas uma dor que não nos deixa esquecer que por trás de toda essa tragédia está uma história de descaso e arbitrariedade que tem marcado a vida em sociedade no nosso país.
Eu sei que esse não é um problema brasileiro. Outras tragédias como essa, com boates sendo incendiadas por descuidos de integrantes de bandas ou por ganância dos proprietários, já aconteceram na Argentina, na França, na Rússia e nos Estados Unidos. Em todas elas, as vítimas eram jovens cheios de sonhos e planos. O problema é que outras tragédias já aconteceram em nosso país e pouco aprendemos com elas. O incêndio do Gran Circo em Niterói, por exemplo, foi há 51 anos. Acontecimentos assim nos trazem à memória um histórico de perda. A dor das mães se torna dor coletiva em que todos nós sofremos perdas e danos.
As vítimas de Santa Maria não nos deixam esquecer de que há responsabilidade do poder público e que há corrupção por parte do setor privado, o que provoca consequências com essa dimensão. O que falar dos mortos em chacinas, emboscadas, golpes e traições? Em toda essa história de perdas, duas marcas predominam: de um lado, a marca da impunidade e, de outro, a da superação. Se de um lado temos poucas expectativas de que mudanças significativas aconteçam, por outro as ações de solidariedade abrem novos caminhos de justiça. Se de um lado temos a suspeita de que os verdadeiros culpados ficarão impunes, de outro temos expectativas de que podemos viver num mundo mais solidário, de pessoas que se ajudam a superar a dor. Se de um lado a impunidade impera, de outro o grito de superação prevalece.
Até quando vamos ter que chorar as vítimas de tragédias anunciadas, da impunidade, do desmando e da ganância? Depois da tragédia, restam outras vítimas, os sobreviventes que se perguntam: por que meu filho? Por que meu melhor amigo? Por que ele e não eu? Somos todos nós que, junto com pais, irmãos e amigos, nos sentimos impotentes por não termos conseguido evitar o pior, morremos um pouco a cada dia por saber que isso ainda não acabou. Nessa hora, vale a atitude de Jeremias: “Todavia, lembro-me bem do que pode me dar esperança.” Lamentações 3.21. Às muitas vítimas de Santa Maria, deixo a minha solidariedade em oração a fim de que a esperança permaneça como uma sobrevivente em meio a tanta dor.

2 comentários:

  1. "Alguém já disse que quem perde um pai é chamado de órfão, quem perde um cônjuge é chamado de viúvo, mas quem perde um filho não tem nome devido a tamanha dor. "

    De fato dor da perda de um filho é algo indescritível!

    Eles estão precisando de psicólogos especializados em dor, família e com muita unção do Espírito para tal ação!

    Oremos para que Deus possa agir através desses!

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  2. Aprecio o seu comentário à tragédia em Santa Maria. Realmente o problema consta de três fatores principais: pecado, ganância e descuido pela vida humana. Se os homens não querem submeter-se a Deus, também Deus não quer obrigá-los àquilo que rejeitam. Abraço. Constantino Ferreira

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