sexta-feira, 8 de julho de 2016

Não tenha medo / Be not afraid / No temas

Por isso não tema, pois estou com você; não tenha medo, pois sou o seu Deus. Eu o fortalecerei e o ajudarei; Eu o segurarei com a minha mão direita vitoriosa.” Isaías 41.10
Alguém um dia falou que a Bíblia repete a expressão “não temas” 366 vezes, uma para cada dia do ano. Embora isso não seja um fato comprovável – a expressão deve ocorrer em torno de 90 vezes em toda a versão portuguesa das escrituras –, é legal saber que Deus é aquele que diz para não termos medo. Você não precisa que Deus repita isso todos os dias para acreditar que Ele está ao seu lado até nos momentos mais difíceis. Basta ouvir uma vez só.
Jesus disse a Jairo, o dirigente de uma sinagoga, uma vez: “Não tenha medo; tão-somente creia” (Marcos 5.36). Sua filhinha estava morrendo e ele vivia um grande conflito: era o chefe da sinagoga, que congregava os temidos fariseus que se opunham a Jesus. Contudo, ele confiou no fato de que Jesus era suficiente não só para restaurar a saúde de sua filha, mas também para lhe dar força e coragem para enfrentar aquela situação.
O medo é uma das contradições de nossa condição humana. É um sentimento que serve de sinal de alerta para nos proteger, mas também serve para nos paralisar. Aristóteles disse que o medo é uma agitação da alma diante de uma ameaça futura que pode provocar a dor e até a morte. Ele disse que “o medo é definido por uma expectativa do mal”. Para o filósofo Nietzsche, o medo é o pai da moral. Por isso, ele precisa ser vencido e, para essa vitória, é preciso uma moral capaz de exercer controle sobre nossas contradições humanas. Uma moral assim é castradora de nossa própria liberdade. Nietzsche falou isso ao criticar a moral kantiana, que defendia o agir moral a partir de um critério metafísico: um valor universal que visa o bem comum.
Segundo Espinosa, há duas fortes paixões que orientam nossas ações: a esperança e o medo. Elas têm uma origem comum, que é a dúvida. Elas surgem de uma ideia comum que fazemos da realidade, cujo resultado duvidamos. Daí ele afirmar que “não há esperança sem medo, nem medo sem esperança”.
Em Kant, a esperança e o medo não têm valores em si mesmos, embora justifiquem o agir correto para muita gente. A esperança visa alcançar as promessas divinas pelo agir correto. Já o medo tem a ver com os castigos e punições reservados aos desobedientes. As ações orientadas pela esperança ou pelo medo, no fundo, têm o mesmo sentido. Nenhuma dessas formas são válidas ou sinceras, visto que satisfazem apenas aos interesses individuais de recompensa ou de livramento.
A existência humana é marcada por uma luta constante para afastar aquilo que provoca o medo. O problema é que somos um projeto inacabado, lançados no mundo sem que tenhamos feito uma escolha prévia para isso, entregues às contingências e às circunstâncias históricas concretas. Carlos Drummond de Andrade, em sua poesia “O medo”, diz que: “Em verdade temos medo. Nascemos no escuro [...] E fomos educados para o medo”. O medo “nos dissimula e nos berça”, diz. Temos medo em estado bruto diante de situações que causam medo.
Dizer para não ter medo diante de situações que provocam medo seria uma coisa completamente fora de sentido. Essa palavra não cabe na boca de um ser humano, como uma autoafirmação ou um conselho terapêutico. Somente Deus pode oferecer uma solução para o medo, não para removê-lo, mas para superá-lo. A única força que pode vencer o medo é o amor. Pelo fato de ser perfeito amor, somente Deus pode vencê-lo. Por essa razão, a Bíblia diz: “No amor não há medo; pelo contrário o perfeito amor expulsa o medo, porque o medo supõe castigo. Aquele que tem medo não está aperfeiçoado no amor” (1 João 4.18)

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