domingo, 15 de maio de 2016

Deus e Justiça / God and justice / Dios y la justicia

Vocês estão transformando o direito em amargura e atirando a justiça ao chão.” Amós 5.7 
Deus é justo, Ele ama a justiça e requer que ela aconteça em nossas relações. Tudo o que ele espera de nós é que pratiquemos a justiça. Não há nada que nos assemelhe tanto a Deus do que praticar a justiça.
O problema é que Deus é justo por natureza. Seu senso de justiça é movido pelo seu amor, que se transforma em atos de misericórdia e sentimentos de compaixão. Falar que Deus é justo é o mesmo que falar que ele ama, que é misericordioso e que é compassivo. Para o homem, porém, a justiça é uma virtude a ser adquirida. Quando se fala da justiça humana pensamos logo em um processo retributivo, que visa a satisfação de uma ofensa. Por isso que não há uma pessoa sequer que possa ser justa.
O princípio da justiça divina não é a vingança, o juízo acusatório, a condenação ou mesmo a aplicação de uma sentença punitiva. Se dependesse disso, não estaríamos aqui para contar nossa história. Falar de justiça de Deus é lembrar do seu perdão em relação às nossas faltas, é tratar do modo como Deus acolhe gente pecadora e restaura o sentido da vida a quem já se perdeu de si mesmo. Somente um Deus justo pode se ocupar da salvação da humanidade e permitir que os caminhos da história contribuam juntamente para que seu propósito salvador seja consumado.
O contrário disso é dar lugar aos nossos sentimentos individualistas e egoístas. Nossas percepções sobre justiça sempre são marcadas pela maneira como compreendemos nossas próprias fragilidades e ambiguidades. A justiça humana está circunscrita à lei, que é sempre provisória, depende das nossas relações morais e se submete aos limites da razão para a sua interpretação. O sentido da lei carece de um procedimento científico para a sua formulação e aplicabilidade, que é a ciência do Direito.
Nosso senso de justiça é atravessado pela história, depende de uma decisão pessoal visando ao bem comum. Quando a justiça está a serviço de interesses de grupos ou setores, é o mesmo que transformar o Direito em amargura e atirar a justiça ao chão, como disse o profeta. Mas quando a justiça se volta para a redenção do que há de mais humano em nós, ela se aproxima do ideal divino.
Pessoas tementes a Deus e que foram transformadas pelo evangelho da graça não combinam com atitudes injustas. Não há como praticar a justiça e estar ao lado de poderosos, opressores e exploradores que subvertem a justiça a seu favor e subjugam os mais vulneráveis. Não há como reproduzir o discurso opressor, reafirmar a sua lógica ou mesmo ignorar seus interesses. Praticar a justiça não se trata de um ideal, uma aspiração ou mesmo uma ideologia, mas em fazer a vontade de Deus.
Praticar a justiça como Deus requer é desejar que o outro tenha os mesmos direitos que eu tenho, é permitir que ele desfrute das mesmas oportunidades de realização que eu desfruto e é querer que o outro possa ocupar os mesmos lugares que eu ocupo. Para isso, é preciso desconstruir a mentalidade perversa que a sociedade humana nos impõe, principalmente com o avanço da secularização e do consumismo.
Justiça é quando todas as pessoas podem ter acesso a tudo aquilo que Deus nos dá como graça e podem descobrir juntas como orientar a vida inteira de acordo com seus propósitos. Qualquer coisa que possa interferir nisso é servir como impedimento para que a justiça seja completa.

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