quinta-feira, 1 de abril de 2010

Quando fala o amor / When love speaks / Cuando el amor se habla

O que pode fazer uma pessoa tomada por um amor louco, despojado, desprendido, sem medida? Qual é o limite da capacidade de amar? William Shakespeare disse que “quando fala o amor, a voz de todos os deuses deixa o céu embriagado de harmonia”.
A afirmação mais impressionante da Bíblia é que Deus assumiu a forma humana e isso é a maior prova de seu amor. A Bíblia diz que “Deus amou o mundo tanto, que deu o seu único Filho, para que todo aquele que nele crer não morra, mas tenha a vida eterna” (João 3.16 BLH). E essa é a única maneira de compreendermos quem Jesus é. Muitos afirmam que Jesus foi um grande líder humanista, um grande pensador e até mesmo um grande mestre de espiritualidade. Mas ele nunca quis ser reconhecido por nenhuma dessas identidades. Ele não nos deixou outra imagem de si mesmo a não ser a de alguém movido por uma paixão infinita pela humanidade.
Quando Jesus nasceu, ninguém jamais poderia entender que um Deus pudesse se fazer como um frágil bebê. Para os antigos, Deus estava mais afeito aos mistérios, aos trovões e aos relâmpagos. Mas Deus se faz homem, nascendo em uma humilde vila, num longínquo interior de uma das mais distantes províncias do império romano. Ele viveu entre gente humilde, misturado a eles como que integrante de sua cultura. Viveu como um camponês e morreu como um rejeitado. Mas o fato é que sua vida inteira é a maior expressão de quanto Deus é capaz de nos amar.
Esse estranho amor de Deus – diferente do eros, que é pura carência, e de filia, que é um regozijo pelo outro – é descrito como agape, a capacidade de dar de si, para criar vida e restaurar o que não tem nenhum valor. Quando a Bíblia diz que Deus ama o homem não quer dizer que esse ser, que somos nós, seja importante. Não há nada de amável no homem. O fato é que Deus é amor, isso vem primeiro e Deus é livre para escolher ser o que é. Independe de quanto vale o objeto amado, uma vez que Deus não tem nada a ganhar por nos amar tanto. Esse sentimento louco de Deus é absolutamente espontâneo e desinteressado. É por isso que ele nos constrange e nos remete de volta a quem somos. Assim como Deus esvaziou-se de sua divindade, seu amor nos motiva a nos esvaziarmos de nossa falsa divindade e a descobrirmos que somos nada. É esse amor sem medida que me renova e me diz que alguém se importa comigo. Preciso fazer a oração de Espinosa: “Meu Deus, concedei-me tornar-me nada..”

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