sábado, 11 de junho de 2016

Ser pastor / Be pastor / Ser pastor

E dar-vos-ei pastores segundo o meu coração, os quais vos apascentarão com ciência e com inteligência” (Jeremias 3.15).
O que acontece com os pastores de hoje? De todas as ocupações, é a que mais se encontra em descrédito, ao lado de políticos e advogados. Talvez seja assim por causa das mudanças pelas quais a sociedade passou nestes tempos pós-modernos, quando todas as formas institucionalizadas de religião foram colocadas sob suspeita. Talvez por causa da pluralidade de formas eclesiásticas e de espiritualidades que o segmento evangélico experimentou nessa virada de milênio, que afetaram em muito a noção de pastoreio. Talvez até, e acho que este é o motivo maior, por causa de uma nova moralidade que tomou conta da mente dos pastores de hoje.
O que se vê é que pastores têm se afastado do cuidado de pessoas para se transformarem em executivos que cuidam de um negócio, que veem a religião como mercado, tratam a fé como produto e se relacionam com ovelhas como clientes. Para muitos, a igreja é a sua empresa, a qual avalia a partir do orçamento e do patrimônio, e mede seu sucesso pelo número de adeptos que consegue agregar.
O que se vê é que pastores abandonaram os valores essenciais do evangelho, como a compaixão, a justiça e a misericórdia, para darem lugar a uma lógica que se tornou hegemônica, de satisfazer a necessidade das pessoas. O problema é que essa lógica está ligada à busca do prazer, à valorização do entretenimento e à solução de problemas imediatos de pessoas que são afetadas pelo individualismo, o consumismo e até a busca de autoestima. Transformaram-se em animadores e gurus de autoajuda, em vez de profetas proclamadores das boas novas do evangelho.
O que se vê é que pastores abandonaram a escuta, a meditação e a contemplação para sair em busca de métodos e fórmulas que proporcionem o sucesso na carreira, que faça a igreja crescer e se adapte à cultura de mercado que invadiu o mundo gospel. Com isso, deixam também de produzir conhecimento e de fazer teologia para reproduzir um saber formatado, que é transmitido sem reflexão crítica e base bíblica.
O que se vê são pastores autocentrados, que exercem lideranças solitárias, que têm medo da concorrência, que se apegam a um modelo, que promovem uma ideologia reacionária, que se sentem portadores de uma unção, que se valem de estratégias de poder para se manterem no cargo. Não é difícil achar pastores em busca de uma igreja para trabalhar. Difícil é achar pastores dispostos a pagarem o preço de servirem ao Reino, que fazem de Deus o seu patrão. Pastores assim existem, mas são poucos. Por isso muitas igrejas estão em busca de pastores, mas não sabem bem o que procuram, pois são elas as responsáveis pelos dilemas que o ministério pastoral atravessa.
Precisa-se de pastores pastores, que sejam vocacionados, que estejam dispostos a servirem de exemplos de uma vida transformada, que sejam habilitados na hermenêutica e na exegese bíblica, que tenham um conhecimento amplo do arcabouço que forma sua cultura, que assumam o risco de serem rejeitados por estar na contramão do mundo, que sejam sensíveis à voz dos mais vulneráveis, que sejam corajosos para denunciar as formas de exploração e de opressão. Não importa se são de tempo integral ou parcial, mas que tenham o coração voltado para as pessoas que compõem seu rebanho.
Ainda imagino o Senhor Jesus olhando as multidões aflitas e dizendo que a seara é grande e os trabalhadores são poucos. Se é Deus quem dá pastores para cuidar de gente, então está na hora de clamar por eles.
Feliz Dia do Pastor a quem, como eu, ouviu o seu chamado e insiste na caminhada apesar dos muitos conflitos que afetam o pastoreio.

Um comentário:

  1. Parabéns, que Deus continue abençoando sua vida e ministério!

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