quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

O preço da misericórdia / The price of mercy / El precio de la misericordia

“Você não devia ter tido misericórdia do seu conservo como eu tive de você?” (Mateus 18.33).
A misericórdia não é barata. Ela tem um preço, o da compaixão. A misericórdia barata não passa de assistencialismo ou caridade de pessoas com a consciência culpada. Deus espera que as pessoas sejam misericordiosas do mesmo modo que ele o foi conosco.
Para falar do preço da misericórdia, Jesus contou a parábola do credor incompassivo. Nela, Jesus ressaltou o contraste entre as ações compassivas de Deus e as atitudes humanas em relação as necessidades dos outros. Tudo começou com a pergunta acerca de quantas vezes se deve perdoar uma pessoa que falha com a gente.
A história que Jesus contou consiste em um quadro de endividamento. Um senhor, rico proprietário (algumas traduções dizem que se tratava de um rei), resolveu pedir uma prestação de contas de seus servos. Entretanto, havia um que estava numa situação insolvente e isso colocava em risco até a sua família. O servo implorou por paciência e pediu um prazo mais longo para pagar toda a dívida. O senhor, então, fez mais do que isso: teve compaixão do servo e cancelou a dívida.
Saindo do encontro de prestação de contas, o servo encontrou-se com um subalterno que lhe devia uma quantia muito inferior. Tomado por uma fúria, aquele servo agarrou seu ajudante e exigiu o pagamento imediato da dívida. O ajudante pediu um pouco de paciência, pois iria pagá-la. Mas o servo foi impiedoso e mandou prendê-lo por causa daquela pequena quantia.
Os companheiros daquele servo souberam do que aconteceu e a notícia foi parar nos ouvidos do senhor, que chamou o seu servo e lhe perguntou o óbvio: “não era para você ter pena do seu companheiro como eu tive pena de você?” Jesus disse que aquele senhor ficou irado e mandou que fosse cobrada toda a dívida dele.
Esta é a mais sublime lição moral que Jesus deixou para seus seguidores, a de que tudo aquilo que recebemos pela graça, por graça devemos compartilhar com os outros. A misericórdia se expressa dentro de uma relação de alteridade.
A parábola contém uma promessa e uma advertência: a promessa diz respeito ao fato de que a misericórdia é ampla, completa e extensiva a todos; a advertência é que a misericórdia só se realiza quando somos capazes de ser misericordiosos.
A atitude humana em relação às possíveis falhas e fraquezas dos outros é marcada pelo preconceito e pelo egoísmo. Quando a gente lembra disso, somos chamados a uma revisão de nossos conceitos. A recusa humana em acolher o outro em sua própria condição é a causa de toda sorte de violência e maldade.
Jesus usou a parábola do credor incompassivo para concluir seu sermão a respeito da principal característica da vida em comunhão: o perdão. Quando alguém se nega a perdoar o outro demonstra que não tem condições de ser perdoada. Uma pessoa que não é capaz de perdoar jamais experimentou a misericórdia de Deus em sua própria vida.
Basear os nossos relacionamentos somente nos merecimentos é o mesmo que negar a esperança da redenção. O custo da misericórdia é o maior ensino civilizatório que a humanidade já recebeu: o de fazer aos outros o que você gostaria que fizessem contigo.

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