sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Gestão e espiritualidade / Management and spirituality

Para muitas pessoas, o tema gestão não combina com espiritualidade. Para pessoas que pensam assim, gestão é uma atividade ligada a negócios e diz respeito a uma forma materialista de pensar, enquanto que a espiritualidade tem a ver com uma atividade mais contemplativa, ligada à religiosidade.
A princípio, percebemos que a gestão trata de questões relacionada à eficiência, da produtividade, de resultados, de competição, de negociação. Mas trata também de inovação, mudança e empreendedorismo. O que todos esses temas têm em comum é que eles abordam as condições de realização do presente e da projeção para um futuro melhor.
A espiritualidade, por sua vez, trata de questões ligadas à postura que devemos assumir visando à felicidade, à busca de sentido para a nossa existência, à aquisição de valores que nutrem relacionamentos mais consistentes, ao cultivo de atitudes voltadas para a sustentabilidade do meio ambiente, à adoção de hábitos de vida saudável, ao amadurecimento pessoal.
A espiritualidade, nesse sentido, tem vários pontos de interesse com a gestão. Diria até que não há gestão autêntica se não houver cuidado com a questão da espiritualidade dentro do ambiente corporativo, levando em consideração é claro, dos fatores que acabei de mencionar.
É um equívoco relegar a espiritualidade a um plano meramente religioso., conquanto a religião seja uma expressão humana de relacionamento com aquilo que atribuímos o valor de sagrado. Religião é uma atitude de encontro de fé com a divindade e seu projeto regenerador. Ela se manifesta sob a forma de conhecimento e ética e atribui sentido à existência.
A espiritualidade cristão, que é o objeto de nossa atenção, diz respeito ao modo de viver como ser humano ao atender o chamado de Jesus para segui-lo. Essa vida que acontece em fé é o que motiva a prosseguir e nutre convicções. Nesse sentido, firmado na fé em Jesus Cristo e seu projeto de vida, a espiritualidade cristã possibilita um conjunto de valores que dão novo entendimento e nova perspectiva para a organização da vida humana, inclusive a empresa.
O capitalismo selvagem que se viu surgir no final do século XIX e começo do século XX deu lugar a corporações humanas destituídas de valores éticos, visando ao lucro sem medir os impactos sociais e ambientais. Hoje, diante dos desencantos gerados pela indústria de consumo, se vê emergir uma nova dimensão da capacidade de gestão que priorize mais os valores e a dignidade humanos.
Várias correntes teóricas na área de gestão tem se levantado, notadamente após a década de 1970, propondo uma reviravolta no mundo corporativo. Resultado disso é o crescimento do número de empresas ligadas ao terceiro setor e a valorização de empresas preocupadas com questões sociais e ambientais. É nesse espaço que a espiritualidade cristã se insere, propondo alternativas viáveis e saudáveis para transformar a realidade da atividade gestora neste tempo.

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