sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Ética e felicidade / Ethics and happiness

A função da ética é a de explicar, esclarecer e investigar uma determinada realidade. Esse modo de ver a abordagem ética é importante para repensar o sujeito de forma histórica e o modo como se constitui a sua relação com o simbólico. A questão ética pode ser tratada como uma questão de interpretação, uma vez que está relacionada à produção de significação, na relação da língua e da constituição dos sentidos e do sujeito. Nos processos de subjetivação, a abordagem ética é parte de uma ideologia, produzida pela ilusão de uma consciência de que se trata de uma questão pessoal, de conduta individual. Desse modo, a questão ética resulta ainda de uma relação política que se insere no espaço da ideologia, do equívoco.
É possível ver isso através da análise das teorias éticas que historicamente se assentam nos princípios da racionalidade e da autonomia do sujeito. Essas teorias surgem, basicamente, no período conhecido como modernidade, que abrange os séculos XVII a XIX. Uma concepção de racionalidade ética é aquela que afirma a possibilidade de uma fundamentação racional do dever moral, que se utiliza de procedimentos discursivos, com base na linguagem, para demonstrá-la. Significa que pretende argumentar acerca de uma concepção mais ampla de compreensão da ética racionalista. Uma concepção que privilegia não apenas os aspectos lógicos formais do pensamento autônomo, mas que também presta atenção aos aspectos intersubjetivos de constituição dos mesmos.
O início das preocupações com os problemas relacionados à vida ética sob a égide do pensamento, na filosofia ocidental, localiza-se na ética grega, precisamente com Sócrates. No ocidente, a origem da ética racionalista é atribuída a Sócrates, que, rompendo com a tradição da ética naturalista, parte da suposição da existência de um sujeito ético-moral dotado de consciência adquirida através da razão. Para este filósofo grego o homem age moralmente correto quando conhece o bem (felicidade da alma) e, conhecendo-o, não poderá deixar de praticá-lo. Em contrapartida, quando o homem aspira ao bem, sente-se senhor de si e, conseqüentemente, feliz.
Para Aristóteles, o fim último da vida é a busca da felicidade pela prática da virtude, como uma atividade da alma. Para Epicuro, a felicidade está no prazer, entendido aí como ausência de dor, e não somente volúpia. O prazer é visto como o começo e o fim da vida feliz. Para os estóicos, a felicidade estava na ausência de perturbações, o que eles chamavam de ataraxia, o estado em que a pessoa não é afetada pelos males da vida. Para os primeiros pensadores cristãos, a felicidade consiste na salvação da alma, no encontro de fé com Jesus Cristo associado à pratica da moral cristã.
No racionalismo clássico, localizamos uma ética que se contrapõe à ética cristã medieval, basicamente por ser humanista, isto é, por conceber o homem como o sujeito dos atos morais, e não mais Deus ou a natureza. Nesse período, acentua-se a idéia de que a razão humana é capaz de controlar e predizer as causas e os efeitos tanto dos fenômenos físicos quanto dos fatos sociais. Natureza e sociedade possuem as mesmas leis que as governam. O intelecto é capaz de dominar as emoções e as paixões, de modo que a vida prática ou a ética pode ser fundamentada racionalmente. Seus principais representantes foram Thomas Hobbes e Baruque de Espinosa.
O iluminismo, logo em seguida, caracterizou-se por ser um dos períodos mais fecundos e profícuos para o desenvolvimento da concepção de que a vida ética era governada pela razão. O iluminismo vai diferenciar natureza e civilização. A natureza representa o “reino da necessidade” no qual se encontram as leis naturais, universais e imutáveis. Já a civilização representa o “reino da liberdade”, responsável pela livre vontade humana para promover melhoramentos tanto intelectuais quanto morais. Isto significa que há níveis diferenciados tanto de natureza quanto de civilização e que os progressos no conhecimento moral se realizam através do aperfeiçoamento das civilizações. O principal representante da ética iluminista foi Kant.
Em todas essas abordagens, a felicidade é vista como um fim a ser atingido. Mas a realidade é que a felicidade consiste em um estado da alma, como uma função vital. Não se trata de algo a ser conquistado, mas algo a ser vivido. Ela não está fora, inatingível. Ela está dentro de você. Você precisa organizar o seu mundo interior e descobrir a si mesmo, descobrir o prazer e a coragem de ser o que você é.

2 comentários:

  1. Gosto de Kant...gosto de falar em felicidade e vir aqui é sempre bom!!! Desculpe a indelicadeza de ainda não ter postado os presentes que me deu...vou postar este final de semana!!
    Beijos bom final de semana

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  2. Oi, Tita. Não sou muito chegado a Kant. Acho complicado demais tentar entendê-lo. Mas não deixa de ser importante. Fique a vontade quanto aos prêmios, eles são merecidamente seus. beijos.

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