segunda-feira, 18 de julho de 2016

Quem é o teu próximo? Uma parábola para a contemporaneidade / Who is your neighbor? A parable for contemporaneity / ¿Quién es tu prójimo? Una parábola para la contemporaneidade

[...] E quem é o meu próximo?” Lucas 10.29
Jesus chamou os religiosos de seu tempo a repensarem a maneira como orientavam sua compreensão do mundo e da missão. Ele apresentou a parábola do bom samaritano com uma proposta para se rever a maneira como a religião lida com o outro e o diferente a partir da pergunta: “quem é o meu próximo?”. Mas ela pode ser tomada também como uma metáfora do mundo atual, de modo que os bandidos podem ser vistos como os ticos e poderosos de hoje, a vítima corresponde aos pobres, oprimidos e explorados desse tempo e os religiosos como aqueles que estão indiferentes às dores do mundo.
O mundo carece de bons como o samaritano da parábola: pessoas que constroem um mundo melhor para o que sofre as consequências da maldade. Os próximos de hoje são os muitos explorados e oprimidos do sistema econômico capitalista mundial que entrou em colapso. Vivemos no contexto de uma ordem mundial criminosa e genocida liderada por uma pequena elite que consente acerca de quem vive e quem morre.
O sistema social, econômico, político e judicial no mundo é dominado por uma ideologia que legitima o extermínio por meio da exploração. É constrangedor saber que, neste tempo, pessoas tenham que abandonar sua terra para migrarem em busca de sobrevivência nos países que os exploram, que comunidades inteiras tenham que ser desalojadas em nome de um progresso que enriquece a poucos, que ainda haja no mundo pessoas que passem fome, morram de frio e sofram com falta de assistência médica.
Isso para não falar da questão ambientalista, das relações familiares, da diversidade de gênero e outras tantas questões que estão presentes na pauta da sociedade atual. Uma espiritualidade pluralista não pode estar alienada dos processos sociais, econômicos e políticos que orientam os problemas que afligem a humanidade. Para tornar-se relevante para esse tempo, é preciso se dar conta de que há um percurso a ser assumido, que nos remete ao outro e nos reconduz ao lugar em que somos construídos, de forma que permita uma nova compreensão de nossa missão e identidade e o aprofundamento de nossa experiência de Deus no mundo.
São tantas pessoas que morrem vítimas da injustiça e da desigualdade atualmente que nos tornamos indiferentes às suas causas. Dificilmente pensamos que alguém que sofra em uma situação de desigualdade pode ser uma vítima do sistema em que vivemos. Ainda temos muitas dúvidas acerca de quem é nosso próximo.
Um jovem que morre de overdose é uma pessoa assassinada.
Uma criança que morre de bala perdida é uma pessoa assassinada.
Um idoso que morre por não poder pagar o plano de saúde é uma pessoa assassinada.
Um sem-teto que morre de frio na rua é uma pessoa assassinada.
Um pobre que morre na fila de espera do hospital é uma pessoa assassinada.
Um imigrante que morre afogado no Mediterrâneo é uma pessoa assassinada.
Uma criança que morre de fome é uma criança assassinada.
Se Jesus viesse a nós agora, ele ainda perguntaria sobre quem é o próximo dessas vítimas da desigualdade, da injustiça e da opressão de nosso tempo. É triste constatar que poucos são os cristãos que se importariam com o sofrimento dessas pessoas. “Qual destes três você acha que foi o próximo do homem que caiu nas mãos dos assaltantes?” (Lucas 10.36), perguntaria Jesus a nós.
Talvez vivamos uma época como cristãos que não somos dignos sequer de sermos tratados como samaritanos. A menos que sejamos capazes de obedecer a Jesus, quando disse: “[...] Vá e faça o mesmo” (Lucas 10.37).

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