domingo, 9 de dezembro de 2007

Razão e paixão / Reason and passion / La razón y la pasión

Com a modernidade, passou-se a desenvolver a idéia de que a vida ética depende, quase que exclusivamente, do desenvolvimento da nossa capacidade de raciocínio, da razão. Para Espinosa, porém, a vida ética depende da nossa vontade, que pode querer ou não querer o que a razão ordena. Pare ele, a natureza humana é passional.
As paixões que nos dominam não são, em si, nem boas nem más; são naturais e, por natureza, nos encontramos cercados delas, sofrendo, passivamente, suas ações (que nos são externas). Diz ele: “as ações da alma nascem apenas das idéias adequadas e as paixões dependem apenas das idéias inadequadas” (Espinosa, 1973, p. 187).
As paixões ou afecções da alma, que nos são originais, são a alegria, a tristeza e o desejo. A paixão alegre é aquela que é capaz de aumentar a potência de agir do nosso corpo e de pensar da nossa alma. Dela decorre o amor, a esperança, a glória, a misericórdia, o contentamento e a segurança. Já a paixão triste, por oposição à alegre, refere-se à diminuição da potência de agir do nosso corpo e de pensar da nossa alma. O desespero, o ódio, a inveja, o orgulho, o medo e o pudor são derivados da paixão triste. A paixão do desejo, por exemplo, pode ser alegre ou triste. “O desejo é a essência ou a natureza de cada indivíduo na medida em que é concebido como determinado a fazer qualquer coisa pela sua constituição, tal qual ela é dada” (Espinosa, 1973, p. 216).
Nesse sentido, então, a ação moralmente correta, segundo Espinosa, é aquela que se orienta no sentido de aumentar a nossa potência de agir. A este movimento ele chamou de virtude e ao seu contrário, denominou de vício. Mas a virtude não é um bem em si, apenas significa a força do homem em ser e agir de forma autônoma. Do mesmo modo, o vício representa a fraqueza para existir, ser e agir, não se constituindo, portanto, num mal em si mesmo.
Segundo Espinosa, um homem deve agir moralmente correta não se submetendo às causas externas; passando da paixão à ação, tornando-se causa ativa interna de sua existência, atos e pensamentos; não se deixando dominar pelas paixões e desejos tristes e fortalecendo as paixões e desejos alegres. A razão é o equipamento de que o homem dispõe para concretizar esta ação moral no sentido do bem.
“Os homens, só na medida em que vivem sob a direção da Razão fazem necessariamente o que é necessariamente bom para a natureza humana e conseqüentemente, para cada homem; isto é, aquilo que está de acordo com a natureza de cada homem e, por conseguinte, os homens estão também sempre necessariamente de acordo, na medida em que vivem sob a direção da Razão” (Espinosa, 1973, p. 252).

3 comentários:

  1. Olá! Acabo de ler o seu texto e me interessei em ler Espinosa, porém não encontrei nenhuma indicação do livro citado.

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  2. O livro é da Coleção Os Pensadores, Espinosa, Ética à moda dos geômetras.

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